10 Razões Por Que Eclesiastes 12:7 não Serve de Prova para a Teoria da Imortalidade da Alma

10 Razões Por Que Eclesiastes 12:7 não Serve de Prova para a Teoria da Imortalidade da Alma

Diz o texto: “O pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.

1º – Porque a noção de um “espírito” equivalente a uma entidade imortal com que o homem foi dotado na criação (“alma”) parte duma premissa não demonstrada, pois não ocorre qualquer informação nas Escrituras de que tal componente realmente integrasse o indivíduo originalmente criado.

Aliás, ocorre uma discussão entre dualistas “dicotomistas” e “tricotomistas”, quanto a se as designações de “alma” e “espírito” se equivalem ou têm sentidos diferenciados no que tange à condição de vida e morte.

2º – Porque quem ler o capítulo inteiro de Eclesiastes 12 perceberá a linguagem pungente em que o sábio se refere ao fim da vida de todos, antecedido pela penosa experiência da velhice até o ponto em que “o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus que o deu” (vs. 7). O vs. 6 descreve o fim da vida em alegorias variadas e linguagem bem gráfica: “antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço”.

3º – Porque a própria advertência a todos para que o Criador seja lembrado, antes que a morte chegue sem que Ele seja assim tido em conta, não dá margem a qualquer noção de intenção do autor em falar do espírito só dos salvos, e sim de todos os seres humanos.

4º – Porque a morte de todos logicamente significa que Deus, em quem “vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 7:28) retira esse dom da vida. O “fôlego” é reintegrado ao espaço, o corpo retorna ao pó, e a máquina humana cessa de funcionar.

Se a interpretação dos imortalistas é no sentido de que “o espírito” que volta vai para junto de Deus como entidade consciente, então temos a pregação da salvação universal! TODOS os espíritos de TODOS os que são pó (a raça humana inteira) retornaria para Deus! O texto não implica absolutamente separação de salvos e perdidos. . . .

5º – Porque a passagem em discussão deixa implícito que o espírito retorna a Deus no instante do falecimento e esse “espírito” deriva de ruach, no hebraico. Esta palavra tem vários significados dentre os quais “respiração”“vento”“vitalidade”“coragem”“mente”“temperamento”, “sede das emoções”, etc. Todavia, em nenhuma das 379 ocorrências de seu uso no Velho Testamento ruach denota uma entidade separada capaz de existência consciente à parte do corpo físico.

6º – Porque se pode depreender que esse “espírito” é o fôlego citado em Gên. 2:7 pelo que diz o mesmo livro de Eclesiastes poucos capítulos antes:

“É por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó, e ao pó tornarão. Quem sabe que o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima, e o dos animais para baixo, para a terra?” (Ecl. 3:18-21)

Esta passagem é de clareza cristalina e o tema discutido é exatamente o mesmo—o fim da vida humana, comparável ao dos animais, pois o “fôlego de vida” de homens e animais é o mesmo, o que é claramente exposto no relato da Criação, em Gên. 1:30:

“E a todos os animais da terra e a todas as aves dos céus e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida . . .”.

O termo para “fôlego de vida” é o mesmo, nephesh.

7º – Porque o paralelismo entre o “espírito de Deus” e “o sopro do Todo-poderoso”, que se acha com freqüência na Bíblia (Isa. 42:5; Jó 27:3; 34:14-15), sugere que os dois termos são usados intercambiavelmente. Ambos fazem referência ao dom da vida concedido por Deus a Suas criaturas. Lemos em Jó 33:4:

“O espírito [ruach] de Deus me criou, e o sopro [neshamah] do Todo-poderoso me concede vida”.

O Espírito de Deus que concede vida é descrito pela sugestiva imagem do “fôlego de vida”em vista de que a respiração é uma manifestação tangível de vida. Uma pessoa que não mais respira está morta. Jó declara:

“Enquanto estiver em mim o meu fôlego [neshamah], e o espírito [ruach] de Deus estiver em minhas narinas; meus lábios não falarão a falsidade” (Jó 27:3).

Certamente ninguém imagina que a suposta “alma imortal” humana permaneça nas narinas da pessoa, entrando e saindo no ato de inspirar, expirar. . . .

“fôlego” humano e o “espírito” divino são equiparados, em razão de que respirar é visto como uma manifestação do poder sustenedor do Espírito de Deus. Também no Salmo 104:29 e 30 temos uma descrição de como os próprios animais morrem quando Deus lhes corta a respiração.

8º – Porque também outros paralelismos da linguagem poética de Jó ajudam-nos a ver como “espírito” e “fôlego” são a mesma coisa:

“Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.” (Jó 34:14,15).

Isto não é uma distinção no sentido em que alguns apresentam, e sim paralelismo. É um recurso comum na língua hebraica, como no Salmo que diz:

“Lâmpada para os meus pés e a Tua palavra, e luz para os meus caminhos”. Aliás, o texto fala exatamente dentro do pensamento já exposto em Ecl. 12:7—o espírito e fôlego de TODOS os seres humanos, sem definir-se salvos e perdidos.

O texto citado de Salmos ensina que a Palavra de Deus é, ao mesmo tempo, lâmpada e luz para os que a ouvem e a colocam em prática. Isso mostra que a lâmpada e a luz são a mesma coisa? Claro que não. Da mesma forma, o espírito e o fôlego são postos lado-a-lado em Jó 34:14, mas deixados em distinção mútua; não é possível confundir os dois.

Isto posto, qual seria a tradução correta de Jó 34:14? Basta ler o contexto e ver o uso constante do recurso do paralelismo. Os dois versos juntos assim rezam:

“Se Deus . . . para Si recolhesse o Seu espírito e o Seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó”.

A idéia é exatamente a mesma de Ecl. 12:7—o pó [de todos os seres humanos] volta à terra, e o espírito [de todos, até dos animais (3:19)] é “recolhido” por Deus, não para ficar com Ele no céu, pois a Bíblia não define assim a vida após a morte, nem ensina o universalismo, de TODOS os homens irem para junto de Deus na morte. Evidentemente neste caso temos outra ocorrência de paralelismo sinônimo, nada mais do que isso.

9º – Porque nada indica que o “espírito”, concedido por Deus ao homem no princípio, é o mesmo “sopro”, ou “fôlego de vida”, e tem consciência depois da morte. A Bíblia não autoriza tal interpretação, nem neste verso, nem em qualquer outro. Pelo contrário, o quadro que se ressalta do que o salmista nos apresenta quando esse “espírito” é recolhido é a falta de consciência após a morte:

“Não confieis . . . nos filhos dos homens . . . Sai-lhes o espírito e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia perecem todos os seus desígnios [pensamentos-KJV; “pensamientos”—Reina Valera, em espanhol] (Salmo 146: 3 e 4).

Muitos outros textos falam claramente da condição de inconsciência do homem na morte: Sal. 6:5; 30:9; 88:10; 115: 17; Ecl. 9: 5, 6; Isa. 38: 18, 19; 1 Cor. 15: 16-19, 32.

10º – Porque a esperança de Jó de vida eterna centralizava-se na ressurreição, não em ir para a glória quando morresse e sua alma para lá se dirigisse:

“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros”. Jó 19: 25-27.

Que a grande esperança de vida eterna se centraliza, não na morte com ida de uma alma para o céu, mas na ressurreição, fica por demais claro ainda os seguintes textos: Sal. 17:15; João 6:39, 40; Lucas 20:37, 38; João 11: 23, 25; Fil. 3:11; 1 Tes. 4:14, 17; Mat. 16:27 (cf. Isa. 40:10); 2 Tim. 4:7, 8).

Azenilto Brito

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