3 Razões Bíblicas Para Acolher as Pessoas, ao invés de Compactuar com a Ignorância Delas

3 Razões Bíblicas Para Acolher as Pessoas, ao invés de Compactuar com a Ignorância Delas

Enquanto lia um capítulo da obra Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos, de John Stott, uma frase fez minha mente “borbulhar” e me levou a reavaliar certas posturas bem intencionadas de alguns membros e líderes de minha igreja na hora de acolher as pessoas.

Há uma tendência no adventismo do sétimo dia de não abordar certos assuntos “polêmicos” pelo medo de “escandalizar” os irmãos mais “fracos” na fé. Todavia, o pensamento a seguir de Stott me ajudou a amadurecer uma ideia bíblica sobre a qual eu já pensava escrever há alguns anos:

Consciências fracas devem ser fortalecidas e consciências enganadas, ensinadas.*

Ao ler isso, amadureci a ideia e concluí: mesmo convivendo sempre com os fracos na fé (Rm 14:1), amando-os e respeitando-os, Deus não autoriza mantê-los na ignorância, pois essa é uma falsa proteção.

Como igreja temos nos preocupado em ensinar as consciências enganadas, atendendo à ordem de Cristo em Mateus 28:18-20, Apocalipse 14:6-12 e Apocalipse 18:4. Essa é realmente nossa grande missão. Fazemos isso sempre com ética e respeitando o livre-arbítrio de cada um, pois nosso modelo de evangelismo, que tem como base a natureza de Deus e a natureza do homem e dignidade do ser humano, não impõe ideias, mas persuade pela argumentação.

Entretanto, temos falhado no fortalecimento daquilo que Stott (e especialmente a Bíblia) chama de “consciências fracas”. Parece que estamos mais preocupados com a “política da boa vizinhança” do que com um “Assim Diz o Senhor”, e também despreocupados com o nível de intelectualidade dos membros da igreja.

É claro que há questões periféricas que não contribuirão para nosso evangelismo. Todavia, precisamos levar mais a sério o fato de que a ignorância não exalta a Deus, não faz parte de Seus planos e nem contribui para apressarmos a vinda de Seu reino.

Por isso, no presente artigo, você:

  1. Aprenderá que os “débeis” ou “fracos” na fé de Romanos 14:1 não são os irmãos “cabeças-duras”.
  2. Verá 3 razões bíblicas para não fazermos vistas grossas para a ignorância.
  3. Será motivado (a) a ser uma pessoa esclarecida, porém, ao mesmo tempo, humilde e tolerante.

Quem são os “débeis” (ou fracos) na fé em Romanos 14?

Primeiramente precisamos saber quem não são eles.

Os “débeis na fé” não são aqueles membros que estão na igreja há mais 20, 30 ou 40 anos, que são “cabeças-duras” e que não querem ser fortes na fé apoiando-se na força do Senhor (Is 27:5). Os “fracos” não são aqueles que por teimosia e indisposição de aprenderem e de se reciclarem, continuam com suas crenças particulares sem qualquer fundamentação bíblica.

Para as Escrituras, longe de ser uma virtude, o ser “fraco na fé” é, de acordo com alguns textos, o mesmo que ser carnal e imaturo:

Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem? (1Co 3:1-3, Almeida, Revista e Atualizada. Grifos acrescidos).

Obviamente, os “fracos na fé” no contexto de Romanos 14:1-2 são pessoas com uma consciência moral e espiritual muito sensível, judeus cristãos ou prosélitos que ainda não haviam compreendido “todas as implicações de sua fé”. Eles ainda temiam, assim como os cristãos em 1 Coríntios 8-11, comer uma carne que estivesse sendo vendida no açougue depois de ter sido dedicada em um templo pagão.

Por isso, eles preferiram adotar uma dieta vegetariana para não correr nenhum “risco” (Rm 14:2) de comerem uma carne supostamente “contaminada” espiritualmente e que viesse a “prejudicá-los”.**

Hoje também há pessoas com uma consciência sensível na igreja, e isso precisa ser respeitado. Afinal, “a unidade, na comunhão cristã, não requer unanimidade total em cada ideia”, e “cumpre-nos aprender a distinguir entre o que é essencial e o que não é”.*** Paulo ensina que numa comunidade onde se encontram “cristãos de tão diversas convicções”, não devemos ficar tentando “converter o outro” para que aceite nossas opiniões acerca de questões periféricas. Afinal de contas, o apóstolo ensinou que ao invés de ficar discutindo desnecessariamente, “o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém” (1Co 2:15).

Como destacou F. F. Bruce, “aquele que desfruta maior liberdade não deve menosprezar o outro julgando-o espiritualmente imaturo. Quem tem escrúpulos de consciência não deve criticar o seu irmão na fé por praticar o que ele não pratica. Cada cristão é servo de Cristo, e a Cristo é que terá que prestar contas, aqui e no porvir”. ****

Certa vez fui à uma igreja onde os líderes disciplinavam as irmãs se as vissem na rua usando calça comprida. Após ter falado durante uma sessão de perguntas que tal procedimento era errado e tê-los repreendido-os por isso, um pastor amigo veio me dizer:

Leandro, você não deveria ter dito isso, pois é a cultura deles

Obviamente não concordei, porque nenhum tipo de “cultura” deve suplantar a Palavra de Deus que sequer menciona a existência de calça comprida como parte do vestuário feminino nos tempos bíblicos.

Além disso, ignorância não pode ser sinônimo de cultura, e nenhuma “compreensão cultural” deve servir de base para uma disciplina eclesiástica! Ao invés disso, a disciplina deve ter como base a Bíblia Sagrada, e seu propósito deve ser levar qualquer pecador ao arrependimento por aquilo que realmente é pecado (ver Hb 12:5-13), aproximando-o ainda mais do Salvador. Uma igreja que só “exclui” e se esquece de levar as cargas dos irmãos que “caíram”, está longe do propósito de Cristo para Seu corpo espiritual nesse mundo: “Ajudem a levar os fardos uns dos outros e obedeçam, desse modo, à lei de Cristo” (Gl 6:2, Nova Versão Transformadora).

São realmente “fracos”?

Às vezes me pergunto se alguns cristãos realmente são “fracos” na fé, pois quase tudo o que eles pedem, a igreja costuma fazer. Será que eles realmente são “débeis na fé” ou estão, na realidade, sendo “mais fortes” do que se pensa?

Voltando à questão da disciplina eclesiástica, como igreja não devemos permitir que o “fraco na fé” (a meu ver, muitos nada têm de “fracos”) administre uma disciplina eclesiástica e defina o que é e o que não é pecado.

A igreja como instrumento disciplinador para a recuperação e salvação (Mt 18:17-18; 1Co 5:3-5; Hb 12:5-12), é responsável pela vida espiritual dos membros. Por isso, não pode usar pessoas menos instruídas para executar uma função tão séria como a disciplina. É o mesmo que um proprietário chegar à construção de seu prédio e pedir para o assistente de pedreiro lhe informar quantos vergalhões são necessários para construir toda a obra.

Isso é função do engenheiro, pois ele tem preparo e conhecimento para dar esse tipo de opinião. Se alguém capacitado não for consultado, o resultado final da obra será um completo desastre. O mesmo acontece quando a disciplina eclesiástica está sobre a responsabilidade de irmãos não capacitados para tal função.

O corpo espiritual de Cristo precisa ficar mais atento a esse tipo de coisa e se preocupar em fortalecer tais consciências fracas por meio de sermões mais sólidos, estudos bíblicos profundos e do diálogo aberto em programas de perguntas e respostas. Se como igreja não fizermos nada para fortalecer as consciências fracas, muito mais pessoas serão prejudicadas com procedimentos como esse (disciplinar por causa do uso da calça comprida), destituídos de base bíblica e de amor cristão.

O irmão “cabeça-dura”, que não quer crescer e ampliar seus horizontes, não pode simplesmente ser considerado “débil na fé”, e não tem o direito de continuar sendo fraco e de se escandalizar com qualquer coisa, muito menos por causa da calça comprida da irmã, que obviamente deve refletir os princípios de pureza, modéstia e decência de 1 Timóteo 2:9-10. Afinal, tal irmão não é mais uma “criança espiritual” para ser alimentada com leitinho, mas precisa parar de ser uma criança “birrenta”, amadurecer e alimentar-se com o alimento sólido da Palavra de Deus:

A essa altura, já deveriam ensinar outras pessoas, e no entanto precisam que alguém lhes ensine novamente os conceitos mais básicos da palavra de Deus. Ainda precisam de leite, e não podem ingerir alimento sólido. Quem se alimenta de leite ainda é criança e não sabe o que é justo. O alimento sólido é para os adultos que, pela prática constante, são capazes de distinguir entre o certo e errado (Hb 5:12-14, Nova Versão Transformadora).

Reféns dos “fracos” na fé

A igreja deve parar de ficar refém dessas pessoas. Precisa parar de se preocupar tanto com os comentários e opiniões desse tipo de crente que de “fraco” (repito), na realidade, tem nada. Enquanto isso não for feito, só atrasaremos a pregação do evangelho porque os mais maduros na fé ficarão desanimados e desmotivados para exercerem seus dons espirituais. Isso sim traz prejuízos reais à causa do evangelho!

Darei mais um exemplo do erro em permitir que pessoas menos esclarecidas definam o que é certo e o que é errado. Antes, quero que atente para o seguinte: não estarei apoiando em hipótese em alguma que você e eu desrespeitemos as decisões tomadas por voto em uma comissão da igreja, pois, na grande maioria das vezes, os membros da comissão sabem melhor que nós aquilo que pode ou não ser viável naquela localidade e naquele contexto, ok? Além disso, confiamos que a comissão tem a direção do Espírito Santo. Após esse esclarecimento, volto ao exemplo:

Acontece algumas vezes de uma comissão decidir algo por causa uma meia dúzia de pessoas, desconsiderando que com isso pode estar escandalizando a maioria! Sei de um lugar no Brasil onde um irmão, quando vê o grupo de louvor usar um instrumento musical percussivo – mesmo de forma reverente – sai da igreja e fica no pático chorando.

Ao invés de proibir determinado instrumento por causa desse único irmão, a comissão deveria escolher alguém que se aproximasse dele com carinho e amor e o ajudasse a fortalecer sua consciência fraca. Isso é o certo, e não alegar que ele foi “escandalizado”, sendo que, na realidade, quem foi escandalizado de verdade foi todo o grupo de louvor e o percussionista, proibidos de exercerem seus dons espirituais porque uma pessoa chora quando o instrumento é usado (devidamente).

Temos de parar com isso, antes que os prejuízos se tornem ainda maiores para a igreja!

Ao mesmo tempo, os “mais fortes” na fé não devem causar comoção sem necessidade. Por exemplo: se você gosta de beber uma cerveja sem álcool em sua casa, não ouse fazer isso numa comemoração da igreja porque é desnecessário, improdutivo e só gera polêmica.

Brigas trazem divisões (leia 1Co 1:10) e revelam que os briguentos ainda têm uma mente carnal, a ponto de prejudicar a harmonia e o amor entre os crentes. Bom senso é o que há de mais adequado para esse tipo de situação. Afinal, o apóstolo ensina que tanto os fortes quanto os fracos na fé precisam aprender a conviverem e a tolerarem-se em amor:

Aceitem os que são fracos na fé e não discutam sobre as opiniões deles acerca do que é certo ou errado. Por exemplo, um irmão crê que não é errado comer qualquer coisa [mesmo dedicada a um ídolo]. Outro, porém, que é mais fraco, come somente legumes e verduras. Quem se sente à vontade para comer de tudo não deve desprezar quem não o faz. E quem não come certos alimentos não deve condenar quem o faz, pois Deus os aceitou (Rm 14:1-3).

3 Razões Bíblicas Para Acolher as Pessoas e Não Compactuar com a Ignorância Delas

Tendo como base a natureza espiritual e racional de Deus, a importância da unidade da igreja; e considerando os prejuízos da ignorância, você verá que Deus não é glorificado com a teimosia humana.

#1 – A Ignorância Não Faz Parte Da Natureza Divina

O Deus bíblico é um ser pessoal, distinto de Sua criação (Gn 1:1-2; 26-27; Sl 33:6,9) e Criador de todas as coisas (Sl 33; Jr 10:16). É único em Sua essência divina (Dt 6:4), ao contrário das “divindades” pagãs, e se manifesta em Três Pessoas distintas (Lc 3:21-22; Mt 6:9-13; Jo 14:16; 15:26; 17:5, etc.).

Entre os diversos atributos desse Ser Sublime (eternidade, santidade, onipotência, onipresença, etc.), destaco a onisciência, que é a capacidade de conhecer todas as coisas (Sl 139:7-10). Isso exclui qualquer possibilidade dEle ser ignorante em algum assunto. Sua natureza divina não permite que Ele faça qualquer coisa sem conhecimento e sabedoria.

Provérbios 3:19 afirma que “o Senhor com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus”. A palavra hebraica para “inteligência” (Tabuwn) implica discernimento. Já no verso 20, o termo “conhecimento” (da ‘at) “representa as funções de uma mente racional e inteligente”. *****

A história bíblica revela que a natureza divina é amorosa e extremamente tolerante com a ignorância humana. Apesar disso, a“burrice”, diríamos assim, está longe de fazer parte da natureza divina e de Seus planos para aquelas criaturas que foram criadas à Sua imagem e semelhança (Gn 1:26-27).

Portanto, a natureza pura, perfeita e onisciente, racional e inteligente de Deus, não pode ser honrada com nossa ignorância. Faz parte de Seu plano de salvar a humanidade renovar a mente dos salvos (Rm 12:1-2) e torná-los pessoais mais espirituais, amáveis e inteligentes.

#2 – A Ignorância Compromete a Verdadeira Unidade

Já ouvi que devemos evitar certos assuntos para preservarmos a unidade da igreja. Não tenho dúvida alguma de que a desunião é um instrumento de Satanás para atrasar a conclusão da pregação do evangelho (cf. 1Co 1:11-13), para que ele tenha mais tempo de vida antes de ser castigado no lago de fogo (Mt 25:41).

A recomendação apostólica é para que não haja “divisões” entre nós e sejamos “inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1Co 1:10). Entretanto, a Bíblia também ensina que a verdadeira unidade é preservada quando todos os crentes se dispõem a ser humildes como Cristo. Isso não pode existir se apenas um dos lados se dispor a isso:

Não sejam egoístas, nem tentem impressionar ninguém. Sejam humildes e considerem os outros mais importantes que vocês. Não procurem apenas os próprios interesses, mas preocupem-se também com os interesses alheios. Tenham a mesma atitude demonstrada por Cristo Jesus. Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus fosse algo a que devesse se apegar. Em vez disso, esvaziou a si mesmo; assumiu a posição de escravo e nasceu como ser humano. Quando veio em forma humana, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2:3-8, Nova Versão Transformadora. Grifos acrescidos).

Entretanto, essa unidade deve ter como base a unidade entre Cristo e o Pai. E tal unidade não pode permanecer se estiver solidificada sobre a areia movediça da ignorância e da desinformação.

Em João 17:21, o Salvador orou: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós” (veja também o verso 22). Veja que nossa unidade como Igreja precisa ter como base a união inteligente entre o Pai e o Filho e o conhecimento da verdade: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

Sendo que a unidade entre as Pessoas da divindade é baseada no amor (1Jo 4:8) e no conhecimento do que é verdadeiro (Jo 17:17), a verdadeira união entre os crentes não pode existir sem conhecimento e desenvolvimento intelectual. Qualquer união promovida sobre as bases da ignorância ou da “política da boa vizinhança” é ilusória, prejudicial e não duradoura, por não ter a bênção de Deus.

#3 – A Ignorância Destrói o Ser Humano

Como já visto, Deus é racional (Is 1:18) e nos fez à Sua imagem e semelhança (Gn 1:27; Cl 3:10). É Seu intuito que desenvolvamos nossa capacidade de raciocínio para sermos mais bem usados para Sua honra e glória.

Sendo que a ignorância não faz parte de Sua natureza e nos leva à destruição, a igreja precisa se preocupar mais com o fortalecimento das consciências fracas.

A Bíblia diz que os filhos de Deus podem perecer “por falta de conhecimento” dEle (Os 4:6) e de Suas verdades, e que Ele deseja trazer luz à mente do ser humano (Is 9:2). Além disso, ensina que devemos mudar nosso modo de pensar (Rm 12:2) com a ajuda do Espírito (Jo 16:8, 13-14) e aconselha-nos a sermos dedicados “à leitura” (1Tm 4:13), para crescermos intelectualmente e espiritualmente. É por isso que em Provérbios 14:8 há a seguinte advertência: “O homem prudente sabe julgar os fatos da vida, mas a mente do tolo é cheia de ilusões e enganosa.” (Pv 14.8, Nova Bíblia Viva).

Negligenciar o conhecimento é tão sério que levou Salomão a afirmar: “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina” (Pv 1:7, King James Atualizada).

Por sua vez, Ellen G. White observou:

A ignorância não aumenta a humildade ou a espiritualidade de qualquer professo seguidor de Cristo. As verdades da Palavra divina podem ser melhor apreciadas pelo cristão intelectual. Cristo pode ser melhor glorificado por aqueles que O servem inteligentemente”.******

Considerações Finais

Não devemos pensar que acolher “ao que é débil” (“fraco”, como traduz a Nova Versão Transformadora) é o mesmo que acolher suas opiniões distorcidas sem base bíblica, ficando assim reféns deles.

Também não podemos confundir sensibilidade com teimosia, nem fazer confusão entre uma consciência sensível e uma consciência dura, indisposta a aprender. Em Romanos 14:1 Paulo não incentiva a igreja a deixar de lado o fortalecimento das consciências fracas. Como bem apontou Russel Norman Champlin:

Ninguém deve imaginar, insensatamente, que já conhece a verdade revelada inteira. Não sejamos covardes a ponto de temer novas verdades. Não sejamos preguiçosos a ponto de aceitar meias-verdades. Não sejamos arrogantes a ponto de pensar que já conhecemos toda a verdade. Dessas imposições e restrições, peçamos que o Senhor nos liberte.*******

Finalizo pedindo que não use meu artigo para atacar aos irmãos, mas sim para instruí-los em verdade e amor (2Tm 2:24-26). A igreja não precisa de mais críticos, mas de pessoas que gostem de refletir e de apresentar soluções reais, que possam proporcionar à membresia a oportunidade de viver um cristianismo bíblico, racional, autêntico e comprometido com a missão de Apocalipse 14:6-12.

Em suma: Romanos 14 nos ensina a respeitarmos as opiniões uns dos outros e a não sermos arrogantes. Também nos exorta a acolhermos ao débil na fé, sem com isso fazer vistas grossas à sua ignorância, pois esta faz perecer (Os 4:6) e nada tem a ver com o conceito adventista de revelação progressiva, que ensina ser o caminho do justo “como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4:18).

Em total harmonia com Provérbios 4:18, Ellen G. White escreveu em 1892:

Ao que está em viva comunhão com o Sol da Justiça, sempre se revelará nova luz sobre a Palavra de Deus. Ninguém deve chegar à conclusão de que não há mais verdades a serem reveladas. O que busca a verdade com diligência e oração encontrará preciosos raios de luz que ainda hão de brilhar da Palavra de Deus. ********

Cabe a cada um individualmente decidir se será “forte” ou “fraco” na fé. Porém, temos razões e recursos de sobra para nos tornarmos mais fortes.

Que você e eu decidamos todos os dias permitir ao Espírito Santo que nos liberte de nossa ignorância e das ideias particulares acariciadas, e nos conduza para mais perto de Jesus e de Sua Palavra.

Referências e Notas

* John Stott, Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos (Viçosa, MG: Ultimato, 2014), p. 81.

** Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento (São Paulo: Vida, 2008), p. 1860-1861.

*** Russel N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol. 3 (São Paulo: Hagnos, 2002), p. 836.

**** F. F. Bruce, Romanos: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica (São Paulo: Vida Nova, 1979), p. 197.

***** Franklin Ferreira e Alan Myatt, Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual (São Paulo: Vida Nova, 2007), p. 206.

****** Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, vol. 3 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 160.

******* Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol. 3, p. 836.

******** White, Conselhos Sobre Escola Sabatina, 7a ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013), p. 34.

 

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Leandro Quadros
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3 Comentários

  1. Parabéns professor Leandro Quadros, excelente artigo para mim que só completo 2 anos de batizada esse mes, serve de instrumento no como agir principalmente em minha família que não são adventistas ainda.

  2. Gelvane
    março 12, 19:41 Resposta

    Vc está suprindo uma carência em nosso meio, professor! Precisamos de gente que fale o que tem de ser dito. Infelizmente, as pessoas se preocupam mais em não “se complicar” do que em tomar posição ao lado da justiça.

    Que Deus continue usando vc poderosamente!

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