FAQ - Dúvidas Frequentes

A Bíblia considera a carne de pato imunda?

PARA INÍCIO DE CONVERSA…

Especialmente nós, adventistas do sétimo dia, bem como os judeus, não temos dúvidas quanto à necessidade de o ser humano abandonar o uso de consideradas imundas (impróprias para alimentação) pela Bíblia.

Os adventistas creem que Levítico 11:1-47 e Deuteronômio 14:3-21 apresentam leis dietéticas válidas para as pessoas de todas as épocas. Afinal, tanto o corpo dos Israelitas quanto o corpo dos cristãos, é o “templo do Espírito Santo” (1Co 3:16, 17; 6:19, 20), e não deve ser contaminado pelo uso de carnes de animais que não têm um sistema digestivo mais complexo e apto para eliminar todas as toxinas presentes no organismo.

Desse modo, enquanto nosso corpo for o “templo” ou “santuário” da Terceira Pessoa da Trindade, sempre será pecaminoso e “abominável” diante de Deus (ver Lv 11:43-47) jogar “lixo” para dentro desse templo[i]. Quanto mais sujo estiver nosso corpo de alimentos não saudáveis, menos capacitada estará nossa mente para recebermos as impressões do Espírito e discernirmos entre o certo e o errado. A profunda relação entre o corpo, mente e a espiritualidade é comprovada tanto pela Bíblia (cf. 1Ts 5:23, 24) quanto pela ciência[ii]. Não há como negar isso[iii].

Entretanto, quando o assunto é a carne de pato, a coisa muda de figura. Os adventistas são divididos, e não há entre eles um consenso quanto a isso. Para auxiliar nessa discussão, farei breves considerações e transcreverei uma resposta sobre o tema que foi disponibilizada pela Revista Adventista em agosto de 1955.

Antes, destaco que o ideal de Deus é que Seus filhos substituam o regime cárneo pelo vegetariano, proposto por Ele no princípio, como lemos em Gênesis 1:29. Isso não é questão de “salvação pela comida”, mas a atitude mais correta para quem deseja ter a mente ainda mais apta para discernir as coisas espirituais e, obviamente, ter mais saúde.

ELLEN G. WHITE FEZ USO DA CARNE DE PATO

Citando os Manuscritos números 11 e 12 de Ellen, escritos em 1873, Roger W. Coon em seu artigo intitulado “Ellen White and Vegetarianism”, nos informa que, em situações de emergência, a família White usava a carne de caças, incluindo certos tipos de patos.

Em 28 de setembro do referido ano, ela escreveu:

“[…] Estamos (num acampamento missionário) ficando aquém das disposições […] Um jovem de Nova Scotia havia vindo da caça. Ele possuía um quarto de veado e tinha viajado 20 milhas com este cervo em sua volta […] Deu-nos um pequeno pedaço de carne, do qual fizemos em caldo. Willie (filho de Ellen G. White) atirou num pato, que veio em um momento de necessidade […]” (Manuscrito 12 – grifos acrescidos).

Já em 5 de outubro do mesmo ano de 1873, Ellen White relatou:

“O sol brilha tão agradavelmente, mas nenhum alívio vem a nós. Nossas provisões têm sido muito baixas por alguns dias. Muitos de nossos suprimentos têm sido sem manteiga, molho de qualquer espécie, sem farinha de milho […]. Nós temos um pouco de farinha, e isso é tudo. Esperávamos suprimentos há três dias, certamente, mas nenhum chegou. Willie foi para o lago. Ouvimos a arma dele e descobri que ele tinha atirado em dois patos. Esta é realmente uma bênção, pois precisamos de algo para viver”[iv] (Manuscrito 13 – grifos acrescentados).

O hábito da família White de se alimentar de carne de pato em situações emergenciais, dez anos após a primeira visão que ela teve sobre saúde em 1863, demonstra que para os pioneiros adventistas, o pato não era considerado imundo, não estando na mesma categoria que o cisne (Lv 11:18, na versão Almeida, Revista e Corrigida[v]).

A RESPOSTA DA REVISTA ADVENTISTA EM AGOSTO DE 1955

Na seção intitulada “Caixa de Perguntas”, a Revista Adventista respondeu à dúvida: “É o pato imundo, ou limpo? (Lv 11:18 [e v.19])” da seguinte maneira:

Não nos parece que a passagem em questão inclua o pato entre os animais imundos. É interessante que, ao mencionar o cisne, não diz a passagem “segundo a sua espécie”, como se lê em muitos outros lugares[vi]. Depreendemos, daí, não estar o pato classificado como animal imundo. Acresce que os judeus, que são muito escrupulosos na questão das carnes imundas, não se abstêm da carne de pato.

Os judeus classificam o pato como sendo uma ave “Casher”, ou seja: apropriada para consumo. Segundo eles, essa ave doméstica (entre outras) preenche os critérios da Torá sobre o tipo de alimento que, se consumido, não atrapalhará o equilíbrio entre a saúde física e a saúde espiritual:

As aves Casher são identificadas por uma tradição transmitida de geração para geração e é universalmente aceita. A Torá especifica as aves que são proibidas, incluindo todas as aves de rapina ou que se alimentam de carniça. Entre as aves Casher estão incluídas as espécies domésticas de frangos, patos, gansos e perus[vii].

A Revista Adventista continua:

Quem tiver escrúpulos deverá, naturalmente, abster-se desse alimento, tanto mais quanto há muito prato mais saboroso e saudável que esse animal pouco simpático. Além do mais, somos muito aconselhados pelo Espírito de profecia[viii] a abandonar inteiramente o uso da carne, pelo menos nos lugares onde não faltam alimentos bons e nutritivos. A alimentação cárnea, quando existem alimentos melhores e de primeira mão, é cada vez mais condenada pela ciência médica. Vamos, irmãos que tendes acesso a alimentos melhores que os cárneos, deixar de tirar a vida aos inocentes animais (muitas vezes portadores de doenças repugnantes e contagiosas, que os olhos leigos não descobrem), e comer alimentos mais apetitosos e saudáveis![ix].

CONSIDERAÇÕES FINAIS

1) Ao irmão evangélico, católico, espírita, budista, ou que siga qualquer outro credo religioso, recomendo que se aprofunde no assunto do uso ou não de carnes imundas, e que estude sobre a relação íntima existente entre nossa alimentação e relacionamento espiritual com Deus (veja-se também Êx 15:26). Sugiro a leitura da excelente obra de Ellen White intitulada Conselhos Sobre Saúde, que pode ser adquirida com a editora Casa Publicadora Brasileira pelo site cpb.com.br

Além disso, recomendo um estudo contextual, especialmente de Mateus 15:1-20, Marcos 7:1-23, Atos 10:1-48, Romanos 14:1-23, 1 Coríntios 8-10, Colossenses 2:16 e Tito 1:15, para que o irmão ou irmã não chegue à conclusões totalmente contrárias ao que o Antigo Testamento, a Bíblia dos autores do Novo Testamento (cf. 2Tm 3:16; 2Pe 1:19-21), apresenta sobre o assunto em Levítico 11 e Deuteronômio 14.

A Bíblia é um todo harmônico, e precisa ser estudada em sua totalidade, sem que se faça a distinção entre “Velho” e “Novo Testamento” (pois toda a Bíblia é inspirada por Deus), se quisermos atingir compreensão mais ampla sobre Cristo (personagem central das Escrituras) e Suas verdades. No blog do “Na Mira da Verdade” (www.novotempo.com/namiradaverdade) poderá encontrar respostas concisas aos textos citados acima que são indevidamente interpretados. Use o campo “busca” para encontrar a(s) resposta(s) que mais lhe interessa. Em breve, disponibilizarei também aqui em meu blog respostas concisas a tais textos bíblicos supracitados e que são mal compreendidos.

2) A você que é adventista do sétimo dia, aconselho a não usar este pequeno post para combater aqueles que pensam diferente, e sim para instruir. Afinal, não faz parte do espírito cristão viver contendendo com os outros: “Fique longe das discussões tolas e sem valor, pois você sabe que elas sempre acabam em brigas. O servo do Senhor não deve andar brigando, mas deve tratar todos com educação. Deve ser um mestre bom e paciente, que corrige com delicadeza aqueles que são contra ele. Pois pode ser que Deus dê a eles a oportunidade de se arrependerem e de virem a conhecer a verdade” (2Tm 2:23-25, Nova Tradução Na Linguagem de Hoje).

3) O ideal é que o filho e a filha de Deus, de acordo com as circunstâncias e respeitando seus limites e organismo, vá abandonado o regime cárneo por estar se tornando cada vez mais prejudicial à saúde. Todavia, mesmo que nossa saúde física esteja intimamente relacionada com nossa santificação, como bem destacou o Dr. Helnio Judson Nogueira[x], você não deve fazer do vegetarianismo uma espécie de salvação pelas obras. Adaptando Efésios 2:8, 9, eu diria: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não pela soja (no texto bíblico, “obras””), para que ninguém se glorie”.

Para um estudo equilibrado e completo sobre o vegetarianismo nos escritos de Ellen G. White, recomendo a leitura do excelente artigo de Roger W. Coon, intitulado “Ellen White and Vegetarianism”. O Mesmo se encontra disponível no link a seguir: http://www.whiteestate.org/issues/vegetarian.html

Além disso, poderá consultar a obra de Herbert E. Douglass, intitulada Mensageira do Senhor, p. 310-317 e 333-337[xi], e meu livro Na Mira da Verdade, vol. 1, na resposta à pergunta 33: “Ellen G. White ensina que os carnívoros irão se perder?”[xii]

REFERÊNCIAS

[i] Considerando o conceito de pecado apresentado em 1 João 3:4, não há dúvidas de que a desobediência às leis de saúde também se constitui pecado: “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”. Graças a Deus porque a graça de Jesus nos perdoa e apaga esse e qualquer outro tipo de pecado em nossa vida! “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1). O autor do presente artigo foi um inveterado comedor de carnes imundas, porém, a graça de Jesus o perdoou e o ajudou a abandonar especialmente a carne de porco (Lv 11:7, 8). Com isso, tem desfrutado de uma saúde muito melhor que no passado (Êx 15:26).

[ii] Veja-se Harold G. Koenig, Medicina, Religião e Saúde: o Encontro da Ciência e da Espiritualidade (Porto Alegre, RS: L&PM, 2012). Ver também Francisco Di Biase e Mário Sérgio F. da Rocha em Caminhos da Cura: Enriquecendo sua vida com orações, meditação, visualização, sonhos, contos e outras práticas milenares de saúde, de relaxamento e de bem-estar, comprovadas pela ciência moderna (Petrópolis, RJ: Vozes, 2010).

[iii] Em sua Nota Adicional ao capítulo 11 de Levítico, o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia(Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011. Série Logos), p. 818, explicou: “A comida afeta a mente? Comer e beber afetam o espírito? Seguramente. O olhar ácido para a vida vem de um estômago dispéptico [com digestão difícil, trazendo perturbações]. Comer de modo correto não produzirá necessariamente disposição amável, mas comer de modo errado torna difícil seguir o padrão estabelecido por Deus. As leis dietéticas de Deus não são regras arbitrárias que privam o ser humano da alegria de comer. Ao contrário, são leis seguras e sensíveis que, se seguidas, farão bem em manter saudável o corpo ou mesmo em recuperar a saúde.”

[iv] Roger W. Coon, “Ellen White and Vegetarianism” (Pacific Press Publishing Association, 1986), p. 12. Disponível em http://www.whiteestate.org/issues/vegetarian.html Acessado em 30/4/2015.

[v] A seguir, você verá que, noutras traduções bíblicas mais atuais, o cisne não é incluído entre a relação de aves imundas em Levítico 11:18, do mesmo modo que o é na Almeida, Revista e Corrigida; na Almeida, Corrigida e Fiel e na versão Ave Maria.

– Almeida, Revista e Atualizada: “a gralha, o pelicano, o abutre”.

– Almeida, Século 21: “a coruja branca, o pelicano, o abutre”.

– Bíblia de Jerusalém: “o grão-duque, o pelicano, o abutre branco”.

– Tradução Ecumênica (TEB): “a coruja das torres, a gralha, o abutre”.

– Nova Versão Internacional: “a coruja-branca [a referida tradução reconhece que a tradução pode ser “pelicano”], a coruja-do-deserto, o abutre”.

– Bíblia Judaica Completa: “a coruja chifruda, o pelicano, a coruja-de-igreja”.

– King James Atualizada: “as gralhas, os pelicanos, os abutres”.

Perceba que, na maioria das versões, “cisne” é substituído por “pelicano”. Porém, independente disso, é importante considerarmos a opinião da Revista Adventista de 1955, quando afirma: “Não nos parece que a passagem em questão inclua o pato entre os animais imundos. É interessante que, ao mencionar o cisne, não diz a passagem “segundo a sua espécie”, como se lê em muitos outros lugares. Depreendemos, daí, não estar o pato classificado como animal imundo. Acresce que os judeus, que são muito escrupulosos na questão das carnes imundas, não se abstêm da carne de pato”.

[vi] O pato está entre as aves galináceas que não possuem hábitos estritamente noturnos como as aves de rapina, proibidas pela Bíblia.

[vii] Disponível em: http://www.chabad.org.br/mitsvot/cashrut/principal_cashrut/index3.html Acessado em 30/04/2015.

[viii] O termo “Espírito de profecia” é uma referência aos escritos da Ellen G. White. Entretanto, os adventistas não creem que o uso dessa expressão se restrinja aos escritos da co-fundadora e profetisa do adventismo do sétimo dia. Eles têm consciência de que “Espírito de profecia” se refere especialmente a todo dom profético dado pelo Espírito Santo ao longo das Escrituras. Veja-se, por exemplo, Ángel Manuel Rodriguez, “O ‘testemunho de Jesus’ nos escritos de Ellen G. White” em Teologia do Remanescente: Uma Perspectiva Eclesiológica Adventista (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 226-238.

[ix] Revista Adventista, seção “Caixa de Perguntas” (Agosto de 1955), p. 27.

[x] Helnio Judson Nogueira, “Saúde e Santificação”. Revista Adventista, julho de 2006, p. 13.

[xi] Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor: o ministério profético de Ellen G. White. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2009.

[xii] Leandro Soares de Quadros, Na Mira da Verdade, vol. 1 (Jacareí, SP: Edição do Autor, 2013. 3ª Edição), p. 145-152. [Disponível em www.lerstore.com.br ]

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21 comments

  1. Devemos levar em conta o contexto e emergência do ocorrido, outra questão é saber que a revelação é progressiva, e que no inicio nem o sábado era considerado. Se vamos usar os estudos de Ellen White veremos que o ideal é o vegetarianismo estrito. Estamos chegando em um ponto que devemos nos acostumar com o que faremos no céu e não procurar desculpas para escolhermos coisas que só teremos na terra… a defesa de coisas que já deveriam ser consideradas objetáveis nos faz andar para trás e não para a busca da santificação… Olhemos para o alto.

    1. Bom comentário..

  2. Falou, falou e nao deu a resposta. Ficar mandando a outros sites nao responde a pergunta. Isso eh um marketing bem fraco e desrespeito. Por favor, mude isso.

    1. Respeitosamente, Renan: você não entendeu o artigo. Leia-o novamente.

  3. Naqueles tempos de E.G.W. citado no artigo, os pastores recebiam partes de um porco como ajuda do salário….alguns ainda usavam o tabaco, outros não criam na Trindade!… Prof. Leandro Quadros, por que entrar, sem necessidade num assunto controvertido como esse da carne de pato? Sua missão é pregar o evangelho aos que não o conhecem e não criar polêmicas desnecessárias! Se continuar assim, logo vai aparecer uma voz dizendo: Deus terminou o teu reinado, porque pesado foste na balança e achado em falta. Se continuar assim, eu não vou mais ajudar a Novo Tempo…!

    1. Caro Arantui: primeiramente, quando os pioneiros usavam carne de porco e tabaco, isso foi antes da visão sobre a reforma de saúde dada à ela em 1863. Já o consumo da carne de pato fazia parte do costume deles após a visão. Seu argumento, portanto, é totalmente descontextualizado e infundado.

      Esse tipo assunto é muito necessário porque a Bíblia diz que o povo de Deus perece por falta de conhecimento (Oseias 4:6). Se você me mostrar um texto bíblico que demonstre ser a ignorância uma bênção, mudo de opinião.

      Minha missão é pregar o evangelho e desmistificar o erro que cega as pessoas para as realidades espirituais. Percebo que sua visão é bem estreita em relação a isso, de modo que deveria, com humildade, ler 1 Pedro 3:15, 16 e Judas 1:4, 5 para perceber que a apologética é necessária na evangelização. Afinal, ao cuidarmos de um jardim, não lidamos somente com as flores, mas com as lagartas também, mesmo não sendo este um trabalho tão prazeroso. Porém, é necessário.

      Quanto a você não ajudar mais à Novo Tempo, sou franco em dizer que isso não me preocupa nenhum pouco. Isso é entre você e Deus e nada tenho a ver com isso. Se um doador da Novo Tempo sai, Deus pode mandar vários que realmente estejam interessados no avanço da obra.

      E sendo mais franco ainda: a Novo Tempo precisa de doadores comprometidos e que saibam conviver com os diferentes ramos da evangelização, e que não fiquem fazendo ameaças infantis que não ajudam em nada.

      Além disso, considere que este blog pertence a mim e que, mesmo eu tendo o mesmo foco que a Igreja, exerço aqui o dom espiritual que Deus me deu e que tem ajudado milhares de pessoas ao redor do mundo.

      Desse modo, sendo que o irmão não aprecia esse lado do meu trabalho, não precisa mais acessar esse blog. Com isso, evitará estresse a você e a mim. Afinal, enquanto Deus o permitir, abordarei também esse tipo de assunto para que muitos de nossos irmãos (mesmo sinceros) parem de prestar um verdadeiro culto à ignorância.

      Cordialmente.

      1. Óttima resposta Pr. Leandro, DEUS te abençõe!!!

        1. Obrigado, Otto! Nosso Criador continue a guiar seus passos!

      2. Pastor você é um homem de Deus. Obrigada por dividir seus conhecimentos com todos.

      3. Prezando Leando Quadros,

        A Sra. comeu carne e até alimentos “imundos”, mesmo depois da visão de 1863, é melhor o senhor ir mais profundos em seus escritos.

        Em 1882 (19 anos depois da visão da reforma de saúde), encontramos estas palavras, numa carta que Ellen escreveu à sua nora Mary Kelsey White, confessando a sua predileção ou inclinação pelo arenque e ostras (alimento “impuro”!), pedindo à nora que fosse às compras:

        “Mary, se você poder traga uma boa caixa de arenques – frescos – por favor faça isso. Estes últimos que Willie recebeu são amargos e velhos. Se puder comprar também (uma) dúzia meia de bons tomates pode fazê-lo, por favor faça isso. Nós estamos necessitando. Se poder traga também algumas ostras boas, nós a receberemos.” (Letter 16, 1882, dated May 31, 1882, from Healdsburg, Calif).

        Até ostras comia! Era uma pecadora a sério! (como qualquer um de nós).

        Em 1874, numa carta que escreveu ao seu filho Willie, diz:

        Seu pai e eu tomamos leite, creme, manteiga, açúcar, e comemos carne completamente desde que viemos à California” (Manuscript Releases, vol. 14, p. 322).

        No Inglês esta escrito “Entirely”, quer dizer, por completo (totalmente).

        Agora lemos isto que escreveu em 1895:

        “Compramos manteiga para cozinhar, manteigas de vacas leiterias onde estão em condição saudável, e tem um bom pasto”. (Counsels on Diet and Foods p. 488).

        Comia Carne e Manteiga e uma galinha de vez enquanto.

        E pecados não faltam na vida da nossa irmã (como em cada um de nós)! Outro exemplo, o do vinagre. Eis aí a sua confissão sobre o seu vício pelo vinagre, mas também a luta desesperada e a alegria de vencer o “pecado” com a ajuda de Deus, mesmo apesar de ser já no fim da sua vida:

        “Tinha cedido o desejo para vinagre. Mas resolvi com a ajuda de Deus sobrepujar este apetite. Lutei contra a tentação, determinei não ser dominada por este hábito. Durante semanas eu estive muito doente; mas mantive ditado repetidamente, O Senhor sabe tudo sobre isto. Se eu morrer, morro; mas eu não cederei a este desejo. A luta continua, e eu doloridamente fui afligido durante muitas semanas. Tinha pensado que era impossível para em viver. Estou segura procurando o Senhor muito sinceramente. As orações bem fervorosas foram oferecidas para minha recuperação. Continuei a resistir o desejo para vinagre, e finalmente eu conquistei.

        Agora eu não tenho nenhum inclinação para nenhuma coisa dessa espécie. Esta experiência foi de grande valor a mim de várias maneiras. Obtive uma vitória completa.” .” Ellen G. White, letter 70, 1911, reproduced in Counsels on Diet and Foods, p. 485. O realçe é nosso, para sublinhar até que ponto estava viciada: Se eu morrer, morro

        Note a data da carta, 1911. Não vale a pena que nos pronunciemos sobre o vinagre daquela época, que era uma autêntica “bomba alcoólica”, pior que carne de porco ou qualquer outro animal “imundo”.

        Ellen, em 1887, tinha escrito:

        “As saladas são preparadas com óleo e vinagre, há fermentação no estômago, e a comida não é digerida, mas decompõe- se ou apodrece; em consequência, o sangue não é nutrido, mas fica cheio de impurezas, e surgem perturbações hepáticas e renais.” (Carta 9, 1887, Conselhos sobre o Regime Alimentar, p. 345).

        Ou seja foi uma tremenda de uma hipócrita! (e quem não é?)

        Bem Leandro Quadros pra que fique bem claro, não estou criticando a Sra. Wfite por ter pecadinhos, isso porque todos nós temos, o problemas são os puritanos de plantão, que ficam fantasiando vivendo em uma outra dimensão, com o se a Sra. White fosse a perfeição em pessoa, e que seus escritos são a inabalável vontade de Deus.

        Infelizmente a Igreja Adventista do Sétimo tornou-se naquilo que Jesus mais combateu a “ideologia” farisaica de ficar horas e horas discutindo o que é pecado e o que não é pecado. Se comer aquilo ou deixar de comer aquilo é pecado, se ir ao cinema, se comer em restaurante no sábado (inclusive vi até voto da DSA) . Incrível ver naquilo que muito de nós nos tornamos, aleijados espirituais, infelizmente!

        Existem inúmeros assuntos desse tipos nos escritos da Sra. White, se quiser entre em contato comigo e estudaremos esse assunto.

        Um abraço!

    2. Sinceramente, se é pra ti ficar falando besteira e dando uma de super consagrado, melhor nem participar mais nesse blog!

  4. Ótimo texto Prof. Leandro! Esclarecedor.

  5. Obrigada Pastor por dividir seus conhecimentos. O Senhor é um homem de Deus. E não ligue para algumas pessoas, a ignorância é atrevida.

    1. Obrigado por suas palavras de incentivo, Cláudia! Realmente, não dá para ligar para certos comentários… rsrs. Fique na paz.

  6. Gostei muito mesmo dessa matéria professor. É que já criava galinhas, mas por o quintal ser grande, minha esposa conseguiu um casal de patos para manter o quintal limpo de matos, e eles são bons nisso. Mas eles, por serem mais resistentes que os galináceos, acabaram por predominar em meu quintal, e como sou adventista, e até então estava equivocado sobre o pato ser animal imundo para consumo, só fazia vender os patos e ovos de pata, para ajudar na alimentação e controle deles, pois são muitos e vorazes. E às pessoas as quais eu vendia, esplicava sobre a minha restrição alimentar.
    Ufa! Eu tava errado e encinando errado né?! Sua explicação à luz da Bíblia e do Espírito de profecia, me tirou um grande “peso das costas”. Parabéns pelo seu trabalho, com certeza sois uma pessoa realmente abençoada e usada por Deus. Avante professor! Pois o Senhor logo vem! Amém!

    1. Fico contente em saber que gostou, caro Hernane. Fique na paz!

    2. Hernane: vi que sua mensagem era maior e vim responder. Você é um filho de Deus com o coração aberto ao conhecimento. Parabéns por isso! Deus o abençoe.

  7. Gostei muito do que li aqui no seu site.Estou estudando o assunto,Mas quero agradecer por que seu texto foi muito valido. Obrigado 🙂

    1. Agradeço por seu retorno a respeito de meu site, Felipe. Um abraço e conte comigo sempre!

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