A diabólica doutrina do “inferno eterno” – Parte 2

Entendendo o termo “para sempre”

“As palavras que se traduzem por “eterno” e “todo o sempre” não significam necessariamente que nunca terão fim. No Novo Testamento, vem do grego aion, ou do adjetivo aionios. É impossível forçar este radicas grego significar sempre um período que não tem fim.

“A palavra aionios, traduzida como “eterno”, “para sempre”, significa literalmente ‘perdurando por um século’”. – “Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia”, vol. V, pág. 512.

“Comentando o texto de Filemom 15, o erudito evangélico H. G. Moule afirmou:

O adjetivo aionios (eterno, para sempre) tende a marcar a duração enquanto a natureza da matéria o permite. E, no uso geral, tem íntima relação com as coisas espirituais. ‘Para sempre’ nesse verso significa permanência de restauração tanto natural como espiritual. Ligado, porém, a Deus, [o termo] significa eterno, para sempre. Também ligado à vida que provém de Deus, significa uma vida de duração sem fim.” – Arnaldo B. Christianini. “Sutilizas do erro”. 2a Edição, pág. 270.

“No grego, a duração de aionios deve sempre se determinar em relação com a natureza da pessoa ou coisa a qual se aplica. Por exemplo, no caso de Tibério César, o adjetivo aionios descreve um período de 23 anos, desde sua ascensão ao trono até sua morte”. – “Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia”, vol. V, pág. 513.

Percebeu? Na Bíblia, o termo “para sempre” pode significar “um tempo sim fim” ou “um tempo específico”. Depende da natureza do objeto (Pessoa) que está ligado à palavra. Se for Deus, o termo “eterno” é eterno mesmo. Se estiver ligado a um ser humano mortal, que não comerá da árvore da vida, significa um tempo de longa ou curta duração (dependendo do grau de castigo que mereça). JAMAIS o termo dá a ideia de que um pecador pode sobreviver eternamente num castigo sem fim.

É importante entendermos a expressão na língua original bíblica e não como é explicada em nossa língua portuguesa (que é de outra cultura, a ocidental).

Uma perversão do caráter de Deus

No início do artigo expliquei que a justiça e amor eternos de Deus estão de mãos dadas. Creio que isso ficou claro de modo que podemos entender que o juízo de Deus é uma manifestação do amor dEle pelas criaturas e pela Verdade.

Uma das atividades do diabo na história é “desvirtuar” o caráter amoroso da Divindade. Nos dias do povo de Israel satanás arrumava meios de apresentar a Deus como carrasco. Os judeus, nos dias de Cristo, não escaparam dessa artimanha do inimigo (Jesus veio também para revelar o caráter do Pai, que era mal compreendido – ver João 14:9, 10 e João 9:1, 2); hoje, os cristãos se encontram mergulhados numa “doutrina” que mostra um Deus que, para satisfazer Sua justiça, precisa de maneira tirana atormentar criaturas que pecaram por alguns anos na mesma proporção que o diabo, o pai do pecado.

Ellen White escreveu de forma inspirada:

“Depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que fizessem um esforço especial a fim de inculcar a crença da imortalidade inerente do homem; e, tendo induzido o povo a receber este erro, deveriam levá-lo a concluir que o pecador viveria em estado de eterna miséria. Agora o príncipe das trevas, operando por meio de seus agentes, representa a Deus como um tirano vingativo, declarando que Ele mergulha no inferno todos os que não Lhe agradam, e faz com que sempre sintam a Sua ira …” – “A fé pela qual eu vivo” (Meditação Matinal de 1959), pág. 208. CD ROM “Obras de Ellen G. White” – Casa Publicadora Brasileira.

Realmente, a ideia da punição eterna a uma criatura nasceu na mente de satanás.

White continua:

“Quão repugnante a todo sentimento de amor e misericórdia, e mesmo ao nosso senso de justiça, é a doutrina de que os ímpios mortos são atormentados com fogo e enxofre num inferno eternamente a arder; que pelos pecados de uma breve vida terrestre sofrerão tortura enquanto Deus existir! Contudo esta doutrina tem sido largamente ensinada, e ainda se acha incorporada em muitos credos da cristandade.” – “O Grande Conflito”, pág. 535.

Se você que é pai e mãe não faria isso a um filho, imagine Deus! (Isaías 49:15)

“Sobre o erro fundamental da imortalidade inerente, repousa a doutrina da consciência na morte, doutrina que, semelhantemente à do tormento eterno, se opõe aos ensinos das Escrituras, aos ditames da razão, e a nossos sentimentos de humanidade. Segundo a crença popular, os remidos no Céu estão a par de tudo que ocorre na Terra, e especialmente da vida dos amigos que deixaram após si. Mas como poderia ser fonte de felicidade para os mortos o saberem das dificuldades dos vivos, testemunhar os pecados cometidos por seus próprios amados, e vê-los suportar todas as tristezas, desapontamentos e angústias da vida? Quanto da bem-aventurança celeste seria fruída pelos que estivessem contemplando seus amigos na Terra? E quão revoltante não é a crença de que, logo que o fôlego deixa o corpo, a alma do impenitente é entregue às chamas do inferno! Em quão profundas angústias deverão mergulhar os que vêem seus amigos passarem à sepultura sem se acharem preparados, para entrar numa eternidade de miséria e pecado! Muitos têm sido arrastados à insanidade por este inquietante pensamento.” – Ibidem, pág. 545.

A doutrina do “tormento eterno” faz mal até para a saúde:

“Satanás é o causador da doença; e o médico está batalhando contra sua obra e poder. A enfermidade da mente reina por toda parte, e noventa por cento das doenças que atacam o ser humano têm aí seu fundamento. Talvez algum vivo distúrbio doméstico esteja, como gangrena, roendo até à própria alma, e enfraquecendo as forças vitais. O remorso pelo pecado aflige por vezes a constituição, e desequilibra a mente. Há, também, doutrinas errôneas, como a de um inferno eternamente a arder e o tormento perpétuo dos ímpios, as quais por darem uma visão exagerada e distorcida do caráter de Deus, têm produzido os mesmos resultados sobre espíritos sensíveis. Os infiéis têm aproveitado ao máximo esses casos infelizes, atribuindo a loucura à religião; isto, porém, é grosseira difamação, a qual deverão enfrentar finalmente. A religião de Cristo, bem longe de causar loucura, é um de seus mais eficazes remédios.” – Conselhos Sobre Saúde, pág. 324.

Conclusão

Longe de dizer que os maus serão aniquilados instantaneamente (se o fossem, não receberiam um castigo merecido – não acha?) ou que sofrerão pela eternidade, a Bíblia ensina que:

1) Cada pessoa será punida proporcionalmente, segundo as obras (Apocalipse 22:12). Uns serão mais castigados. Outros, menos (Lucas 12:47, 48);

2) Depois do castigo, a pessoa será finalmente aniquilada (Malaquias 4:1-3).

Como sempre, a Palavra de Deus é equilibrada em tudo o que ensina!

Estude esse assunto com oração. Avalie os textos que citei e solicite ao programa “Na Mira da Verdade” (namiradaverdade@novotempo.org.br) o estudo completo sobre o tema. Você verá que o Deus da justiça (Gênesis 18:25) também é amor (1 João 4:8, 16) e que jamais Ele poderia secar as lágrimas de nosso rosto se soubéssemos que em algum lugar se encontra em tormentos queridos que tanto amamos. Apocalipse 21:4 não poderia se cumprir.

Um abraço carinhoso,

Leandro Quadros.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém [e muito menos no tormento!], diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.” Ezequiel 18:32.

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8 Comentários

  1. Joël Esteves,
    outubro 31, 07:29 Resposta

    Realmente, Hoje Sou grato a DEUS, Pela Rede Novo Tempo de Comunicação, e Seus Programas, Que é um instrumento que liberta, Tendo Como Seu Alvo Jesus Cristo, , , Na Sua inspiração : Sola Scritura, que muito me Ajudou, s Saí do Analfabetismo Teológico, que eu Vivi por mais de duas décadas,Louvado Sen DEUS

  2. MATIAS CHIQUEMBA MUESSAPI
    dezembro 06, 12:59 Resposta

    ESTOU COM DIFICULDADE DE LHE CONTACTAR, POR ISSO APROVEITO ENVIAR ESSA MENSAGEM…
    Cordiais Saudações PROFESSOR!

    Sou membro da igreja Adventista em Angola, e cá temos muitos problemas em diferenciar doutrina da cultura e um dos grandes problemas tem haver com 1 Pedro 3 A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas.
    1 Pedro 3:3 e 1 Timóteo 2 : Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos,
    1 Timóteo 2:9 e a grande questão aqui é o assunto sobre tranças. Uns acreditam que as mulheres podem trançar, usar pirucas, tiçagens e outras aplicações de cabelos, e a maioria crê que é um pecado grave, e eu estou dirigindo um salão em minha terra Natal, tenho estado a lutar com esses textos e eu tenho uma posição de que tudo que é feito com modéstia (Simplicidade) n ´e pecado, mas há uma guerra grande entre nós. Por favor ajuda-nos.
    Outra questão que temos é saber se Ellen white usou pirucas?

  3. Horácio Possidonio
    setembro 04, 00:45 Resposta

    Mt25.46/Mt25.41/Isaías 33.14/AP 20.15/Ap14.9,10/Mt3.12/2 Pedro2.4/Lc16.23/Sl9.17/pv9.18/Pv27.20/pv23.14/Os 13.14/Mt5.22-29/MT10.28/Mt11.23/Mt16.18/Mt18.9/Lc10.15/Tg3.6/Ap1.18/AP 20.14- essas são algumas referências bíblicas falando sobre inferno, e vcs ainda dizem que não existe! Amados oro pra que Espírito Santo fale ais vossos corações. Se não existe inferno , o Senhor Jesus morreu em vão. Ele não só veio livrar o homem do pecado, mas da condenação eterna.

  4. Quando Deus disse q iria queimar as cidades de Sodoma e Gomorra com fogo eterno, era até o fogo consumir toda a cidade, o “inferno eterno” é a mesma coisa, não vai durar para sempre, apenas por um período de tempo e irá acabar, se fosse “eterno”, as cidades de Sodoma e Gomorra iriam estar queimando até os dias de hoje. Abraços

  5. Olá, professor – tenho acompanhado seus vídeos e seminários, e compartilho muito, inclusive na página da minha Igreja (IASD GRUPO LUTZ – Santo Ângelo/RS). Só não fiquei contente com o Na Mira acontecer às 9 horas da manhã; dificilmente a “vida começa a essa hora”. Ainda bem que temos as reprises.

    Esse assunto (salvação) ainda está confuso para mim: Jesus nos salvou, certo? Como é certo que não nos salvamos pelas obras. Então por que Jesus disse: “aquele que perseverar até o fim será salvo”. Perseverar no que, se as obras não me salvam?
    Outra coisa que me intriga e assusta: É certo que somos pecadores, entendo, e vivemos pecando, mesmo não querendo. Então Porque que, em Hebreus 6, está afirmando que “aquele que provou do poder do Espírito Santo e cai, não terá mais como ser levado ao arrependimento”?

  6. Luiz
    junho 05, 09:02 Resposta

    Zezene

    Na verdade o mesmo argumento que você usou o Prof.Leandro Quadros pode argumentar que ele segue o que Jesus deixou para ser escrito. Na verdade é a sua interpretação pode ser também o que você aprendeu em uma tradição e segue até hoje. Então a Bíblia não é clara e depende do entendimentor de cada um.

  7. Luiz
    junho 05, 08:47 Resposta

    A Bíblia não é clara nesse assunto. Os aniquiquilacionistas proporcionalistas podem argumentar que Jesus veio salvar da condenação proporcionalista.

  8. Zezene Pereira Pinto
    junho 04, 18:44 Resposta

    Caro Pastor, eu o conheço através da mídia e sei sobre a doutrina a qual você segue.
    Assim como você, eu também conheço a Bíblia e a sigo conforme o que Jesus deixou
    para que fosse escrito, e dizer que o inferno não é eterno, isso sim, é uma obra do
    diabo, pois, o próprio Jesus falou e por várias vezes sobre esse tema. E mais, se esse
    lugar não é eterno, então Ele veio nos salvar do quê, e para quê? Ah, me poupe!

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