A Divindade de Cristo no evangelho de João – Parte 1

A Divindade de Cristo no evangelho de João – Parte 1

Algumas palavras de esclarecimento

Esse material foi escrito para refutar várias afirmações de um indivíduo que dizia ser Cristo apenas uma criatura. Nele apresento a opinião de João – o discípulo amado – sobre o assunto. Antes de iniciar o estudo, procuro, em poucas linhas, informar à pessoa que me escreveu (e a você que está lendo) que a Divindade de Cristo está presente na Bíblia muito antes de qualquer concílio realizado pela igreja no passado.

Ótima leitura!

A DIVINDADE DE CRISTO NO EVANGELHO DE JOÃO

Historicamente, Cristo não foi “conclamado” divino só no Concílio de Nicéia. Muito antes daquela reunião que visava derrubar o arianismo, a Bíblia e os cristãos primitivos já acreditavam na Divindade do Salvador. Isso pode ser provado bíblica e historicamente:

I – O evangelho de João e a Divindade de Cristo

No presente irei me deter apenas ao evangelho de João para provar que Cristo é Divino. As informações de outros autores bíblicos poderemos estudar noutra ocasião, se for necessário. Vamos ao estudo do que o apóstolo escreveu a respeito de Jesus:

1 – Contexto histórico

Para começar, é importante termos em mente que o objetivo do quarto evangelho, escrito no final do século I, foi defender a encarnação e a Divindade de Cristo diante (muito provavelmente) do gnosticismo. O apóstolo queria que as pessoas acreditassem em Jesus como Filho de Deus para que fossem salvas (João 20:30, 31). Interessante que, na linguagem Joanina, o termo “Filho de Deus” não significa “ser criado” e nem denota “inferioridade”; para o autor, o título “Filho de Deus” significa igualdade com o Pai na Divindade. Isso é bem claro em João 5:18; 19:7 e na primeira carta dele, cap. 5:20, onde Ele chama Jesus de DEUS: “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” Perceba que se quisermos entender um termo bíblico, não podemos interpretá-lo de acordo com o significado da língua portuguesa; precisamos levar em conta a língua original em que o texto foi escrito (grego, hebraico ou aramaico) e o significado de qualquer expressão NA CULTURA em que ela está inserida. Portanto, o termo “Filho” na Bíblia, em referência à Cristo, não tem o mesmo significado que em nossa cultura portuguesa e ocidental.

Como disse o Dr. F.F. Bruce, “João conferiu a máxima importância à verdade eterna, que ele identificou com a auto-manifestação divina, o Verbo que existia no princípio com Deus”. (BRUCE. João – Introdução e Comentário [Série Cultura Bíblica]. Vida Nova, 2002). Isso está em harmonia com João 1:1-4 e 14. Se Jesus não fosse DEUS com o Pai, não haveria necessidade de João dizer que Jesus é o Deus que revelou o Pai, por meio da encarnação (leia os textos de João 1:1-4 e 14). E, além disso, se Cristo fosse uma criatura, a salvação por meio Jesus, no evangelho de João (e no restante da Bíblia) perderia o valor. Sim, pois o valor da salvação está no fato de que não foi uma criatura quem veio salvar o ser humano, mas o próprio Deus esteve aqui em carne para solucionar o nosso problema. É por isso que Jesus Cristo é chamado em Isaías 7:14 de “Emanuel”, que significa “Deus conosco”. Deus “não tirou o corpo fora”; Ele mesmo veio resolver o problema do pecado! Reflita nisso com carinho.

Estas informações são importantes porque assim conseguimos entrar um pouco na mente do autor inspirado quando preparou o relato da vida de Cristo.

2 – Textos de João que afirmam diretamente que Jesus é Deus eterno

• João 1:1-3 e 14 – é dito que Jesus era Deus desde o princípio, estava com Deus e que criou TODAS AS COISAS com Ele (se fosse uma criatura, como poderia ser o criador DELE MESMO, sendo que TUDO foi feito por meio dEle? – verso 3). Também, nos é apresentado que este DEUS, que esteve com o Pai desde o princípio, encarnou para nos salvar.

• João 1:15 – Jesus é pré-existente;

• João 1:18 – Jesus é “Deus Unigênito” que torna o Pai conhecido;

• João 1:23 – texto muito forte, pois faz menção a Isaías 40:3, onde é dito que alguém prepararia o caminho para a vinda de “Jeová”. João Batista preparou o caminho de Jesus, indicando assim que Jeová de Isaías 40:3 é Cristo!

• João 1:29, 30 – Cristo é o cordeiro que tira o pecado do mundo e que já existia antes de vir a este planeta (pré-existência);

• João 1:34 – o apóstolo dá testemunho de que Cristo é o “Filho de Deus” (lembre-se que “Filho”, na linguagem de João, significa igualdade – ver João 5:18; 19:7);

• João 1:47-49 – Natanael claramente reconhece que Jesus é o “Filho de Deus”, indicando assim que acreditava ser Ele DEUS;

• João 1:50 – Jesus afirma que os discípulos verão os anjos voltando a este mundo com Ele – o criador dos anjos;

• João 2:11 – o primeiro milagre de Cristo, onde ele transforma água em “vinho” (suco de uva – Isaías 65:8) serviu para que vários discípulos cressem no poder glorioso dEle;

• João 3:15, 16 – Quem crer em Jesus tem a vida eterna. Só Deus pode dar a vida eterna a alguém por crer nEle, não numa criatura (não faria sentido algum!).

Em Atos 3:15, Cristo é chamado de autor da vida. Como Alguém que é “Autor da Vida” poderia ser uma criatura? Impossível!

• João 3:36 – quem não crer que Jesus é o “Filho de Deus”, ou seja: quem não acreditar na Divindade de Cristo e não O aceitar como Salvador e Deus, irá se perder;

• João 5:17, 18 – Quando Jesus afirmou que Deus era o Pai dEle, os judeus quiseram mata-Lo porque entenderam que o termo “Filho” significa igualdade em Divindade. Se o Salvador estivesse dizendo que era uma “criatura”, não seria acusado de “blasfêmia”. Portanto, para o apóstolo João, blasfêmia é alguém afirmar que Cristo não é Deus, sendo que no seu livro ele relata 8 milagres (além de outros acontecimentos sobrenaturais) com o objetivo de provar que o Salvador é Divino!

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Leandro Quadros
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