A Glória de Deus e o Fogo Eterno

A Glória de Deus e o Fogo Eterno

Se na segunda vinda de Jesus, o resplendor de Sua glória destrói os ímpios, por quê, após o Milênio, Ele o faz com “fogo eterno”? O que é o fogo eterno? Quão eterno ele é? E o que significa o “lago de fogo”? Tem estes termos alguma relação? É este fogo literal? Como Deus vindica Seu caráter ao executar o Seu juízo no dia final, após o Milênio, com o extermínio dos ímpios? Este estudo procura estabelecer a relação entre a glória de Deus e as situações de juízo registradas na Bíblia, sobretudo a do juízo final. Nesta pesquisa, a glória divina é apresentada como um “fogo consumidor” para o pecado e pecadores, sendo ela mesma a causa da destruição deles. A humanidade caída não pode suportar a manifestação de Deus, devido ao próprio pecado, em contraste com a santidade de Deus. Assim como o shekinah, uma visível manifestação da glória do Senhor, era a causa de destruição dos rebeldes no deserto, assim será quando Cristo Se manifestar em Sua segunda vinda antes do Milênio e, especialmente, após os mil anos, quando executar o Seu juízo final.

I. INTRODUÇÃO

Sempre me impressionei ao estudar a volta de Jesus devido ao fato de que, além dos eventos cataclísmicos da Terra em comoção causarem destruição e morte, os ímpios serão destruídos nesta ocasião também por causa da radiante glória de Jesus, a qual não poderão suportar. Isto ocorreu também em outras ocasiões, quando os homens não estavam preparados para se encontrarem com Deus quando Se manifestava no shekinah, ou quando irrompia fogo “de diante do Senhor” e os consumia (Lv 10:2; Nm 16:35). Diante disso, surgem algumas perguntas relativas à atuação de Deus quando Se manifestar aos ímpios no juízo final.

Se, na segunda vinda de Jesus, o resplendor de Sua glória destrói os ímpios, por quê, após o milênio, Ele o faz com “fogo eterno”? O que é o fogo eterno? Quão eterno ele é? E o que significa o “lago de fogo”? Tem estes termos alguma relação? É este fogo literal? Como Deus vindica Seu caráter ao executar o Seu juízo no dia final, após o milênio, com o extermínio dos ímpios?

O estudo será dividido em seis partes: 1) uma introdução ao problema, com uma
síntese de como será o milênio; 2) uma análise do uso da palavra “glória” na Bíblia; 3) um estudo da natureza do homem diante da glória de Deus, tanto antes como depois da queda; 4) uma visão da teofania em Êxodo 19, como um tipo do juízo final; 5) um breve desenvolvimento sobre assuntos relativos ao fogo eterno; e 6) uma consideração sobre como este estudo pode lançar luz sobre outros pontos da Teologia Adventista. Ao final, uma conclusão geral que sumarizará as questões aqui apresentadas.

Deve ser lembrado aqui que este trabalho não pretende esgotar o assunto sobre a glória de Deus como elemento importante do juízo final e como consumidora do pecado e pecadores. Ele serve apenas como uma visão preliminar ou esboço para aqueles que se sentirem incentivados a se aprofundarem no assunto.

 

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II. O ESPLENDOR DE SUA VINDA

Os adventistas do sétimo dia crêem que, antes de Jesus erradicar completamente o mal e purificar a Terra, Ele virá ainda uma segunda e uma terceira vez, com um intervalo de mil anos entre as duas vindas 1 – primeiro, para cumprir a Sua promessa de que buscaria os Seus, mesmo os que dormem, para reinarem com Ele no Céu (Ap 20:4); e mil anos depois, para executar o juízo final sobre os ímpios que ressuscitam nessa ocasião para receberem o salário do pecado (Rm 6:23) e, finalmente purificar a Terra, restaurando-a novamente ao estado edênico.

Entende-se que a segunda vinda de Cristo é literal e visível, sendo que “todo olho O verá” (Ap 1:7). Os ímpios que estiverem vivos sobre a Terra nesta ocasião morrerão por causa dos eventos catastróficos e, principalmente, por não poderem suportar o esplendor da glória celestial, pois Ele virá “na Sua glória e na do Pai e dos santos anjos” (Lc 9:26). Nesta mesma ocasião, enquanto os ímpios, perplexos e aterrorizados, desfalecem não podendo suportar este evento (Ap 6:17; 2Ts 2:8), os justos mortos são ressuscitados e os vivos transformados “para o encontro com o Senhor nos ares”, para estarem para sempre com o Senhor (1 Ts 4:16,17).

Durante mil anos, os justos “reinam” com Cristo no Céu e têm a oportunidade de examinar os registros das vidas dos ímpios (1Co 6:2,3), os quais estarão mortos todo este tempo na Terra. Esta fase do juízo, durante o milênio, não deixará dúvidas quanto ao caráter de Deus antes que possa definitivamente eliminar o mal. Este é o chamado juízo vindicativo 2.

Após os mil anos, tendo sido examinados todos os casos daqueles que ficaram mortos, “espalhados na Terra como esterco” (Jr 25:33; Ap 20), desce Jesus a Terra ainda uma terceira vez, acompanhado de todos os salvos que com Ele “reinaram” no Céu por mil anos. “Naquele dia estarão os Seus pés [os de Jesus] sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o Oriente. O Monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande. Metade do monte se apartará para o norte e a outra metade para o sul” (Zc 14:4). Então, neste vale, os santos, juntamente com
Jesus olham para cima e vêem a Nova Jerusalém, a santa cidade descer do Céu “como uma noiva ataviada para o seu Esposo” (Ap 21:2). A cidade “pousa” na planície para ela preparada e os santos, então 3 , entram nela pelas portas de pérola (Ap 21:21).

Então, os ímpios, ressuscitados sob a ordem de Cristo, são instigados e liderados por Satanás para tomar de assalto a Cidade Santa. É então que, tendo eles sitiado a cidade, acontece a cena do juízo final, quanto todos estão diante do trono branco: os justos do lado de dentro dos muros da cidade, e os ímpios do lado de fora (Ap 20:11, 12). Então, desce fogo do Céu sobre os ímpios, os quais são consumidos, juntamente com Satanás. (Ap. 20:7-10).

Este é o juízo executivo. Mortos os ímpios, e extinto o pecado, a Terra é renovada, e nunca mais se levantará o mal. “Não se levantará por duas vezes a angústia”, como diz o profeta (Na 1:9). Assim a Bíblia descreve o fim do pecado.

Hoje, porém, não é muito comum que se detenha numa avaliação sobre a “procedência” e a “natureza” do fogo de Deus no juízo. Isto é muito relevante para compreendermos melhor o assunto da vindicação de Deus em tal ocasião. Esta vindicação não é vista em sua plenitude quando vemos Jesus apenas “jogando” um fogo comum sobre os ímpios, sendo que, mil anos antes, estes terão sido mortos simplesmente com a luz emanada de Sua presença gloriosa, de santo que é (1Ts 1:7-9; 2:8).

O grande plano da redenção culmina com o trono de Deus no meio dos homens, quando “o próprio Deus estará com eles” (Ap 21:3). Sua majestade irradia, iluminando toda a Cidade Santa, de maneira que esta nem necessite do Sol (Is 60:19,20; Ap 21:11, 23; 22:5).

Por isso, o homem, em seu estado natural, devido ao pecado, não pode “ver”, ou
“entrar” no reino de Deus (Jo 3:3,5) 4. Deve-se, portanto, considerar que a promessa de Jesus em mudar a nossa natureza é para que possamos contemplá-Lo, tanto na ocasião de Sua vinda, quando vier “em chama de fogo” (2Ts 1:8), quanto no Seu reino, quando “a glória do Senhor encherá toda a Terra” (Nm 14:21; Ap 22:5). Assim, são “bem-aventurados os limpos de coração, pois eles verão a Deus” (Mt 5:8; Hb 12:14).

III. O USO DA PALAVRA “GLÓRIA” NA BÍBLIA

Antes de prosseguirmos, é necessário vermos o uso das expressões traduzidas como “glória”, tanto no Antigo como no Novo Testamento. No AT, “glória” vem da palavra hebraica kabod, da raiz kbd, cujo sentido original é “ser pesado”, “ser grave”, “rico”. Daí, sua vinculação às riquezas e poder, que fazem o homem kabed (ver Gn. 13:2), que é “rico”, “honrado”. Esta expressão pode também ser traduzida por “honrar”, e significa também a riqueza, o caráter ou a reputação de uma pessoa, assim como quando se refere à glória do reino de Salomão, por exemplo 5.

A glória (kabod) de Deus no AT era manifesta por meio de visíveis demonstrações de poder, que, “aos olhos dos filhos de Israel, era como um fogo consumidor no cume do monte” (Ex 24:17). Era esta glória a que aparecia sobre o templo e sobre o propiciatório, e da qual saiu fogo para consumir o sacrifício oferecido em lugar do pecador – e, às vezes, o próprio pecador 6 , quando este desprezava ou rejeitava tal substituição (Lv 9:24; 10:1,2; Nm 16:35).

Em toda a Bíblia, a glória pertence geralmente a Deus, mas é reconhecida pelo homem em resposta a Ele. Deus manifesta Sua glória e o homem responde glorificando-O 7. “Dar glória a Deus”, portanto, significa reconhecer Sua soberania, poder e majestade 8.

No NT e na LXX, o correspondente grego para kabod é doxa – algumas vezes, na LXX, é empregada como sinônimo de dinamis, poder 9. Esta palavra era utilizada em contextos helênicos, para se tributar culto aos reis, com o significado de honra e poder místicos. Porém, no NT adquire o sentido correspondente ao kabod do AT, sendo utilizada para se referir ao poder sobrenatural da presença ou do caráter de Deus 10.

Assim, enquanto no AT a ênfase está em “honra” e idéias correlatas, no NT doxa é freqüentemente ligado ao sentido de brilho. Pode ser o resplendor que emana de brilhante luz (1Co 15:41), o esplendor que irradia de um ser celestial (Lc 9:32; At 22:11; Ap 21:23), o brilho que envolve alguém após ter estado na presença de Deus, em comunhão (Lc 9:31; 2Co 3:7), como também o esplendor de nossa vida futura e do lar celestial (Rm. 8:18; 2Co.4:7; 2Tm. 2:10), assim como a glória de nossos corpos ressuscitados (1Co 15:43) 11.

No NT, doxa ganhou maior sentido como um fenômeno do mundo celeste. Em geral, esplendor é uma das notas que acompanham tanto ao kabod quanto a doxa de Deus 12, provavelmente devido ao Seu caráter santo ser tão superior ao do homem, chegando a ter esta manifestação visível, física. Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, o Senhor o atendeu, mas fez referência ao Seu caráter, contido em Seu nome (Ex 33:18-20; 34:6,7).

Nos escritos sapienciais (da LXX), doxa não tem este sentido religioso, mas chega a ser “uma forma de designar um juízo positivo que a sociedade emite sobre uma determinada pessoa”; é a “fama”, a “honra”, como o kabod do AT. Poucas vezes doxa também tem este sentido no NT (Mt 4:8; Jo 7:18; 8:50) 13. Em João 12:43, por exemplo, aparece uma declaração de que os judeus que creram em Jesus não confessavam sua fé, pois tinham medo de serem expulsos da sinagoga, pois “amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus”.

Há outras palavras, além de doxa, que também são costumeiramente traduzidas no NT como “glória”, porém com sentido diferente daquele religioso. Seguem algumas delas: a) Kauchaomai: “alegrar-se” (Rm 2:17, 23; 2Co 7:14; 9:2; 10:8, 13, 15, 16; “vangloriar-se” (1Co 1:29; 3:21; 2Co 5:12; Ef 2:9; “rejubilar” (1Co 1:31; 2Co 9:2; Tg 1:9); b) katakauchaomai: (kata, “para cima”) “alegrar-se contra”, “exultar sobre” (Tg 2:13); c) enkauchaomai: (en, “em”, “dentro”) “alegrar-se” (2Ts 1:4); d) perereuomai: “vanglória” (1Co 13:4) 14.

Concluindo, a glória de Deus é o Seu caráter santo, como Ele mesmo proclamou a Moisés (Ex 33:17-34:8) 15. Tal caráter é tão infinitamente superior à humanidade, que Sua própria presença, para o homem, é semelhante a um “fogo consumidor” (Ex 24:17; Hb 12:29). Por ter tal caráter, Deus é “Aquele que habita na luz inacessível, a quem nenhum dos homens viu e nem pode ver” (1Tm 6:16), “pois homem nenhum pode ver a Minha face e viver” (Ex 33:20).

E é nesta glória que Jesus vai voltar “em chama de fogo” (2Ts 1:8; Lc 9:26), e por isso aniquilará o ímpio “pelo esplendor da Sua vinda” (2Ts 2:8). Tal situação, porém, é diferente para o que for limpo do pecado por Ele mesmo. Por isso Deus envia o Seu Espírito ao Seu povo, santificando-o, pois “sem a santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14).

IV. O HOMEM DIANTE DA GLÓRIA DE DEUS

Antes da queda

De acordo com vários registros antigos, há evidências de que os judeus acreditavam que o primeiro homem, antes da queda, tinha seu caráter santo manifesto em forma de um visível e sensível resplendor de luz em seu corpo 16. Era um brilho natural resultante de sua santidade, a qual refletia a santidade de Deus, e que o homem perdeu ao pecar.

Ellen White também defende este antigo pensamento judeu ao dizer que “este casal [Adão e Eva], que não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais; estavam revestidos de uma cobertura de luz e glória, tal como a usam os anjos. Enquanto viveram em obediência a Deus, esta veste de luz continuou a envolvê-los” 17.

Assim, Deus fez o homem com um caráter semelhante ao Seu, santo, e podia visitá-lo na viração do dia (Gn 3:8), até que o homem caiu. Isto está de acordo com o Salmo 8:5 que diz que Deus fez o homem e o “coroou de glória” e com Romanos 6:23, onde somos informados que “todos pecaram e estão destituídos da glória [doxa] de Deus”.

Nestes registros antigos encontra-se a idéia de que o homem redimido voltaria a ter glória como uma luz visível em seu corpo. De acordo com Colin Brown, os rabis descreviam a salvação como a visão da glória de Deus 18 . Em Qunran, foram encontrados escritos dizendo que os eleitos, ao serem salvos, “herdariam toda a glória de Adão” 19 Este pensamento parece ser refletido em algumas passagens do Novo Testamento referentes ao homem redimido, tais como Mateus 13:43; I Coríntios 15:41,43; Filipenses 3:21 20.

Depois da queda

Após o pecado e por causa dele, ao ficar o homem “destituído” da glória de Deus, chegou a afirmar, escondido atrás de uma árvore, que estava com medo dEle (Gn 3:10), certamente algo como uma “certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários” (Hb 10:27).

Este foi o mesmo sentimento do povo de Israel ao ver o rosto de Moisés brilhando, refletindo a glória de Deus (Ex. 34:29,30), de maneira que “tiveram medo de aproximar-se dele”, mesmo sendo isso só um reflexo “desvanecente” da glória original (2Co 3:7). Moisés teve de cobrir o seu rosto com um véu para que o povo pudesse ficar perto dele (Ex 34:33). E este é o mesmo sentimento que terão aqueles que tiverem de encontrar-se com Jesus em Sua vinda, pelo que dirão, aterrorizados: “escondei-nos da face dAquele que está assentado sobre o trono” (Ap 6:17), indagando sobre quem poderia subsistir a tal manifestação.

Contudo, em Êxodo 33:11 nos é relatado que Moisés falava com Deus “face a face, como qualquer fala a um amigo”. Mas é muito improvável que Moisés pudesse ver a Deus em toda a Sua majestade. Isso é indicado pelo fato de que Moisés pede ao Senhor que lhe mostre a Sua glória (Ex 33:18), dando a entender que, pela misericórdia de Deus, a mesma era velada, ou diminuída grandemente para que Moisés a pudesse contemplar ao falar com Ele.

Ellen White, ao comentar este episódio afirma que “a glória de Deus, desvendada, homem algum neste estado mortal poderá ver, e viver; mas a Moisés assegurou-se que ele veria, tanto quanto poderia suportar, da glória divina” 21 . Por isso João diz em sua carta que “ninguém jamais viu a Deus” (1 Jo 4:12), o que parece contradizer o relato de Êxodo 33:11. Concluímos, portanto, que ninguém o fez em sua plenitude.

O Senhor, diante de tal pedido de Moisés, e após uma breve explicação de que Sua glória era Sua bondade ou o Seu próprio caráter (v. 19) 22 , disse: “Não poderás ver a Minha face, pois homem nenhum pode ver a Minha face e viver” (v. 20).

Ellen White relata duas visões com as quais podemos perceber como ela entendia o fato da glória de Deus precisar ter sido velada a Moisés, sendo-lhe apresentada apenas em parte. Não fosse assim, ele teria morrido. Na primeira, ela viu

… um trono, e assentados nele estavam o Pai e o Filho. Contemplei o semblante de Jesus e admirei Sua adorável pessoa. A pessoa do Pai eu não pude contemplar, pois uma nuvem de gloriosa luz O cobria. Perguntei a Jesus se Seu Pai tinha uma forma como Ele. Jesus disse que sim, mas eu não poderia contemplá-la, pois, disse ele, “se uma vez contemplares a glória de Sua pessoa, cessarás de existir.23

Na segunda visão, ela procura mostrar que tal poder é devido à grandeza infinita da santidade de Deus, em contraste com o homem, pecador:

A 14 de maio de 1851, vi a beleza e formosura de Jesus. Contemplando Sua glória, não me ocorreu o pensamento de que eu devesse separar-me de Sua presença. Vi uma luz provinda da glória que rodeava o Pai, e ao aproximar-se ela de mim, meu corpo tremeu e agitou-se como uma folha. Pensei que, se ela se aproximasse de mim, eu deixaria de existir; mas a luz passou por mim. Então pude ter alguma percepção do grande e terrível Deus com quem temos de tratar. Podia ver agora que vaga compreensão alguns têm da santidade de Deus, o grande e terrível Deus do qual estão falando. Ao orarem, muitos usam expressões descuidosas e irreverentes, que ofendem o terno Espírito do Senhor, e fazem com que suas petições não cheguem ao Céu 24.

Assim, vemos que, após a queda, parece ter-se tornado corrente o pensamento de que qualquer pessoa que visse a Deus deveria morrer – como se isso fosse uma proibição, e não uma impossibilidade.

Algumas evidências disso são encontradas, por exemplo: a) na declaração de Jacó após saber que o homem com quem lutou foi Deus: “Vi a Deus face a face, e a minha vida foi poupada” (Gn 32:30); b) também o povo de Israel, quando ainda no deserto, assombrado diante de uma demonstração da santidade de Deus no Monte Sinai, que parecia derreter a Sua presença, ao ver que não morria, exclamou surpreso: “O Senhor nos fez ver a Sua glória. (…) Hoje vimos que Deus fala com o homem e este permanece vivo” (Dt 5:24); c) em Juízes 13:22, quando Manoá, o pai de Sansão, só depois de chegar à conclusão de que o “Anjo do Senhor” era o próprio Senhor, mesmo após Ele já Se ter ido, declara em desespero supersticioso à sua mulher: “Certamente morreremos! Vimos a Deus!”; d) em Juízes 6:22, quando Gideão, ao chegar também à conclusão de que havia visto o próprio Deus, o qual lhe aparecera como o Anjo do Senhor, exclamou: “Ai de mim, Senhor Deus, que vi o Anjo do Senhor face a face!”; e) em Isaías 6:5, quando Isaías, após ter contemplado a glória de Deus em visão, declarou: “Ai de mim, que já vou morrendo! Pois sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei,o Senhor dos Exércitos!”.

E até mesmo Moisés, que a princípio estava tão curioso para “ver esta estranha visão, e por que a sarça não se queima” (Ex 3:3), “ao saber” que era uma manifestação de Deus, “escondeu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus” (v.6).

Por causa da fragilidade da humanidade diante da Divindade ou mesmo de qualquer ente celestial devido ao pecado, percebe-se também ao longo da Bíblia a repetição constante da expressão “não temas”, sempre da parte deste ser celestial para com o humano. Por exemplo, após a afirmação de Gideão de que morreria por ter visto a Deus, apesar de ter o Senhor velado Sua glória para aparecer a ele sem que morresse, vemos a declaração do Senhor para acalmá-lo, dizendo: “Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás!” (Jz 3:23).

O anjo Gabriel, ao visitar Daniel, diz: “Não temas, homem mui amado! Paz seja contigo!” (Dn 10:19). Mais tarde o mesmo Gabriel, ao visitar Maria diz: “Não temas!” (Lc 1:30). Um dos anjos na ocasião da ressurreição de Jesus, disse para as mulheres que procuravam o Seu corpo, após estas se encurvarem com o rosto em terra (Lc 24:5): “Não tenhais medo…” (Mt 28:5); os anjos que iluminavam o vale com sua presença radiante, ao anunciarem Jesus aos pastores disseram: “Não temais” (Lc 2:9,10). Jesus, ao revelar-Se a João, em Patmos, também lhe disse: “Não temas” (Ap 1:17).

É claro que não se pode esquecer que tal temor pode também ser advindo da reverência para com Deus, o senso de pesada responsabilidade, ou mesmo o medo comum do sobrenatural. Ellen White sugere que, além da glória de Deus, também a culpa e o senso de ter sido reprovado ou abandonado por Deus causarão grande terror ao pecador. Isto pode ser percebido na seguinte declaração:

Quando o Senhor no início me deu mensagens para levar ao Seu povo, foi-me difícil apresentar-lhes, e muitas vezes eu as amenizei e as tornei mais suaves pelo temor de ferir a alguém. Foi uma grande prova declarar-lhes as mensagens como o Senhor mas entregou. Eu não compreendia que estava sendo infiel e não via o pecado e o perigo de tal procedimento até que fui levada em visão à presença de Jesus. Ele me olhou com o semblante carregado e desviou de mim o Seu rosto. Não é possível descrever o terror e agonia que senti. Caí sobre o meu rosto diante dEle, mas não tive força para proferir uma só palavra. Oh, como ansiei ser coberta e ocultada daquela fronte severa! Pude então compreender um pouco de como se sentirão os perdidos ao clamarem aos montes e às rochas: “Caí sobre nós, e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono, e da ira do Cordeiro” 25.

No entanto, podemos perceber que, devido ao pecado no homem ser tão contrário à situação celeste, santa, este não pode contemplar nem mesmo o brilho reluzente de um anjo, cujo brilho advém de um caráter imaculado, santo, que reflete o de Deus. Porém, assim como Cristo teve a Sua glória velada para que pudesse habitar com os homens sem que os destruísse 26 , assim também o fazem os anjos, às vezes aparecendo com maior ou menor esplendor.

Os soldados que guardavam o sepulcro de Jesus caíram “como mortos” (Mt 28:2-4) à simples presença do anjo. Antes, também Daniel perdera as forças diante de tamanha manifestação de santidade (Dn 10:7,8). A posterior manifestação do mesmo anjo a Maria parece ter sido, em certo sentido, muito menor do que o foi a Daniel, e a dos anjos em Sodoma menor ainda. Assim, entendemos que os mesmos podem controlar a intensidade de sua manifestação, simplesmente por causa dos homens.

Este resplendor dos anjos, que reflete a glória dos seres celestiais 27 , pode literalmente iluminar. Ellen White descreve a luz dos anjos como sendo literal e completamente antagônica ao pecado. Na ocasião em que menciona o anjo visitando os pastores na noite do deserto para anunciar o nascimento de Jesus, ela diz que as colinas foram completamente iluminadas com sua santa presença de tal forma que ele, antes de poder dar a mensagem, “com terna consideração para com a fraqueza humana, dera-lhes tempo [aos pastores] para se habituarem à radiação divina” 28 . Ademais, a estrela que guiava os reis magos era, na verdade, “um longínquo grupo de anjos resplandecentes”, cantando e dando glórias a Deus, e que ao longe parecia realmente uma nova estrela no céu 29.

Mesmo sabendo que a glória (ou resplendor de luz) de um anjo é provinda da glória de Deus, da qual é só um reflexo, esta autora ensina ainda que o pecado causou tal afastamento de Deus e da santidade que “se Jesus tivesse vindo com a glória de um anjo” a humanidade ainda assim não suportaria tal presença e morreria 30.

Entendemos assim a afirmação bíblica de que, no dia da vinda de Jesus, “quando vier na Sua glória e na do Pai e na dos anjos” (Lc 9:26), os homens “meter-se-ão pelas fendas das rochas, e pelas cavernas das penhas, “por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa do esplendor da Sua majestade”, quando Ele Se levantar para sacudir a Terra” (Is 2: 20,21). Isto mostra que o homem não suporta a manifestação da glória celeste, e é por isso que tem que ser “glorificado” pelo poder de Deus. Enquanto esse dia não vem, o próprio Deus vai restaurando o homem que O aceita pela operação sobrenatural de Seu Espírito, o que chamamos de santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). “Mas todos nós, com o rosto descoberto 31 , refletindo a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2Co 3:18)

V. A GLÓRIA DO SENHOR EM ÊXODO 19: UM TIPO DO JUÍZO FINAL

Após ter tido um contato maior com o Senhor, Moisés podia entrar à Sua gloriosa presença mesmo quando era manifesta “em fogo”, e “todo o monte Sinai fumegava” (Ex 19:18), sem nenhum dano. Pelo contrário, sua face refletia a glória do senhor sem que o soubesse (Ex 34:29). Ellen White diz que ele não tinha nem mesmo medo, pois “sua alma estava em harmonia com a vontade de seu Criador” 32 É importante ter isto em mente ao lembrarmos que a manifestação da glória divina, no Sinai, e o pronunciamento da Lei são empregados na Bíblia para representar o julgamento final, como um tipo deste.33

Ellen White faz esta mesma aplicação ao escrever:

Ao povo de Israel, por causa de sua pecaminosidade, foi vedado aproximar-se do monte, quando Deus estava para descer sobre ele e proclamar Sua lei, não acontecesse que fossem consumidos pela ardente 34 glória de Sua presença. Se tais manifestações do poder de Deus assinalaram o local escolhido para a proclamação de Sua lei, quão terrível deverá ser o Seu tribunal quando Ele vier para a execução destes estatutos sagrados! Como suportarão Sua glória no grande dia da paga final, aqueles que conculcaram Sua autoridade? Os terrores do Sinai deviam representar ao povo as cenas do Juízo 35.

Deve ser lembrado que a manifestação da glória do Senhor como um Juízo não se refere somente ao Juízo Executivo, final. De acordo com II Timóteo 4:1, Deus executará juízo sobre os ímpios em duas ocasiões: “na Sua vinda e no Seu reino”. Uma das declarações mais fascinantes com relação ao efeito da manifestação da presença divina sobre o homem pecador é feita também por esta autora ao comentar a segunda vinda de Jesus. Ela diz:

Eles [o povo de Israel] o dizem [a Moisés] que eles não podem olhar para sua face, por causa da radiante luz em seu semblante que é excessivamente dolorosa para eles. Sua face é como o sol; eles não podem olhar para ela. Quando Moisés percebe a dificuldade, ele cobre sua face com um véu. Ele não alegou que a luz e glória sobre sua face é o reflexo da glória de Deus, que Ele mesmo colocou sobre ele, e que o povo deve suportá-la; mas ele cobre sua glória. A pecaminosidade do povo torna doloroso o contemplar sua face glorificada. Assim será quando os santos de Deus forem glorificados exatamente antes do segundo aparecimento de nosso Senhor. Os ímpios se retirarão e se desviarão da vista, pois a glória nos semblantes dos santos lhes causará dor 36.

O Senhor ordenou que os homens se santificassem para Sua manifestação no Sinai, para que não morressem (Ex 19:10,11,21,22). E assim o faz hoje, pois sem a santificação “ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). A morte do pecador diante da santidade de Deus é uma conseqüência por não estar preparado 37 . Se o homem não estivesse preparado, Deus é retratado como que Se “lançando sobre ele” nesta ocasião (Ex 19:2,24). Assim, além de conseqüência, trata-se de um juízo punitivo também.

Quando Cristo vier em Sua glória, os ímpios não suportarão contemplá-Lo. A luz
de Sua presença, que é vida para aqueles que O amam, é morte para os ímpios. A expectação de Sua vinda é para eles uma “certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo”, Hebreus 10:27. Quando Ele aparecer, eles orarão para serem escondidos da face dEle, que morreu para redimí-los” 38.

Vemos assim que Deus é vindicado ao vir “para ser glorificado nos Seus santos” (2Ts 1:10), pois o pecado causou uma separação entre Deus e o homem mas “o Senhor fez cair sobre Ele [Jesus] a iniqüidade de todos nós” (Is 53), para que o homem não morresse (Jo 3:16). Por isso, são culpados os que não querem se salvar apesar de todas as tentativas de Deus, que simplesmente aparece e reina em glória.

VI. CONSIDERAÇÕES SOBRE O “FOGO ETERNO”

Já que entendemos que haverá uma punição de fogo para todos aqueles que não aceitam a morte substituta e salvadora de Cristo, cujo fim é a morte, agora precisamos entender a procedência e a natureza deste fogo, e quais as suas implicações sobre os que crêem na mensagem bíblica do terceiro anjo.

Figuras de linguagem para a glória de Deus

Não se pode pretender que todas as passagens que fazem associação de Deus e de Sua presença com o fogo sejam literais ou que devam ser entendidas assim. É freqüente nas Escrituras o uso de comparações, ilustrações, símiles, poesia, e várias formas de figuras de linguagem.

Em um cântico de Davi, por exemplo, registrado em 2 Samuel 22 (e no Salmo 18), este louva a Deus por meio de uma linguagem cheia de figuras, símbolos e metáforas, com as quais exalta a Deus de uma maneira notável. Ali Deus é Rocha e Fortaleza (2Sm 22:2); é Lâmpada que ilumina as trevas (v. 29); é Escudo (v. 31), Refúgio e Alto Retiro (v. 3); para destruir os inimigos, “das Suas narinas subiu fumaça, e da Sua boca um fogo devorador” (v. 29); do Céu dispara flechas e raios (v. 15) e descobre as profundezas do mar pelo sopro de Suas narinas (v. 16; cf. Ex 15:8), e tudo isso, para completar o quadro, como um poderoso e vitorioso conquistador, “montado sobre um querubim e voando nas asas do vento” (v. 11).

Há figuras que se repetem também em livros diferentes. Por exemplo, assim como o Senhor é retratado no Salmo 18 como a Rocha, assim também o é na profecia simbólica de Daniel 2 e na ilustração da Rocha sobre a qual a casa foi edificada (Mt 7:24-27).

Um ponto muito importante aqui é que na linguagem poética parece não haver nada mais forte além da rocha e de fogo, somado de seus efeitos como calor e luz, além de relâmpagos, para retratar a um Deus poderoso. Porém, o emprego de tais palavras na poesia e nos símbolos funde-se muitas vezes com o seu uso literal, pois, na realidade, Deus Se manifesta à vista do homem em tão contrastante situação que, para este, parece ser literalmente semelhante ao fogo consumidor, relâmpagos e muita luz.

Isto não quer dizer que o nosso Deus seja impessoal, algo como “um fogo”, assim como diz Paulo, em Hebreus 12:29, repetindo Moisés 1500 anos depois (Dt 4:24), para ilustrar o zelo de Deus por Sua aliança. Mas para ambos, não há melhor comparação para a glória de Deus do que o fogo, quando fazem referência à mesma ocasião em que “aos olhos dos filhos de Israel, a glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte” (Ex. 24:17; cf. Ez 1:27).

Não se deseja atestar que os olhos de Jesus sejam literalmente chamas de fogo (Ap 1:14), que Seus pés sejam latão reluzente (v 15), e que haja uma espada em Sua boca (v.16; cf. Efésios 6:17); mas a que seria melhor comparada a teofania além do fogo quando Moisés diz ao povo: “Desde os Céus Ele te fez ouvir a Sua voz para te ensinar, e sobre a Terra te mostrou o Seu grande fogo, e ouvistes Sua palavra do meio do fogo” (Dt 4:36,33)? Ou a que comparar a aparência da “nuvem” do Senhor quando, certamente muito diminuída, iluminava literalmente a escuridão da noite enquanto os filhos de Israel estavam no deserto (Ex 13:21,22)?

Lembrando que o livro de Êxodo tem um gênero literário em forma de narrativa, acreditamos que as histórias ali são factuais. Portanto, ao invés de poesia ou metáfora, é histórica a descrição que diz: “todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo. A sua fumaça subia como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente” (Ex 19:18). Nota-se, contudo, o caráter poético de outras referências ao mesmo fato: “os montes se derreteram diante do Senhor, e até o Sinai, diante do Senhor Deus de Israel” (Jz 5:5); e ainda, ampliando-se a linguagem: “eis que o Senhor sai de Seu lugar e desce, e anda sobre as alturas da Terra. Os montes debaixo dEle se derretem e os vales se fendem, como a cera diante do fogo…” (Mq 1:3,4).

Assim, um cântico de Davi (Sl 68) que exalta o poder de Deus contra seus inimigos, e que O apresenta “poética e figuradamente” como “Aquele que vai montado sobre os céus dos céus” (v. 33), “cavalgando sobre as nuvens” (v. 4), que “esmagará a cabeça de Seus inimigos” (v. 21) e “banhará o pé no sangue” dos mesmos (v. 23) também pode apresentar “poeticamente um fato literal”, sem alterá-lo muito, dada a grandeza do evento: “Ó Deus, quando saías adiante do Teu povo, quando caminhavas pelo deserto, a terra tremia e os céus destilavam chuva perante a face de Deus, o Deus do Sinai; na presença de Deus, o Deus de Israel” (vv. 7, 8); ou, ainda com relação aos inimigos de Deus: “Como se dissipa a fumaça, assim Tu os dissipas; como se derrete a cera diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus; mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria” (vv. 2, 3).

Assim, Apocalipse 6:17, apesar de não fazer uso da expressão “Ele é como o fogo do ourives” de Malaquias 3:2, coloca na boca dos ímpios as perguntas deste mesmo versículo que diz: “Quem suportará o dia da Sua vinda? “E quem subsistirá” quando ele aparecer? Por que Ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros”. Certamente o escritor do Apocalipse tinha também em mente Isaías 33:14 ao descrever este evento, quando os ímpios também fazem perguntas muito semelhantes ao estarem diante de um Deus santo. “Os pecadores de Sião se assombram; o tremor surpreende os hipócritas. “Quem dentre nós” habitará com o fogo consumidor? “Quem dentre nós” habitará com
labaredas eternas?” (Is 33:14).

Perguntas e Respostas

Vale ainda notar que todas estas citações em que os ímpios aparecem perguntando da possibilidade de se morar com um Deus tão terrível são seguidas imediatamente por respostas, mostrando que os justos podem. Para estes a situação é completamente diferente, sendo uma situação de alegria e regozijo.

Após a pergunta de Apocalipse 6:17 é feita uma pausa na descrição da abertura dos sete selos, e é dada a resposta: os que podem subsistir são os 144 mil, que foram selados 39 e por isso podem contemplar Aquele que os ímpios não podem, e habitar com Ele.

Para a pergunta em Isaías 33:14, temos a resposta no verso seguinte. Esta passagem é paralela ao Salmo 15, cuja pergunta está no verso 1 e a resposta no resto do capítulo. Para Malaquias 3:1, vemos a resposta na sentença que diz que “purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata. Então eles trarão ao Senhor ofertas em retidão (v.3).

Contrastes

Sempre aparece um contraste entre os que podem ver a Deus e os que não suportam a mesma presença de radiante santidade. Em Isaías 68:2, ao passo que os ímpios aparecem “derretendo” na presença do Senhor, o verso seguinte já mostra o contrário: “mas, alegremse os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria”. Assim também em Malaquias 4:1 e 2 ao passo que o verso 1 diz que aquele dia arderá como fornalha e abrasará o ímpio, o verso seguinte apresenta o contraste: “mas, para vós, que temeis o Meu nome, nascerá o Sol da justiça trazendo salvação debaixo de suas asas. E saireis, e saltareis como bezerros soltos da estrebaria” (v. 2).

O lago de fogo

Como já mencionado, as duas manifestações do Senhor em glória – tanto na segunda vinda quanto após o milênio – são ocasiões de juízo. Isto se percebe em II Timóteo 4:1, onde Paulo conjura a Timóteo “diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, [a] na Sua vinda e [b] no Seu reino” a pregar a palavra.

Um fato relevante, ao retratar o contraste entre os ímpios e os justos, é que ambos estarão juntos diante do mesmo evento, porém em situações diferentes com relação à glória emanada da santidade do Senhor. Para os que forem redimidos por Jesus, a mesma glória traz vida, alegria e salvação, por estarem na presença do Senhor Deus 40. Por ocasião da segunda vinda serão “transformados” para o encontro do Senhor; e, no juízo final, “enquanto a Terra está envolta nos fogos da vingança de Deus, os justos habitam em segurança na Santa cidade. (…) Ao mesmo tempo em que Deus é para os ímpios um fogo consumidor, é para o Seu povo tanto Sol como Escudo” 41 . Em qualquer das ocasiões, “alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria” (Sl 68:3).

No livro Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine, é apresentado o seguinte quadro do juízo final: “Os santos habitam no meio da cidade de Deus, ´no meio do fogo devorador e das chamas eternas` (Is 33:14). Para os ímpios, Deus é um fogo consumidor (Hb 12:29), mas para os justos é um escudo” 42 . Assim, Deus é retratado como sendo a própria origem do que para os ímpios será como labaredas eternas. Ele habita no meio da cidade, iluminando-a com Seu resplendor, fazendo com que mesmo os justos morem “no meio do fogo devorador”. É este o quadro que aparece em Isaías 33:14 e 15.

Esta é uma das poucas declarações na literatura adventista 43 , além dos escritos de Ellen G. White, que mencionam este evento desta forma. Fudge, um autor não-adventista, é um dos que, fora da literatura adventista, defendem esta idéia. Ao mencionar a glória de Jesus e a vingança final, ele pergunta: “enquanto o fogo pertence à revelação de Cristo em glória, não pode também ser este o meio de aplicar Sua vingança?”44
.
Tendo em vista que a glória divina é o que exterminará os ímpios e uma das causas da comoção da Terra, a qual se derreterá diante de Sua glória, percebemos que o lago de fogo será a própria Terra, derretida, a qual é descrita nesta ocasião por Ellen White nos seguintes termos:

De Deus 45 desce fogo do céu. A terra se fende. São retiradas as armas escondidas em suas profundezas. Chamas devoradoras irrompem de cada abismo hiante. As próprias rochas estão ardendo. Vindo é o dia que arderá como um forno. Os elementos fundem-se pelo vivo calor, e também a Terra e as obras que nela há são queimadas. (Malaquias 4:1; II S. Pedro 3:10). A superfície da Terra parece uma massa fundida – um vasto e fervente lago de fogo. É o tempo do juízo e perdição dos homens maus – “dia da vingança do Senhor, ano de retribuições pela luta de Sião”. Isaías 34:8 46.

É sabido que também à segunda vinda de Jesus virá com toda Sua glória (doxa), e dos anjos, “em chama de fogo” (2Ts 1:8), como “labaredas eternas” (Is 33:14), o que também destruirá a terra. Porém, Deus afirma que nesta ocasião (na segunda vinda) não o fará ainda “de todo” (Jr 4:27).

É, entretanto, na segunda manifestação de poder, após o milênio, que os ímpios queimam até “virarem cinza” juntamente com Satanás, a Besta e o falso profeta (Ap 20:10), pois agora Deus vem para ficar e morar com o homem (Ap 21:3; 22:3). É nesta ocasião que a glória de Deus “enche toda a Terra (Nm 14:21), o que faz com que a Cidade Santa não necessite da luz do sol nem da lua, pois o Senhor Deus a ilumina (Ap 22:5; 21:23, 24; Is 60:19, 20). Para os que estão dentro da Nova Jerusalém, nesta ocasião situada na Terra, tal glória é vida, luz e alegria. Para os de fora, a mesma luz é um fogo que consome. Nesta ocasião, “ao mesmo tempo em que Deus é para os ímpios um fogo consumidor, é para o Seu povo tanto Sol como Escudo” 47
.
É interessante notar que a glória do Senhor santificava e também consumia (Ex 29:43, 44; Nm 11:1-3; 16:35). Assim também o “fogo” sobrenatural que consome os ímpios é o mesmo “fogo” que purifica a Terra 48.

Então os ímpios viram o que haviam perdido; e fogo foi soprado 49 de Deus sobre eles e os consumiu. Esta foi a execução do julgamento. Os ímpios então receberam de acordo com o que os santos, em uníssono com Jesus, tinham avaliado para eles durante os mil anos. O mesmo fogo de Deus, que consumiu os ímpios, purificou a terra toda. As quebradas, partidas montanhas, derreteram com calor fervente, e também a atmosfera, e todo restolho foi consumido. Então se abriu nossa herança diante de nós, linda e gloriosa, e nós herdamos a terra toda feita nova 50.

A glória do Senhor e o fogo que desce do céu

A destruição dos ímpios pelo fogo também pode ter sido já tipificada no santuário. Quando Deus aceitou o primeiro sacrifício, na inauguração do santuário, dEle mesmo “saiu” fogo e consumiu o sacrifício no altar, e a luz de Sua glória inundou o templo por dentro (Lv 9:23; 2Cr 7:1,2). Como o sacrifício era um substituto do pecador, o Senhor o recebia como um aroma agradável, pelo fato do pecador ter aceitado a Sua proposta de um substituto para que a justiça fosse satisfeita e o pecador pudesse viver 51.

No caso do pecador não aceitar o sacrifício substituto, ele mesmo é que era “consumido”. O incidente com Nadabe e Abiu, por exemplo, ao oferecerem “fogo estranho” no altar, o que era proibido, mostra que foram mortos da mesma maneira com que foi aceito o sacrifício inaugural do serviço do santuário, nas mesmas palavras: “fogo irrompeu de diante do Senhor, e… consumiu” (Lv 9:24; 10:2).

O fogo iniciado por Deus, e cujas chamas deveriam ser mantidas acesas, “de dia e de noite” (Lv 6:12,13), era o que deveria consumir a oferta substituta; porém, se o homem não o aceitasse, era ele mesmo quem era consumido 52 . Este mesmo fogo, que “irrompe” de Deus, é o que consumirá os ímpios no fim 53.

Surge a pergunta se este fogo é literal. Assim como o fogo que iniciou o serviço do santuário foi iniciado por Deus e se tornou um fogo literal, assim entendemos que será. A terra, e as obras que estão nela serão queimadas com um fogo literal (2Pd 3:10- 12), porém iniciado, ou aceso, pela presença santa de Deus, assim como o foi na Sua aparição no monte Sinai (Ex 19).

Este fogo não pode, entretanto, ser completamente literal; caso contrário, não poderia destruir a Satanás e seus anjos, para quem é especialmente “destinado” (Mt 25:41). Somente Cristo pode punir a Satanás, no momento certo, para que todos compreendam os resultados da rebelião. Os anjos maus chegaram a acreditar, na primeira vinda de Jesus, que Ele já tinha vindo para atormentá-los “antes da hora” (Mt 8:29).

Ellen White diz que, ao se rebelarem, no Céu, Deus deixou que eles existissem

…por algum tempo, a fim de poderem desenvolver seu caráter e revelar seus princípios. Feito isso, receberão os resultados de sua própria escolha. Por uma vida de rebelião, Satanás e todos quantos a ele se unem colocam-se em tanta desarmonia com Deus, que Sua própria presença lhes é um fogo consumidor. A glória dAquele que é amor os destruirá 54.

Naturalmente, “houvesse sido deixado que Satanás e seus anjos colhessem os plenos frutos de seu pecado, e teriam perecido” certamente, no exato momento em que se colocaram “em desarmonia” com Deus; “mas não se patentearia aos seres celestiais ser isso o inevitável resultado do pecado. Uma dúvida acerca da bondade divina haveria permanecido em seu espírito, qual ruim semente, para produzir seu mortal fruto de pecado e miséria” 55.

O fato de que Deus não permitiu que Satanás e seus anjos colhessem naturalmente os frutos de seu pecado – pois senão teriam morrido e os anjos não entenderiam – mostra que Deus pode controlar a ação de sua glória sobre o pecador. É isso que faz com que, no juízo final, alguns sejam “destruídos num momento, enquanto outros sofrem dias” 56 , já que Deus dará a cada um “conforme as suas obras” (Ap 22:12).

Isto mostra que a morte do ímpio, além de ser simplesmente uma conseqüência natural, é uma punição de um Deus justo, visto que cada um tem a sua parcela de culpa, e conseqüentemente, um preço diferente a pagar. Mas o resultado final do pecado – seu salário, é a morte (Rm 6:23) “Deus os destruirá na sua própria malícia” (Sl 93:23).

Caso fosse somente uma conseqüência natural de se estar diante da santidade de Deus, seria lógico pensar que o maior pecador seria destruído mais rapidamente, enquanto que o menor suportaria um pouco mais, até que perecesse.

Mas não é assim, pois todos são punidos segundo suas ações. Depois que perecerem os que caíram pelos enganos de Satanás, deve este ainda viver e sofrer, até ser o último a morrer, como o maior culpado e originador de todo o pecado 57 . Isto faz parte da “estranha obra” e do “estranho ato” de Deus 58 , o qual na verdade “deseja que todos os homens se salvem” (Is 28:21; 1Tm 2:4; Ez 33:11).

Convém lembrar também que o Senhor teve várias formas de eliminar o pecador
impenitente, além do fogo. Ananias e Safira, assim como Uzá tiveram morte súbita (At 5:5; 2Sm 6:7); Os filhos de Eli e Belsazar foram entregues por Deus aos inimigos militares e por eles mortos, como uma punição de Deus (1Sm 2:34; 4:10; Dn 5:30,31); Herodes foi morto por uma intervenção divina, e na hora já estava seu corpo comido de bichos (At 12:23); os 250 rebeldes com fogo que “saiu” do Senhor (Nm 16:35). Enfim, uns foram engolidos pela terra (Nm 16:30-34), outros sofreram pragas (vv. 45-49) outros espada e fome (Jr 24:10).

Por isso, é importante mencionar que acontecerão logicamente cataclismas e grandes fenômenos naturais nestes eventos, os quais também farão a grande obra de destruição. A Terra toda entra em comoção, mas nota-se que tudo isso ocorre em conseqüência da manifestação gloriosa de Deus. Todos os elementos que estão contidos nas profundezas serão expostos e farão a sua destruição, deformando e derretendo a Terra, que se tornará um verdadeiro oceano de lava vulcânica e rocha derretida; um verdadeiro “lago de fogo”. O comentário bíblico adventista assim registra esta cena:

Quando o dilúvio de águas estava em sua altura sobre a Terra, tinha a aparência de um ilimitado lago de água. Quando Deus finalmente purificar a Terra, parecerá como um ilimitado lago de fogo. Assim como Deus preservou a arca em meio às comoções do Dilúvio, por conter oito pessoas justas, Ele preservará a Nova Jerusalém, contendo os fiéis de todas as eras, desde o justo Abel até o último santo que viveu. Apesar de toda a Terra, com exceção daquela porção onde a cidade repousa, estar envolta em um mar de fogo líquido, ainda assim a cidade é preservada como foi a arca, por um milagre do poder todo-poderoso. Ela permanece incólume em meio aos elementos devoradores…59

Ellen White também descreve a cena do lago de fogo como sendo a própria Terra derretida, tomada de lava vulcânica e de todos os elementos da Terra, tudo se iniciando pelo fogo que vem de Deus. Ela diz que “uma torrente abrasada manará e sairá de diante dEle, a qual fará com que os elementos se derretam com intenso calor, e a Terra, bem como as obras que nela há, se queimarão” 60.

Traduzindo theion

Um aspecto curioso é a presença do enxofre na destruição dos ímpios (Ap 20:10).Isto pode ser uma alusão ao que aconteceu com Sodoma e Gomorra, ou a geena, que serviram de exemplos, ou tipos do fogo eterno final (Jd 7; Mt 18:9) 61.

No NT, a palavra enxofre é tradução do grego theion, palavra que pode também ser traduzida de duas outras maneiras. A primeira, menos usual, é “relâmpago”, a qual parece não ocorrer nem uma vez nas Escrituras (apesar de muitas vezes a revelação da glória de Deus ser comparada a relâmpagos que saem dEle). A segunda possível tradução para theion é o adjetivo “divino” 62 . Por ser um adjetivo, Paulo a usou precedida de artigo definido ao fazer menção do “Deus sem nome” no seu discurso no Areópago, dizendo: “sendo nós geração de Deus, não havemos de pensar que a Divindade [tó theion, o Divino] seja semelhante a prata ou ouro” (At 17:29) 63.

Paulo a usou propositadamente no lugar de theos (Deus) ao falar para os gregos,
usando-a da maneira como eles o faziam 64 . Na LXX, theion é usada num sentido parecido em Jó 27:3, onde “sopro de Deus” (o Espírito Santo) aparece como “sopro do Divino” (pneuma dé theion) e Jó 33:4, onde “o Espírito de Deus” é pneuma theion 65.

Em seu sentido original, a palavra theion denotava o próprio fogo do céu, e ela está relacionada com enxofre, pois os lugares atingidos por relâmpagos eram chamados theia e, como os relâmpagos deixam um cheiro de enxofre, e como este era utilizado em purificações pagãs, ele recebeu um nome parecido: theion 66.

Vale notar que no NT, o enxofre não vem do Céu, mas só aparece no “lago de fogo”. As referências ao enxofre vindo do céu são feitas de menções do que aconteceu em Sodoma e Gomorra (Lc 17:29; Ap 19:10) – um “exemplo” (Jd 7).

O enxofre certamente estará presente na destruição da terra pela majestade do Senhor tanto na segunda como na terceira vinda. A terra toda entrará em comoção e os produtos que se encontram no seio da terra serão expostos 67 . Até a atmosfera parecerá arder, fazendo parecer que o Céu se recolha “como um pergaminho que se enrola” (Ap. 6:14), enquanto todos os montes e ilhas são removidos dos seus lugares com um “terremoto como nunca houve” (Ap 16:18). “Os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há, serão descobertas” (2Pd 3:12), tais como lava vulcânica e outros materiais, onde o enxofre está presente.

Lembrando que os filhos de Deus devem estar de pé diante de tamanha destruição, em meio a tanto poder, Pedro faz um apelo concernente à segunda vinda de Cristo: “Havendo pois de perecer todas estas coisas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os Céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão?” (vv. 11, 12).

Porém, como visto, não será ainda o fim. Esta primeira manifestação de poder não chegará a tornar a Terra um “lago de fogo” ainda, pois diz o Senhor: “Não a consumirei [a Terra] de todo” (Jr 4:27). Após o milênio, esta mesma cena se repetirá, porém será completa, e a terra se transformará num verdadeiro lago de fogo, onde serão lançados os inimigos de Deus e ali perecerão.

O trono de Deus estabelecido na Terra

Um ponto que merece maior consideração é a ocasião em que Deus manifestará Sua glória a toda a Terra (Nm 14:21), de forma que se inicie tal destruição. Sabe-se que antes disso todos os ímpios estarão em volta da cidade, organizados para tentar tomá-la (Ap 20:9). Entendemos que antes do fogo descer do céu e os consumir, todos devem reconhecer a supremacia de Deus e a Sua justiça (Rm 14:11; Fp 2:10,11; Is 45:23, 24) 68.

Ellen White diz que, nesse ínterim, os ímpios, do lado de fora, podem ver a Jesus
dentro da cidade, e não morrem, até que “desça fogo do Céu” 69 . Como vimos, Jesus pode diminuir ou velar Sua glória, assim como os anjos, como vemos em várias teofanias nas Escrituras em que Ele foi visto sem problemas 70 . O objetivo, nesta ocasião, seria fazer com que todos vejam, antes de morrerem, a que ponto chegaram e o que perderam, e reconheçam sua sorte como justa 71.

Antes disso, é muito improvável que Deus, o Pai, esteja na Cidade Santa no momento em que esta desce à Terra, após o milênio, devido à figura ali utilizada. Não caberia aí a figura da noiva descendo “ataviada ao seu Noivo” (Ap 21:2), se o trono do Pai estivesse dentro dela nesta ocasião. Como sabemos, Jesus vem à frente da própria cidade 72 para que esta então possa vir a Ele, como a noiva ao Noivo. Para que a figura seja completa, o detalhe é que a noiva vem “de Deus”, do Céu, para o Noivo, na Terra (21:2).

Assim, é mais fácil entendermos que Deus se manifesta em glória depois de a Cidade estar na Terra, com os salvos dentro, para estabelecer o Seu trono de glória. Desta forma, Miquéias 1:3, 4 pode referir-se a esse dia, ao dizer: “eis que o Senhor sai do seu lugar, e desce, e anda sobre as alturas da Terra; os montes debaixo dEle se derretem, e os vales se fendem, como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo” (ver Isaías 26:21).

A esse dia também se referem o Salmo 97 e o 52 que tratam do juízo final 73 . De acordo com o comentário bíblico adventista, o Salmo 97 “celebra a entronização de Jeová como juiz justo sobre toda a Terra” 74 . Tais relatos apresentam fogo e grande tormenta “ao redor” de Deus (50:3; 97:3), estando Ele possivelmente no meio da Cidade Santa em Seu trono, na Terra, com todos os ímpios “ao redor” da Cidade 75.

“Mas”, para os que temem o nome do Senhor, “nascerá o Sol da Justiça, trazendo salvação debaixo de Suas asas” (Ml 4:2).

Do lado de fora dos muros da Cidade, apesar de que os ímpios sofrerão “de dia e de noite” (Ap 14:11; 20:10 76 ), “sem descanso algum”, percebe-se, através de toda a Bíblia, que pecado e pecadores serão finalmente destruídos. “O dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo” (Ml 4:1).

O profeta Malaquias acentua este fato ao descrever o evento, dizendo que, terminada a conflagração, certamente após a Terra ter sido renovada, “saireis, e saltareis como bezerros soltos da estrebaria. E pisareis os ímpios, porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés… (Ml 4:2, 3). Percebemos assim que o tormento não é eterno, mas que terá um fim, após serem retribuídos “cada um conforme suas obras” (Ap 22:12).

VII. IMPLICAÇÕES NA TEOLOGIA ADVENTISTA

Se entendermos que a própria glória de Deus é o causador do extermínio do pecado e pecadores, certamente teremos maiores esclarecimentos em alguns pontos relevantes de nossa fé. Neste capítulo, procuraremos dar somente um breve vislumbre em alguns deles, somente à guisa de exemplos, sem pretender de maneira alguma esgotar os assuntos, mas com o propósito de abrir o campo de pesquisa para os que quiserem estudar profundamente o assunto.

A vindicação de Deus no extermínio dos ímpios

Como visto anteriormente, Deus vindica perante o Universo o Seu caráter ao demonstrar que o pecado não permanece diante de Sua santidade, pois são antagônicos. Com um infinito sacrifício de Si mesmo em Seu Filho, Deus reconcilia consigo o mundo (2Co 5:19). Os impenitentes rejeitam o único modo de serem transformados, tendo de receber o resultado natural do pecado, que é a morte. Ao mesmo tempo, o Universo pode perceber que o pecado foi perdoado e eliminado de tal modo, que o próprio Deus pode morar com a raça humana 77.

A vindicação de Deus não pode ser vista em sua plenitude se virmos apenas. Deus jogando fogo comum do Céu sobre os ímpios, ou preparando um lugar, um lago de fogo, para “jogar” os ímpios. É a Sua própria presença, que ilumina o mundo, que faz com que seja feita a diferença entre os que foram santificados e limpos por Ele e os que não foram. “E o julgamento é este: a Luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a Luz, porque as obras deles eram más. Todo aquele que pratica o mal aborrece a Luz e não vem para a Luz, para que as suas obras não sejam reprovadas; mas quem vive de acordo com a verdade vem para a Luz, a fim de que se veja claramente que as suas obras são feitas em Deus” (Jo 3:19-21). “A obra de cada um se manifestará, porque o Dia a demonstrará. Pelo fogo será revelada, e o fogo provará qual seja a obra de cada um” (1Co 3:13).

Isso [a destruição dos ímpios] não é um ato de poder arbitrário da parte de Deus. Os que Lhe rejeitavam a misericórdia ceifarão aquilo que semearam. Deus é a fonte da vida; e quando alguém escolhe o serviço do pecado , separa-se de Deus, desligando-se assim da vida. Ele está “separado da vida de Deus”. Cristo diz: “Todos os que Me aborrecem amam a morte”. Deus lhe dá existência por algum tempo, a fim de poderem desenvolver seu caráter e revelar seus princípios. Feito isso, receberão os resultados de sua própria escolha. Por uma vida de rebelião, Satanás e todos quantos a ele se unem colocam-se em tanta desarmonia com Deus, que Sua própria presença lhes é um fogo consumidor. A glória dAquele que é amor os destruirá 78.

Mesmo que Deus velasse mais uma vez Sua glória, Isaías 26:10 nos informa que ainda assim o homem não mudaria, e por isso ele tem de ser destruído; pois “ainda que se mostrasse favor ao ímpio, nem por isso ele praticaria a justiça, e até na terra da retidão praticaria a iniqüidade, e nem atentaria para a majestade do Senhor” 79 . Assim, os crentes são impressionados com a seguinte mensagem: “Se vos apegais ao eu, recusando entregar a Deus a vossa vontade, estais preferindo a morte. Para o pecado, seja onde for que ele se encontre, Deus é um fogo consumidor. Se preferis o pecado, e vos recusais a abandoná-lo,
a presença de Deus, que consome o pecado, tem de consumir-vos” 80.

Desta forma, Deus é vindicado ao vir “em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” pois Ele virá “para ser glorificado nos Seus santos e ser admirado em todos os que creram” (2Ts 1:8-10).

A terceira mensagem angélica como a mensagem da justificação pela fé

A terceira mensagem angélica, o último chamado para a salvação, apresenta ao mundo os que têm “a paciência dos santos: os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (Ap 14:12). Tal mensagem, o “Evangelho Eterno”, ensina que o homem se perdeu, mas Jesus deu a vida por ele. Mas trata também de fogo e de juízo. Ela relembra a primeira mensagem que vem sendo proclamada desde 1844, para que o mundo tema a Deus e Lhe dê glória (doxa), o que, como vimos, é reconhecer a soberania e majestade de Deus sobre tudo 81 . Tal mensagem adverte que quem não estiver sob tal soberania, adorando a falsos sistemas de culto, não suportará a própria presença santa de Deus.

Ellen White diz o seguinte sobre a mensagem do terceiro anjo: “Várias pessoas me escreveram perguntando se a mensagem da justificação pela fé é a mensagem do terceiro anjo, e respondi-lhes: ‘é verdadeiramente a mensagem do terceiro anjo’” 82.

A terceira mensagem angélica adverte o mundo para que não desobedeça às leis de Deus, ou sofrerá punição pela vinda de Jesus, “pois é chegada a hora do Seu juízo” (Ap 14:7). Esta mensagem é conteúdo do evangelho eterno (Ap 14:6), que ensina que nós nos encontraremos com Deus, e temos de ser transformados para isso (Jo 3:3, 5). “A humanidade não poderia suportar a visão de Sua glória por um momento; somente através do Filho eles poderiam vir a Ele” 83
.
Ellen White faz a relação da mensagem da justificação pela fé com a terceira mensagem angélica nos seguintes termos:

A mim tem sido mostrado que a mão do Senhor está esticada pronta para punir aqueles que se tornarão monumentos de desprazer divino e santa vingança, pois o dia da recompensa tem chegado, quando os homens que exaltaram o homem do pecado em lugar de Jeová ao adorar um sábado ídolo em lugar do sábado do
Senhor Jeová irão perceber que é uma coisa terrível o cair nas mãos do Deus vivo, pois Ele é um fogo consumidor 84.

Portanto, vista desta forma, a mensagem do terceiro anjo – que fala de punição de fogo para quem não obedece à Lei – se torna mais cristocêntrica do que legalística. Ela fala da necessidade primeira da transformação interna, feita por Deus, para que então guardemos Sua lei – e não o contrário: obedecermos a Lei para sermos transformados, o que seria uma tentativa do próprio homem para salvar-se.

A idéia das mensagens angélicas é levar ao mundo o “Evangelho Eterno”, e prepará-lo para se encontrar com Deus: “Temei a Deus e daí-Lhe glória, pois vinda é a hora do Seu Juízo” (Ap 14:7). O objetivo é levar o homem para Jesus, o Único que pode primeiro justificar, santificar e finalmente glorificar o homem para encontrar-se com Deus.

Em reconhecimento da soberania de Deus, o homem Lhe obedece, guardando Sua Lei. O último sinal da brevidade do encontro, é a união da Igreja com o Estado, impondo a marca da Besta (Ap 13).

O “Batismo com Espírito Santo e com Fogo”

Ao comentar a passagem onde João Batista diz “Eu vos batizo com água, mas vem Aquele que é mais poderoso do que eu. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3:16), o comentário bíblico adventista menciona que não sabemos ao certo “o sentido no qual Cristo deveria batizar com fogo” 85 . É especulado se poderia se referir “ao Pentecostes”, ou “às provações”, à “graça de Deus purificando a alma”, ou aos “fogos do último dia”. Este último é o que teria mais sentido dentro do contexto imediato (Mt 3:12), como é então verificado 86.

Se entendermos que Jesus destruirá o ímpio pelo esplendor de Sua vinda, e que os justos serão transformados por esta mesma glória, e que assim estaremos todos perante o “fogo consumidor” de Sua presença, temos essa situação mudada. Assim como Paulo diz em I Coríntios 10:1-2 que todos os judeus foram “batizados” na nuvem por terem estado debaixo dela (Nm 9:18), e na água por terem passado no meio dela (Ex 14:22), quanto mais o serão aqueles que serão envolvidos na luz da majestade divina, a qual nos envolverá completamente, transformando-nos ou destruindo-nos.

É possível fazer aqui, na figura dos três batismos, uma aplicação: a) à justificação,
reconhecida publicamente no simbolismo do batismo pela água; b) à santificação, no batismo contínuo feito pelo Espírito Santo; e c) à glorificação, quando Jesus vier “em chama de fogo” (2Ts 1:8), e a glória de Deus “encher” toda a Terra (Nm 14:21), “batizando” a todos os homens na luz da glória celestial (Ap 22:5).

Ellen White, ao comentar o batismo pelo fogo mencionado por João Batista 87 , faz aplicação à glória de Deus: “Por ocasião do segundo advento de Cristo, os ímpios hão de ser … aniquilados ‘pelo resplendo da Sua vinda’”. II Tess. 2:8. A luz da glória de Deus, que comunica vida aos justos, matará os ímpios. 88.

Moises, por ter sido santificado previamente pelo senhor, pôde subir a Ele no monte que ardia em chamas pela Sua presença, e voltou com o rosto brilhando. Da mesma forma será no fim, quando os justos, tendo seguido a santificação, “verão a Deus”, serão transformados, e eles mesmos “brilharão como o sol no reino de seu Pai” (gb 12:14; Mt 5:8; 13:43).

VIII. CONCLUSÃO

Em nosso estudo, pudemos perceber que o homem, apesar de ter sido criado para ter comunhão com seu Criador, tornou-se tão distante da santidade devido ao seu estado pecaminoso, que lhe é impossível mesmo o estar na presença de um Deus tão santo.

Assim, o homem ficou com uma condenação pendente sobre si, que lhe traria a morte como o “salário do pecado” (Rm 6:23). Mas Deus enviou o Seu Filho para morrer como um pecador em nosso lugar e nos garantir o Seu perdão e Sua presença a nos santificar continuamente, para que possamos estar em condições de morar com este Deus, como seria o plano original.

Pudemos concluir que a presença de Deus, que dá vida e alegria ao justo, é como um fogo consumidor para o pecador (Hb 12:29), sendo-lhe impossível suportá-Lo, devido aos seus pecados, podendo ser este o “fogo eterno” (Mt 25:41) a que se referiu Jesus ao mencionar o juízo final, que acontecerá após o milênio. Esta seria a melhor comparação a um Deus que “tem, Ele só, a imortalidade e habita em luz inacessível” (1Tm 6:16).

É necessário ter em mente, entretanto, o fato de que a Sua glória – ou “fogo” para os ímpios, é que é eterna, e não os ímpios que serão “lançados” diante dEle naquele dia final.

Tal glória ilumina toda a Cidade Santa (Is 60:19,20), onde estará estabelecido o Seu trono, e onde os próprios salvos, numa figura de linguagem que talvez bem possa se aproximar da literal, “resplandecerão como o Sol no reino de seu Pai” (Mt 13:43).Percebemos também que o lago de fogo se refere à Terra na mesma ocasião em que Deus manifestar a Sua glória no juízo executivo. A “Terra e as obras que nela há” se fundirão pelo calor de Sua presença naquele dia, e se tornará em um verdadeiro lago de fogo (2Pd 3:10-12).

Concluímos que tal fogo é literal, mas é iniciado pela presença de Deus, e em conseqüência da mesma. Há também a necessidade de compreendermos que se houvesse apenas um fogo literal não haveria como “queimar” também o diabo e seus anjos (Ap 20:9, 10: Mt 25:41). E além disso, Deus não poderia vindicar o Seu caráter Santo com a mesma plenitude como o faz nesta ocasião se atirasse fogo comum nos ímpios mesmo que os registros comprovem que Ele é justo ao agir assim.

O fato de os ímpios morrerem simplesmente por não contemplarem a pessoa de um Deus que é amor, ao passo que aqueles que anteriormente estavam na mesma condição o fazem sem problemas, prova que Deus é justo 89. Ele simplesmente aparece em glória, para dar vida a todos os que estão em harmonia com Seu caráter.

O homem, por si só, não pode conseguir esta excelência de caráter, santo, sendo completamente dependente de Deus. “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15:5). Por isso a afirmação de Deus em Ezequiel 33:11: “Arrependei-vos, arrependei-vos! Pois não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim que o ímpio se converta do seu mau caminho e viva. Pois, por que haveis de morrer…?”

IX. REFERÊNCIAS:

1 Para ter uma visão geral do que é o ensino bíblico do milênio, conforme crêem os adventistas do sétimo dia, ver Rubens S. Lessa, Márcio D. Guarda e Rubem Scheffel, ed., Nisto Cremos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1990), 470-484

2. Para entender as fases do juízo (investigativo, vindicativo e executivo), ver Lessa, Nisto Cremos, 414-416.

3. Apesar de muitos imaginarem que a Nova Jerusalém desce do Céu já contendo os redimidos, o fato é que os mesmos já terão vindo com Jesus à Terra na frente, quando se cumprirá o que está em Zacarias 14:4, ao Ele tocar os Seus pés sobre o Monte das Oliveiras, tornando-o num vale preparado para receber a Cidade Santa, a qual então virá como noiva ataviada ao seu Esposo, que é Jesus. Para maiores estudos, ver Ellen White, O Grande Conflito (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1974), 659 e 660; e Ellen White, História da Redenção (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1981), 416 e 417.

4. “A glória de Deus, desvendada, homem algum neste estado mortal poderá ver, e viver”. Ver Ellen G. White, Patriarcas e Profetas (Tatuí, SP: Casa Publicadora
Brasileira, 1997), 328).

5. Johannes B. Bauer, Dicionário de Teologia Bíblica (São Paulo: Loyola, 1979), 1:442.

6. Edward Fudge, The Fire that Consumes (Houston, TX: Providential Press, 1989), 245. Fudge afirma aqui que “aqueles que rejeitam a oferta pelo pecado que Ele proveu não são somente deixados sem um sacrifício pelo pecado; eles também devem ter certa expectação de um fogo ardente que consome os inimigos de Deus (Hb 10:26,27). Uma oferta aceitável ou o próprio pecador; estas são as únicas opções ainda”.

7. Colin Brown, The New International Dictionary of New Testament Theology (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1975), 2:44. Ver também Enciclopédia de la Bíblia, 3:909.

8. Bauer, 443,444.
9. Gerhard Kittel, ed., Theological Dictionary of the New Testament (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 1983), 2:236. Ver também Enciclopédia de la Bíblia (Barcelona: Ediciones Garriga, S.A., 1964), 3:907.

10. Enciclopédia de la Biblia, 3:907.
11. Seventh-day Adventist Bible Dictionary (SDABD), ed. 1979. Ver “glory”.
12. Enciclopédia de la Bíblia, 3:906.
13. Idem, 3:907.

14. Para se conhecer outras palavras traduzidas como “glória” e suas ocorrências, ver W. E. Vine, An Expository Dictionary of New Testament Words (Westwood, NJ: Fleming H. Revell Company, 1952), 154-155.

15. Ellen G. White também usa a palavra glória referindo-se ao caráter de Deus. Ver, por exemplo, seu livro Atos dos Apóstolos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1986), 576.

16. Kittel, 246. Ver também Enciclopedia de la Bíblia, 907.
17. White, Patriarcas e Profetas, 45.
18. Brown, 2:45.
19. Ibid, 2:45.

20. Horst Balz e Gerhard Schneider, ed., Exegetical Dictionary of the New Testament (Grand Rapids, MI: William B Eerdmans Publishing Company, 1990), 1:346, 347.

21. White, Patriarcas e Profetas, 328 (itálicos acrescentados).
22. Idem, Atos dos Apóstolos, 576.

23. Ellen G. White, Primeiros Escritos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988), 54 (grifo acrescentado).

24. Ibid., 70 (grifo acrescentado).
25. Ibid., 76 (grifo acrescentado).
26. White, Patriarcas e Profetas, 330.

27. Bauer, 1:445. Aqui, o autor ainda diz que “segundo o NT também os anjos de Deus têm doxa, porque perpetuamente estão ao redor de Deus e refletem seu caráter (Hb 9:5; Ap 18:1; Jd 8; 2Pe 2:10)”.

28. Ellen White, O Desejado de Todas as Nações (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1991), 39 (cf. Lc 2:9).

29. Ibid., 50.
30. Ellen G. White, “Christ´s Mission of Love”, Bible Echo and Signs of the Times, 12 de novembro de 1894; Ellen G. White, “The Conditions of Fruit Bearing”, The Signs of the Times, 18 de abril de 1892. Ver também Patriarcas e Profetas, 330.

31. “Com o rosto descoberto” – aqui Paulo faz uma aplicação espiritual usando como referência a Moisés, que tinha de usar um véu por causa da glória de Deus (2Co 3:13).

32. White, Patriarcas e Profetas, 329.
33. Alberto Treyer. The Day of Atonement and the Heavinly Judgement fron the Pentateuch ro Revelation (Siloam Springs, AK: Creation Enterprises International, 1992), 666.

34. “Ardente”, aqui, é uma opção para o inglês “burning”, do verbo “to burn”, “queimar”.
35. White, Patriarcas e Profetas, 339 (Itálicos acrescentados).

36. Ellen White, Testimonies for the Church, 3:354 [CD-ROM “The Published Ellen G. White Writings” (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, s.d.)]. Ver também White, Patriarcas e Profetas, 340.

37. Wallenkampf compara ao efeito do fogo sobre a gasolina, como se o pecado fosse a gasolina, o pecador fosse alguém com a roupa “empapada” da mesma, e Deus fosse o fogo que, ao se aproximar da gasolina, a incendeia, queimando também o pecador. Ver Arnold Valentin Wallenkampf, Lo que todo cristiano deberia saber sobre ser justificados (Buenos Aires: Asociacion Casa Editora Sudamericana, 1989), 20 e 30. Aqui ele cita Martinho Lutero como também tendo tido este pensamento ao dizer que “Deus é uma fornalha iluminada pelo amor”. Ver como Fudge apresenta esta mesma idéia em The Fire that Consumes, 109.

38. Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, Casa Publicadora Brasileira, 2000), 26.
39. Comparar com Efésios 1:13.
40. White, Patriarcas e Profetas, 341.
41. Idem, História da Redenção, 429.

42. The Editorial Commitee, Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1957), 507 (grifo acrescentado). Ver também White, O Grande Conflito, 670.

43. Além do Questions on Doctrine, de 1957, e do Lo que todo cristiano deberia saber sobre ser justificados, de Wallenkampf, não encontrei impressos adventistas que tratam da glória de Deus como fator importante no juízo final, como consumidora do pecado. Os estudos bíblicos atuais não tratam da natureza do fogo de Deus, mas tentam explicar a sua duração. Ver, por exemplo, Itanel Ferraz, Segue-Me (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1980); Rubens Lessa, ed., Consultoria Doutrinária (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998); Idem, Nisto Cremos; Lourenço Gonzalez, Assim Diz o Senhor (Niterói, RJ: Editora Ados, 1997); Estudos Bíblicos: Doutrinas Fundamentais das Escrituras Sagradas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1991); Alonzo J. Wearner, Fundamentals of Bible Doctrine (Washington: Review and Herald Publishing Association, 1931); Francis D. Nichol, Answers to Objections (Washington: Review and Herald Publishing Association, 1952).

44. Fudge, 245.
45. “De Deus”, do inglês “from God”, significando a procedência como se originando em Deus, e a partir dEle, assim como é descrito o juízo que caiu sobre Nadabe e Abiu, e outros que foram punidos assim (Lv 10:2; Nm 16:35).

46. White, O Grande Conflito, 669. Ver também 2 Pedro 3:7-10.
47. Ibid., 670. Ver também White, História da Redenção, 429.
48. White, Primeiros Escritos, 54; O Grande Confito, 670;

49. Provavelmente aqui é feita uma relação a 2 Tessalonicenses 2:8, que diz que o Senhor destruirá o iníquo “pelo sopro de Sua boca, e o aniquilará pelo esplendor de Sua vinda”. Em João 20:22, Jesus “sopra” sobre os discípulos o Espírito Santo. É interessante notar a relação em algumas passagens relativas ao juízo divino. Comparar, por exemplo, Hebreus 10:27 com Isaías 4:4. Em ambas, aparecem a expressão “juízo e ardor”, relacionadas com a glória do Messias e ao Espírito Santo (ver também Sl 33:6; Is 11:4; 2Ts 2:8; Sl 97:2,3; Lessa, Nisto Cremos, 42-43 e 90-91). Ver ainda Bauer, 1:442, onde se afirma que no NT a doxa (glória) e o pneuma (espírito) estão intimamente relacionados; e White, O Desejado de Todas as Nações, 107-108.

50. White, Primeiros Escritos, 54.
51. Fudge, 245.
52. Ibid.
53. Ibid., 276 e 245
54. White, O Desejado de todas as Nações, 764.
55. Ibid
56. White, História da Redenção, 429; e O Grande Conflito, 673.
57. Ibid.

58. Isaías 28:21 diz que “o Senhor Se levantará” para “fazer a Sua obra, a Sua estranha obra, e para executar o Seu ato, o Seu estranho ato”. Isso para mostrar como é difícil para um Deus longânimo e misericordioso ter de executar os ímpios. Para mais detalhes, ver White, O Grande Conflito, 627

59. “New Jerusalem Preserved Amid Flames” [Ap 20:9, 10, 14], Seventh-day Adventist Bible Commentary (SDABC), ed. F. D. Nichol (Washington, DC: Review and Herald, 1957), 7:986.

60. White, Patriarcas e Profetas, 339.
61. Para saber mais sobre a geena, traduzida como “inferno” na maioria das versões, ver Lessa, Consultoria Doutrinária, 196; idem, Nisto Cremos, 478, 479.

62. Ethelbert W. Bullinger, A Critical Lexicon and Concordance to the English and Greek New Testament (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1981), 232.

63. Ibid.
64. Ibid.
65. Vine, 151.
66. Ibid. Ver também Bullinger, 232.
67. White, Patriarcas e Profetas, 109
68. White, O Grande Conflito, 661-662
69. Ibid
70. Ver Êxodo 33:20: “Homem nenhum pode ver a Minha face e viver”; ver também.White, Patriarcas e Profetas, 328.

71. White, O Grande Conflito, 661-662.
72. Ibid., 659-660; Ver também White, História da Redenção, 416 e 417.
73. Ver Seventh-day Adventist Bible Commentary, 3:752 e 852.
74. Idem., 7:852
75. Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine, 507; ver também White, O Grande Conflito, 670.

76. Para entender o significado da expressão “para todo o sempre” ou “pelos séculos dos séculos” em Apocalipse 20:10, ver, por exemplo, Lessa, Nisto Cremos, 480.

77. White, O Grande Conflito, 671.
78. Idem, O Desejado de Todas as Nações, 734 e 735 (grifos acrescentados).
79. Idem, Caminho a Cristo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1994), 17, 18.

80. White, O Maior Discurso de Cristo, 62.
81. Brown, 2:44. Ver também Bauer, 443,444.
82. Ellen G. White, Evangelismo (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1978),190.

83. Ellen G. White, Spirit of Prophecy, vol. 2 (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1969), 280

84. The Ellen G. White 1888 Materials [CD-ROM “The Published Ellen G. White Writings” (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, s.d.)], 485. Grifo acrescentado, com ênfase na mensagem do terceiro anjo de Apocalipse 14.

85. “Fire” [Mt 3:11] Seventh-day Adventist Bible Commentary, 5:300
86. Ibid.
87. White, O Desejado de Todas as Nações, 108 (ver também a pág. 107, onde ela faz referencia a Isaías 4:4, sobre o “espírito de justiça e de ardor”).

88. Ibid., 108.
89. Quanto à vindicação do caráter de Deus pela destruição dos ímpios pela glória de Deus, ver White, O Desejado de Todas as Nações, 763-764.

X. BIBLIOGRAFIA

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Natal Gardino, Bacharel em Teologia pelo Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP.

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