A mensagem de Jesus às sete igrejas

A mensagem de Jesus às sete igrejas

“O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia” (Ap 1:1).

Essas sete igrejas e as mensagens que lhes são dirigidas se aplicam a sete períodos ou condições da igreja do primeiro ao segundo advento de Cristo. Tem-se afirmado que essas igrejas foram escolhidas porque suas necessidades espirituais e condições gerais representavam a situação das diversas partes da igreja no mundo em algum tempo da história. O fato de que o número total é sete denota que todas elas juntas representam a totalidade dos crentes no passado e no presente.

 

 

1. As quatro primeiras igrejas

Diagrama com as quatro primeiras igrejas do Apocalipse:

ESMIRNA. Durante o período de Esmirna, os imperadores romanos favoreceram as perseguições aos cristãos. Houve ataques durante os reinados de Trajano (98-117), Adriano (117-138), Tito Antonino Pio (138-161), Marco Aurélio (161-180), Sétimo Severo (193-211), Décio Trajano (249-251) e Valeriano (253-260).ÉFESO. Simbolizava a igreja apostólica e foi brevemente estudada na lição anterior.

O livro de Atos revela que muitas das dificuldades da igreja primitiva resultaram de acusações caluniosas lançadas contra ela pelos judeus (ver Atos 13:45; 14:2 e 19; ·17:5 e 13; 18:5, 6 e 12; 21:27). Evidentemente, esta era também a situação em Esmirna.

PÉRGAMO. Visto que o período representado por Pérgamo foi o do desenvolvimento do papado (313 a 538 d.C.), parece ser evidente que ‘o trono de Satanás’ é uma referência ao centro da adoração papal: Roma. Foi nesse período que os costumes do paganismo tiveram ingresso na igreja cristã. Muitos dos ritos e cerimônias pagãos previamente introduzidos na religião, incluindo a festividade pagã relacionada ao domingo (dia do Sol), foram então estabelecidos por lei. “A conversão nominal de Constantino, na primeira parte do século quarto, causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente, introduziu-se na igreja” (O Grande Conflito, p. 49, 50).

TIATIRA. “Tiatira significa ‘sacrifício de contrição’ e adequadamente representa o período da história da igreja em que a fé simples foi mudada por meio da apostasia, ou sacrificada, sendo substituída por obras e penitências. A salvação não pode ser comprada nem merecida por nenhum meio. Ela é dom de Deus. Vem a nós pela graça, e pela graça somente. Mas no quarto período da história da igreja os homens se desviaram da simplicidade do evangelho de Cristo e em seu lugar construíram um elaborado ritual e um sacerdócio de feitura humana” (O Apocalipse Revelado, p. 39).

2. As três últimas igrejas

Diagrama com as três últimas igrejas do Apocalipse:

FILADÉLFIA. Amor fraternal é o significado de Filadélfia, período aplicado à igreja durante a mensagem da hora do juízo, em 1844. A Chave de Davi: “Este versículo aplica a profecia de Isaías acerca de Eliaquim a Cristo (Is 22:20-22; ver 2 Reis 18:18). Eliaquim foi designado para supervisionar a casa de Davi, conforme demonstra o fato de que receberia “a chave da casa de Davi”. Cristo tem a “chave”, o que indica Sua jurisdição sobre a igreja e sobre o propósito divino que deve ser alcançado por meio dela” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 757, 758; sobre a porta que “ninguém pode fechar”, ver Primeiros Escritos, p. 42 a 44).SARDES. “Aplicando esta mensagem ao período pós-Reforma, veremos que se ajusta de modo cabal. Os que lideraram a Reforma eram homens de vigorosa consagração, mas seus seguidores, supondo que todas as batalhas já houvessem sido ganhas, acomodaram-se em uma religião organizada. Grandes movimentos iniciados por homens como Lutero e Knox tornaram-se meras religiões de Estado, sustentadas pelo erário público. Autossuficientes e satisfeitas com conquistas passadas, essas pessoas deixaram de sentir as necessidades do grande mundo pagão” (Roy Allan Anderson, O Apocalipse Revelado, p. 46).

LAODICEIA. Esta igreja existe no tempo do juízo e da proclamação das mensagens angélicas finais (Ap 14:6-12). “Muitos dentre o professo e peculiar povo de Deus se acham tão conformados com o mundo que seu caráter exclusivo não é distinguido; e isso dificulta a distinção ‘entre o que serve a Deus e o que não O serve’ (Ml 3:18). Deus faria grandes coisas por Seu povo, se ele se apartasse do mundo e permanecesse separado. Se tivessem se submetido à Sua guia, Ele os tornaria um louvor em toda a Terra. Diz a Testemunha fiel e verdadeira: “Eu conheço as tuas obras” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 125).

Conclusão – A verdade inigualável da igreja cristã é a de que Deus tomou a iniciativa em Cristo de buscar os perdidos e salvá-los de seus pecados. Nas cartas às sete igrejas, Cristo é retratado como Alguém que Se aproxima de Seu povo com conselhos, conforto, repreensões e elogios, a fim de prepará-lo para Seu reino.

Autor: Érico Tadeu Xavier é graduado em Teologia Pastoral (1991). Tem mestrado (2000) pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia; Doutorado (PhD) pelo South African Theological Seminary (2011). Pós-doutorado (2014) na área de teologia sistemática pela FAJE – Faculdade de Filosofia e Teologia Jesuíta, de Belo Horizonte. Foi professor de teologia na Bolívia e na Bahia, na FADBA. Atualmente é professor de teologia sistemática no SALT – IAP. Autor de 11 livros, é casado com a psicopedagoga e mestre em educação Noemi, com que tem dois filhos, Aline e Joezer, que são casados e vivem no Paraná.

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

FONTE: MAIS CPB

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