A relevância da “semana santa”

A relevância da “semana santa”

A tradicional “semana santa” cristã é uma oportunidade para voltarmos nossos pensamentos há quase dois mil anos, e meditarmos nos acontecimentos principalmente da sexta-feira, do sábado e do domingo. Porém, nesta época de fake news, é necessário perguntar-se: “o que é e não é verdade em relação à natureza teológica daqueles eventos?” Segundo Gibbon, o historiador tem uma tarefa melancólica em relação à religião: “A ele cumpre descobrir a inevitável mistura de erro e corrupção por ela contraída em uma larga residência sobre a terra, em meio a uma raça de seres decaídos e degenerados”.

O apóstolo Pedro já advertira: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até o ponto de renegarem o soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si repentina destruição” (2Pedro 2:1). Para discernir entre a verdade e o erro religioso, nossa única segurança é examinar a Bíblia, pois, “toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para a correção, para educação na justiça” (2Timóteo 3:16). Se pedirmos a Deus, podemos contar com o prometido “Espírito da verdade” para nos guiar “a toda a verdade” (João 16:13). A seguir, alguns pontos cruciais sobre acontecimentos ocorridos naqueles dias.

 

Sexta-feira

(1) Cristo morreu para salvar os pecadores.

“Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda” (Lucas 23:33). Era o “dia da preparação, isto é, a véspera do sábado” (Marcos 15:42).O testemunho da historicidade de Cristo e de sua morte na cruz dados pelo judeu Josefo (c.37-c.100), os romanos Tácito (55-117), Plínio (c. 112), e Luciano (c.125-c.190), são de grande valor, pois eles não eram cristãos. A morte de Cristo foi muito mais que algo comovente. Ele “morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Coríntios 15:3). Sua missão de “buscar e salvar o que estava perdido”, e “nos reconciliar com Deus” também incluía derramar Seu sangue para “remissão de nossos pecados” (Lucas 19:10; 1Timóteo 1:15; Atos 4:12; 1Coríntios 5:21; Mateus 26:28).

 

(2) Cristo contrariou apenas as errôneas expectativas judaicas.

Equivocadamente os judeus esperavam um poderoso Messias conquistador (Lucas 24:21; Atos 1:6). Mas, conforme as Escrituras, Jesus veio como Messias sofredor, e salvador (Salmos 22:7-8, 14-18, 20; 34:20; 35:11; 38:11; 41:9; 55:12-14; 69:21; 109:25; Isaías 52:13-53-12; Daniel 9:25-26; Zc 11:9, 12; 12:10; 13:6-7). Quando no Getsêmani, Pedro procurava livrar a Jesus com uma espada, o Senhor lhe disse: “Como, pois se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder” (Mateus 26:54). De fato, o Messias devia “primeiro padecer, para depois entrar em Sua glória” (Lucas 24:26). O Filho de Deus encarnou-se, despojado de Seu esplendor, mas em Sua segunda vinda virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:11-16).

 

(3) Cristo morreu para ser nosso único Sacerdote.

Em Sua morte, sem qualquer auxílio humano, “o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mateus 27:51). Esse evento eloquentemente indicou que para sempre caducara o sacerdócio levítico, e aqueles sacrifícios prefigurativos da morte do Messias. Após Sua ressurreição Cristo inaugurou Seu ministério sacerdotal no Santuário celestial em favor dos remidos pelo Seu sangue (Hebreus 8:1-7;10:3-14). Evidentemente, que após a morte de Cristo, um sacerdócio organizado e hierárquico na Igreja cristã constitui-se grave distorção e manipulação da linha histórica do plano bíblico da redenção. Como anomalia teológica rival desvia os adoradores da suficiência e validade contínua do sacrifício único de Cristo realizado na cruz, e de Seu ministério sumo sacerdotal celestial (Daniel 8:9-12).

 

Sábado

(4) Cristo descansou no sábado confirmando-o como único dia santo.  

Considerando que Cristo é o divino Verbo Criador (João 1:1-3), foi Ele mesmo quem instituiu o sábado como memorial da Criação e da Redenção (Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; Deuteronômio 5:12-15). Coerentemente, após Sua encarnação o Filho de Deus honrou o dia sagrado que instituíra. “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou num sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” (Lucas 4:16). O verbo grego εἴωθα que significa “estar acostumado” está no tempo perfeito indicando “uma ação já completada no passado, cuja ação tem produzido um estado ou resultado que continua no presente do autor”. O verbo está na voz ativa sinalizando que Cristo estava executando a ação. Portanto, seu costume era algo religiosamente repetido.

Não foi por acaso que Ele orientou seus seguidores a orar (por quase quarenta anos) após Sua ressurreição para que a fuga de Jerusalém não ocorresse no Seu santo dia (Mateus 24:20). Não foi sem motivo que o divino Verbo Criador também descansou em um sábado, na sepultura, após realizar Sua perfeita obra de redenção na cruz do Calvário. E não foi por distração que “as mulheres que tinham vindo da Galileia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E no sábado, descansaram, segundo o mandamento” (Lucas 23:54-56).

Entre aquelas mulheres estava Maria (João 19:25). Ora, se o Senhor do sábado (João 1:1-3; Gênesis 2:1-3; Êxodo 16:23; Marcos 2:28), tivesse o propósito de mudar Seu dia de guarda (Isaías 58:13; Lucas 4:16; Apocalipse 1:10) para outro dia, não deveria pelo menos ter avisado sua própria mãe? Portanto, não é a “semana” ou outro dia que é santo, mas somente o sábado do sétimo dia (Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; Apocalipse 14:6).

Domingo

(5) A observância do domingo não começou com a Igreja em Jerusalém.

Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mateus 28:1-10; Marcos 16:9). Entretanto, o silêncio eloquente das Escrituras quanto a uma pretendida mudança do dia bíblico de adoração para o domingo, deveria ser suficiente para exigirmos um claro “assim diz o Senhor” para tal pretensão. Conforme Strand, “o Novo Testamento não dá nenhum indício de que os apóstolos instituíram uma comemoração semanal nem anual da ressurreição no domingo”. O apóstolo Paulo apenas nos informa que Cristo “ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:25). As causas da adoção do domingo como dia de repouso foram “em grande escala de natureza social e política”. A propósito, “é encontrada evidência precisamente na igreja de Roma das primeiras medidas concretas para afastar os cristãos da veneração do sábado e de instar a observância do domingo exclusivamente”.

(6) A “semana santa” é uma oportunidade evangelística.

Segundo Paulo “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós que somos salvos, poder de Deus” (1Coríntios 1:18). Cristo e Seu sacrifício é o âmago do evangelho e o centro da nossa esperança. Quando experimentamos Sua salvação podemos afirmar que o evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16).E ao ousarmos proclamar a “Cristo e Este crucificado” (1Coríntios 2:2) temos oportunidade de sermos usados como seus instrumentos na salvação de pessoas, e de apressar a segunda vinda do Senhor (2Pedro 3:12). Você já aceitou a Cristo como Senhor e Salvador? O que fará agora para apressar o Seu retorno?

Autor: Wilson Borba

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