Bons Debates

Como agir em um debate

O artigo a seguir foi extraído do meu livro “Na Mira da Verdade – Vol1“:

Para debatermos com alguém (no bom sentido da palavra), precisamos seguir as instruções de Deus no texto citado anteriormente (2Tm 2:24, 25). Fazer apologia requer paciência, amor cristão pelo outro, familiaridade com a Bíblia e com algumas técnicas de comunicação.

Em abril de 2009, fui convidado para participar de um debate na RIT TV (Rede Internacional de Televisão), administrada (na época) pelo missionário R. R. Soares. O assunto era “imortalidade da alma”, e meu interlocutor era o Dr. Carlos Caldas, professor de Hermenêutica na conceituada Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

O Pr. Teixeira (moderador) e o Dr. Carlos foram as pessoas mais educadas com as quais já debati sobre um assunto tão importante como aquele. Até hoje sinto profunda gratidão pela forma como eles me trataram no programa “Vejam Só!”, que foi ao ar numa terça-feira, ao vivo.

Apesar do clima amistoso, os choques doutrinários foram inevitáveis. Tais discordâncias não são hostis e nem geram inimizade, caso os participantes sejam diplomáticos e verdadeiramente cristãos.

De um lado estavam o moderador e meu interlocutor, defendendo a doutrina da imortalidade da alma; do outro, eu, em defesa do ensino bíblico de que morte é morte mesmo. Pela graça de Deus, depois que terminou o debate, a enquete, que antes apontava 80% dos telespectadores como sendo crentes na imortalidade da alma (contra 20% dos que acreditavam como os adventistas), diminuiu – e muito: ficou em 57.1%. O restante do público que votou no site convenceu-se da verdade e somou 42.9%!

Gostaria de ter tido mais 15 minutos para abordar outros textos bíblicos que ficaram em aberto, porém, Deus sabe o que faz. O mais importante foi abrir a Bíblia e deixá-la falar. E isso convenceu as pessoas de que quem estava argumentando não era uma pessoa, mas a Palavra de Cristo.

Nesse e outros debates dos quais participei, pude aprender com o Espírito Santo lições preciosas que desejo lhe transmitir agora:

  1. Quanto mais dependermos de Deus, mais teremos sucesso na defesa da fé. Jamais devemos ir a um debate sem um preparo prévio, mesmo que “dominemos” o assunto. Orar, pedir a iluminação do Espírito e reestudar o que já aprendeu são atitudes fundamentais;
  2. Chegando ao local, precisamos cumprimentar nosso “oponente”, mesmo que ele não esteja “muito a fim”. Devemos tratar bem a todos, independente da confissão religiosa que professem;
  3. É importante conversar com o moderador e o interlocutor antes, para que se crie um clima amistoso;
  4. Se tentarem lhe pegar logo no início – fazendo uso de um termo teológico difícil – demonstre que conhece mais do que a pergunta lhe exige, para que ganhe respeito. Quando me foi perguntado: “Você sabe o que é aniquilacionismo?” Respondi: “Além de saber o que significa esse termo, gostaria de aproveitar a oportunidade para esclarecer que nós adventistas não somos como os demais aniquilacionistas”[1] (Testemunhas de Jeová). Demonstrar conhecimento cria um diálogo respeitoso, de modo que nunca mais me perguntaram se sabia o significado de algum termo te ológico. Caso não esteja familiarizado com algum conceito, seja humilde em reconhecer que não sabe (ninguém nasce sabendo), todavia, jamais permita que isso seja usado pelo “oponente” como “desculpa” para desviar-se do assunto em debate;
  5. Seja paciente (Pv 16:32) e tenha compaixão das pessoas que discordam. “E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida” (Jd 1:22);
  6. Ouça com respeito e atenção a pessoa que pensa diferente de você. Respeite o tempo de ela falar. “Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha” (Pv 18:13, NVI). Se tiver dificuldades de lembrar-se dos detalhes importantes da exposição do oponente, anote em um papel as argumentações e as respostas (resumidamente) a serem dadas. Isso ajuda a não se perder na linha de raciocínio;
  7. Tenha cuidado em responder a todos os textos bíblicos que forem distorcidos. Do contrário, cairá em descrédito. “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3:15);
  8. Outro detalhe que merece atenção: alguns moderadores (não me refiro ao Pr. Teixeira, que me tratou muito bem) têm o costume de lançar várias perguntas para que nos percamos na hora de contra argumentar. Se isso ocorrer, com tom de voz amigável, diga: “Irei responder a sua pergunta, mas, primeiro quero concluir a resposta à questão anterior.” Assim, não permitirá que o atrapalhem de refutar o que precisa ser refutado. Se seu debate for online, combine uma coisa com o interlocutor: debater tema por tema.

Não o deixe “correr em volta do círculo”, sem fechar o tema. Os chamados “apologistas” (falsos defensores da fé) costumam jogar um monte de informações sobre vários assuntos para confundir a pessoa, e nunca chegam ao ponto de esgotar um tópico.[2] Negue-se também a aceitar cópias de ideias prontas, copiadas de maçantes artigos da internet. A não ser que você tenha respostas prontas para enviar-lhes (se o debate for por e-mail) ou tempo disponível para
responder tudo;

Se estiver em um auditório e perceber que o moderador não é educado (e nem mesmo o seu “adversário”), imponha-se de forma respeitosa e firme quando não quiserem lhe deixar falar. Já vi alguns pastores ficarem constrangidos, por não usarem essa técnica de comunicação num debate.

Quando pressionados, devemos pressionar com firmeza e bondade para termos nosso espaço. Talvez seja necessário falarmos claramente que queremos ser respeitados. É impondo-se e pedindo a palavra que ganharemos o devido tempo para falar. Se ficarmos quietinhos, deixando que o outro “nos coloque na parede”, não conseguiremos sair com facilidade. Por isso, seja firme – com amor;

Ao final, peça desculpas por alguma palavra rude que possa ter dito. É natural, quando duas pessoas discordam no campo das ideias, acontecer de ambos falarem algo que não deveriam ter dito. Sendo educado você ganhará um amigo, mesmo que ele não aceite o que disse (seu papel é ensinar. O mais será entre ele e o Espírito Santo).

Tive a satisfação de manter contato com o Dr. Carlos Caldas e lhe presentear com alguns livros, bem como aprender com ele aspectos interes do debate entre cristãos e muçulmanos. Apesar dos pontos discordantes, o respeito pelo outro após um debate tem que permanecer.[3]

Veja mais dicas aqui:

Veja como lidar com escarnecedores:

 

Clique nesta imagem para ir ao site e conhecer o conteúdo do áudio livro

Referências:

[1] Diferentemente dos muitos aniquilacionistas, cremos que a aniquilação ou destruição total
dos maus (Ml 4:1-3; Sl 37:20) ocorrerá depois do castigo, “que varia em duração e intensidade”
(Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 544). Sendo o juízo proporcional às obras de cada um
(Mt 16:27; Ap 22:12), é impossível aceitar que todos recebam o mesmo grau de punição. Ler
Mateus 11:20-24 e Lucas 12:47, 48.

[2] Esse é o costume do Pr. Natanael Rinaldi, por exemplo, que trabalhou no Instituto Cristão de
Pesquisas (ICP). Atualmente, ele é um dos articulistas da revista “Apologética Cristã”.

[3] Isso depende também da outra pessoa. Ver Romanos 12:18.

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