Como estudar o contexto histórico da Bíblia

Como estudar o contexto histórico da Bíblia

Interpretação histórica, segundo é entendido aqui, não deve ser confundida com o método histórico-crítico de interpretação usado pelos liberais. O termo aqui é usado para significar o estudo das Escrituras à luz daquelas circunstâncias históricas que põem o seu selo nos diferentes livros da Bíblia. Para diferenciar da interpretação gramatical que se refere ao estudo das línguas originais da Bíblia, a interpretação histórica se ocupa com os elementos histórico-culturais do texto, tais como: referências a pessoas, acontecimentos, costumes sociais, assuntos de geografia (cidades, rios, montanhas, etc), flora e fauna. Inclui também a tentativa de recompor o contexto político-social do passado, a compreensão dos autores, seus livros e ouvintes da época.

 

A. O autor:

Na interpretação histórica de um livro, é natural que se pergunte antes de tudo sobre o autor do livro. Porém, o interesse desta indagação não consiste na descoberta do nome do autor, e, sim, na busca de uma familiaridade com o autor, isto é, um interesse de conhecer sua personalidade, seu pensamento, etc.

A melhor maneira de se compreender os escritores bíblicos é através do estudo diligente dos seus escritos. Aquele que deseja conhecer Moisés, deve estudar o Pentatêuco, especialmente os últimos quatro Livros. Para conhecer Paulo será necessário ler a sua história, conforme descrita por Lucas em Atos, e também estudar suas Epístolas.

A familiaridade com o autor do Livro irá facilitar a compreensão apropriada do Livro.

B. Circunstâncias históricas do autor:

Em seu esforço para compreender a mensagem do autor, o intérprete deve familiarizar-se com as circunstâncias históricas em que viveu o autor. Elas são de caráter geral, mas são essenciais para se obter o conhecimento do ambiente cultural da época, sem o qual a interpretação será prejudicada. As circunstâncias políticas, sociais e religiosas devem ser objeto de estudo do intérprete.

C. Circunstâncias peculiares aos Livros:

Além das circunstâncias gerais da vida do autor, há outras mais de caráter especial que influíram os seus escritos diretamente. Interpretação apropriada dos Livros, naturalmente, requer que se dê importância a eles.

(1) Os leitores e ouvintes originais.

Para uma interpretação apropriada de um livro é de importância saber para quem ele foi dirigido. A condição dos leitores não somente determina o caráter geral do livro, como também explica muitas de suas particularidades. A familiaridade com os leitores originais iluminará, muitas vezes, as páginas de um livro.

(2) O propósito do autor.

É importante também saber o motivo que levou o escritor bíblico a escrever o Livro. Quais os propósitos do autor em escrever o Livro? Por que foi ele escrito?

D. Outros elementos básicos:

(1) O intérprete deve estudar a geografia bíblica.

O intérprete precisa conhecer as informações sobre montanhas, rios, planícies, colheita, flora, fauna, estações e clima. Não é preciso elaborar este ponto, mas, apenas salientar que cada evento na Escritura tem o seu local geográfico.

(2) O Intérprete precisa estudar a história bíblica.

Cada evento na Escritura não só tem uma referência geográfica como também uma referência histórica.

(3) O intérprete deve estudar a cultura bíblica.

A palavra “cultura” é aqui empregada no sentido estritamente antropológico. Os antropologistas dividem a cultura de um povo em “cultura material” e “cultura social”. A cultura material refere-se às coisas: ferramentas, objetos, armas, casas, vestes, etc. A cultura social refere-se aos costumes, práticas, ritos, etc.

Exemplos de cultura material: Atos 1:13 (subiram ao cenáculo – sala superior); João 13:23 e 24 (móveis para reclinar); Mateus 6:30 (o pão era feito sobre bandejas com ervas); Mateus 25:1 a 13 (as lâmpadas).

E. Resumo de “PRINCÍPIO HISTÓRICO”:

Os principais recursos para a interpretação histórica da Escritura são encontrados na Escritura mesma. Distinta de todas as outras fontes, a Escritura contém a verdade, e, por isso, a sua informação merece a preferência. Este lembrete não é supérfluo em vista do fato de que muitos hoje estão inclinados a dar mais crédito aos autores seculares do que a Palavra de Deus. O consciencioso e reverente intérprete verá em primeiro lugar o que a Bíblia tem a dizer.

Novamente deve-se concordar que é impossível para o pastor distrital pesquisar sobre todos estes assuntos apresentados até aqui. O melhor recurso para ele são os “Comentários”. Um bom comentário preocupa-se com todas as coisas que mencionamos aqui. Dar-lhe-á uma introdução ao Livro, discutirá as palavras de maior importância e detalhes vitais de gramática. Também lhe fornecerá um bom material histórico. Contudo, devem ser usados com discrição. O leitor, ao consultá-los, não pode supor que são infalíveis e corretos em tudo. Uma avaliação da qualidade dos comentários exige uma grande habilidade e muito conhecimento técnico. Muito cuidado deve ele ter ao consultar os comentários escritos nos moldes da metodologia liberal. Talvez, melhor seria não perder tempo no manuseio de tais comentários. Por que não buscar, antes de todos os outros, os comentários dos livros do Espírito de Profecia sobre as mensagens da Bíblia?

Apostila: Interpretação Bíblica, de Wilson Endruveit, 1982. Então professor no Seminário Adventista Latino-americano de Teologia (SP). Disciplina: Interpretação de Romanos.

Anterior Não desista dos seus sonhos!
Próximo Para que time você torce?

Sobre o autor

Leandro Quadros
Leandro Quadros 485 posts

Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

Veja todos os posts do autor →

Veja também

Apologética Cristã 0 Comentários

A Bíblia é inspirada? O que isso significa?

“Alguns dizem que a palavra “inspiração” não é bíblica. É verdade? Está correta a tradução de 2 Timóteo 3:16?”

Apologética Cristã 3 Comentários

As leis de alimentação de Levítico 11 não mais estão em vigor?

Ao estudarmos Levítico 11, podemos pontuar algumas coisas importantes: 1. O capítulo é formado de seis seções principais. Cada seção se inicia usando a palavra estes, esses, esta (vs. 2,

Apologética Cristã 2 Comentários

O Anticristo

Como saber se uma pessoa é o Anticristo? Anticristo é tudo aquilo que se opõe à obra de Jesus, ou seja, todos aqueles que de uma forma ou de outra

1 Comentário

  1. Dayane
    julho 01, 23:25 Resposta

    Muito interessante professor, esse artigo me fez pensar……bem sou recém batizada(sempre fui cristã) e vejo que tenho muita teoria a aprender ainda kkk e tb coisas para colocar em prática. Sinto que Deus me chamou para agir(pois sempre fugi do ministério de missão e ação mesmo sabe), coisa que nunca fui boa e tenho medo de falhar mais uma vez, não sou tão dedicada quanto deveria. Tenho entendido que a teoria pode na prática salva vidas, a começar pela minha sabe…. e a IASD de uma forma geral posso assim dizer, me trouxe essa possibilidade…diria mais me trouxe essa luz. Eu sou menina, faço um curso de graduação que trabalha com exploração animal e sempre que estudo as coisas da palavra só vem a seguinte dúvida …será que eu devo mudar de curso para me dedicar a obra(ai penso e se não for bem sucedida, e se me tornar um “fariseu”, será que onde estou não poderia fazer o que preciso, será que meu interesse pelo estudo da palavra é superficial?) Ore por mim pv em mais esse tópico e se achar na Bíblia me diga o que fazer…pois já oscilei tanto entre sim e não que acho que Deus ta triste comigo (pois são muitas questões que me atrapalham inclusive o fato de que já interrompi outro curso universitário e tenho medo de mudar e acabar desistindo pela terceira vez…e nunca chegar a lugar nenhum).

Deixe seu Comentário