“Deixar o corpo para partir e estar com Cristo” (2 Coríntios 5:8 e Filipenses 1:23)

“Deixar o corpo para partir e estar com Cristo” (2 Coríntios 5:8 e Filipenses 1:23)

Um querido amigo perguntou-me se havia contradição entre Eclesiastes 9:5-6 e 10, 2 Coríntios 5:8 e Filipenses 1:23. A pergunta dele me motivou a elaborar uma breve resposta sobre o assunto para que lhe auxilie, querido (a) leitor (a), em seu estudo das Escrituras.

Em uma primeira leitura – sem análise contextual – parece haver contradição entre os textos mencionados. Porém, estudando-os no contexto bíblico em que foi escrito; e levando em conta outros versos de Paulo que ensinam acerca do momento em que os justos receberão a recompensa, tudo ficará esclarecido.

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O texto de Eclesiastes 9:5, 6,7 e 10 está em harmonia com os demais versos das Escrituras. Alguns exemplos:

“Se lhes corta o fio da vida, morrem e não atingem a sabedoria”. Jó 4:21.

“Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança”. Salmo 17:15.

“Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos me procurarão, mas já não serei”. Jó 7:7-8.

“Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” Salmo 6:5.

“Os mortos não louvam o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio”. Salmo 115:17.

“Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade?” Salmo 30:9.

“A sepultura não te pode louvar, nem a morte glorificar-te; não esperam em tua fidelidade os que descem à cova. Os vivos, somente os vivos, esses te louvam como hoje eu o faço; o pai fará notória aos filhos a tua fidelidade”. Isaías 38:18-19.

“Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. 1 Coríntios 15:23.

“E serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos”. Lucas 14:14.

“De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. João 6:40.

“Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios”. Salmo 146:4.

“Mostrarás tu prodígios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar? Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do esquecimento?” Salmo 88:10-12.

A Bíblia é clara em afirmar que, ao morrer, a pessoa dorme (Jeremias 51:57; Daniel 12:13). Jesus também se referiu ao estado do homem na morte com sendo um sono (João 11:11-14). Esse fato nos ensina sobre a importância de usarmos o conjunto das Escrituras (ler Isaías 28:10) para que possamos compreender qualquer doutrina.

Deixemos que Paulo fale por si…

Em ambos os textos, (2 Coríntios 5:8 e Filipenses 1:23) o apóstolo fala que gostaria de estar com Cristo não no momento da morte, mas quando fosse ressuscitado. Essa conclusão não é pessoal e sim baseada em 2 Timóteo 4:6 e 8, 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-54:

“Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia [volta de Jesus!]; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras [com a doutrina da ressurreição e não com o ensino de que a alma ou espírito vai para um lugar melhor…].”

“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados [Evento único, não separado!]. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.”

Esses versos tomados em conjunto nos permitem crer que:

1) Paulo tinha conhecimento de que receberia a coroa da justiça “futuramente”, por ocasião da volta de Jesus e não após a sua morte (2 Timóteo 4:8);

2) Paulo diz que os mortos em Cristo dormem (1 Tessalonicenses 4:13) e que, por ocasião da volta de Jesus os vivos transformados e os mortos em Cristo serão arrebatados JUNTOS [veja: os mortos não vão para um lugar intermediário primeiro!] para encontrar o Senhor nos ares e estar para sempre com Ele (conferir os versos 14-17). Se os mortos irão para o Céu COM OS JUSTOS VIVOS (não antes) quando o Senhor vier buscar Seus filhos, isto deixa claro que ninguém está no Céu ainda, “em espírito”.

3) O que vai para o Céu não é um “espírito imaterial” mas sim um corpo transformado e glorificado. (ver 1 Coríntios 15:51-54).

Como bem concluiu o Dr. Oscar Cullmann (Luterano e uma das maiores autoridades em Novo Testamento que já pisaram nesse planeta) em seu livro “Imortalidade da alma ou ressurreição dos mortos?”: a dicotomia (separação entre corpo e alma) do filósofo grego Platão (428/27 a.C – 347 a.C.) não se harmoniza com o ensino bíblico da ressurreição dos mortos.

Assim, a doutrina da “consciência” e uma possível “recompensa após a morte” não é bíblica.

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Leandro Quadros
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