Apologética Cristã

Deturpação de João 1:1

Na tradução bíblica das Testemunhas de Jeová, que o apologista e polemista Arnaldo Benedicto Christianini (1915-1984) chama de “tradução pré-fabricada”, há uma série de distorções do sentido original do texto bíblico que têm como único propósito negar a absoluta divindade do Senhor Jesus Cristo (cf. Is 9:6; Jo 20:28; At 3:15; Cl 2:9, etc).

João 1:1 é um desses versos traduzidos de maneira tendenciosa. Enquanto que nas traduções bíblicas clássicas João 1:1 chama Jesus de Verbo Divino (ou Palavra, significando que Ele é o Agente ativo da Criação), a Novo Mundo verte o texto de um modo que o leitor pouco informado tem a impressão de que Jesus é um “deus” menor, contrariando abertamente Isaías 43:10 onde Jeová diz: “antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”.

É óbvio que apenas esse texto de Isaías 43 já refuta a Tradução do Novo Mundo, porque o próprio Jeová usa “deus” com letras minúsculas para se referir a algum tipo de divindade inferior a Ele que nunca surgiria. Se Cristo fosse um “deus”, mesmo que não sendo um “deus pagão”, é óbvio que a “geração” de um “deus” com letra minúscula implicaria que um “deus não tão verdadeiro” (mesmo que não fosse pagão) surgiu em algum momento da eternidade, apesar da certeza que Javé deu de que isso jamais ocorreria.

Ou seja: a tradução de João 1:1 conforme apresentada pela Novo Mundo é uma aberração, à luz de Isaías 43:10.

Como bem destacou o erudito F. F. Bruce sobre a correta tradução do referido texto do evangelho de João:

A estrutura da terceira frase do versículo 1, theos en ho logos [Deus era o Verbo], requer a tradução o Verbo era Deus. Já que logos é precedido do artigo [ho], ele é identificado como sujeito. O fato de theos ser a primeira palavra depois da conjunção kai (e) mostra que a ênfase principal da frase está nele. Se tanto theos como logos fossem precedidos de artigo, o significado seria que o Verbo é completamente idêntico a Deus, o que é impossível se o Verbo também está com Deus. A paráfrase da NEB [New English Bible]: “Tudo o que Deus era, a Palavra era” transmite o sentido da frase da melhor maneira que uma paráfrase pode fazê-lo […] Portanto, quando céu e terra foram criados, o Verbo de Deus estava lá, já existia em relação íntima com Ele e fazia parte de Sua essência. Não importa até onde tentemos fazer voltar nossa imaginação, nunca alcançaremos um ponto em que poderemos dizer do Verbo divino, como Ário: ‘Houve um dia em que ele não era’.[i]

João 1:1 versus João 1:1

Mesmo Isaías 43:10 sendo suficiente para refutar a pretensão das Testemunhas de Jeová, você precisa ler o artigo de Arnaldo Christianini que disponibilizarei a seguir. Antes, veja a diferença entre as traduções clássicas e a aquela apresentada pela Sociedade Torre de Vigia:

Traduções Clássicas (Jo 1:1)

Tradução Jeovista (Jo 1:1)

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era deus[ii]

Na tradução que estamos discutindo, Jesus é chamado de “deus” com letra minúscula, indicando assim que Ele não é da mesma essência que o Pai (contrariando abertamente o que Ele mesmo disse em João 10:30). Seria essa tradução a correta, enquanto que as demais foram “deturpadas”?

Para você obter um estudo bem embasado, e que aponta a manipulação do texto de João 1:1 feita na Tradução do Novo Mundo, disponibilizo em formato PDF o artigo de Arnaldo B. Christianini, onde ele fornece uma explicação técnica interessantíssima que liquida de vez com essa questão. O mesmo foi publicado na Revista Adventista de julho de 1964.

Baixe o artigo clicando nos links a seguir: Deturpação de João 1_1 – Primeira Parte e Deturpação de João 1_1 – Segunda Parte

Leia tal artigo e compartilhe o conteúdo com todos os seus amigos! Há muitos filhos de Deus que abraçaram o jeovismo e que precisam com urgência conhecer a verdade sobre Jesus Cristo, o “verdadeiro Deus” (1 Jo 5:20a), para que possam realmente ter a vida eterna (1Jo 5:20b; compare com 1Jo 5:12).

Uma tradução rejeitada por eruditos bíblicos

Christianini, o autor do artigo disponibilizado, foi pastor, escritor, jornalista, professor e poliglota, além de poeta e músico. Foi membro da Comissão Permanente de Revisão e Consulta, da Sociedade Bíblica do Brasil e calcula-se que em sua carreira jornalística, iniciada em 1933, produziu mais de oito mil textos em jornais (fundou alguns deles) e revistas.[iii] Sobre a tradução jeovista em suas diferentes edições, o referido estudioso foi taxativo:

As versões bíblicas comentadas neste trabalho, pilares em que se firmam os russelitas, são indignas de crédito, não merecem fé, são ignoradas dos eruditos como fonte de consulta e estudo. Clamam as chamadas Testemunhas de Jeová que este desprezo dos conhecedores das línguas originais da Bíblia pelas traduções mencionadas se deve ao preconceito dos ‘religionistas’. Não é, não. É mesmo devido à completa ausência de mérito, de valor, de peso e, sobretudo, de honestidade no trabalho extravagante que apresentam, pretendendo corrigir as traduções clássicas e aceitas.[iv]

Não tenho dúvidas quanto à sinceridade de muitos irmãos Testemunhas de Jeová que buscam a Ele de coração e que são muito comprometidos com o avanço de Seu reino eterno. O zelo missionário deles é inquestionável e digno de ser imitado por qualquer cristão. Todavia, creio, caro leitor, que após a leitura desse artigo de Christianini, você terá razões iniciais muito fortes para deixar de lado a Tradução do Novo Mundo e fazer uso de uma tradução séria, feita por eruditos das mais diferentes confissões religiosas que, ao contrário dos tradutores jeovistas, são realmente versados nas línguas bíblicas.

Além disso, os eruditos clássicos fazem questão de se identificar, para que outros possam questionar o próprio trabalho de tradução deles – o que não ocorre com os tradutores da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

Tenha seu coração aberto à verdade, e o Senhor iluminará sua mente sincera na compreensão do que significa ser uma verdadeira Testemunha de Jeová. Para Isaías 43:10 e 11, ser uma Testemunha de Jeová é o mesmo que testemunhar de Cristo como Jeová e Salvador, pois o verso 11 diz que fora de Jeová (ou Javé) “não há Salvador”.

Sendo que só Jesus pode salvar (At 4:12), não há dúvidas de que Jesus é Deus e Jeová, e que quem Testemunha de Sua Divindade e poder salvador é o único que pode realmente ser chamado Testemunha de Jeová.

Não justifique seus erros doutrinárias com sua lógica humana. Afinal, nem tudo o que é lógico é verdadeiro e nem tudo o que é verdadeiro, é lógico. Aceite que a lógica divina é infinitamente superior à sua (Is 55:8, 9) e submeta-se com humildade à simplicidade da revelação bíblica quanto à natureza divina do Senhor Jesus Cristo.

Apenas compreendendo que quem morreu na cruz foi alguém mais que um “deus”, é que você poderá compreender e valorizar devidamente o plano de salvação.

Reflita em tudo isso com carinho e em espírito de oração.

REFERÊNCIAS

[i] F. F. Bruce, João – Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica (São Paulo: Vida Nova, 1987), p. 36.

[ii] Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas: Tradução da versão inglesa de 1961 mediante consulta constante ao antigo texto hebraico, aramaico e grego. Edição Brasileira (Brooklyn, New York: Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc., 1967), p. 1114.

[iii] Enciclopédia da Memória Adventista no Brasil, “Christianini, Arnaldo Benedito”; disponível em: http://www.unaspec.com/memoriadventista/enciclopedia/8/009c_christianini_arnaldo.htm ; Internet (consultada em 22 de setembro 2016).

[iv] A. B. Christianini, “Deturpação Grosseira”. Revista Adventista, no 7, julho de 1964, ano 59: p. 8.

Tags:

43 comments

  1. Querido irmão Leandro, o grande mandamento da Lei expressamente diz: “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4), e se conjugarmos este texto com a palavra de Jesus: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30), podemos perceber que não existe nada de errado em aceitarmos Jesus como sendo Deus, já que é UM com o Pai.

    A compreensão da UNIDADE na Bíblia é muito dificil de ser compreendida pelos homens, esta UNIDADE também está muito relacionado com a TRINDADE.

    Se o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Únicos, porque não podemos dizer que os 12 apóstolos também são UM com a TRINDADE, considerando que Jesus orou por isso (João 17:20-21).

    Se Jesus era UM com o Pai, e o Pai era UM com Jesus, era normal que Jesus rogasse ao Pai pedindo que os 12 doze apóstolos também fossem UM com Jesus, assim como Jesus era UM com o Pai.

    Também não seria estranho admitir que Jesus orou pela Igreja que ainda estava em formação, e pelas pessoas que ainda viriam a crer no futuro, logo, era o desejo de Jesus que a IGREJA também fosse UMA com Ele (João 17:20).

    Acho interessante a idéia de que a UNIDADE DIVINA não é uma unidade simples, mas uma unidade composto.

    Eu creio na TRINDADE, mas também percebo pelo texto bíblico que a TRINDADE é um concepção inicial de DEUS, já que o texto bíblico ensina uma realidade mais abrangente e progressiva e que irá englobar: o Pai, o Filho, o Espírito Santo, os Apóstolos, a Igreja Verdadeira (multidão de salvos), os quais serão também considerados UM com DEUS.

    A Igreja Verdadeira de Cristo já está na Terra, aguardando entre vivos e mortos para ser levada aos Céus para se encontrar com o Senhor Jesus.

    Estes cristãos genuínos são UM com o DIVINO e serão levados aos Céus.

    Jesus orou pela UNIDADE na Terra (João 17:11) e pela UNIDADE no Céu (João 17:24), porque Deus que todos sejam salvos e que nenhum se perca.

    Eu achei o seu texto muito bom Irmão Leandro, só não entendo muito bem a sua exposição sobre lógica e verdade.

    A lógica humana é desafiada pela verdade e a verdade supreende a lógica humana, então, a lógica humana não pode compreender Deus plenamente e a verdade divina jamais poderá ser comprovada.

    Não vejo utilidade nos conceitos de verdade e lógica para explicar a unidade de Deus, então nos resta somente a fé.

    A fé desafia a lógica e a verdade.

    1. Olá, Fábio:

      Muito interessante seu comentário. Bíblico e com boa análise textual e filosófica. Sua explicação se resume muito bem nisso: “acho interessante a idéia de que a UNIDADE DIVINA não é uma unidade simples, mas uma unidade composta”. É exatamente isso que a Bíblia ensina sobre a Trindade: uma unidade composta, o que coloca em perfeita harmonia Deuteronômio 6:4 e João 10:30 (entre outros textos).

      Vou lhe esclarecer minha exposição sobre a lógica e a verdade.

      Quis transmitir ao leitor jeovista que, por mais que ele encontre argumentos “lógicos” contra a doutrina da Trindade, ele precisa aprender a submeter sua lógica humana à lógica divina que, segundo Isaías 55:8, 9, é infinitamente superior à nossa.

      Creio como o irmão que “a fé desafia a lógica”, mas não creio que necessariamente vá contra ela, como prega o fideísmo.

      Um abraço e obrigado mais uma vez.

  2. A tradução de Jo 1,1, proposta pela Torre de Vigia, é problemática, porque procura adequar o texto bíblico à doutrina daquela congregação, em vez de comparar a robustez de sua doutrina com testemunho documental bíblico. Não se importando com isso, compromete algo caro à fé judaica (da qual emerge a fé cristã): o monoteísmo. É certo que, de fato, depreende-se de diversos textos do Antigo Testamento que o monoteísmo israelita, durante muito tempo, foi apenas prático, isto é, não se discutia a eventual existência de outras divindades além de Yahweh, porém, o culto era apenas a Ele, o que mais propriamente deveria se chamar de “heonoteísmo” (culto a apenas um deus, sem contudo, negar a existência de outros).

    Nos arredores da Palestina judaica, entre os gentios, porém, a tendência era outra: reconhecia-se teórica e praticamente a existência de diversos deuses, além de promover-se culto a eles. Por outro lado, em Israel, a partir do período exílico, o “monoteísmo prático” israelita, consolidou-se como teórico, também, isto é, passou-se a não se admitir sequer a existência de outros deuses além do único (Yahweh). No período do Novo Testamento, essa consciência era mais forte ainda. De modo que, produzir uma tradução que, a fim de negar a fé trinitária, prove Cristo à categoria de divindade distinta do Deus de Israel, faz do cristianismo uma religião biteista.

    Outro problema é o malabarismo gramatical que promovem ao traduzir o texto. Vejamos:

    Εν αρχη ην ο Λογος και ο Λογος ην προς τον Θεον και Θεος ην ο Λογος (En arché en hó Logos kai hó Logos en pros ton Theon kai Theos en hó Logos). Literalmente: “Em o princípio era o Logos e o Logos era junto a o Deus e Deus era o Logos”.

    Observemos que na sentença και Θεος ην ο λογος (kaì Theós en hó Logos = e Deus era o Logos), o sujeito da declaração é Logos, por isso é acompanhado de artigo definido. Assim, και Θεος ην (kai Theós en = e Deus era) é apenas a declaração acerca do sujeito. De modo que “Theós” é um predicativo do sujeito, não devendo, portanto, receber artigo, já que na construção frasal, não é o sujeito, mas a declaração que se faz acerca do sujeito, que é Logos.

    Observemos também, que antes da expressão “Deus”, no acusativo (“Theon”, referindo-se ao Pai, em “ο Λογος ην προς τον Θεον” (hó Logos en pros ton Theon = O Logos era junto a O Deus), há um artigo no acusativo (Ton). Mas quando se fala do Logos e declara-se que ele é “Theós” (Deus), não há artigo (que no caso, seria hó). Por isso, a Torre de Vigia alega que a ausência desse artigo exige que a tradução insira o artigo indefinido “um” antes do substantivo “Deus”.

    Para quem não tem nem mesmo noção de grego bíblico, isso parece lógico, mas basta fazer a tradução literal, para perceber que isso não tem fundamento. Vejamos: “e Deus era o Logos”.

    Dissemos que o artigo aponta para o sujeito frasal. Nesse caso, quem é o sujeito? – O Logos. Pois a questão é: quem era Deus? – O Logos.

    Observe que “Deus”, referindo-se a Logos, NÃO É USADO COMO SUBSTANTIVO, mas como adjetivo que qualifica o sujeito. Nessa sequência, o sujeito é “Logos” e diz-se que o Logos era Deus.

    Há um verbo de ligação (é), um substantivo (Logos), um artigo definido (o) e um adjetivo (Deus) que qualifica Logos. De modo que em “e Deus era o Logos”, Deus é predicativo do sujeito, não sujeito, e nem, funciona sintaticamente como substantivo.

    Assim, a ausência de artigo definido não quer dizer que o autor estava ensinado que o Logos “era um deus”, mas sim, que o autor respeitou a gramática e quis apenas declarar qual era a condição do Logos: ele Logos era Deus.

    Já li diversos comentários da Torre de Vigia sobre esse assunto. Inclusive uma brochura deles intitulada “Deve-se crer na Trindade?”. E observei que todos os textos do NT que citam, onde a ausência de artigo definido antes de um substantivo provoca a tradução para a língua portuguesa empregando-se artigo indefinido, e percebi que é pura desconversa, porque a função sintática dos textos que citam é diferente, ou a forma como em português se deve traduzir exige esse procedimento.

    Um dos textos que citam é Mt 14, 26, na cena em que os discípulos se assustam ao se depararem com Jesus andando sobre as águas, e exclamam: “é um [um] fantasma”. No grego temos: λεγοντες οτι φαντασμα εστιν (legontes hot fantasma estin). Literalmente: “dizendo que fantasma é”. Lógico que a organização frasal nos leva a uma tradução literal do tipo: “dizendo que é fantasma” (algo que ainda soa mal aos ouvidos). Mas, como para a língua portuguesa, o substantivo “fantasma” admite a ideia plural “fantasmas”, a tradução idiomática não pode fazer supor que Jesus seria “O” fantasma, mas sim, que os discípulos imaginaram ver “um” fantasma (dentre muitos possíveis, no imaginário). Ou seja, nesse caso, deve-se mesmo inserir o artigo “um” antes do termo “fantasma”, o que não cabe é usar esse raciocínio para supor que o autor do evangelho falasse de Jesus (em Jo 1,1 – identificado como Logos) pensando que Jesus era mais um Deus, porque os judeus não supunham haver outros deuses (pelo menos em essência). E também, não era propósito dos cristãos implantar o biteismo.

    Para o caso de Jo 1,1, o procedimento jeovista não passa de puro capricho para justifica sua tradução tendenciosa.

    Não sou um exímio conhecedor de grego, mas tenho noções. E elas são suficientes para fazer perceber que o que eles argumentam, acerca de Jo 1,1, não tem procedência. E até destaco que uma boa obra que li sobre o assunto foi “Radiografia do Jeovismo”, de Arnaldo. B. Christianini. Gostaria de saber como ter acesso a um exemplar dela, já que tive contato com ela por empréstimo de amigo. Mas a obra, infelizmente, foi destruída por um partidário das Testemunhas de Jeová, num episódio lamentável. E eu gostaria muito de repô-la a esse amigo, mas não a encontro no mercado.

    1. Estimado Damião: BAITA explicação você deu sobre João 1:1. Muito obrigado por repartir isso com meus internautas!

      Sobre o livro “Radiografia do Jeovismo”, fiz um pedido à Casa Publicadora Brasileira (CPB) para que libere-o pelo menos em formato eletrônico para nós. Em breve eles me darão a resposta e irei lhe ajudar (bem como a outros internautas) a terem esse livro.

      Um abraço e obrigado mais uma vez!

      1. Muito grato, Professor Leandro.

    2. Senhor Damião Bonfim, permita-me fazer uma réplica ao seu comentário, com todo respeito, é claro.

      Quando a TNM foi produzida, diversos teólogos a criticaram afirmando que a tradução indefinida em João 1:1c era uma violação da regra de Colwell. Eles ingenuamente concluíram que um Predicativo Nominativo Anartro Pré-Verbal (daqui pra frente apenas PNAPV) era automaticamente definido. Assim, achavam que o artigo definido estava subentendido em João 1:1c.

      Na sua acirrada posição contra a TNM, tais críticos desperceberam que um PNAPV definido em João 1:1c colocaria a cláusula anterior do texto em contradição. Ou seja, uma vez que a Palavra “estava com” o Deus, ela não poderia ser “o Deus”. Ademais, isso conflitaria com o próprio ensino trinitário, pois faria o Pai ser o próprio Filho.

      Mas, como para os trinitários uma tradução indefinida do texto está fora de cogitação, devido a suas convicções, eles procuram atribuir um sentido qualitativo a ele.

      Para melhor entendimento nosso, vamos esclarecer aqui os sentidos que têm sido atribuídos a um substantivo anartro:

      1)Definido: quando identifica a pessoa ou coisa, distinguindo-a de outra. Tem aspecto de exclusividade dentro do referido contexto. O artigo definido “o” está subentendido.

      2)Indefinido: quando denota um indivíduo entre outros numa espécie ou categoria. Pode-se acrescentar o artigo indefinido “um” ao substantivo sem alterar seu sentido.

      3)Qualitativo: destaca a qualidade, natureza ou espécie de algo ou alguém. Admite a substituição do substantivo por um adjetivo correspondente sem alterar o sentido.

      Um predicado anartro é usualmente indefinido quando segue o verbo. Quando é colocado antes do verbo, o padrão da gramática grega sugere que é qualitativo.

      Visto que, em João 1:1c o predicativo anartro θεός (deus) ocorre antes do verbo, segundo tal regra o substantivo θεός seria qualitativo, devendo ser traduzido “divino” (ou “divina”), e não “um deus”. Mas, seria assim mesmo?

      Philip B. Harner, no seu artigo “Substantivos Predicativos Anartros Qualificativos: Marcos 15:39 e João 1:1”, relaciona textos bíblicos como indicação dessa tese. Vamos fazer uma análise de suas afirmações.

      1º Afirmação: Harner atesta que João usa 18 vezes a construção em que o verbo precede um predicado anartro, e em todos os casos ele afirma que o predicado tem força indefinida. Os textos citados por ele são: João 1:41; 4:14, 18, 25; 6:55; 8:55; 9:28; 10:12; 11:38; 15:8; 18:13, 15, 38, 40; 19:12, 38.

      Um estudo imparcial dessas ocorrências leva às seguintes conclusões sóbrias:

      · Apenas 10 ocorrências são predominantemente indefinidas. (João 1:41; 4:14; 8:55; 11:38; 15:8; 18:15 [2x], 40; 19:12, 38)

      · 2 podem ser tanto definidas como indefinidas. (João 9:28; 10:12)

      · 4 podem ser indefinidas, mas predomina a definição. (João 4:18; 6:55 [2x]; 18:38)

      · 1 é predominantemente definida. (João 18:13)

      2º Afirmação: Dos 53 usos do PNAPV que Harner encontrou no evangelho de João, ele defende que, em 40 casos, a força qualitativa do predicado é mais proeminente que sua definição ou indefinição. No entanto, dessas ocorrências, o próprio Harner põe em dúvida 11 casos. Um estudo desses 40 nos leva ao resultado abaixo:

      · 13 casos são predominantemente indefinidos. (João 3:4; 4:9; 6:70; 8:34, 44 [2x]; 48; 9:17; 10:1, 8, 13; 12:6; 18:35) João 6:70 é inquestionavelmente indefinido.

      · 5 podem ser tanto qualitativos como indefinidos. (João 3:6 [2x]; 9:24, 25; 10:33)

      · 3 são predominantemente definidos. (João 3:29; 8:42; 10:2) João 8:42 é claramente definido.

      · 2 podem ser tanto qualitativos como definidos. (João 6:63 [2x])

      · Em 9 casos predomina a definição. (João 1:12; 6:70; 8:33, 37, 39; 12:50; 13:35; 15:14; 17:17)

      · 3 podem ser tanto definidos como indefinidos. (João 8:31; 9:27; 12:36)

      · 1 pode ser qualitativo, definido ou indefinido. (João 10:34)

      · Em apenas 4 casos parece predominar a força qualitativa. (João 1:14; 2:9; 7:12; 9:31)

      Como se pode notar pelas observações acima, não é tarefa simples determinar a definição, indefinição ou qualitatividade de um substantivo anartro. O próprio Harner admitiu isso. No caso de Marcos 15:39, por exemplo, Harner conceitua que os três usos (qualitativo, definido e indefinido) são gramaticalmente possíveis e contextualmente aceitáveis.

      Na parte final do texto em grego, Marcos relata as palavras do oficial do exército romano, quando este testemunhou os eventos incomuns ocorridos por ocasião da morte de Cristo. O oficial exclamou:

      Ἀληθῶς οὗτος ὁ ἄνθρωπος υἱὸς θεῦ ἦν
      Alethós hoútos ho ánthropos huiós Theoû ên
      Certamente este o homem filho de Deus era

      O que o oficial do exército tinha em mente ao usar a expressão “filho de Deus”? O Filho de Deus? Um filho de Deus? Um filho de um deus? Embora a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia tenha optado pela expressão “o Filho de Deus”, dando à expressão o sentido definido, a nota de rodapé reconheceu outras possibilidades, ao rezar: “Ou ‘um filho de Deus’; ou: ‘um filho de um deus’.”

      Além disso, Harner afirmou que 11 casos poderiam ser definidos, mas que não existem claras indicações disso. Causa admiração que tal estudioso tenha alistado entre tais casos o texto de João 6:70. Falando de Judas Iscariotes, Jesus declarou:

      ἐξ ὑμῶν εἷς διάβολός ἐστιν
      Ex hymôn heîs diábolós estin
      De vós um diabo é

      Afirmar que o substantivo anartro diábolos (diabo) pode ser definido é admitir a possibilidade de Jesus ter identificado Judas como sendo a criatura espiritual que ficou conhecida como Satanás, o Diabo!

      O fato é que a gramática tem suas limitações. Ela pode determinar sujeito, predicado, caso, gênero, número, etc. Mas a gramática não pode determinar o sentido definido, indefinido ou qualitativo de uma sentença. Mesmo o padrão de estrutura de sentença, estabelecido pelo uso preponderante do escritor bíblico, não é determinativo quanto a estabelecer a tradução correta. Afinal, existem exceções à regra. Assim como um escritor neotestamentário usou uma exceção em determinada passagem, ele pode ter feito o mesmo num determinado versículo em questão.

      Uma vez que a gramática não pode determinar o sentido (definido, indefinido ou qualitativo) em João 1:1c, pergunto: É biblicamente incorreta a tradução “um deus”?

      Muitos trinitaristas não aceitam a tradução indefinida de théos em tal cláusula joanina porque isso faria do Filho um deus menor em relação ao Pai. No entanto, isso demonstra desconsideração do uso bíblico do termo “deus”.

      Além de aplicar tal termo justificadamente a Jeová, por Ele ser Supremo e Todo-Poderoso, e pejorativamente a deuses falsos, por estes serem idolatrados, a Bíblia aplica o termo “deus” em sentido positivo aos representantes do Deus Todo-Poderoso que gozam de poder e autoridade conferidos por ele. Jeová disse a Moisés que ele deveria servir de “Deus” para Arão e para Faraó. (Êxodo 4:16; 7:1) Isto não tornava Moisés o Deus Todo-Poderoso, nem alguém a ser adorado, mas sim o representante Dele.

      Outro senido do termo “deus” é encontrado no Salmo 8:5, onde os anjos são mencionados como “deuses”. (Hebreus 2:6-8) Além de serem poderosos e representantes do Deus Todo-Poderoso, os anjos também são seres divinos, pertencentes à classe de elohim. Eles são mencionados como sendo “filhos de Deus” (hebraico: beneí há-Elohím), em Jó 2:1 e 38:7. Isto denota que são da classe de elohim, assim como os “filhos dos profetas” são “pessoas pertencentes à corporação dos profetas”. (1 Reis 10:35; Amós 7:14; veja Gramática Hebraica de Gesenius, p. 418 § 2.)

      O Dicionário dos Livros do Velho Testamento (em inglês), de Koehler e Baumgartner, diz: “BENEI ELOHIM (individuais) seres divinos, deuses.”Por isso, no Salmo 8:5, a expressão elohim é traduzida “anjos” na Septuaginta.

      Assim, além de se referir a Jeová como “Deus” num sentido absoluto e exclusivo, a Bíblia também faz uso do termo “deus”, em sentido positivo, para referir-se a alguém (1) poderoso, (2) que é representante do Deus Altíssimo, e/ou (3) que tem natureza divina.

      Tendo em vista que Jesus Cristo é poderoso, é o maior representante de Deus e é um ser com natureza divina, com muito mais autoridade ele pode ser aludido como “deus” sem ser, contudo, o Deus Todo-Poderoso. Assim, a tradução “um deus” não é biblicamente incorreta.

      A conclusão a que Harner chegou de seu estudo sobre o uso dos substantivos anartros, em relação a João 1:1c, foi a seguinte: “Talvez a cláusula poderia ser traduzida ‘o Verbo tinha a mesma natureza de Deus.’ Esta seria uma forma de representar o pensamento de João, que é, como eu o entendo, que o Logos não é menos do que ho theós e tinha a natureza de theós.”

      Bem, uma coisa é admitir que o Logos (a Palavra, ou o Verbo) tinha a “natureza de theós”. Outra coisa é deduzir disso que o Logos “não é menos do que ho theós [o Deus]”. A Bíblia apresenta um indisputável quadro de subordinação e inferioridade do Filho em relação ao Pai.

      Portanto, qualificar a Palavra como “divina” não implica em coigualdade – apenas ressalta sua natureza, do mesmo modo que qualificar alguém como “humano” não o torna coigual a outro humano; apenas destaca a sua natureza.

      No entanto, a tradução indefinida (“um deus”) preserva a palavra usada no texto – theós (deus); a palavra “divino” é theíos. Ademais, a tradução “um deus” destaca tanto a natureza como a individualidade da Palavra, sendo, portanto, semanticamente mais abrangente. Assim, a tradução “um deus” é gramaticalmente correta, é textualmente preservativa, é contextualmente certa e biblicamente exata.

      1. Olá, Sr. Daniel Oliveira, permita-me uma tréplica (transcrevo em maiúscula sua observações): O senhor disse: “, COMO PARA OS TRINITÁRIOS UMA TRADUÇÃO INDEFINIDA DO TEXTO ESTÁ FORA DE COGITAÇÃO, DEVIDO A SUAS CONVICÇÕES, ELES PROCURAM ATRIBUIR UM SENTIDO QUALITATIVO A ELE”.

        Com todo respeito, mesmo o texto traduzido literalmente para o português faz perceber que na sentença “e Deus era o Logos”, notadamente, que o sujeito é Logos, pois sujeito é aquele elemento textual a respeito de quem se declara algo. Quem era Deus? – “O Logos” é a resposta. Portanto, “Deus” é um termo que tem função QUALITATIVA, não substantiva, e não há como negar isso (Deus é o que se afirma do sujeito frasal, o Logos – nem é necessário recorrer ao texto grego para percebe isso, basta a simples tradução literal, na ordem em que os termos aparecem).

        No texto em questão (Jo 1,1) não temos dois sujeitos, há um verbo de ligação (“era”) e outros dois termos (“Logos” e “Deus”). Como não há dois sujeitos, um dos termos que morfologicamente é um substantivo, não exerce função sintática de substantivo (Deus ou Logos?). No texto grego fica claro que só pode ser Deus, pois o artigo já substantiva Logos e indica que ele é o sujeito.

        Pensemos na mesma estrutura, trocando os termos qualitativos “Deus” por “Cristo” – e o efeito será o mesmo: “Cristo era O LOGOS”. Qual seria o sujeito, Cristo ou Logos? – Evidente que Logos. Substitua o termo “Cristo” por Deus” (para recuperar o texto grego) e perceba que “Deus” é um termo qualitativo, não tem função de sujeito e nem funciona como substantivo. Se “Deus” não é sujeito, no texto em questão, o temo tem valor qualitativo mesmo – pois é o que se afirma que o Logos era.

        O senhor disse ainda: “A GRAMÁTICA NÃO PODE DETERMINAR O SENTIDO DEFINIDO, INDEFINIDO OU QUALITATIVO DE UMA SENTENÇA. MESMO O PADRÃO DE ESTRUTURA DE SENTENÇA, ESTABELECIDO PELO USO PREPONDERANTE DO ESCRITOR BÍBLICO, NÃO É DETERMINATIVO QUANTO A ESTABELECER A TRADUÇÃO CORRETA….”

        A questão extrapola a gramática e alcança a teologia bíblica. Tratar “Theós”, relativo ao Filho, naquele caso, como um substantivo, para inserir nele um artigo indefinido, além de inadequado, provoca um problema teológico dos grandes: o autor do texto ensinava o biteísmo?

        A TNM, edição de 2015 (revisada), sugere em nota de rodapé que a tradução poderia ser “e a Palavra era DIVINA” (evidentemente que “divina” nesse caso, não tem função sintática de um substantivo, mas de um predicativo do Sujeito (que, na sentença é a Palavra). Ou seja, tem valor qualitativo para o sujeito frasal.

        Depois, o movimento daquele prólogo tem cume: και ο Λογος σαρξ εγενετο και εσκηνωσεν εν ημιν (kaì hó Lógos sárx egenéto kaì eskenôsen en himîn= e o Logos carne feito e estendeu [sua] tenda entre nós): “e o Logos se fez carne e estendeu sua tenda entre nós” (Jo 1,14).

        O autor declara que o Logos era Deus. Prosseguindo, afirma que esse Logos estendeu sua tenda entre seu povo (v.14), essa é a tradução exata de Jo 1,14, que remete a um texto do AT onde Deus “habita” no meio do povo, através de uma tenda (ver Ex 26).

        Em linha semelhante Jo 2,19-20 toma a imagem judaica do Tempo como o lugar de encontro com Deus, mas Jesus sugere que é ele o verdadeiro lugar de encontro com a Divindade, por intermédio de sua pessoa (tradução idiomática do gr: του σωματος αυτου (toû sômatos autoû = do corpo dele (Jo 2,20).

        Sôma (corpo), para a antropologia bíblica, não é a parte material de alguém oposta ao imaterial (a alma, que é o conceito filosófico grego – não é o bíblico), mas a pessoa na sua totalidade, que não tem corpo apenas, mas é corpo.

        De diversos modos, Jesus no evangelho joanino associa a sua pessoa a Deus e à presença deste. Algo que não fosse por razão ontológica, seria blasfêmia – o que explica a reação dos opositores de Jesus ao rejeitar aceitar que um homem se fizesse Deus. Por isso, tentaram aplicar a pena de apedrejamento a ele (Ver Jo 10,30-33).

        O senhor também disse: “MUITOS TRINITARISTAS NÃO ACEITAM A TRADUÇÃO INDEFINIDA DE THÉOS EM TAL CLÁUSULA JOANINA PORQUE ISSO FARIA DO FILHO UM DEUS MENOR EM RELAÇÃO AO PAI. NO ENTANTO, ISSO DEMONSTRA DESCONSIDERAÇÃO DO USO BÍBLICO DO TERMO ‘deus’ ”.

        Uma coisa é reconhecer o uso figurado do termo “deus”, ou sua referência a supostas divindades pagãs que na realidade não deuses (Ver Gl 4,8) e outra coisa é lidar com declarações expressas que não indicam aplicação figurada, nem se referem a divindades do imaginário politeísta pagão.

        Considere: “Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar” (Jo 10,31). E a razão era simples: no entender deles, o caso de Jesus se enquadraria em Lv 24,16 ou Lv 21,21 “Aquele que blasfemar o Nome de Yahweh deverá morrer, e toda a comunidade o apedrejará”.

        Se compreender que Jesus fosse “um deus” não feria o monoteísmo, a reação judaica em Jo 10,31-33 torna-se incompreensível, ainda que Jesus explique que como verdadeiro Filho, ao se autoidentificar com Deus.

        Sabemos que em sentido figurado, mesmo magistrados era chamados “deuses”, graças a seu oficio – que era de julgar homens, tal como Deus, o supremo Juiz o faz. Porém, note que a resposta de Jesus não é no sentido de que ele se iguala aos juízes, a razão é bem maior que a de um magistrado (Sl 82,6), mas se colocando numa categoria que realmente lhe permite ser tratado como o que ele é verdadeiramente (basta ler a resposta com atenção para notar que, pelas entrelinhas, Jesus não se iguala a esses “deuses”, mas a seu Pai – o que um judeu realmente não aceitaria).

        Porém, aceitar o biteísmo como moeda de troca para rejeitar Jesus como Deus (num monoteísmo que prima pela UNIDADE, não pela UNICIDADE) é um preço alto, que exige assumir uma fé que genuinamente não e cristã e nem bíblica: o biteísmo.

        Se para todos os casos em que a palavra “Deus” não é precedida de artigo, devêssemos inserir um indefinido na tradução, o próprio Pai, seria apenas mais um Deus, porque, o NT grego, caso o senhor disponha de um exemplar, está repleto de textos em que ao Pai Celestial não se aplica artigo definido antes da palavra Deus. Ex: 2 Cor 1,3 (é ele Deus de Consolação ou [um] Deus de consolação?). No grego consta: “και Θεος πασης παρακλησεως (Kaì Theós pasês parakleseôs: e Deus de toda consolação). Pela lógica proposta pela TNM para Jo 1,1, deveríamos inserir na tradução o artigo indefinido ‘um” antes do substantivo “Deus”, porque no grego não consta o artigo defino “hó” (“o”), mas a TNM 2015, não só não faz isso, como insere um artigo definido num texto que no grego não tem artigo algum, assim traduzindo: “… O Deus de todo o consolo”. Se esse mesmo texto fosse aplicado a Cristo, não há dúvidas de que além de escrever “deus” (e não “Deus”) inseriria um artigo indefinido “um”, justificando que no grego não há artigo algum antes da palavra “theós”. E por que não seguiu esse principio nesse texto?

        1. Excelente a sua resposta, caro Damião! Muito obrigado por sua grande contribuição. Forte abraço!

        2. Damião Bonfim,

          Obrigado pela resposta e pela forma educada de responder. É assim que bons cristãos devem conversar.

          Sobre sua indagação de se acrescentar o artigo indefinido em todos os casos que a palavra “Deus” não é precedida de artigo, bem, as TJs nunca afirmaram isso, pelo contrário, como bem documentado acima por mim, cada caso é um caso. Sobre João 1:1, já foi bem explicado acima por mim.

          Você disse: “Sabemos que em sentido figurado, mesmo magistrados era chamados “deuses”, graças a seu oficio – que era de julgar homens, tal como Deus, o supremo Juiz o faz. Porém, note que a resposta de Jesus não é no sentido de que ele se iguala aos juízes, a razão é bem maior que a de um magistrado (Sl 82,6), mas se colocando numa categoria que realmente lhe permite ser tratado como o que ele é verdadeiramente (basta ler a resposta com atenção para notar que, pelas entrelinhas, Jesus não se iguala a esses “deuses”, mas a seu Pai – o que um judeu realmente não aceitaria).”

          Resposta: Pelo contrário. Eles o acusaram de algo muito interessante para o nosso “debate”. Os judeus acusaram Jesus de ser fazer “Theos”. Vamos pegar a tradução comum “Deus”.

          Agora pensemos: Se os judeus acusaram Jesus de ser “Deus”, o Jeová do V.T, qual seria a lógica de Jesus responde-los com o Salmos 82:6, que faz referência a outros “deuses”?

          Como isso ajudaria no argumento de Jesus um mínimo? Certamente não ajuda. Se eu fosse um dos líderes daqueles dias, eu responderia Jesus assim:

          “Olha, nossa alegação não é que você alega que é desses “deuses”, esses juízes, anjos ou mesmo falsos deuses. Estamos dizendo que tu alegas ser “Deus”, “Jeová”.

          Sim amigo Damião, Jesus não teria tido nenhum argumento. Mas se Jesus disse ser “um deus”, aí sim faz sentido a resposta dele.

          Todos nós sabemos que outros são chamados de “deuses”. Os anjos são chamados assim no Salmos 8:5, como se fosse um conselho de divindades ao lado de Jeová ou mesmo que sejam deuses falsos, como você preferir.

          Mas o ponto é amigo: Jesus usou essa categoria de “deuses”, ou divindades, para embasar sua alegação. Ele mesmo se pôs nessa categoria de divindades. Ele não citou um texto que fala do Deus Todo Poderoso e que se aplicava à ele, algo que ele bem poderia ter feito, mas ele citou um texto que se referia a outros deuses secundários inferiores, ontologicamente separados de Jeová.

          Perceba dessa resposta de Jesus que os fariseus não levaram a cabo a intenção de apedrejar o Mestre pela clareza da explicação; no entanto, deveriam ter feito se o entendimento deles estivesse correto, mas mudaram, então, para tentativa de aprisionamento, conforme João10.39.

          É como se ele estivesse dizendo: “eu não estou falando que sou Deus, estou dizendo que sou Filho. Na Bíblia há a afirmação de pessoas com a designação de ‘deus’, como os juízes de Israel, e vocês consideram normal, então, não me estranhem.”

          Há que se observar, também, que chamar Deus de Pai não era uma exclusividade de Jesus, os próprios fariseus que tentaram condená-lo por isso, também chamavam Deus de Pai. João 8.41 diz “… Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.”, ora se eles próprio chamavam Deus de Pai, porque Jesus, com muito mais propriedade, por ser o Messias prometido, não poderia fazê-lo?

          Fica claro o tamanho da deturpação que os fariseus fizeram das palavras de Jesus com o objetivo de o incriminar. O lamentável é que hoje se usam aquelas palavras do Nosso Divino Mestre em conjunto com a dos fariseus para O deificar, mesmo Ele tendo explicado, naquela época que esse conceito é errado.

          Sim amigo, Jesus é um deus ou mesmo Deus separado de Jeová e isso biblicamente é correto. Jesus mesmo alegou ser esse tipo de deus, algo que corretamente ele pode fazer. Se você chama isso de “biteísmo” ou de qualquer outra coisa, não me importa, mas o que importa é que biblicamente existem outros “deuses”, que são verdadeiros em seus sentidos relativos, e há apenas um Deus verdadeiro, ou apenas um Deus em sentido absoluto, e esse é o Pai Jeová.

          1. Excelente argumentação e respostas Daniel Oliveira. Eu tenho o mesmo conceito que você a respeito da resposta dada por Jesus aos fariseus, pois é gritantemente notável a comparação que ele faz de si mesmo à “Deuses Subordinados” a Jeová(o Pai) e não ao próprio Todo-Poderoso.

            Infelizmente é uma triste realidade que nossos amigos Trinitaristas e até Unicistas se façam de “fariseus modernos” para justificar suas teses.

            Glória seja dada ao Verdadeiro Deus, Jeová! (Apocalipse- 4:11).

  3. Parabéns pelo artigo professor, o senhor é uma referência para mim que tenho o sonho de ser teólogo, por isso peço a DEUS que continue lhe abençoando e lhe capacitando para a realização de seu ministério. Amém.

    1. Sinto-me honrado em poder, de algum modo, lhe motivar a ser um teólogo, caro José. Siga em frente no seu sonho porque Deus irá realizar os bons desejos do seu coração. Abraço!

  4. Em primeiro lugar, gostaria de destacar que é notório, as palavras pesadas e desmerecedoras usadas contra as Testemunhas de Jeová nesse artigo. O artigo tem uma agressividade daquelas, bem sútil e contida, mas que fica impossível esconder. Por que será que não fazem o mesmo contra a maioria das outras religiões? Especialmente as protestantes, que tanto discordam em vários pontos, e frequentemente atacam o adventismo? Por que será que os adventistas em seus maiores portais tratam esse ramo, sempre com “carinho”, mas hostilizam as Tjs?

    Mas passemos as minhas considerações…

    A TNM não é a única bíblia a traduzir a passagem de João 1:1 diferente do que agrada a religiosos trinitários, veja:
    1808: “e a palavra era um deus”. The New Testament, in an Improved Version, Upon the Basis of Archbishop Newcome’s New Translation: With a Corrected Text, Londres.
    1864: “e um deus era a Palavra’. The Emphatic Diaglott, de Benjamin Wilson, Nova Iorque e Londres.
    1935: “e a Palavra era divina”. The Bible—An American Translation, de J. M. P. Smith e E. J. Goodspeed, Chicago.
    1935: “o Logos era divino”. A New Translation of the Bible, de James Moffat, Nova Iorque.
    1975: “e um deus (ou da espécie divina) era a Palavra”. Das Evangelium nach Johannes, de Siegfried Schulz, Göttingen, Alemanha.
    1978: “e da sorte semelhante a Deus era o Logos”. Das Evangelium nach Johannes, de Johannes Schneider, Berlim.
    1979: “e um deus era o Logos”. Das Evangelium nach Johannes, de Jurgen Becker, Würzburg, Alemanha.
    Fritz Rienercker & Cleon Rogers, eruditos trinitários, explicam ¹: “A palavra está sem o artigo e é o predicado que enfatiza a qualidade: ‘o Verbo tinha a mesma natureza de Deus‘”.

    O Dr. W. Barclay comenta sobre João 1.1 com estas palavras²: “É difícil entendermos essa afirmação, e ela é difícil porque o grego, língua na qual João escreveu, tinha uma maneira diferente de dizer as coisas.[…] Quando o grego usa um substantivo quase sempre é com o artigo definido ho [“o”]. Quando o grego se refere a Deus ele não diz simplesmente theos [“deus”]; ele diz ho theos [“o deus”]. Então quando o grego não usa o artigo definido junto com um substantivo, o substantivo se torna mais um adjetivo. João não queria dizer que a palavra era ho theos [“o Deus”]; como se dissesse que a palavra fosse idêntica a Deus. Ele disse que a palavra era theos – sem o artigo definido – o que significa que a palavra tinha, por assim dizer, exatamente a mesma característica e qualidade e essência e maneira de ser de Deus. Quando João disse a palavra era Deus ele não estava dizendo que Jesus era idêntico a Deus.[…] Nesse caso é melhor entendermos com o significado de que Jesus é divino. Vê-lo é o mesmo que ver o que Deus é.”

    O Rev. Dr. Waldyr Carvalho Luz comenta esse texto nos seguintes termos³: “Da própria fraseologia se verá que o substantivo anartro não tem acepção quantitativa, a individualizar, mas, ao contrário, qualitativa, a qualificar, exatamente o oposto do termo articulado. Logo, θεός (Deus) é o predicativo, ὁ λόγος (O Verbo) o sujeito; – Destarte, o predicativo θεός (Deus) não está a destacar a pessoa do λόγος (O verbo) mas a expressar-lhe a natureza. Em outras palavras, θεός (Deus) não está individualizando ὁ λόγος (O Verbo), dizendo-o UM DEUS, mas indicando-lhe a essência divinal, qualificando-o como DIVINO; – Nesta modalidade, o elemento anartro é o predicativo, o articulado o sujeito, aquele a especificar a natureza deste.” Grifei entre parêntesis.

    Conseguiram entender o ponto? João estava afirmando que Jesus tinha natureza divina igual a do Pai, apenas isto. João não queria dizer que O Verbo (Jesus) era o mesmo Deus com quem ele estava, no caso O Pai Jeová, pelo contrário.

    João estava fazendo uma distinção entre O Deus (Jeová) e Jesus (que era uma pessoa divina que estava junto com O Deus). Assim também entende o trinitário Dr. F. F. Bruce comentando Jo. 1.1: “A estrutura da terceira cláusula no verso 1, theos en ho logos, exige a tradução ‘O Verbo era Deus’. Desde que logos tem um artigo diante dele, é marcado como sujeito. O fato de theos ser a primeira palavra depois da conjunção kai (e) mostra que a ênfase principal da cláusula está sob ele. Se theos tivesse assim como logos precedido de artigo o significado seria que o Verbo seria completamente idêntico a Deus, o que é impossível se o Verbo também estava ‘com Deus’”. (Apud F. F. Bruce, The Gospel of John, (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 1983), p. 31)

    Sim amigos, ter natureza divina não é ser Deus. Ter natureza divina significa apenas ter um corpo espiritual, da mesma forma que ter natureza humana implica em ter um corpo de carne e osso.

    Todos os seres que habitam no céu tem essa natureza divina. Jeová, o Pai é espírito. (João 4:24) Jesus, o Filho, é espírito. (1 Pedro 3:18) Os anjos são espíritos ( Hebreus 1:7)
    E em 2 Pedro 1:4 e 1 Cor 15:50-54 (e outros textos também), afirmam que os humanos que irão pro céu vão ter a mesma natureza que Jesus ou serão semelhantes à ele. Então Jesus, anjos e os salvos que vão pro céu podem ter a natureza de Deus (corpo espiritual) sem precisar ser Deus, O Pai (o único Deus Todo Poderoso).

    Com o entendimento destas normas gramaticais gregas, muitas traduções acertam ao traduzirem estes versos, como por exemplo:

    1928: “e a Palavra era um ser divino.” La Bible du Centenaire, L’Evangile selon Jean, de Maurice Goguel
    1946: “e a Palavra era de espécie divina.” Das Neue Testament, de Ludwig Thimme.
    1978: “e da sorte semelhante a Deus era o Logos.” Das Evangelium nach Johannes, de Johannes Schneider.

    Léxico Grego-Português: João 1:1
    “O Logos existia bem no início, o Logos estava com Deus, o Logos era divino.” (Moffatt – N.T)
    http://bibliotecabiblica.blogspot.com.br/2009/04/lexico-grego-portugues-joao-11.html

    O verbo ser “divino” não é o mesmo que dizer que o verbo é Deus.

    O Dicionário de Webster define “divindade” da seguinte maneira:
    “A qualidade ou estado de ser divino, um ser divino, DEUS, DEUSA”

    O mesmo dicionário define “divino” como : “algo de Deus, relacionado a Deus ou procedendo diretamente de Deus, ou um deus“

    “A consideração do contexto de Colossenses 2:9 mostra claramente que possuir Cristo “divindade” ou “natureza divina” não o torna igual ao Deus Todo-poderoso. (Para uma consideração deste texto leia este artigo) No capítulo anterior, Paulo diz: “Deus achou bom que morasse nele toda a plenitude.” (Col 1:19) Portanto, toda a plenitude mora em Cristo porque isso “foi do agrado do Pai” (Al, So), porque foi “pela própria escolha de Deus” (NE). Portanto, a plenitude da “divindade” que mora em Cristo é dele em resultado duma decisão do Pai. Mostrando adicionalmente que ter Cristo tal “plenitude” não o torna a mesma pessoa do Deus Todo-poderoso, há o fato de Paulo mais tarde, falar de Cristo como estar “sentado à direita de Deus”. Col 3:1″.

    Portanto, podemos aceitar também a tradução “o verbo era divino”, sem nenhum prejuízo a nossa doutrina, pois isso não contradiz-nos. Será que entendi que o site aprova essa tradução?

    Vejamos agora um texto QUE FALA DE JESUS:

    “Estava vestido de um manto salpicado de sangue; e o nome pelo qual se chama é o Verbo de Deus.”
    Apocalipse 19:13 (Almeida Revisada)

    Segundo esse texto de apocalipse, JESUS, o verbo, “ERA” Deus, ou é “DE” DEUS??

    1. “Quando o grego se refere a Deus ele não diz simplesmente theos [“deus”]; ele diz ho theos [“o deus”]”.

      Uma Observação, sr. Wander: acima citei um texto do NT em que fica claro que isso não procede, eu disse: “…2 Cor 1,3 (é ele Deus de Consolação ou [um] Deus de consolação?). No grego consta: “και Θεος πασης παρακλησεως (Kaì Theós pasês parakleseôs: e Deus de toda consolação). Pela lógica proposta pela TNM para Jo 1,1, deveríamos inserir na tradução [de 2Cor 1,3] o artigo indefinido ‘um” antes do substantivo “Deus”, porque no grego não consta o artigo defino “hó” (“o”), mas a TNM 2015, não só não faz isso, como INSERE UM ARTIGO DEFINIDO num texto que no grego NÃO TEM ARTIGO ALGUM, assim traduzindo: “… O Deus de todo o consolo”.

      Seria muito proveitoso que os partidários da TNM tivessem acesso a uma obra publicada pela Torre de Vigia, em língua inglesa, apenas, a “The Kingdom Interlinear Translation” (A Tradução Interlinear do Reino), conhecida como “KIT”, porque como nela consta o texto grego crítico dos doutores Westcott e Hort, de 1881, e a tradução palavra por palavra (para o inglês), perceberiam que diversos textos da TNM DIVERGEM DO GREGO (com acréscimos e omissões) e que no grego, esse texto que citei é só um entre os muitos em que se fala de Yahweh como “Theós” sem usar artigo antes do termo.

      Sem desejar ofender: fica a impressão de que citam obras (referenciadas nas publicações da Torre de Vigia), mas não têm acesso ao texto grego e nem mesmo às obras que citam, mas reproduzem o que dizem que nessa ou naquela publicação diz-se isso ou aquilo (consultem essas obras e averiguem se procede mesmo do jeito que é dito).

      As traduções bíblicas citadas são todas de pessoas ou grupos de confissão UNITARISTA. Portanto, são tão partidárias quanto supostamente o são as trinitaristas que o senhor acusa de parcial. Mas há uma diferença inegável nos casos: as traduções trinitaristas não alteram aqueles textos que parecem ser contrários ao credo trinitarista. Mas as traduções unitaristas tendem a alterar todos os textos que parecem contraditórios ao unitarismo. Portanto, elas são muito menos imparciais, e por isso mesmo não são referências no âmbito acadêmico e quem as cita tende a não considerar isso.

      Faça o teste: escolha qualquer texto que o senhor julga contrário à doutrina da Trindade e perceba que mesmo nas traduções trinitárias eles aparecem como na TNM (Ex 1 Cor 8,5-6). Mas, por outro lado, observe que os textos que aparentemente referendam a doutrina da Trindade, nas bíblias unicistas, costumam ser alterados descaracterizando uma doutrina que seus tradutores rejeitam (pense naqueles textos que os trinitaristas citam para defender que Jesus é Deus, ou é adorado. Na TNM, por exemplo, insere-se palavra entre colchetes, ou opta-se por um sentido menos contunde ou coisas do tipo). Basta comparar para perceber isso.

      1. Estimado Damião: se você escrever um texto sobre a Tradução da Novo Mundo, faço questão de publicá-lo em meu blog. Você tem profundo conhecimento e tem demonstrado o quanto a TNM é tendenciosa. Se puder fazer isso e me autorizar a publicar, agradeço muito!

        Aguardo sua resposta. Grande abraço.

        1. Será uma honra e um grande compromisso. Elaborarei alguma coisa. O senhor analisa, e previamente já está autorizado a fazê-lo, caso esteja de acordo com o conteúdo. Muito obrigado, professor.

          Aproveitando, nunca utilizei nos comentários os códigos HTML (as tags para justificar texto, destacar ou coisa do tipo, neste sítio. Se a página permite, o texto fica mais agradável de ler).

          1. Caro amigo Damião: no meu blog quero valorizar estudiosos como você e o mínimo é publicar seus artigos. Eu coloco em negrito e faço os destaques que quiser. MUITO obrigado por sua colaboração! Ficarei no aguardo.

        2. Olá, professor Leandro.

          Preparei o artigo sobre a Tradução do Novo Mundo (TNM) sugerido pelo senhor, intitulando-o “TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO: TEXTO CONFIÁVEL OU PROPAGANDA IDEOLÓGICA? (PARTE I), mas receio tenha ficado extenso.

          Inicialmente, optei por evitar o lugar comum (a simples indicação de passagens mal traduzidas), para me dedicar a descrever por que, apesar de ser uma tradução contestada, as TJs têm uma visão positiva da TNM.

          Assunto, creio, interessante. A sequência desse artigo (já em preparo) seria dedicada a apresentar passagens controversas em que a Tradução do Novo Mundo diverge, para o caso do Novo Testamento, do próprio texto grego que ela mesma publica na obra The Kingdom Interlinear Translation (da qual traria a conhecimento dos leitores, imagens de trechos da própria obra, que não foi publicada em língua portuguesa, e que a grande parcela das TJs desconhece), pois nela produz-se o texto grego preparado pelos Doutores Westcott e Hort. Isso o faria para assim demonstrar que a TNM é uma paráfrase, que não está de acordo nem mesmo com esse texto-base que eles dizem seguir.

          Desejo saber como enviar a primeira parte do artigo para a sua análise quanto a extensão e a eventual necessidade de dividi-lo em partes, caso o senhor aprove o texto e julgue que seja mais oportuno dividi-lo, ou uma outra solução seja sugerida.

          Abraços, no aguardo.

          1. onde se lê: “pois nela produz-se o texto grego preparado pelos Doutores Westcott e Hort, leia-se: pois nela, reproduz-se o texto grego preparado pelos doutores Westcott e Hort.

          2. Estimado Damião! Envie-me o texto COMPLETO. Essa sua pesquisa é por demais importante e temos de publicar tudo. Pode enviar-me para o e-mail leandro@leandroquadros.com.br

            Aguardarei ansiosamente seu artigo para o publicarmos!

            Passe-me uma pequena biografia sua, religião, etc, para informarmos o leitor.

            Um abraço e muito obrigado por sua valiosíssima contribuição!

          3. Professor Leandro,
            Encaminhei para o e-mail indicado o artigo sugerido. Por favor, assim que puder, dê-me retorno.

          4. Pelos seus comentários, me parece que seu único objetivo é atacar (difamar) as TJ, e não instruir as pessoas.

            Acredito que seria mais apropriado você seguir e obedecer o mandamento de Jesus de “pregar as boas novas do reino” Mat 24:14 e de “fazer discípulos” Mat 28:18,19, assim como fizeram todos os discípulos de Jesus Atos 20:20, e assim como o fazem hoje as TJ.

            Lembre das seguintes palavras de Jesus, registradas em Mat 7:21:

            “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

            Jesus disse para fazer a vontade de quem? Dele, ou de seu Pai?

            Portanto, meus caros, não se apeguem a um único vesículo da bíblia, e não ofendam seu próximo. Senão, pode acontecer o que Jesus disse a seguir:

            “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.
            Mateus 7:23”

          5. Prezado J. Quest: nada vejo nos comentários de Damião que possa justificar suas impressões de “ataques” e “difamações”. Muito pelo contrário: ele tem sido muito educado e diplomático na abordagem do tema.

            Pense um pouquinho e veja que sua impressão se dá por causa do questionamento feito às suas bases espirituais. É natural sentir-se assim, porém, é errado continuar sentido dessa maneira porque o irmão Bonfim questionou ideias, não sua pessoa. Pense nisso com carinho. Deus recompensará seu esforço.

            Graça e paz.

      2. Olá Damião Bonfim:

        Só agora vi sua resposta.

        “Mas há uma diferença inegável nos casos: as traduções trinitaristas não alteram aqueles textos que parecem ser contrários ao credo trinitarista. Mas as traduções unitaristas tendem a alterar todos os textos que parecem contraditórios ao unitarismo.”

        Nada mais longe da verdade.

        Há diversas tentativas trinitaristas de enxertar a trindade na Bíblia, o que é bem diferente de buscar variantes plausíveis na tradução de textos que permitem tais variantes, mesmo que estas desagradem a maioria das religiões que bebem da fonte romana.

        Casos Conhecidos:

        Mateus 28:18 sutilmente vertido “foi me dado todo poder”, sendo que no grego se diz “foi me dada toda autoridade”.

        João 1:3 sutilmente deturpado para dizer “por ele” ao invés de “por intermédio”, dele que é o sentido correto.

        1 Timóteo 3:16: “Ele foi manifestado em carne” posteriormente adulterado para “Deus foi manifestado em carne”. Só conferir a diferença nas próprias versões trinitárias.

        1 João 5:7 “ o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.” Inexistentes nos originais, e comprovadamente uma fraude, sendo reconhecido até pela escola sabatina como um texto vindo de um “copista desonesto”.

        João 14:14 “se pedirdes” mudado posteriormente para se ler “se me pedires”.

        Habacuque 1:12. Falando sobre Deus o texto diz: “Tu não morres” mudado para “não morramos nós”.

        Miquéias 5:2 “Cuja origem … dos dias da antiguidade” mudado para se ler “dias da eternidade”

        Portanto não é de hoje que trinitaristas tentam enxertar a trindade nas escrituras. Os textos que “parecem” ser contrários a trindade, se fossem mudar tudo, teriam que mexer em dezenas de textos só no NT. Dessa forma, esse lado do seu argumento não tem valor algum. Fosse realmente o caso de antitrinitaristas forçarem a barra pra sempre mudar textos para favorecerem as nossas crenças, João 20:28 por exemplo, não estaria da mesma forma que apoia os trinitários na tradução do novo mundo.

        Quanto ao lado mais técnico da sua argumentação, aguarde resposta para breve, pois no momento estou sem tempo, e resolvi adiantar apenas essa parte. Abraço.

        1. Olá, Wander.

          Creio ser desnecessário comentar cada um dos textos polêmicos que o senhor citou, visto que esses são encontrados nas bíblias que usam como texto-base para tradução do NT o chamado Textus Receptus (Texto Recebido), produzido originalmente por Erasmo de Roterdã, no século XVI. Um texto empobrecido, já que toma como base uma pequena quantidade de material comparativo e de origem relativamente recente.

          Esse texto grego que ele preparou, além de não conter os melhores manuscritos (que no caso são os mais antigos), é deficitário, chegando a, por exemplo, para o Apocalipse, por indispor de material grego confiável ou adequado, exigir de Erasmo traduzir o texto da Vulgata (escrita em latim – que já era em si uma tradução) para o grego (quando se sabe que caminho correto seria o inverso). Mas isso o fez para que assim pudesse apresentar sua versão integral de um NT grego, sem excluir qualquer de seus livros canônicos.

          Os mais conservadores, praticamente sacralizam o “Texto Recebido”, parecendo desconhecer a história de elaboração dele. Porém, sabemos que há textos mais próximos do que a crítica textual chama de “autógrafos” (os originais). Não que disponhamos de um deles, mas por comparação, dentre as mais de 5.000 variantes textuais do NT já catalogadas, há testemunhos suficientes para a reconstrução segura do que seriam os autógrafos a partir dos chamados textos críticos.

          Quando cito alguma versão da Almeida (a Almeida Fiel e Corrigida, por exemplo) o faço por ser um texto popular entre os não-católicos (para melhor ser entendido). Mas minhas edições bíblicas em português prediletas para consulta do NT são: A Edição Pastoral (que apresenta um texto popular da Bíblia), a Bíblia do Peregrino (que é mais dedicada ao trabalho crítico-literário das Escrituras) e a Nova Bíblia de Jerusalém (que é mais técnica, dedicada ao trabalho exegético). Todas essas bíblias são baseadas em textos críticos, não no Textus Receptus, de modo que elas não adotam no seu texto-base esses duvidosos que o senhor citou.

          Informo, porém, que muitos desses textos surgiram de comentários que os copistas anotavam à margem das cópias e que acabaram sendo confundidos com partes do texto mesmo (ex. 1jo 5,7 e as “Três Pessoas divinas”), quando eram “recopiados” para que se preservassem. Outros erros ocorreram por tentativa de explicar passagens aparentemente obscuras, isto é, nem sempre são inserções mal intencionadas (apesar de haverem casos de má-fé).

          Um bom livro de crítica textual pode ajudar na compreensão desse processo complexo de produção do NT. Wilson Parosch, por exemplo, produziu uma obra publicada pelas edições Vida Nova, intitulada “A Critica Textual do Novo Testamento Grego”. É importante conhecer esse tipo de trabalho para compreender que a tradução de um texto milenar não é objeto de uma única cópia reproduzida e que quando a reprodução do NT passou a ser feita não havia imprensa – e isso facilitava a deturpação do texto por omissão, acréscimo, interpretação, tentativa de adequação, erros de leitura e muita coisa que nem sempre é resultado de má-fé.

          Todavia, uma boa tradução de bíblia, como é o caso da Bíblia de Jerusalém, é suficiente para fazer perceber que a doutrina da Trindade não é refém de traduções deturpadas, como há grupos que fazem parecer ser, mas que omitem a complexidade do processo de tradução, ou o desconhecem, reduzindo a análise a contestações tomadas de parcialidade. Assim, pesquisar em outras fontes é sempre importante, para que nossa visão não seja excessivamente parcial (vendo apenas uma versão dos fatos).

          Abraços.

  5. Olá, Sr. Daniel Oliveira.

    Espero que nosso “anfitrião”, o Prof. Leandro Quadros, não se incomode por causa das contra argumentações deflagradas nesse, diria, “bom debate”, nem os demais leitores desse espaço. Optei por responder às suas novas alegações em forma de novo comentário (para não tornar muito estreito o espaço).

    Devo observar que, em princípio, o senhor negou ser a expressão “Theós”, aplicada ao Logos (em Jo 1,1) qualitativa, mas não conseguiu demonstrar que o termo tem, naquele texto, função sintática de substantivo.

    Apresentei o texto grego, sua transliteração e a tradução literal, demonstrando que na sentença “Kai Theós ên hó Lógos” (lit: “e Deus era o Lógos”), como se vê, morfologicamente, há dois substantivos “Theós” (Deus) e “Lógos” (Palavra), mas sintaticamente um dos termos não funciona como substantivo, porque há um verbo de ligação que EXIGE a compreensão de que um dos termos ali tem valor de adjetivo (explica o que era o sujeito da frase). Para saber qual dos termos não é utilizado pelo autor como substantivo basta identificar na tradução literal qual o termo que recebe artigo e que, portanto, o substantiva.

    Destaquei que a própria versão bíblica de sua preferência (a Tradução Novo Mundo – TNM, daqui para frente – chaga a sugerir, em nota de rodapé, de sua mais recente edição (2015), que outra tradução possível seria: “ e a Palavra era divina” (concordado que “Theós” no texto em questão, tem função predicativa).

    Reflita bem o que a nota de rodapé da TNM sugere, para perceber que mesmo ela, despretensiosamente acabou reconhecendo o que pretende negar: em Jo 1,1, “Deus”, aplicado Jesus, não tem função sintática de substantivo; é um termo usado apenas para qualificar Jesus (ele era Deus).

    Sobre suas novas objeções, destaco (em caixa alta sempre): “Eles O ACUSARAM DE ALGO MUITO INTERESSANTE PARA O NOSSO ‘DEBATE’. OS JUDEUS ACUSARAM JESUS DE SE FAZER ‘THEOS’ ” .

    Verdade. E isso o fizeram por virem nele apenas um homem (Jo 10,33). Portanto, não pensaram “Theós” em sentido figurado, pois os judeus, aceitavam o uso desse termo figuradamente – e por serem MONOTEÍSTAS, à parte o uso figurado, não admitiam que alguém, em sentido real, fosse Deus, ou “deus”. Portanto, a discussão emerge de uma percepção denotativa (real), não conotativa (figurada) do termo.

    Note, porém, que resposta de Jesus parte do sentido conotativo (figurado) – que não foi o levantado por seus oponentes. E por que fez isso? Os juízes não são comparáveis a Ele, e chamá-los de “deuses” FIGURADAMENTE não é blasfêmia. Menos ainda o seria reconhecer no VERDADEIRO Filho de Deus a divindade (é isso que Jesus alega).

    O senhor argumentou: “É COMO SE ELE (JESUS) ESTIVESSE DIZENDO: ‘EU NÃO ESTOU FALANDO QUE SOU DEUS, ESTOU DIZENDO QUE SOU FILHO’ ”.

    Considere que a expressão “filho de Deus”, cujo sentido, se tomado como real (tal como pretende Jesus) seria, caso não fosse verdade, uma blasfêmia sim. Por quê?

    O termo “filho”, na cultura judaica contemporânea a Jesus é geralmente usado num sentido diferente do alcançado em nossa cultura – se trata de um HEBRAÍSMO.

    Quando um judeu dizia que flano era “filho da luz”, o que queria dizer é que esse alguém era luminoso (ou iluminado); quando dizia: “filho da mentira”, queria dizer: “mentiroso”.

    De semelhante modo, embora aplicasse a expressão “filho de Deus” com frequência, nunca queria com isso igualar ONTOLOGICAMENTE ninguém a Deus associando-o ao próprio ser divino. Assim, adotavam uma compreensão metafórica dessa expressão quando aplicada a homens. Mas Jesus não adotava para si essa percepção metafórica, mas sim, real – e esse sentido, judeu nenhum poderia aceitar, porque a consequência seria atribuir divindade ao humano, num sentido real.

    Mas o senhor declarou: “HÁ QUE SE OBSERVAR, TAMBÉM, QUE CHAMAR DEUS DE PAI NÃO ERA UMA EXCLUSIVIDADE DE JESUS, OS PRÓPRIOS FARISEUS QUE TENTARAM CONDENÁ-LO POR ISSO, TAMBÉM CHAMAVAM DEUS DE PAI”
    É verdade, embora Jesus tenha preferido identificar Deus como o Pai, é fato que há textos veterotestamentários que assim o identificam também, mas notadamente o fazem num sentido diferente daquele empregado por Jesus para indicar sua relação com a Divindade.

    Uma leitura atenta de Jo 5,18 faz perceber que nele o autor tece comentário explicando a “gravidade” de Jesus se autodeclarar “Filho de Deus”: “Os judeus procuravam matá-lo… pois ele dizia que Deus era seu Pai, fazendo-se assim igual a Deus” (Jo 5,18).
    Observe que autor do evangelho joanino sente necessidade de explicar aos leitores não-judeus, as implicações de Jesus se dizer “Filho de Deus” (em sentido real, não metafórico).

    João declara que os judeus queriam mata-lo (verdade); que Jesus dizia que Deus era seu Pai (verdade) e que essa declaração igualava Jesus a Deus (mentira?).

    Considere que em todo o evangelho de João e nas suas cartas, intencionalmente, o autor NUNCA aplica a expressão υιος (hyiós= filho) a ninguém além de Jesus. Para os outros “filhos” usa a expressão τεκντον (téknon = cria), porque a filiação humana em relação à Divindade não implica igualdade com o Divino, algo que o evangelho e as cartas joaninas entendem que a Jesus se pode atribuir. Por isso, conhecer o texto grego é importante, já que nas traduções essas diferentes nuanças chegam a ser imperceptíveis (e enfraquecem as distinções que o autor faz em seu texto).

    Por fim, o senhor declara: “JESUS É UM DEUS OU MESMO DEUS SEPARADO DE JEOVÁ E ISSO BIBLICAMENTE É CORRETO. JESUS MESMO ALEGOU SER ESSE TIPO DE DEUS, ALGO QUE CORRETAMENTE ELE PODE FAZER. SE VOCÊ CHAMA ISSO DE “BITEÍSMO” OU DE QUALQUER OUTRA COISA, NÃO ME IMPORTA, MAS O QUE IMPORTA É QUE BIBLICAMENTE EXISTEM OUTROS ‘DEUSES’ ”.

    Essa declaração, simplesmente escapa à teologia neotestamentária. O Novo Testamento, que foi inteiramente escrito por cristãos, não admite a existência real de outros deuses. Ele apenas considera o fato de no paganismo, de onde muitos cristãos se converteram, o IMAGINÁRIO popular era no sentido de que o universo é povoado por muitos deuses, mas esses, para os autores do NT, na realidade não são deuses. Ou o NT, ou senhor, ou as demais TJs admitem a existência de Zeus, Apolo, Dionísio, e outros tantos deuses cultuados no mundo antigo e a quem os neotestamentários se referem como “deuses” dos pagãos?

    Na carta aos da Galácia, Paulo escreve: “quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses” (Gl 4,8). Na TNM revisada (2015) consta: “quando vocês não conheciam a Deus, eram escravos dos que não são realmente deuses”.

    O senhor nega esse texto? Para alegar que há mesmo deuses reais além do Deus de Israel, isto é, por natureza, além de Yahweh, precisamos ignorar essa declaração paulina sob a alegação de falsidade.

    Se o lemos em 1Cor 8,5 Paulo considerar que muitos são chamados “deuses” isso não quer dizer que de fato o sejam. Aliás, o mesmo Paulo nega que esses “deuses” conhecidos do paganismo são deuses de verdade; porque, para ele, não passam de ídolos que em essência nem mesmo existem. É o que ele afirma no mesmo cap. VIII de sua 1Cor, ao dizer: “οιδαμεν οτι ουδεν ειδωλον (oidamen hoti ouden eidôlon = sabemos que nada ídolo. Isto é, sabemos que [um] ídolo nada [é] (1Cor 8,4). ). Portanto, mesmo aquele texto de 1Cor 8,5, que aparentemente sugere a existência de muitos deuses, no contexto, percebe-se que Paulo, além de os tomar como “ídolos”, nega a existência real deles. Portanto, são chamados “deuses” (porque os povos assim os chamavam e reconheciam, mas na realidade, eles nem mesmo existem – leia o contexto e perceba que Paulo nega a existência deles e afirma o monoteísmo).

    Portanto, o NT não ensina biteísmo, nem politeísmo. Assim, aceitar a existência real de uma divindade distinta de Yahweh é algo que foge à autêntica fé cristã expressa por cristãos no NT.

    Se no AT há diversos textos que não questionam sequer a existência de uma série de divindades cultuadas nos arredores de Israel é preciso entender e reconhecer que esses textos expressam um estágio superado da fé veterotestametária que, no início não discutia a existência de outros deuses além do Deus de Israel (mas só cultuava e estimulava o culto ao esse Deus).

    O monoteísmo prático, porém, começou apenas no período exilar babilônico. Quando o NT foi escrito os judeus não só já não discutiam a existência desses outros deuses, como rejeitavam essa possibilidade. De modo que o NT é essencialmente monoteísta. E se trata o Logos como Deus é porque não pensa nele como alguém estranho a Yawheh.

    Gostaria de saber como o professor Leandro Quadro entende a declaração do amigo Daniel Oliveira que aceita como bíblico, e mais especificamente, neotestamentário, o biteísmo, para enriquecer o nosso debate.

    1. Caro Damião: estou gostando muito de suas explicações, bem como das participação de amigos jeovistas. O amigo tem muita coisa boa para compartilhar conosco.

      Quanto à sua pergunta, realmente o biteísmo ensinado pelas TJ é uma forma de idolatria e paganismo. Mesmo inconscientemente, eles acabavam adorando um “deus” com letra minúscula, bem como atribuindo ao Pai a origem de tal pecado, pois Ele pediu para que Jesus fosse adorado (Hb 1:6).

      Por falar em Hebreus 1:6, é muito preocupante a manipulação feita nas versões da TNM em relação a esse texto (só para citar um exemplo).

      Na versão de 1967 (Edição Brasileira) da TNM, Hebreus 1:6 se encontra assim: “Mas, ao trazer novamente o seu Primogênito à terra habitada, ele diz: ‘E todos os anjos de Deus o adorem‘”.

      Já na edição Revisada em 1977 (Nova Edição de 1983), o texto bíblico é violentado: “Mas, ao trazer novamente o seu Primogênito à terra habitada, ele diz: ‘E todos os anjos de Deus lhe prestem homenagem‘”.

      A diferença é flagrante: a primeira versão apresentava a Cristo como sendo adorado. Já a segundo, como digno de “homenagem”, apenas. Tudo para apoiar uma teologia biteísta que afronta inclusive Isaías 43:10, onde Javé disse que nunca existiria além dEle um “deus” como letra minúscula.

      Não comentarei agora a “fonte” que eles citam para apoiar tal significado do termo grego proskuneo (adoração). Porém, é nítida a mudança no sentido do texto por esse, na tradução anterior, não se adequar ao que pretendem as TJ.

      Definitivamente, Daniel Oliveira e outros amados jeovistas que têm nosso carinho e respeito: a teologia biteísta de vocês é indefensável e a TNM, uma aberração. Isso não é nada pessoal. Não estou questionando a sinceridade de vocês e vosso amor por Deus.

      1. Sr Leandro,

        Respeito o direito que você tem a ter suas opiniões. Mas não concordo.

        Penso que idolatria e paganismo é adorar 3 pessoas quando a bíblia e Jesus dizem que devemos adorar somente uma: O Pai, Jeová. (Mat 4:10; João 4:24)

        Você conclui: “a teologia biteísta de vocês é indefensável e a TNM, uma aberração.”

        Novamente, isso ainda está em discussão aqui na página. Não podemos partir do pressuposto pra depois analisarmos algo. Eu penso que a doutrina da Trindade também é indefensável e que as Almeidas são aberrações também, mas temos que provar na bíblia antes de afirmar. É que estamos “debatendo” aqui na página.

        Também digo que não é nada pessoal contra sua pessoa ou contra qualquer trinitário. Meu problema é com a doutrina satânica da trindade (o que irei provar aqui nessa conversa) que desonra tanto a Jeová, como a Jesus.

        1. Estimado Daniel Oliveira:

          Primeiramente quero que me desculpe se em algum momento não me expressei bem, e não o separei da teologia jeovista. O irmão é uma pessoa de muito valor para Cristo (e para mim, pode ter certeza). Sinto-me honrado em tê-lo como leitor de meu blog, mesmo que pensemos diferente.

          Perdoe-me também por não lhe atender da forma rápida como merece. Estou numa fase de ajustes, tanto em gravações quanto dissertação do Mestrado. Farei o possível para lhe responder mais rapidamente.

          Vamos ao seu comentário.

          Num ponto você e eu concordamos: a religião bíblica é monoteísta. Mesmo que a teologia jeovista ensine uma espécie de “bindade divina”, você e eu concordamos com Deuteronômio 6:4, bem como com os demais textos que citou.

          Todavia, o irmão não compreendeu devidamente o conceito bíblico de Trindade e sua total harmonia com o monoteísmo bíblico. Isso fica evidente quando o amigo chama tal conceito de “idolatria”. Permita-me explicar melhor.

          A Trindade bíblica não deve ser confundida com o Triteísmo pagão, por exemplo, porque ambos os conceitos diferem como a água do vinho. Enquanto que o triteísmo (biteísmo ou qualquer outra forma de paganismo) ensina que pessoas numa divindade possuem diferenças essenciais (na essência divina) e caráter totalmente diferente, a Trindade bíblica apresenta Três Pessoas com a mesma essência e bom caráter, diferindo apenas funcionalmente – na redenção e na criação.

          Perceba que o conceito de Triunidade em nada afeta o monoteísmo bíblico. Por sua vez, sua compreensão da divindade de Cristo vai totalmente contra o conceito bíblico que não admite a hipótese de existir um “deus” com letra minúscula, além da Divindade (veja novamente Isaías 43:10).

          Nesse ponto, sua crença se enquadra perfeitamente num conceito pagão da divindade, não a doutrina trinitária. Avalie isso com certa frieza e verá que não estou escrevendo alguma bobagem.

          Além disso, o irmão sabe que não necessitamos simplesmente das versões da Almeida para apoiarmos a referida doutrina. Uma análise das mais diversas traduções eruditas no mundo; a mínima familiaridade com os idiomas bíblicos e conhecimento de Teologia Sistemática, não deixam dúvidas quanto à validade da Triunidade divina.

          Aos poucos irei disponibilizando aqui no blog a obra de Arnaldo Benedicto Christianini, intitulada Radiografia do Jeovismo. Um dos capítulos demonstra totalmente o contrário do que o irmão alega: a doutrina da Trindade não é satânica e exalta de verdade a Jesus Cristo. Teremos a oportunidade de comentar mais a respeito.

          Nosso Criador continue a iluminar seus caminhos.
          Um abraço e até logo.

      2. Me desculpe Sr. leandro Quadros, mas aberração mesmo é o que o Sr. fez nesse vídeo:
        https://www.youtube.com/watch?v=n3ApEvLaZRE

        Isso sim é indefensável. Quantas pessoas não foram enganadas por essa manipulação? Cuidado, Há um que não dorme lá encima.

        1. Caro Leo: se sua dificuldade for bebidas alcoólicas, é muito mais saudável ser honesto com Deus e assumir isso do que tentar fazer a Bíblia aprovar o uso de bebidas alcoólicas. Tenho absoluta certeza dos efeitos negativos do álcool e só agradeço ao Criador por ter seguido no caminho que alguns familiares meus seguiram. Estude a Bíblia tendo em mente que o Senhor “tolerou” o uso do álcool em Sua misericórdia ao invés de “aprovar”. Leia Pv 29:23-31. Graça e Paz.

    2. Apesar de após a publicação perceber erros de digitação, destaco um que se refere a conteúdo informativo (que eu até já havia passando noutro comentário). Só para esclarecer: onde se lê: “O monoteísmo prático, porém, começou apenas no período exilar babilônico.”, leia-se O monoteísmo TEÓRICO, porém, começou apenas no período exilar babilônico.

  6. Damião Bonfim,

    Mais uma vez, obrigado pela educação. Estou tão acostumado a ser literalmente execrado como herege quando argumento contra a Trindade que sua educação e respeito me deixa muito feliz. É uma das poucas vezes que o respeito é mútuo. Mas vamos as argumentações.

    Você disse: “…em Jo 1,1, “Deus”, aplicado Jesus, não tem função sintática de substantivo; é um termo usado apenas para qualificar Jesus (ele era Deus). ”

    Resposta: A palavra “Theos” é substantivo. A palavra em si é um substantivo. Se ela esta fazendo uma função de adjetivo são outros 500. Gramaticalmente falando nada impede que um substantivo receba um artigo indefinido em um idioma moderno.

    As TJ e a própria TNM não se opõem a tradução “A Palavra era divina”. As TJ não objetam a esta tradução inclusive gostam de citar traduções que traduzem assim.

    O problema é com a tradução que diz que o Verbo era o mesmo Deus com que estava. O que a TNM nega era que a Palavra era o mesmo Deus com quem estava! A Almeida não traduz no qualitativo, o versículo na Almeida diz que o Verbo era o mesmo Deus com quem estava.

    Quando o Trinitário ou o Unicista afirmam que “Jesus é Deus” estão fazendo uma declaração de identidade: que Jesus é alguém, que é a pessoa de Deus, e não que tem uma qualidade de divino. Deus é uma pessoa, Jesus e uma pessoa, e “Jesus é Deus” significa que “Jesus” e “Deus” são o mesmo personagem.

    Se você toma João 1:1 no qualitativo, apenas atribui uma qualidade de divino ao Filho, mas não iguala a sua identidade com a de Deus (Jeová).

    Já o inicio da passagem quando fala em “O DEUS”, o “O Deus” em questão não é a qualidade de ser divino e sim a pessoa chamada Deus, o Deus (com artigo definido aqui) identifica uma pessoa especifica, Jeová – O Pai Todo Poderoso.

    Se você acha que a tradução correta é a qualitativa deveria abandonar a “Almeida” e todas estas que colocam esta fraseologia unicista que confunde quem é quem entre as duas pessoas que de quem se fala.

    A TNM distingue as duas pessoas. “O Deus” é uma pessoa diferente do Logos com quem estava. “A Palavra era divina”, “a Palavra era um deus”, “a Palavra era um ser divino”, são todas a mesma coisa, formas de evitar dizer que a Palavra estava com o Deus e era o Deus.

    Volto a reafirmar o que disse no meu primeiro comentário: No texto não está escrito que “A palavra era divina”, embora essa seja a ideia.

    Então como preservar o texto (que tem somente Theos) e ainda dizer que Jesus não é o mesmo Deus com quem estava e ainda provar que ele é divino? Basta colocar o artigo indefinido “um”.

    Assim como eu disse no meu primeiro comentário: “Ademais, a tradução “um deus” destaca tanto a natureza como a individualidade da Palavra, sendo, portanto, semanticamente mais abrangente. Assim, a tradução “um deus” é gramaticalmente correta, é textualmente preservativa, é contextualmente certa e biblicamente exata.”

    Depois você disse: “Note, porém, que resposta de Jesus parte do sentido conotativo (figurado) – que não foi o levantado por seus oponentes. E por que fez isso? Os juízes não são comparáveis a Ele, e chamá-los de “deuses” FIGURADAMENTE não é blasfêmia. Menos ainda o seria reconhecer no VERDADEIRO Filho de Deus a divindade (é isso que Jesus alega).”

    Resposta: Sim, foi isso que eu disse e isso é a verdadeira interpretação do texto. Então porque aceita essa verdade mas ao mesmo tempo, logo em seguida, se contradiz, dizendo que Jesus estava dizendo que ele não era “deus” neste sentido figurado, mas sim no ontológico igual a Jeová?

    Você disse: “O termo “filho”, na cultura judaica contemporânea a Jesus é geralmente usado num sentido diferente do alcançado em nossa cultura – se trata de um HEBRAÍSMO. ”

    Resposta: Sim, é verdade, não nego isso. O que eu nego é que essa palavra tenha apenas este sentido, quando ela também abrange o significado de descendente também, que vocês tentam negar. No caso de Cristo, ele é “O Filho”, sim, único, incomparável, divino, mas a bíblia explica que ele foi gerado/criado por Deus (Prov 8:22; Apoc 3:14; Col 1:15), portanto, não é eterno, embora seja divino.

    Você disse: “Mas Jesus não adotava para si essa percepção metafórica, mas sim, real – e esse sentido, judeu nenhum poderia aceitar, porque a consequência seria atribuir divindade ao humano, num sentido real. ”

    Resposta: Você infere isso, mas a resposta de Jesus parte do pressuposto que ele é “deus”, no sentido igual a dos juízes. Ele disse isso, não as TJs. Portanto, se os juízes humanos são “deuses”, quanto mais Cristo, que é o “Filho Unigênito” de Jeová.

    Como vocês costumam dizer: Filho de peixe é um peixe, filho de animal é um animal, filho de humano é um humano, filho de Deus é um Deus. Mas em todos os casos, não se tratam do mesmo ser, mas sim de pessoas distintas, diferentes.

    Você disse: “João declara (em João 5:18) que os judeus queriam mata-lo (verdade); que Jesus dizia que Deus era seu Pai (verdade) e que essa declaração igualava Jesus a Deus (mentira?)

    Resposta: No verso em questão, eles acusaram Jesus de violar também o sábado. Seria verdade isso ou uma mentira? Fica claro que assim como Jesus NÃO violava o sábado, ele também NÃO se fazia igual a Deus. Ambas as conclusões erradas eram dos judeus sem fé.

    O bom é que logo no verso seguinte, Jesus traz um esclarecimento, como resposta, que anula qualquer pretensão de uma suposta reivindicação de igualdade com Deus, seu Pai: “Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.”

    Um dos atributos de Deus é a auto-suficiência, de modo que se o Filho alegou que não podia por si mesmo fazer coisa alguma, então fica óbvio: Ele não estava afirmando ser Deus.

    Você continua: “O Novo Testamento, que foi inteiramente escrito por cristãos, não admite a existência real de outros deuses. Ele apenas considera o fato de no paganismo, de onde muitos cristãos se converteram, o IMAGINÁRIO popular era no sentido de que o universo é povoado por muitos deuses, mas esses, para os autores do NT, na realidade não são deuses… Portanto, mesmo aquele texto de 1Cor 8,5, que aparentemente sugere a existência de muitos deuses, no contexto, percebe-se que Paulo, além de os tomar como “ídolos”, nega a existência real deles. Portanto, são chamados “deuses” (porque os povos assim os chamavam e reconheciam, mas na realidade, eles nem mesmo existem – leia o contexto e perceba que Paulo nega a existência deles e afirma o monoteísmo).”

    Resposta: O texto não diz que os “deuses” que Paulo fala são os do somente do imaginário do povo. Paulo diz que “Pois mesmo que haja os chamados deuses, quer no céu, quer na terra, ( COMO DE FATO HÁ “deuses” e muitos “senhores” ).

    A bíblia explica bíblia, caro Damião e Paulo diz que DE FATO HÁ deuses no céu. Como já mencionado por mim, os anjos são estes deuses que há no céu (Salmo 8:5) e isso você não pode negar, porque é bíblico.

    Você disse: “Portanto, o NT não ensina biteísmo, nem politeísmo.”

    Resposta: As pessoas de Deus, do Cristo, do Diabo e de Adão são todas pessoas individuais singulares, embora os termos “Deus”, “Cristo”, “Diabo” e “Adão” sejam palavras comuns que podem ser usadas e aplicadas diversamente.

    Ou seja, as acusações de que unitaristas seriam “politeístas” por isolar o Pai como sendo Deus em sentido singular e especial, mesmo aceitando que outros sejam chamados de “Deuses, não diferem muito do absurdo de acusar alguém de crer numa doutrina “polisatanista” meramente por afirmar o fato bíblico de que Judas também foi chamado de “Diabo”. Também teríamos que admitir que a existência de outros ungidos torna alguém um “polimessianista”.

    Analisemos como a bíblia trata de alguns termos e vejamos como ela faz distinção entre algo “superlativo” e algo “relativo”.

    1) BONDADE

    A bíblia diz em Marcos 10:18 que somente um (único) é bom, Deus.

    Pergunto: Será que não existiu e nem existe ninguém bom na terra capaz de exercer o 6º fruto do espírito? (Gálatas 5:22)

    2) SABEDORIA

    A bíblia nos diz em Romanos 16:27 que Deus é o único sábio.

    Pergunto: Será que nunca existiu ou existe outro alguém sábio na Terra?

    3) INSTRUTOR, PAI E LÍDER

    A bíblia nos diz em Mateus 23:8-10 que existe apenas um único instrutor, Pai, líder.

    Pergunto: Será que não existiu ou existem instrutores na terra? Que nome devemos dar àquele que teve relações com nossa mãe e que nos gerou e criou? Não existem pessoas que lideram aqui na Terra?

    Todas as características ou títulos acima podem e pertencem legitimamente e verdadeiramente a humanos. Existem ou existiram pessoas muito sábias aqui na terra. Salomão, Davi, Moisés, Abigail, Ester são alguns exemplos.

    Também existem pessoas muito bondosas aqui na terra. Há aqueles que se preocupam verdadeiramente em ajudar seu próximo.

    Existem aqui na terra muitos líderes, como líderes de empresas, por exemplo. Aquele que nos gerou com nossa mãe é corretamente chamado de nosso pai. E na escola temos muitos instrutores.

    A diferença é que todas essas características quando referidas a humanos ganham caráter relativos quando comparadas com AQUELE que as detêm de forma superlativa, que é Jeová Deus.

    Sim, Jeová expressa sabedoria, bondade, liderança, paternidade etc de uma forma inigualável, mas não significa que outros, de uma forma MENOR, não possam expressar tais características.

    Sim, se somos feitos a imagem e semelhança do Criador, e se ele é nosso Pai, é muito compreensível que imitemos suas características, sabendo, lógico, que devido nossa limitação é impossível expressar os atributos de Deus em sua inteireza.

    Da mesma é com o título “DEUS”. A bíblia nos diz em João 17:3 que existe um único Deus verdadeiro.

    PERGUNTO: Significa isso que não existam outros a quem se atribui este mero título?

    Segundo a lógica trinitária, há somente duas opções: Ou é Deus verdadeiro ou é Deus falso. Mas a bíblia não ensina isso. E ela é que deve determinar o que é verdade ou não. Conceitos humanos nada valem perto da bíblia.

    A escritura nos comunica que em sentido superlativo, somente Jeová é Deus. Sim, somente ele é o todo-poderoso. Somente ele é o todo sábio.

    Mas isso não significa que inexistam outras pessoas que sejam poderosas. Não significa que inexistam outras pessoas que sejam sábias.

    Algumas destas pessoas na bíblia foram mencionadas como sendo “Deuses”. (Deut 10:17; Salmo 82:1,6; 136:2; João :1:1; 1:18; 10:34 1 Coríntios 8:5-6)

    Sim, em sentido SUPERLATIVO, somente Jeová é Deus. Mas em grau RELATIVO, há outros que podem ser corretamente assim chamados e a quem podem ser atribuídos esse mero título.

    CONCLUSÃO:

    Assim, o que as Escrituras deixam claro em todos os sentidos é que certas palavras quando referem-se ao Pai, ganham características superlativas, e exaltam-no como sublime e superior a todos. Ele, O PAI, é O ÚNICO DEUS, sendo que IGUAL a ele, não existe outro.

    Mas em grau menor, ou em sentido relativo, outros tem atributos de Deus, sem ter que entrar na falsa exegese que diz que se algo não é verdadeiro é falso.

    Se essa exegese trinitaria do “ou é verdadeiro senão é falso” é verdade, então teremos que admitir que nossos pais humanos são falsos pais, nossos instrutores e professores são falsos líderes e que todos as pessoas que demonstram bondade são falsas pessoas.
    Reconhecemos assim que que a existência destes acima chamados “Deuses” (classe) não interfere em nada na unicidade de Deus, nosso Pai, Jeová (identidade).

    Ele é um por ser uma única pessoa e por ter atributos únicos e exclusivos em níveis absolutos e por ser o objeto de nossa adoração. Como não existe outro ser que tenha estes mesmos predicados, então Ele é o Único que é verdadeiramente Deus, mesmo que o titulo “Deus” possa ser aplicado a outros seres sem interferir na identidade pessoal e única de Jeová Deus, aquele que merece toda nossa adoração.

    Você diz também: “Assim, aceitar a existência real de uma divindade distinta de Yahweh é algo que foge à autêntica fé cristã expressa por cristãos no NT. ”

    Resposta: Então porque aceitas que Jesus e o espírito santo são divindades-pessoas distintas de Jeová, o Pai? Não estaria você fugindo também do que é o certo?

    Não se pode basear uma doutrina tão importante quanto a identidade de Deus (que é o personagem principal da Bíblia) em falácias tão frágeis quanto a de dizer que os termos “Elohim, El, Theos e etc só possam se aplicar ao Deus Único (YHWH) e assim forçar goela abaixo que para mantermos nosso “monoteísmo” temos de adicionar mais pessoas dentro de Deus o tornando “polipessoal” para evitar um suposto “politeísmo” totalmente inexistente!

  7. ótimo estudo , gostaria de fazer uma observação , para aqueles que tentam anular a divindade de JESUS , se JESUS não é DEUS , como afirmam os testemunhas de Jeova , segue-se então que estamos todos perdidos , pois então o sacrifício é invalido , porque se JESUS é criado como mais uma criatura , seu sangue não pode ” PAGAR ” o escrito de divida entre nos e DEUS , pois sendo criatura seu sangue logo não teria valor real , ( sangue de Deus ) , e com isso seguimos perdidos e o sacrifício é em vão . Só o sangue do autor da criação , ou seja ( Pai da eternidade ) , seria capaz de pagar a divida .

    os testemunhas de Jeova quando rebaixam Jesus a uma criatura ou deus , além de rasgarem Isaias capitulo 43:10 , PECAM contra a divindade de CRISTO QUE É DEUS. e automaticamente jogam fora a salvação , ao qual só por intermédio de CRISTO se salva e isto pela fé .

    1. Ótima sua observação, Ricardo! Ninguém menos que DEUS poderia pagar nossa dívida eterna PARA COM DEUS. Por isso, vários amigos e telespectadores Testemunhas de Jeová têm mudado suas crenças e deixado o jeovismo.

    2. Sr Ricardo,

      O que afirmas é bem comum e já ouvi isso muitas vezes. Mas novamente, não passa de engano. Porque?

      1º motivo: A bíblia diz que Deus é IMORTAL. Ou seja, Deus não morre. É simplesmente IMPOSSÍVEL Deus morrer. Então não importa em que natureza Deus esteja ele nunca morrerá. Então se Jesus morreu, concluímos facilmente que ele não é O Deus Todo Poderoso.

      Ou vai dizer que existe o imortal que morre? Se acredita nisso, é a mesma coisa que acreditam aqueles que creem na imortalidade da alma, ou seja, é um morto que está vivo. Não seria diferente de dizer também que existe um solteiro casado ou mesmo um triangulo redondo. Afirmar que Deus morre é afirmar que Deus vai contra a própria lógica que Ele criou e que Ele mentiu quando disse que é imortal.

      2º motivo: A cristandade ensina que, quando Jesus Cristo estava na Terra, ele era Deus-Homem. A cristandade traz essa crença desde o ano de 451 d.C, quando o Concílio de Calcedônia decidiu que Cristo tinha na Terra duas naturezas – uma humana e uma divina. Mas essa doutrina nega a doutrina da Redenção, ou Resgate. Veja por quê:

      A necessidade de uma redenção, remissão ou resgate surgiu quando o primeiro homem, Adão, pecou, e após isso, transmitiu o pecado aos seus descendentes. (Ro 5:12, 18) Uma vez que foi um homem perfeito quem pecou, seria necessário outro humano perfeito para pagar o preço do resgate, de acordo com o princípio bíblico de se dar “vida por vida”. (Êx 21:23, Versão Almeida Revista e Corrigida)

      Trata-se do princípio da equivalência, para equilibrar a balança da justiça. Em razão disso, nenhum humano imperfeito poderia pagar o resgate pelos pecados nem de um irmão. Como diz o Salmo 49:7, 8 (Almeida Revista e Atualizada):

      “Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma [vida] deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.)”

      Pela mesma razão, um anjo não poderia pagar o preço do resgate, uma vez que é superior a um homem perfeito, não havendo assim equivalência. (Sal 8:4, 5) A respeito de Jesus, a Bíblia declara: “Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca.” (1Pe 2:22)

      Portanto, ele tinha o preço do resgate – a vida humana perfeita. Mas, se Jesus fosse Deus-Homem, não haveria equivalência, pois Adão não era Deus-Homem. Assim, a doutrina da Trindade nega o resgate.

    3. Olá Ricardo.
      “Só o sangue do autor da criação , ou seja ( Pai da eternidade ) , seria capaz de pagar a divida .”

      Essa afirmação não é bíblica, é um achismo humano, meramente. Não há uma linha na Bíblia sobre isso. Já que a redenção tinha que vir de alguém subserviente a Deus, isso sim é evidente nas escrituras.

      Jesus, nada mais e nada menos do que um humano perfeito, tornou-se um resgate que compensou exatamente o que Adão perdera — o direito à vida humana perfeita na terra. Assim, Jesus podia corretamente ser chamado “o último Adão” pelo apóstolo Paulo, que disse no mesmo contexto: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.” (1 Coríntios 15:22, 45) A perfeita vida humana de Jesus foi o “resgate correspondente” exigido pela justiça divina, nada mais, nada menos. Um princípio básico, mesmo de justiça humana, é que o preço pago deve ser equivalente ao erro cometido.

      Se Jesus, no entanto, fosse parte de uma Divindade, o preço de resgate teria sido infinitamente superior ao que a Lei do próprio Deus exigia. (Êxodo 21:23-25; Levítico 24:19-21) Foi apenas um humano perfeito, Adão, quem pecou no Éden, não Deus. Assim, o resgate, para estar realmente em harmonia com a justiça de Deus, tinha de ser estritamente um equivalente, um humano perfeito, “o último Adão”. Assim, quando Deus enviou Jesus à terra como resgate, ele fez com que Jesus se tornasse o que satisfaria a justiça, não uma encarnação, não um deus-homem, mas um homem perfeito, “menor que os anjos”. (Hebreus 2:9; compare com o Salmo 8:5, 6.)

      Portanto esse argumento de que só Deus poderia vir se sacrificar não tem lógica, e nem esteio bíblico. dessa forma sua afirmação de que rebaixamos Cristo, também é falsa. É a Bíblia quem faz isso, sendo Cristo menor em relação ao Pai, que É nosso Deus.

      Não jogamos fora a salvação, damos o devido crédito a Jesus que foi leal a Deus, como a própria Bíblia diz.

      E se começarmos a meditar em, tudo que envolvia Jesus ser Deus, e vir a Terra como humano, aí é que a Trindade cai por terra mesmo… Por exemplo, no aspecto das tentações… Será que o Ricardo e o Leandro Quadros aceitam que Deus foi corruptível enquanto esteve como humano??? Se sim, eu realmente ficarei boquiaberto, e respeitarei a opnião dos dois. Mas realmente, para uma cabeça pensante não faria sentido, que por 33 anos o criador esteve sujeito a tentações, e portanto foi corruptível. É a Bíblia quem nos diz que Jesus “em tudo foi tentado”, não sou eu. (Hebreus 4:15, NVI) Se foi tentado, é porque havia chance de ceder. Do contrário, seria tudo encenação, e não teriamos mais o exemplo mais forte de lealdade a Deus na Terra. Então, como explicar que o criador teria que ser corruptível, e ainda mais para ser leal a si mesmo? Ou as outras duas partes co-iguais?

      É muito claro que para essa tarefa Deus enviou alguém subserviente a ele, para provar diante de toda a sua criação que é possível ser leal até o fim por amor a ele. O papel de Deus o pai, Jeová, nessa história, é o de dar o próprio filho justo e perfeito, que não merecia nada do que sofreu por amor. João 3:16 prova isso de uma vez para sempre. O texto revela que foi Deus quem nos amou, “de tal maneira” QUE DEU O SEU FILHO. O texto não diz que Jesus nos amou de tal maneira, ou que a trindade nos amou de tal maneira. E muito menos diz que Deus precisava vir morrer por nós. Portanto o papel do pai como dador do filho é primário no ato da salvação sacrificial.

      Outro aspecto que mostra também como a trindade é um ponto sem nó, é raciocinar nas orações de Jesus, mas nem vou entrar nesse por agora. O das tentações já é suficiente pra pensarmos.

      “se JESUS não é DEUS , como afirmam os testemunhas de Jeová , segue-se então que estamos todos perdidos , pois então o sacrifício é invalido , porque se JESUS é criado como mais uma criatura , seu sangue não pode ” PAGAR ” o escrito de divida entre nos e DEUS , pois sendo criatura seu sangue logo não teria valor real , ( sangue de Deus ) , e com isso seguimos perdidos e o sacrifício é em vão .”

      Sinceramente, quando esbarro nesse tipo de argumento completamente sem base bíblica, eu fico imaginando, sem ofensa, como uma coisa dessas pode nascer na cabeça de um ser humano… É como se imputasse a Deus uma responsabilidade de pagar algo, uma divida por exemplo, que Deus obviamente nunca teve. Não há base jurídica pra isso nas escrituras também. Foi a desobediência do homem que o afastou de Deus e da vida eterna, não a desobediência de Deus. Espero que no futuro o amigo se utilize de argumentos mais sólidos, e que pelo menos tenham alguma base na Bíblia, para dizer que alguém joga “fora a salvação”… Mas respeito a sua opnião de qualquer forma.

      Grato pelo espaço, deixo meu boa noite, e um abraço a todos.

    4. Tudo bem Ricardo?
      Permita-me dar uma resposta sobre esse assunto:

      É muito simples de nós entendermos o porque Jesus veio morrer por nós. Jesus morreu por nós por que as coisas foram criadas “PARA ele”, ou seja, Jeová, o Pai, presenteou Jesus, o seu amado Filho, com suas obras maravilhosas. (Colossenses- 1:15-18) Por isso ele se torna nosso FUTURO Pai Eterno, uma vez que Adão perdeu esse direito cometendo o pecado. Vamos lá, veja as semelhanças:

      ADÃO (pai da humanidade/primeiro pai):

      1) Primogênito da criação humana de Deus.
      2) Princípio da criação humana de Deus.
      3) Era perfeito
      4) Nos trouxe o pecado e a morte.
      5) Todos os demais vieram à existência por intermédio dele.

      JESUS (segundo Adão/segundo pai):

      1) Primogênito da criação celeste de Deus.
      2) Princípio da criação celeste de Deus.
      3) Era e é perfeito
      4) Nos tirou do pecado e da morte.
      5) Todos os demais vieram à existência por intermédio dele.

      RESUMINDO: Se Jesus fosse Deus, o Todo-Poderoso de Israel, o seu sacrifício pelo contrário do que você falou, na verdade, não seria nada correspondente e consequentemente não seria válido, pois Deus não é equivalente a Adão!

      Agora temos a história de Abraão e Isaque que corroboram ainda mais claramente isto. Vejamos:

      Deus mandou que Abraão(pai) matasse Isaque(filho) em sacrifício, Isso prefiguraria o sacrifício de Cristo entregue por Deus, acredito que você saiba disso. Interessante é que Deus não pediu para sacrificar Abraão, mas sim o seu único filho Isaque, seu primogênito e igualmente Abraão não pediu pra Deus para ser sacrificado no lugar do seu filho, porque tem que ser da forma como Jeová quer (Gênesis- 22:1-13, Mateus- 7:21).

      Essa história PREFIGURAVA a morte do Messias que é Cristo(Isaque Filho) dado para ser morto por Jeová(Abraão Pai) Leia >> João- 3:16.

      Aqui que está o interessante, Abraão é PAI, logo Jeová só pode ser também o PAI (João- 17: 3; 1ª Coríntios- 8: 5,6). Se fosse Deus quem viesse realmente à Terra pra morrer por nós, a história de Abraão e Isaque então seria inútil, ou pior ainda, o próprio Deus teria feito MAU USO de sua própria história prefigurativa e sabemos que Deus não é burro, correto?

      Entenda mais uma coisa óbvia:

      Deus não esteve na terra, mas sim mandou um REPRESENTANTE: “porque eu lhes transmiti as declarações que me deste, e eles as aceitaram e certamente sabem que VIM COMO TEU REPRESENTANTE, e acreditam que TU ME ENVIASTE.” (João- 17:8) Jesus representava a quem mesmo? Leia >>>> Malaquias- 3:1 depois Leia uns versos anteriores de João- 17:3 e veja quem o próprio Jesus chamou de “único Deus verdadeiro” em sentido Superlativo.

      Como você pode ver, no verso 3, aquele que enviou Jesus, é o único Deus verdadeiro, logo, a conclusão ÓBVIA é; Jesus representava o único Deus verdadeiro!

      Um ser Imortal não pode morrer, pois passa a não ter mais Imortalidade, quebra as próprias regras de sua natureza. >> (Habacuque- 5: 2) Deus não é homem nem pode estar entre filhos da humanidade. >> (Números- 23: 19; Oseias- 11: 9).

      Um Forte Abraços!

      1. Olá, você citou o texto Habacuque- 5: 2, no entanto Habacuque possui apenas 3 capítulos!!! Será que seria Hab. 1:12?

        Aproveito a oportunidade para acrescentar 1 Tim 6:16, em que o apóstolo Paulo fala sobre a importância de se obedecer aos mandamentos de Deus, citando Ele como “… o único que tem imortalidade … …. a quem nenhum homem viu nem pode ver”.

        O que não se aplica a Jesus, pois ele morreu, e foi visto por muitos 🙂

        1. Ops, perdão, é 1 Tim 6:17.

  8. Olá, senhor Daniel de Oliveira.

    Tem sido muito interessante essa discussão. Sobretudo pela cordialidade com que divergimos. E esteja certo de que nenhuma das objeções minhas são pessoais; discuto apenas os argumentos e textos. Assim, vamos a eles. Reitero: suas colocações, sempre, as destaco em maiúsculas:

    “A PALAVRA “THEOS” É SUBSTANTIVO. A PALAVRA EM SI É UM SUBSTANTIVO. SE ELA ESTA FAZENDO UMA FUNÇÃO DE ADJETIVO SÃO OUTROS 500. GRAMATICALMENTE FALANDO, NADA IMPEDE QUE UM SUBSTANTIVO RECEBA UM ARTIGO INDEFINIDO EM UM IDIOMA MODERNO.

    Daniel, o que determina o sentido de uma expressão é a forma como funciona sintaticamente num texto, isto é, como se relaciona com os demais termos, não seu sentido puramente morfológico. Exemplo simples: João é MENINO (“menino”, aqui funciona como adjetivo, ou melhor, como predicativo do sujeito). Mas na expressão o MENINO disse, “menino” funciona como substantivo e é sujeito frasal. Portanto, para se traduzir para outro idioma essa simples expressão, é necessário considerar como ela é usada no idioma de origem. O mesmo vale para Theós aplicado ao Logos em Jo 1,1, sintaticamente, “Deus”, aplicado ao Logos não funciona como substantivo. Portanto, essa ideia de inserção de artigo indefinido é questionável.

    “A ALMEIDA NÃO TRADUZ NO QUALITATIVO. O VERSÍCULO NA ALMEIDA DIZ QUE O VERBO ERA O MESMO DEUS COM QUEM ESTAVA”.

    Discordo, a Almeida mantém esse sentido qualitativo, sim. Observe: “O Verbo era Deus”. Analisemos: sujeito (o Verbo) e predicado (era Deus). O termo “era” é um verbo de ligação entre sujeito e predicado, de modo que “Deus”, também em português, tem função sintática de predicativo do sujeito (exatamente como no texto grego).

    “DEUS É UMA PESSOA, JESUS E UMA PESSOA, E “JESUS É DEUS” SIGNIFICA QUE “JESUS” E “DEUS” SÃO O MESMO PERSONAGEM[?]”.

    Aqui o senhor reproduz o equívoco estimulado pela doutrina jeovista – de que se Deus é uma pessoa e Jesus também é uma pessoa, eles não podem ser a mesma pessoa. Raciocínio correto apenas se o senhor não observar que a doutrina da Trindade não ensina que o Pai e o Filho são as mesmas pessoas. Ensina que o Filho é uma pessoa distinta do Pai, mas que tem em comum com Ele a mesma divindade.

    SE VOCÊ TOMA JOÃO 1:1 NO QUALITATIVO, APENAS ATRIBUI UMA QUALIDADE DE DIVINO AO FILHO.

    “Deus”, quando não utilizado como identificação pessoal do Pai, digamos, indica a escala máxima do ser. Tudo que está abaixo dessa escala não é Deus. Ou Jesus é Deus, ou Jo 1,1 está equivocado. O senhor pode até discutir o credo da Trindade, mas não pode negar que gramaticalmente João escreveu que Jesus é, desde sempre, Deus. Se não é, devemos reconhecer que o autor do evangelho tinha credo equivocado, porque a discussão em si não é acerca do que os trinitaristas creem, mas acerca do que o texto diz e Jo 1,1 diz que o Logos era Deus.

    SE VOCÊ TOMA JOÃO 1:1 NO QUALITATIVO… NÃO IGUALA A SUA IDENTIDADE (do Logos) COM A DE DEUS (JEOVÁ).

    De fato, como o NT grego não emprega o Tetragrama, o termo “Deus”, quando usado como substantivo, referindo-se ao Pai, tem valor teonímico (dá nome ao Supremos: o ser Supremo é Deus). Por isso, a ideia real é que o Filho estava com o Pai, devendo-se distinguir as identidades (Theós, o Pai de Logos). Uma coisa é a identificação pessoal do Pai (Deus), outra coisa é a qualificação do Logos (Deus). Os termos embora idênticos, têm sentido diverso, como a própria sintaxe do texto exige reconhecer. No primeiro caso, é apenas forma de identificar o Pai, no segundo, é forma de dizer o que Jesus era em essência.

    “JÁ O INICIO DA PASSAGEM QUANDO FALA EM “O DEUS”, O “O DEUS” EM QUESTÃO NÃO É A QUALIDADE DE SER DIVINO, E SIM A PESSOA CHAMADA DEUS, O DEUS (COM ARTIGO DEFINIDO AQUI) IDENTIFICA UMA PESSOA ESPECIFICA”.

    O senhor acaba de confirmar minha tese: No primeiro caso emprega-se o termo “Deus” apenas como forma de identificar o Pai. Mas no segundo, é forma de dizer o que Jesus era em essência, porque o termo “Deus” aplicado ao Logos não tem valor sintático de substantivo, portanto não é forma de nomear o Logos, mas de dizer o que ele é. Portanto, o uso do artigo (para o Pai) em si não traz nenhum fato novo à elucidação da forma como o evangelho trata a questão. Noutra oportunidade expliquei e exemplifiquei que a inserção ou não do artigo antes da palavra “Deus”, no grego, é circunstancial. Agora, reforço a tese: Jo 20,28, utiliza o termo “Deus”, precedido de artigo, na resposta de Tomé a Jesus, constando: “hó Kyrios mou kai HÓ Theós mou” (literalmente: o Senhor de mim e o Deus de mim). No entanto, as TJs rejeitam a tese de que o uso do artigo ali identifica Jesus como “O Deus”. Portanto, nem mesmo as TJs aderem totalmente à tese que defendem.

    “…COMO PRESERVAR O TEXTO (QUE TEM SOMENTE THEOS) E AINDA DIZER QUE JESUS NÃO É O MESMO DEUS COM QUEM ESTAVA E AINDA PROVAR QUE ELE É DIVINO? BASTA COLOCAR O ARTIGO INDEFINIDO ‘UM’ ”.

    Daniel, ao inserir esse artigo, as TJs não estão simplesmente negando a real divindade do Logos, estão “criando” mais um ser divino, além de Yahweh.

    Continuando o senhor diz de mim: “SE CONTRADIZ, DIZENDO QUE JESUS ESTAVA DIZENDO QUE ELE NÃO ERA “DEUS” NESTE SENTIDO FIGURADO, MAS SIM NO ONTOLÓGICO IGUAL A JEOVÁ?”

    Observe bem a colocação, pois não me contradisse, declarei que, ONTOLOGICAMENTE, Jesus é Deus (seu ser é o de Deus). Mas por que então o texto sugere que Jesus é igual a Deus? – A ideia da igualdade somente é levantada no sentido de que visivelmente Jesus era apenas um homem, mas ontologicamente ele é igual a Deus, isto é, da mesma natureza (e é isso o que o distinguia dos demais homens que o viam).

    “A BÍBLIA EXPLICA QUE ELE FOI GERADO/CRIADO POR DEUS (Prov 8:22; Apoc 3:14; Col 1:15), PORTANTO, NÃO É ETERNO, EMBORA SEJA DIVINO”.

    Pr 8,22 trata-se de personificação (todo ato criativo de Deus é precedido da sabedoria). Observe, porém, que João não usa o termo equivalente em grego (que deveria ser “Sophia”), mas o termo “Lógos”, que equivale a “Debar” de Yahweh (Palavra de Yahweh), como expressão de sua vontade. De modo que, a Palavra, nesse sentido, é anterior a tudo, pois sem ela nada foi feito (Jo 1,3 concorda com isso). É ela (a Palavra), a fonte de tudo, pois Deus disse e se fez. Por outro lado, no mundo grego, essa fonte primária de todas as coisas era chamada de “arché”. Os filósofos gregos divergiam quanto a arché de todas as coisas (água, fogo, ar, ou mesmo um elemento indefinido (apeyron)). Mas Ap 3,14, na esteira bíblica, declara que é Jesus essa arché, por isso escreve sobre ele: η αρχη της κτισεως του θεου (hé arché ktiseos tou theou = o princípio da criação de Deus). Ele é a arché que os filósofos procuravam. Por fim Cl 1,15 declara que Jesus é o primogênito de toda a criação. E o verso seguinte explica a razão disso: “porque por intermédio dele todas as coisas foram criadas” (Cl 1,16). A primogenitura, no mundo bíblico, tem valor legal de posse, não se referindo necessariamente à ordem de origem, tanto que Jacó obteve de Esaú o direito de primogenitura, mesmo não sendo o primeiro filho de Isaque (Ver Gn 25,29-34). De modo que tudo o que era de seu pai Jacó, por direito, passou a ser dele (Isaque), não de Esaú. Cl 1,15 repete a mesma ideia bíblica de primogenitura, como termo legal: Jesus tem o direito sobre a criação, porque ela foi realizada por intermédio dele, portanto, ela pertence a ele (é isso que Cl 1,15-16 declara), porque ele a fez existir.

    “JESUS TRAZ UM ESCLARECIMENTO, COMO RESPOSTA, QUE ANULA QUALQUER PRETENSÃO DE UMA SUPOSTA REIVINDICAÇÃO DE IGUALDADE COM DEUS, SEU PAI: “MAS JESUS RESPONDEU, E DISSE-LHES: NA VERDADE, NA VERDADE VOS DIGO QUE O FILHO POR SI MESMO NÃO PODE FAZER COISA ALGUMA, SE O NÃO VIR FAZER O PAI; PORQUE TUDO QUANTO ELE FAZ, O FILHO O FAZ IGUALMENTE”.

    Esse é um dito parabólico. Jesus trabalha a imagem comum palestinense do pai que, conforme o costume, ensinava seu oficio ao filho. É dessa matiz cultural que Jesus inicia sua explicação: o filho faz o que vê o pai fazer. Mas como toda parábola, o sentido da colocação vai além do físico. Assim, nessa declaração, Jesus compara seu poder ao de seu Pai, já que para fazer igualmente tudo o que o Pai faz, o Filho necessita ter as mesmas condições de poderio. E uma criatura tem condição de fazer tudo que o Criador pode fazer? – Parece-me que não. Nesse caso, será que Jesus se enganou?

    “UM DOS ATRIBUTOS DE DEUS É A AUTO-SUFICIÊNCIA, DE MODO QUE SE O FILHO ALEGOU QUE NÃO PODIA POR SI MESMO FAZER COISA ALGUMA, ENTÃO FICA ÓBVIO: ELE NÃO ESTAVA AFIRMANDO SER DEUS”.

    Não fazer nada de si mesmo, em bom português é: não age isoladamente, mas harmoniosamente. O contexto parabólico não indica falta de poder para fazer, mas concordância no fazer (o Filho, na Terra, faz apenas aquilo que seu Pai, está de acordo. De modo que nada do que Jesus fez pode ser julgado como subversão à ordem divina, porque ele agiu conforme a vontade divina, mesmo que seus opositores o julgassem como um desordeiro, blasfemo ou louco).

    “PAULO DIZ… ‘POIS MESMO QUE HAJA OS CHAMADOS DEUSES, QUER NO CÉU, QUER NA TERRA, (COMO DE FATO HÁ “DEUSES” E MUITOS “SENHORES’” ).

    Não isole o versículo, considere seu contexto, porque esse é parte de uma argumentação, cuja linha de raciocínio é: “λεγομενοι θεοι” (legomenoi theoi = CHAMADOS deuses”, isso não quer dizer que de fato o são. Tanto que o texto não diz εισιν θεοι (eisin theoi = são deuses). E continua, dizendo haver muitos deuses e senhores (pelo contexto, PORQUE ASSIM SÃO CHAMADOS pelos homens). A título de informação, lembro que desde os tempos de Otávio Augusto (27 a.C.), os imperadores romanos eram chamados de “deuses”. Domicianus, por exemplo, exigiu que no império fosse reconhecido como “dominus et dei” (senhor e deus). De fato, na Antiguidade, havia muitos deuses e senhores, mas nesse sentido, não no real.

    “AS PESSOAS DE DEUS, DO CRISTO, DO DIABO E DE ADÃO SÃO TODAS PESSOAS INDIVIDUAIS SINGULARES, EMBORA OS TERMOS “DEUS”, “CRISTO”, “DIABO” E “ADÃO” SEJAM PALAVRAS COMUNS QUE PODEM SER USADAS E APLICADAS DIVERSAMENTE”.

    Se o Diabo é um deus, se o Logos é um deus e se Yahaweh é Deus (como defende a doutrina jeovista), temos um panteão “cristão”, com deuses bons (Yahweh e seu Filho) e um deus mal (Há Satã). Servi-los (por amor, no caso de Yahweh e seu Filho) ou por medo (no caso de Satã), acaba sendo questão de escolha que reconduz os cristãos ao henoteismo (se servir a apenas um sem negar que os outros também são deuses), ou politeísmo, se servir a todos. Ou servir a dois deles (Yahweh e seu Filho), caracterizando o biteísmo (mas servir a dois senhores é procedimento cristão?).

    “A ESCRITURA NOS COMUNICA QUE EM SENTIDO SUPERLATIVO, SOMENTE JEOVÁ É DEUS. SIM, SOMENTE ELE É O TODO-PODEROSO. SOMENTE ELE É O TODO SÁBIO”.

    Para o povo da Bíblia, ser deus, essencialmente é ser digno de culto por alguém. Não se trata de mero poder, mas de direito a adoração, porque sentido figurado não tem valor ontológico, mas o que discutimos é o que esses outros seres supostamente são.

    “ENTÃO PORQUE ACEITAS QUE JESUS E O ESPÍRITO SANTO SÃO DIVINDADES-PESSOAS DISTINTAS DE JEOVÁ, O PAI?”

    Outra vez o senhor confunde o conceito de “pessoa” com o de divindade. O que somente compreendo por observar que na literatura jeovista – não sei se intencionalmente –, esses termos sempre são confundidos, como se trindade e triteísmo fossem sinônimos. E forçam o fiel jeovista a discutir trindade tomando como base conceitos triteístas, e nega o conceito triteísta (para negar a Trindade). Estranhamente, porém, sustenta que “Jeová” é Deus, que Jesus é um deus menor e que Satanás é outro deus (só que malévolo). Isso não é triteísmo? Se é, qual o problema com a Trindade que os jeovistas dizem não existir porque não há três deuses (Pai, Filho e Espírito Santo)? Mas note que a doutrina da Trindade não comporta essa ideia de três deuses distintos (quem aceita triteísmo, com naturalidade, é a doutrina Jeovista, ao defender que “Jeová” é Deus, mas que Jesus e Satanás são outros deuses).

    Para a doutrina da Trindade, porém, não existe mais que uma divindade, o que há são três Pessoas que têm essa ÚNICA divindade em comum. Por isso não ensinamos que o Pai é um Deus; que Jesus é um segundo Deus e que Espírito Santo é um terceiro Deus. Uma das razões por que não pactuamos com uma tradução que suponha biteismo, pois não somos biteistas, que dirá triteístas (como infelizmente sugere e ensina a Sociedade Torre de Vigia). Se aceitássemos que Jesus é um Deus distinto do Pai não discutiremos essa tradução questionável da TNM para Jo 1,1. Pois, se entendêssemos mesmo que o Pai é um Deus e que o Filho é outro Deus, por que nos importaríamos com a tradução: “e a Palavra era [um] deus ” – Nos importamos porque não confundimos o conceito teológico de “Deus” com “Pessoa”.

    Pense nisso, por que doutrinas que supostamente aceitam três deuses veriam problema na tradução: e a palavra era [um] deus? – Se vemos, é por que somos monoteístas e entendemos que João também o era.

    Daniel, o Senhor já observou que a TNM 2015 começa a corrigir uma série de textos que antes criticava nas traduções convencionais? Quem sabe um dia corrijam Jo 1,1 e pelo menos eliminem a tradução biteísta que preservam em favor de sua doutrina.

    O senhor demonstra ser alguém bastante dedicado aos estudos. Invista, então no estudo do grego bíblico. Adquira a The Kingdom Interlinear Translation (se não aceita outra obra grega que não a referendada pela STV, e compare o texto grego dela constante com a tradução interlinear (abaixo de cada palavra) e o texto ao lado que é o adotado pela The New Word Translation (versão inglesa da TNM), para observar os inúmeros acréscimos textuais promovidos, sem respaldo no texto grego, para perceber que as traduções convencionais não são tão infiéis quanto as publicações da STV sugerem. Compare o senhor mesmo. Porque assim, antes de discutirmos doutrina, discutiremos o texto em si (se concorda ou não com ela). Melhor dica eu não conseguiria dar: invista no estudo das Escrituras (dicionários e gramáticas gregas – que em si não se dedicam a discutir doutrina, mas a língua, se encontra com facilidade no mercado; texto grego sem tradução e com tradução interlinear, também. Muitos de seus pressupostos podem ser resolvidos pela simples consulta ao texto grego. Creio que o Salão do Reino deve dispor de um exemplar da KIT, porque apesar de não ser traduzida no Brasil, foi impressa pela STV no Brasil, consulte o texto grego dela (que é bom e resultado de um trabalho criterioso dos doutores Westcoot e Hort. Pena que quando comparamos esse mesmo texto grego com a New Word Translation percebemos muitas diferenças, que incluem omissões e acréscimos, os quais MUDAM o sentido do texto grego, mas que um leitor que tem acesso apenas ao texto em português da Tradução do Novo Mundo NUNCA perceberá).

    Um abraço fraterno e até a próxima!

  9. Ao invés de vocês ficarem se preocupando muito com a TNM das TJ, porque vocês não seguem então a order dada por Jesus Cristo em Mat:28:19,20 “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado
    Mateus 28:19,20”.

    E se Jesus é o próprio Deus (Javé), para quem que ele orava? Por que ele disse que o Pai era maior que ele? Por que que ele disse a satanás que é somente a Javé (Jeová) que devemos adorar? Por que quando os discípulos pediram para se assentarem a direita dele, Jesus então falou que isso ele não poderia fazer, mas somente o Pai dele (Jeová)?

    Jesus disse:

    “o Pai é maior do que eu”. — Jo 14:28.

    ‘Aqui estou* (no rolo* está escrito a meu respeito) para fazer a tua vontade, ó Deus.’” Heb 10:7

    “Vocês me conhecem e sabem de onde eu sou. E eu não vim de minha própria iniciativa, mas Aquele que me enviou é real, e vocês não o conhecem. 29 Eu o conheço, porque sou representante dele, e ele me enviou.” João 7:28,29

    “Tenho muitas coisas para falar a respeito de vocês e para julgar. De fato, Aquele que me enviou é verdadeiro, e aquilo que ouvi dele eu digo ao mundo.” João 8:26.

    “Depois que vocês tiverem erguido o Filho do Homem, então saberão que eu sou ele e que não faço nada de minha própria iniciativa, mas falo aquilo que o Pai me ensinou.” João 8:28

    “Eu falo do que vi enquanto estava com o meu Pai, mas vocês fazem o que ouviram do seu pai.” João 8:38

    “E agora, Pai, glorifica-me ao teu lado com a glória que eu tive junto de ti antes de o mundo existir.” João 17:5

    “Ele (Jesus) será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e SENHOR Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,..” Luc 1:32

    “Espírito santo virá sobre você e poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. E, por essa razão, aquele que nascer será chamado santo, Filho de Deus.” Luc 1:35

    “Pois Deus ‘lhe sujeitou todas as coisas debaixo dos pés’. Mas, quando ele diz que ‘todas as coisas foram sujeitas’, é claro que isso não inclui Aquele que lhe sujeitou todas as coisas.” 1Cor 15:27

    E a lista não para por aí, há outras centenas deles que provam que Jesus é, de fato, o Filho do único Deus verdadeiro, o Todo-Poderoso (Jehovah).

    Esse versículo em questão (João 1;1) contém duas formas do substantivo grego the·ós (deus). A primeira é precedida de ton (o), uma forma do artigo definido grego. Nesse caso a palavra the·ón se refere ao Deus Todo-Poderoso. Mas na segunda ocorrência de the·ós, não há artigo definido.

  10. Muitos eruditos do idioma Grego e tradutores da Bíblia reconhecem que o texto de João 1:1 não destaca a identidade da “Palavra” (Verbo), mas uma característica da “Palavra” (Verbo).

    William Barclay, tradutor bíblico, diz: “Visto que [o apóstolo João] não usa artigo definido antes da palavra theos, ela se torna uma descrição . . . João não está aqui identificando a Palavra (Verbo) como sendo Deus. Expresso de modo simples, ele não diz que Jesus é Deus.”

    O erudito Jason David BeDuhn também declara: “Em grego, quando não se usa o artigo antes de theos numa frase como a do texto de João 1:1c, os leitores entendem que se quer dizer ‘um deus’. . . . O fato de não ter artigo faz com que theos tenha um sentido bem diferente de ho theos, que tem artigo definido, assim como em inglês [e em português] ‘um deus’ é bem diferente de ‘Deus’.”

    BeDuhn acrescenta: “Em João 1:1, a Palavra (Verbo) não é o Deus único e exclusivo, mas é um deus, ou um ser divino.”

    Ou, conforme expressou Joseph Henry Thayer, um erudito que trabalhou na American Standard Version (Versão Americana Padrão), “o Logos [ou Palavra] era divino, não o próprio Ser divino”.

    Mas será mesmo que a identidade de Deus precisa ser “um mistério muito profundo”?

    Bom, para Jesus não era. Tanto que numa oração ao seu Pai, Jesus fez uma clara distinção entre ele e seu Pai, quando disse:

    “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3)

    Se acreditarmos nessas palavras de Jesus e entendermos os ensinos claros da Bíblia, nós o respeitaremos pelo que ele realmente é: o Filho divino de Deus. E adoraremos a Jehovah como “o único Deus verdadeiro”.

    Simples assim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *