Doutrina da “dupla predestinação” prejudica a mente

Doutrina da “dupla predestinação” prejudica a mente

O psiquiatra cristão Timothy R. Jennings, em seu livro Simples Demais: Um modelo bíblico para a cura da mente[i], afirmou que a doutrina da dupla predestinação não faz bem à saúde mental.

No capítulo 14, intitulado “O Caminho da Morte”, Dr. Jennings explica que a verdade divina entra em nossa mente através da razão e da consciência e que, por isso, “Satanás faz tudo o que pode para impedir que a verdade de Deus alcance nosso entendimento”, pois, “sem a razão e a consciência, somos incapazes de compreender a verdade e, portanto, impotentes em nossa luta pela liberdade” do “eu” e do poder do pecado[ii].

Segundo o autor, um dos métodos que o inimigo se utiliza para destruir a razão, a fim de que os outros não conheçam toda a verdade sobre Deus, “é convencer as pessoas a crer em antíteses[iii] e em coisas que não fazem sentido”[iv]. Afinal, o desconsiderar a razão, aceitando crenças diferentes que não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, faz parte de “um comportamento destrutivo” que gradualmente debilita a consciência, “de modo que ela deixa de ser sensível à quebra da lei divina do amor e da liberdade[v].

Entre as “crenças que se excluem mutuamente” e que “destroem a razão”, o Dr. Jennings coloca a dupla predestinação, por ela ser uma antítese, que não faz sentido algum. Para ele, a doutrina contraria a verdade sobre o método divino de usar o amor e a liberdade para salvar e curar a mente do ser humano.

 

 

Essa doutrina também é prejudicial à razão porque apresenta um Deus contraditório e sádico, que em Seu amor [que amor?] escolhe quem irá se perder [como amar sem ser livre para amar?]. De acordo com o escritor, isso é uma óbvia contradição, e que faz nossa parte racional do cérebro ser enfraquecida, de modo que damos terreno às forças do mal (cf. Fp 4:8; 1Pe 5:8).

Veja a seguir o trecho completo extraído do livro Simples Demais: um modelo bíblico para a cura da mente:

“Um dos métodos que Satanás usa para destruir a razão é convencer as pessoas a crer em antíteses e em coisas que não fazem sentido. Para atingir esse alvo, ele as influencia a desconsiderar a razão, para que aceitem duas coisas que não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Por exemplo, Satanás contraria a verdade que Deus é amor, levando-nos a crer que Ele escolhe quem se salvará e quem se perderá, insistindo em que não temos livre-arbítrio nessa questão. Como já vimos[vi]o amor não pode existir sem liberdade. Portanto, as duas crenças se excluem mutuamente. As duas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e a única maneira de acreditar em ambas é renunciando à razão. Numa situação como essa, racionalizamos a contradição, dizendo: ‘Aceito isso pela fé’, o que, conforme já vimos[vii] simplesmente não é fé”[viii].

Perceba que para esse médico, a “racionalização” calvinista para explicar o ato de um Deus de amor predestinar outros para arderem no inferno, não pode ser chamado de “fé” (e muito menos de “paradoxo”[ix]). Isso é uma flagrante antítese que, se for nomeada de “paradoxo” apenas para torná-la mais “coerente”, prejudicará consideravelmente nosso lado racional, o que trará sérios prejuízos à nossa espiritualidade.

Além de agredir a razão, tal doutrina que mostra um “Deus de amor predestinando pessoas para fazerem as coisas que Ele não ama”, ou “um Deus de amor que predestina as pessoas para odiarem”, é totalmente antibíblica à luz de muitos textos bíblicos que pude apresentar ao leitor em diversos artigos no blog do “Na Mira da Verdade” (veja, por exemplo, o artigo “Deus não predestinou crianças para serem sacrificadas aos ídolos pagãos”, clicando aqui. Poderá também ler o post “Deus não tem culpa de o Diabo ser Diabo” ao clicar aqui.)

 

 

Portanto, Samuele Bacchiocchi estava com toda razão quando argumentou em seu livro Crenças Populares:

“Se fosse verdade que o destino eterno de cada ser humano já foi decretado de antemão por eleição divina, então poderíamos perguntar: por que Deus permite que cristãos caiam e sejam tentados a pecar, se Ele próprio poderia guardá-los de cair? Se a graça irresistível de Deus garante que uma pessoa salva seja sempre salva, por que Sua graça também não impede essa pessoa de pecar desde o início? É muito mais racional crer que Deus estimula uma reação de fé e amor no coração humano e depois concede o poder de escolha para aceitar ou rejeitar o Seu dom de salvação” [x].

Que você e eu, amigo(a) leitor(a), abandonemos toda e qualquer crença irracional que, longe de ser baseada na fé bíblica, que é apoiada em evidências (cf. Rm 12:1; Hb 11:1), se constitui (como a doutrina da dupla predestinação) em uma antítese, que prejudica a razão e nosso discernimento espiritual.

Sei que não é fácil abandonar um conceito que alimentamos por muito tempo. Porém, em Seu amor o Senhor quer que você e eu estejamos abertos às novas verdades que Ele revela progressivamente (Pv 4:18), porque é através delas que Deus irá nos curar e salvar.

Um abraço carinhoso.

 

Clique nesta imagem para ir ao site e conhecer o conteúdo do áudio livro

Referências:

[i] Timothy R. Jennings, Simples Demais: Um modelo bíblico para a cura da mente (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012).

[ii] Ibidem, p. 160.

[iii] O mesmo que oposição de ideias ou palavras.

[iv] Jennings, Simples Demais…, p. 161.

[v] Ibidem, p. 160 (Grifos acrescidos).

[vi] No decorrer de todo o livro, o autor aborda que a liberdade e o amor devem “trabalhar” juntos, para que o amor possa existir verdadeiramente.

[vii] Especialmente no capítulo 9, intitulado “A Realidade da Fé”.

[viii] Ibidem, p. 161.

[ix] Muitos confundem “paradoxo” com “contradição absurda”, diríamos assim. O “paradoxo” é uma figura de linguagem que permite o escritor apresentar no mesmo texto ideias aparentemente contraditórias ao senso comum, mas, que têm sentido. Já a “contradição absurda” não apresenta ideias que apenas parecem contrariar o senso comum. Elas também contrariam a razão e o bom senso e não possuem qualquer sentido. Esse é o caso da doutrina da “dupla predestinação”, que jamais deveria ser chamada de “paradoxo” para justificar sua “contradição absurda” em alegar que Deus predestina as pessoas a se perderem, e que elas façam o mal que Ele mesmo condena nos Seus Mandamentos (Êx 20:1-17; Dt 5:1-21). Por exemplo: a ideia de que o Deus da Verdade, que desaprova a mentira, possa ao mesmo tempo predestinar pessoas para serem mentirosas, é uma “contradição absurda” e não um paradoxo. Além disso, é uma heresia monstruosa por apresentar a Deus como aquele que predestinou inclusive o Diabo para ser o “pai da mentira” (Jo 8:44).

[x] Samuele Bacchiocchi, Crenças Populares: O que as pessoas acreditam e o que a Bíblia realmente diz (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 299.

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Leandro Quadros
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