É o sábado uma aliança perpétua e imutável?

É o sábado uma aliança perpétua e imutável?

“Como entender Colossenses 2:16?”

Um dos textos bíblicos mais usados contra a observância do sábado do sétimo dia é Colossenses 2:16 e 17: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados [grego sabbátōn], porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.” A maioria dos intérpretes vê a expressão “dia de festa, ou lua nova, ou sábados” como uma progressão anual/mensal/semanal. Por mais difundida que seja essa interpretação, existe também a possibilidade, de acordo com Kenneth A. Strand, de “que Paulo estava usando o recurso literário comum do paralelismo invertido, assim movendo-se das festas anuais às mensais e novamente às anuais”. Além disso, é importante lembrarmos que “Colossesses trata, não com dias em si, mas com cerimônias” (Kenneth A. Strand, “The Sabbath”, em Handbook of Seventh-day Adventist Theology, p. 506).

Existem muitas discussões quanto ao texto do Antigo Testamente de onde poderia ter sido extraído a expressão “dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. Comentaristas bíblicos sugerem pelo menos nove diferentes passagens (ver Números 28-29; 1 Crônicas 23:29-31; 2 Crônicas 2:4; 8:12, 13; 31:3; Neemias 10:33; Ezequiel 45:13-17; 46:1-15; Oséias 2:11). Mas um estudo exegético, linguístico, estrutural, sintático e intertextual de Colossenses 2:16 com esses textos, desenvolvido por Ron du Preez, constatou que o verdadeiro antecedente dessa expressão está em Oséias 2:11, que diz: “Farei cessar todo o seu gozo, as suas Festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades”. Enquanto os dias de “festa” (hebraico hag; grego heortē) dizem respeito às “três festas de peregrinação da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos”, os “sábados” (hebraico sǎbbāt; grego sábbata) se referem às três celebrações adicionais das Trombetas, da Expiação e dos Anos Sabáticos. – Ron du Preez, Judging the Sabbath: Discovering What Can’t Be Found in Colossians 2:16 (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2008), p. 47-94.

A tentativa de associar os “sábados” de Colossenses 2:16 com o sábado semanal parece não endossada nem pelo contexto anterior e nem pelo posterior dessa passagem. O verso 14 afirma: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”. Já o verso 17 acrescenta: “porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. Somente os “sábados” cerimoniais judaicos, instituídos no Sinai (ver Levíticos 23), podem ser qualificados como “ordenanças” e “sombras” (Colossenses 2:17). O “sábado” do sétimo dia, instituído na semana da criação (ver Gênesis 2:2, 3), é de natureza moral e não pode ser qualificado como mera “sombra das coisas que haviam de vir”. Por conseguinte, de acordo com Ron du Preez, “o ‘sábado’ de Colossenses 2:16 deve ser necessariamente entendido como se referindo aos sábados cerimoniais da antiga religião hebraica, e não ao sábado do sétimo dia entesourado explicitamente no Decálogo” (Ibid., p. 89).

É evidente, portanto, que o conteúdo de Colossenses 2:16 e 17, geralmente usado para invalidar a santidade do sábado bíblico, não suporta essa tentativa. Como sinal da aliança eterna entre Deus e os seres humanos (cf. Gênesis 2:2, 3; Isaías 66:22, 23), o sábado semanal transcende a todas as demais alianças locais, sendo de natureza perpetua e imutável.

Pr. Alberto Timm, Ph.D. –  Biblia.com.br

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Leandro Quadros
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1 Comentário

  1. Paulo B S
    fevereiro 07, 17:18 Resposta

    Prezados,

    Nesse texto acima vocês apresentaram textos de interpretação contraditória para tentar afirmar a doutrina do sábado, uma vez que existem estudiosos com opiniões diferentes.

    Não estou aqui com intuito de defender uma denominação religiosa, pois sou membro da Assembleia de Deus e não concordo com a guarda do domingo, nem mesmo aprendemos sobre guardar o domingo, embora alguns estão ensinando isto.

    Além do mais, uso o mesmo texto tanto para condenar a guarda do sábado, quanto para condenar a guarda do domingo; pois existe um texto do NT que diz que não devemos guardar dias, e esse texto também é aberto a interpretações diversas, como vocês fizeram com esses textos apresentados por vocês nesta página.

    Vocês dizem que o sábado é uma lei moral que não foi abolida, mas o texto bíblico diz que a lei escrita em pedras matava o homem, e que Cristo nos libertou da lei do pecado e da morte, que era a mesma escrita em pedras; e quando o homem pecava estava desobedecendo a lei escrita com letras em pedras e na sua consciência.

    A prática do sábado é o mesmo que estar praticando uma obra, e Romanos 4 diz que nós não somos salvos pelas obras, e que se a salvação fosse pelas obras (obra também inclui o sábado); a graça não seria graça (gratuita), mas seria dívida, desta forma a salvação não é pelas obras, mas pela fé; assim a salvação não esta condicionada as obras para não ser transformar em dívida, por isto não acredito que quem não guarda o sábado perderá a salvação; uma vez que mesmo que vocês estevisem certos quanto a guarda do sábado, Deus não leva em conta a ignorância, e poucas pessoas são intelectualmente preparados para analizar os textos sobre esse assunto, assim não há como dizer que quem não entende esse ensino de vocês não será salvo…

    O problema de Deus ter libertado o homem da lei do pecado e da morte, foi que o homem estava morto em seus pecados e delitos, por isto era imposivel o homem guardar a lei moral, e o NT ensina que a única forma de obedecermos a Deus é se mortificarmos a carne através do Espírito Santo, mas a lei moral não é eterna, pois no céu não cobiçaremos a mulher do próximo, etc; por isto nem tudo o que esta no decálogo é para sempre, e para mim nem mesmo a forma escrita do decálogo esta em vigor, pois o homem não conseguindo obedecer o decalogo morreu em seus pecados e delitos, e a salvação é pelas fé e não pelas obras (decalogo), e o homem hoje não obdece a Deus pelo que esta no decálogo, não através da letra (decalogo), pois a letra (lei) mata, mas através da ação do Espírito Santo na vida do homem.

    Se você me disser que existe lei moral escrita no coração do homem, através da transformação feita pelo Espírito Santo, concordo com você, mas se você me disser que eu tenho que obedecer a forma de escrita do decalogo eu discodo, pois obdecer a Deus pela letra já esta provado que não foi possivel, e mesmo assim não há como provar que tudo que esta escrito no decálogo é eterno, pois se a cobiça a mulher do próximo não é eterna, pois na eternidade seremos como os anjos, entendo que o sábado também não; nem o termo eterno nem sempre significa para sempre, nem aliança eterna é algo que durará para sempre.

    Porêm, como disse, acredito que pelo simples fato de Paulo ter dito para não guardarmos dias já é suficiente para não usarmos esses textos biblicos de interpretações variadas que vocês usaram.

    Sinceramente, não estou aqui para defender o CACP, nem as Assembléia de Deus, inclusive nem acredito em tudo que é ensinado nem pelas assembléias, nem por vocês; sendo que a pessoa para ser salva precisa crer apenas das doutrinas básicas da bíblia, sem ter um grande conhecimento bíblico, pois a maioria das pessoa que são salvas não tem um grande conhecimento de doutrinas biblicas.

    Vou estudar melhor sobre o sábado ensinado por vocês, pois não sou partidarista de denominações evangélicas e sim do que vejo que é verdade; inclusive vou estudar os assunto deste seu site, mas acho você contraditório.

    Adeus.

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