Sem categoria

Lições de Daniel 7

Autor: Ekkehardt Mueller

As nações usam imagens de animais como seus representantes, comunicando uma mensagem sobre como eles vêm a si mesmas. Algumas escolheram uma águia, outras um leão e ainda outras um urso ou um antílope. Algumas vezes são dados nomes de animais para os humanos. Isto pode ser negativo ou positivo. Ser chamado de “cachorro,” “raposa,” “lobo” ou “asno” é tipicamente negativo. Nomes de animais algumas vezes também são usados como apelidos para quem amamos.
Em Daniel 7 também encontramos vários animais. Entretanto, estes animais são indefiníveis ou misturas estranhas de bestas. Todos eles são ferozes. Este capítulo nos leva para a parte profética do livro, embora a seção narrativa de Daniel, capítulos 1-6, também contenha algumas profecias.

Veja aqui como interpretar corretamente a Bíblia:

 

I. Estrutura do Capítulo

Daniel 7 se assemelha intimamente com Daniel 2. Os dois capítulos relatam uma visão que é seguida por uma interpretação. Nos dois, aparecem quatro elementos, que obviamente seguem um ao outro cronologicamente, alcançando o clímax escatológico – o estabelecimento final do reino de Deus sobre a terra.
A. Esboço de Daniel 7
Daniel 7 consiste de duas partes grandes – a visão e a interpretação mais prólogo e epílogo:

    • Prólogo (vs. 1-2a)
    • A visão (vs. 2b-14)
      • Quatro impérios e o chifre pequeno (cenário terrestre, vs. 4-8)
      • Julgamento celestial e o reino eterno de Deus (cenário celestial, vs. 9-14)
    • A interpretação (vs. 15-27)
      • A primeira reação de Daniel (vs. 15-16)
      • Primeira interpretação curta (vs. 17-18)
      • A segunda reação de Daniel (vs. 19-22)
      • Segunda e mais extensa interpretação (vs. 23-27)
    • Epílogo (v. 28)
      B. Ênfases
      Na visão peculiar, cada um dos animais, bem como o chifre pequeno, é descrito por um verso cada. No entanto, na parte interpretativa, os três primeiros animais aparecem muito resumidamente em um único verso apenas. Descritos extensivamente são:
    • O chifre pequeno (vs. 20-22, 24-26)
    • O julgamento, incluindo os santos recebendo o reino (vs. 18, 22, 26-27)
    • Os santos (vs. 18, 21-22, 25, 27).
      Isto é de grande importância, revelando a mensagem principal do capítulo: (1) o chifre pequeno ataca os santos, o povo de Deus, (2) o julgamento de Deus em favor dos Seus santos e (3) o reino é dado aos santos.

II. A Discussão do Capítulo

A. O Prólogo

vs. 1-2a A visão de Daniel ocorre durante o primeiro império que aparece no livro, o Império Babilônico, mas sob o reinado do seu último rei. As visões de Daniel 8-9 seguem a visão de Daniel 7. Daniel as receberá mais tarde.

B. Os Quatro Animais e o Chifre Pequeno

vs. 2-3 Os quatro animais representam quatro impérios mundiais que iniciam com o primeiro no tempo de Daniel (v. 17). O mar representa os povos sobre a terra (Ap 17:15) do qual os impérios surgem. Os ventos podem representar os acontecimentos políticos que trazem revoluções, guerras e outros problemas (Ap 7:1). Em número e caráter estes impérios nos lembram aqueles de Daniel 2.

v. 4 O leão com asas de águia como reis dos animais da terra e rei dos pássaros é a mesma cabeça de ouro de Daniel 2—Nabucodonosor e o Império Neobabilônico. A figura é encontrada na arte Babilônica. Entretanto, sob os sucessores de Nabucodonosor o império começou a perder algumas de suas características semelhantes ao leão tais como ousadia e força.

v. 5 O urso que se levanta sobre um dos seus lados representa o império dos Medos e Persas (veja Dn 8:3, 20). As três costelas podem representar a Lídia, Babilônia e Egito, que foram devoradas pelo novo império.

v. 6 O leopardo com quatro asas e quatro cabeças é um animal muito rápido. Os Gregos, sob o comando de Alexandre o Grande, conquistaram o Império Persa com uma rapidez sem precedentes. Porém o reino de Alexandre foi dividido em quatro, e mais tarde em três partes
depois de sua morte prematura (veja Dn 8:8, 21–22).

vs. 7,19,23 O quarto animal é indefinível. Ele corresponde ao quarto império de Daniel 2 (veja Dn 2:40). Em ambos o ferro é mencionado. Ele é o Império Romano.

vs. 7, 24 Os dez chifres são reinos menores, que conquistaram Roma e saíram de ela. Historicamente, Roma foi vencida pelas tribos Germânicas da Europa Ocidental. Alguns as têm identificado como os Alamanos, os Anglo-Saxões, os Burgúndios, os Francos, os Hérulos, os Lombardos, os Ostrogodos, os Suevos, os Vândalos e os Visigodos.

C. O Chifre Pequeno e os Santos

1. Características do Chifre Pequeno
vs. 8, 11, (a) Ele surge da quarta besta.
20-21,     (b) No início é pequeno.
24-26      (c) Ele cresce e ultrapassa os outros chifres.
(d) Três chifres são arrancados diante de ele.
(e) Ele é diferente dos outros chifres.
(f) Ele tem olhos semelhantes a olhos humanos.
(g) Com sua boca ele fala grandes coisas e blasfema contra Deus.
(h) Ele muda os tempos e a lei de Deus.
(i) Os santos são atacados por ele e derrotados.
(j) Eles estão em sua mão por três tempos e meio.
(k) O chifre pequeno será julgado por Deus.
(l) Ele será destruído.
2. Interpretação
(a) Do império Romano pagão surge Roma papal.
(b) No início esta igreja era pequena e perseguida.
(c) Hoje ela é de longe a maior denominação. Na Era Medieval o Papa não era                                  apenas  o governante religioso, mas também muito frequentemente o principal                              governante político na Europa. O poder da Igreja Católica Romana também se                              estendeu para outras continentes.
(d) Os Hérulos, Vândalos e Ostrogodos eram tribos que apoiavam o Cristianismo                               Ariano – isto é, elas negavam a doutrina da Trindade. Como tais eram rivais do                             bispo de Roma que estava prestes a se tornar o Papa. Em 493 AD, os Hérulos                               foram derrotados pelos Ostrogodos que então governavam em Roma. Os                                       Vândalos foram derrotados pelo general Belisário em 534 AD, e os Ostrogodos                             tinham se retirado de Roma em 538 AD por causa de Belisário e mais tarde foram                         erradicados.
(e) O papado é um poder político religioso, não apenas uma entidade política.
(f) Os olhos indicam discernimento, inteligência e prevenção.
(g) A blasfêmia contra Deus acontece, por exemplo, através de doutrinas que                                      limitam  a obra de Cristo, tais como a veneração de Maria como a mãe de Deus,                            veneração dos santos, o ministério dos sacerdotes terrestres, etc. Algumas                                       reivindicações papais soam como blasfêmia:
O Papa é Coroado com uma coroa tríplice como rei do céu, terra e submundo…
O Papa é semelhante a Deus sobre a terra… O Papa possui autoridade e poder
tão grandes que ele pode até mesmo mudar, explicar ou interpretar as leis
divinas. (L. Ferraris, “Papa II” em Prompta Bibliotheca, vol. VI, p. 25-29).
(h) O contexto requer entender a lei como a lei de Deus. O segundo dos Dez
Mandamentos foi eliminado (proibição da veneração de imagens) e o quarto
mandamento, o mandamento do Sábado, foi trocado pela observância do                                        Domingo.
(i) Os santos são o povo de Deus em geral, não pessoas piedosas especiais que                                   devem ser veneradas porque podem intervir em favor dos vivos que estão na                                 terra (Êx 19:6; Fp 1:1). A perseguição dos santos aconteceu, por exemplo, por                               tê-los atormentando e executado como feiticeiros e hereges (veja os casos dos                                Valdenses e dos Huguenotes).
(j) Os três tempos e meio se referem aos três anos e meio ou 1.260 dias. De                                        acordo  com o princípio dia-ano (e.g., Ez 4:6; Nm 14:34) estes períodos                                        somam 1.260 anos (cf. Ap 12:6, 14; 11:2-3; 13:5 – em profecia simbólica o                                  elemento tempo também deve ser simbólico (especialmente se a profecia                                      cobrir  centenas ou milhares de anos). Eles iniciam em 538 AD, quando o                                      decreto do imperador Justiniano da Roma Oriental (533 AD), que exigia                                        exaltar o bispo de Roma como a cabeça de todas as santas igrejas e cabeça de                                todos os santos sacerdotes de Deus, podia vagarosamente se tornar uma
realidade. Eles terminaram em 1798 AD, quando através do general Francês                                  Berthier o Papa foi aprisionado e trazido para a França onde morreu no exílio.                              Isto trouxe a um fim o poder político do Papado.
(k) O julgamento celestial inicia algum tempo depois do ano 1798 AD. Ele é um
julgamento em favor dos santos.
(l) A destruição do chifre pequeno ainda está no futuro.

D. A Cena do Julgamento

1. Informação Sobre o Julgamento em Daniel 7 vv. 8-14,

  • O Ancião de Dias é Deus o Pai que atua como juiz. Os símbolos que O descrevem 22, 26 indicam Sua pureza, experiência, sabedoria e onipotência.
  • Este julgamento não é um julgamento secreto. Seres celestiais participam de ele.
  • Registros estão sendo consultados.
  • O julgamento afeta o chifre pequeno e os outros animais.
  • Ao mesmo tempo, Deus vindica os santos perseguidos.
  • Este julgamento ocorre depois do ano 1798 AD e antes da Segunda Vinda de Cristo.
  • Então os santos finalmente receberão o reino.
  • Neste julgamento o Filho do Homem aparece – Jesus Cristo. Os crentes não são diretamente envolvidos.

2. O Tempo do Fim
É neste tempo de julgamento anterior à vinda do reino da glória de Deus que vivemos agora. Ele é o tempo do fim.

E. O Reino de Deus

1. Informação Sobre o Reino Vindouro de Deus em Daniel 7 vs.14-27

    • Ele é governado pelo Filho do Homem, Jesus Cristo.
    • Ao Seu lado estão os santos.
    • Este reino dura para sempre e não será substituído por outro reino.
    • Todos os oponentes e inimigos estarão mortos.
    • Neste reino todas as pessoas amarão a Deus e O obedecerão e O servirão. Não existirá mais rebelião. Estamos olhando para o tempo futuro do estabelecimento final do glorioso reino de Deus sobre a terra.

III. Aplicação

  • O povo de Deus não é protegido contra todo sofrimento, necessidade e perseguição. Ser um Cristão não significa ser livre de tudo o que é negativo. Os Cristãos encontram dor e tristeza também. Não devemos viver com ilusões irreais. Caso contrário podemos nos afastar da fé em Deus quando a aflição e tristeza nos alcançarem.
  • Todavia, existe uma pessoa que observa todas as coisas, que está presente conosco e cuida de nós: Jesus Cristo (Hb 4:14-16). Desse modo os Cristãos não estão sozinhos quando eles sofrem. Aquele que os sustenta tem Ele próprio experimentado a mais amarga dor e sofrimento sem precedente.
  • Apesar de todo mal, os Cristãos conhecem a vitória. Eles aguardam o reino de Deus, que é livre de tudo o que é negativo, perturbador e aflitivo. Portanto, eles vivem uma vida orientada para um alvo. Os Cristãos são pessoas com uma esperança realista e com profunda alegria. Embora eles vivam aqui e agora e vêm problemas com o ambiente, a economia, guerras, e muitas outras coisas, eles caminham e tentam fazer diferença, sabendo que a glória do reino de Deus está justamente na esquina.

Copyright © Biblical Research Institute General Conference of Seventh-day Adventists®

Tags:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *