Apologética Cristã

“Não devemos celebrar o Natal porque os apóstolos não celebraram”

Por Nelson Wasiuk e Leandro Quadros

Muitos afirmam – com certa razão – que “na Bíblia não há uma ordem para celebrar-se o Natal”, nem mesmo alguma “referência de que os apóstolos o tenham feito”. Porém, isso não implica que eles realmente não possam ter celebrado o nascimento do Salvador. Afinal, poderia ter sido uma prática tão comum que seria desnecessário deixar registrado algo a respeito.

Se até mesmo os anjos celebram o nascimento de Jesus Cristo (Lc 2:13, 14), nada impede que os apóstolos também tivessem celebrado.

Além disso, devemos considerar que mesmo havendo menções ao dízimo no Novo Testamento, não há uma ordem ou exemplo claro dos apóstolos dizimando, como o fez Abraão em Gênesis 14:20.

Entretanto, há nos escritos neotestamentários princípios norteadores sobre esse e outros assuntos, e que devem ser considerados e aceitos pelos cristãos que amam a Bíblia e creem no ditado: “para o bom entendedor, meia palavra basta”.

A pergunta correta não é: “os apóstolos mandam celebrar o Natal?”, mas sim: “Paulo poderia ter celebrado e aproveitado o momento natalino para falar de Jesus Cristo?” Outra questão que podemos levantar é: “os apóstolos aprovariam que os cristãos aproveitassem todas as oportunidades para falar do Salvador?”

A resposta é sim. O apóstolo Paulo deixou registrado tanto seu exemplo quanto princípios evangelísticos a serem seguidos por todos nós que um dia aceitamos a Cristo como nosso Salvador pessoal:

  1. Devemos aproveitar todos os momentos para falar de Jesus Cristo: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” (2Tm 4:2, Nova Versão Internacional. Grifo acrescido).

Recomendamos que leia todo o capítulo 4 da carta a Timóteo para perceber que essa ideia se encontra do início ao fim. No presente post enfatizaremos dois pontos: devemos pregar sobre Cristo sempre, inclusive em momentos que possam parecer “inadequados”. Portanto, o princípio de Paulo é: ensine sobre Cristo inclusive no 25 de dezembro.

Outro ponto a ser destacado é: quando corrigirmos as pessoas em seus erros, devemos fazê-lo com muita paciência, amor e tato.

É triste ver que muitas pessoas passam o Natal acusando, criticando e ofendendo os outros. A verdade não precisa de métodos não cristãos – como a falta de educação – para ser apresentada. Pelo contrário: o cristão que realmente é guiado pelo Espírito Santo saberá fazer uso das palavras para construir, não destruir os outros: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4:6).

  1. Devemos criar pontes para que as pessoas possam chegar mais facilmente ao conhecimento da verdade: “Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, [embora eu mesmo não esteja debaixo da lei], a fim de ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei [embora não esteja livre da lei de Deus, mas sim sob a lei de Cristo], a fim de ganhar os que não têm a lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (1Co 9:20-22).

Muitos poderão argumentar: “então, vamos adotar crenças pagãs para evangelizar?” Não é o que Paulo diz. O princípio paulino indica que muitas vezes deveremos usar conceitos (não princípios) não cristãos para direcionar a mente das pessoas à Cristo e Suas verdades.

Leia Atos 17 e perceba que Paulo fez isso também quando estava em Atenas, quando usou um altar com significado pagão, porém popular, para mudar o foco das pessoas, desviando-o do paganismo para Jesus.

É exatamente isso que fazemos no Natal: desviamos as pessoas do paganismo, mundanismo, consumismo e egoísmo e as levamos para Jesus Cristo.

Preocupamo-nos com uma triste realidade: enquanto muitas pessoas “do mundo” falam de paz, amor e fraternidade (princípios cristãos e bíblicos) durante o Natal, “cristãos” dedicam tempo em ofender, criticar, acusar e brigar nas redes sociais. Precisamos auto avaliarmo-nos com humildade e ver se não estamos sendo menos cristãos em nossas atitudes do que aqueles que julgamos serem “mundanos”.

  1. Não devemos criticar ou julgar as pessoas que fazem ou deixam de fazer coisas sobre as quais a Bíblia não tem uma posição clara: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente” (Rm 14:5)

Mesmo que o tema discutido seja outro, o princípio do texto é perfeitamente válido para o que estamos discutindo: cada pessoa tem direito de celebrar ou não o Natal segundo sua consciência moral e sensibilidade espiritual. Sem, contudo, querer ser o “dono da verdade”.

  1. Não devemos discutir sobre questões sem importância, nem nos preocuparmos com aquilo que não existe: “Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só” (1Co 8:4)

Paulo diz nesse capítulo que o cristão não deve discutir e nem “esquentar a cabeça” com o fato de uma carne ter sido ou não sacrificada num templo pagão, pois na verdade, tais deuses não existem! (v. 6). Aplicando à discussão sobre o Natal, o apóstolo está dizendo a você: “o deus Tamuz, que alegam ser honrado com a celebração do Natal, não existe!” “Baal não existe!”. Tais deuses falsos só existem na mente daqueles quem creem neles.

Desse modo, como servimos ao Deus Único, qualquer coisa sacrificada ou oferecida a um ídolo pagão não deveria nos afetar.

Finalizamos com uma pergunta: você crê que Tamuz e Baal existem de fato?

Como pôde ver, alegar que a celebração do Natal é o mesmo que “celebrar uma festa pagã” não faz sentido algum àquele que, à semelhança dos apóstolos, aproveita todas as ocasiões para falar de Jesus Cristo e não teme “deuses” que na verdade não existem.

Pode assistir este vídeo que também fala do assunto!

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9 comments

  1. Esse ponto de vista chega a ser uma ofensa para os estudiosos da Biblia…

    1. Caro Mário: como estudioso das Escrituras, prove seu ponto de vista com a Bíblia. Como entende tais princípios do apóstolo? Quais estudiosos poderia citar para corroborar sua afirmação?

  2. Muito bom esse blog, conteúdo sincero e de alta qualidade, me batizei no dia 22 de outubro deste ano na IASD aqui em Campo Grande MS, antes disso, as maiores dúvidas em relação a doutrinas e outros assuntos, ficaram mais claros com os artigos e vídeos do pastor Leandro Quadros, sempre debatendo ideias e não ofendendo pessoas ou instituições, obrigado e que Deus continue iluminando mais vidas através de você e toda sua equipe!

    1. Parabéns por seu batismo, Julio! Conte comigo sempre. Grande abraço!

      1. Porquê que os testemunha de Jeová não festejam o natal? Quero que ore em prol da minha vida espiritual, com a família, pelas bênção que Deus tem me dado, pelas finanças, formação, casamento, novo emprego

        1. Caro Ambrósio: antes de postar esse comentário, fiz uma breve oração por você. Continue confiando em Deus porque Ele sempre tem a melhor saída para nossos fracassos.

          As Testemunhas de Jeová não celebram o Natal por crerem ser de “origem pagã”. Uma pena.

  3. Olá.
    Muito bem explicado.
    Até porque eles também não celebravam o dia dos pais, das mães, da criança, …

    1. Gostei de suas observações, Samuel. Obrigado!

  4. De fato, os apóstolos não celebravam aniversários natalícios. Outras fontes de estudo nos dizem isso, por exemplo:

    “Os primeiros cristãos consideravam um costume pagão celebrar a data de nascimento de qualquer pessoa”. (The World Book Encyclopedia)

    “…até o quarto século, o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício como costume pagão.” — Schwäbische Zeitung (suplemento Zeit und Welt), de 3/4 de abril de 1981, p. 4.

    “A noção de uma festa de aniversário natalício era alheia às idéias dos cristãos deste período, em geral.” — The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries (Nova Iorque, 1848), Augusto Neander (traduzido por Henry John Rose), p. 190.

    “Os hebreus posteriores consideravam a celebração de aniversários natalícios como parte da adoração idólatra, conceito que era abundantemente confirmado pelo que viam nas observações comuns associadas com tais dias.” — The Imperial Bible-Dictionary (Londres, 1874), editado por Patrick Fairbairn, Vol. I, p. 225.

    Minhas considerações agora:

    Se lá naquela época os primeiros cristãos não comemoravam, será que comemorariam hoje? Se eles vivessem hoje nos nossos dias, será que achariam menos pagão e comemorariam? Acho difícil. Será que eles estavam errados em não comemorar e hoje quem comemora é que está certo?

    Afinal, se não é pecado comemorar aniversários, deixar de comemorar também não o é. Mas e se realmente Deus considerar como pecado fazer tal celebração? Os primeiros cristãos e o hebreus achavam que eram, e não comemoravam, e eles eram pessoas APROVADAS por Jeová, pensem nisso amados.

    obs: Gostaria também de deixar claro, que não somos contra festas. Nós gostamos de reuniões saudáveis com a família e com os amigos. Se associamos com as pessoas que amamos durante todo o ano, mas, visto que amamos a Deus e seus padrões justos, não queremos contaminar essas ocasiões alegres com costumes que desagradam a Ele.

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