O Dom profético em ação

O DOM PROFÉTICO EM OPERAÇÃO

Antes da entrada do pecado, Deus se comunicava com os seres humanos diretamente através do contato face a face e companheirismo pessoal. Com o advento do pecado esta relação foi rompida e o homem foi alienado de seu Criador. Para atravessar este abismo de separação, Deus empregou sete modalidades de comunicação – as “muitas maneiras” de Hebreus 1:1 – conforme Ele procurava trazer a humanidade de volta para um relacionamento pessoal com Ele.

Sonhos noturnos e “visões públicas” proféticas durante o dia foram os métodos que Deus usou com mais frequência ao se comunicar com homens e mulheres de Sua escolha especial que vieram a ser conhecidos como “videntes”, “profetas”, ou “mensageiros” especiais.

A sorte do profeta raramente era fácil, conforme Jesus sugeriu por Sua observação frequentemente citada de que “não há profeta sem honra senão na sua terra e na sua casa”. 1 Os adventistas do sétimo dia acreditam, com base em evidências bíblicas 2 bem como em dados empíricos, que um “construtor” (I Coríntios 3:10) de sua denominação, Ellen G. White, recebeu o dom de profecia. Salomão declarou que “não há nada novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9), e a crítica aos profetas continua até hoje. Continuam também os mal-entendidos sobre a maneira como o dom profético opera. Satanás tem interesse em criar confusão, bem como rejeição do dom profético, entre as pessoas que esse dom se destinava a beneficiar, “por esta razão: ele não pode achar caminho tão fácil para introduzir seus enganos e prender almas em seus embustes se as advertências, repreensões e conselhos do Espírito de Deus foram atendidos”. 3 “O último engano de Satanás” na Igreja Adventista do Sétimo Dia pouco antes da volta de Jesus será a dupla obra de (1) destruir a credibilidade de Ellen White como uma profetisa do Senhor autêntica e digna de confiança, e (2) criar um “ódio” “satânico” contra o seu ministério e escritos – satânico tanto em sua intensidade quanto em sua origem. 4 O “objeto especial” de Satanás nestes últimos dias é “impedir esta luz de vir ao povo de Deus” que precisa tão desesperadamente dela para andar seguramente através do campo minado que o inimigo de todas as almas tão engenhosamente preparou. 5 E qual é a metodologia de Satanás para garantir este objetivo? Ele operará “habilmente de várias maneiras e por diferentes instrumentalidades”. 6 Por exemplo, além dos dois métodos mencionados acima, os agentes satânicos procuram manter as almas sob uma nuvem de dúvida, 7 num estado de afobação e numa condição de desapontamento. Este é o plano de Satanás – sua meta e sua estratégia. Este minicurso é dedicado à proposta de que ele não deve ter sucesso!

Definições: Três termos em particular precisam de definições funcionais adequadas no momento em que procuramos entender o dom profético bíblico e moderno. As seguintes definições podem ser úteis:

1. Inspiração. Pode-se dizer que a inspiração profética bíblica é um processo pelo qual Deus capacita um homem ou mulher de Sua escolha especial a receber e a comunicar as mensagens de Deus para o Seu povo de maneira correta, adequada e confiável. 8

Algumas vezes dizemos a respeito de um determinado pintor, escritor, compositor musical, ou artista dramático: “Ele estava inspirado!” De fato, pode ser que estivesse. Mas este é um tipo de inspiração diferente da que os profetas de Deus possuíam. Quando Paulo escreveu para o jovem pastor estagiário Timóteo: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (II Timóteo 3:16), ele escolheu empregar o termo grego theopneustos, que é uma contração de duas outras palavras gregas: Theos (Deus) e pneuma (fôlego). O que ele estava dizendo, literalmente, era: “Toda Escritura é soprada por Deus”. 9 Conquanto alguns compreendam isto simplesmente como uma agradável metáfora literária, também é correto – e significativo – que enquanto o profeta experimentava o fenômeno físico do transe em visão, Deus soprava, literalmente; o profeta não respirava enquanto estava nesta condição. 10

A inspiração do profeta é diferente de qualquer outra forma de inspiração em tipo, e não em grau.

O apóstolo Pedro aumenta nosso limitado estoque de informações bíblicas sobre inspiração ao afirmar que os profetas – estes “homens santos de Deus” – falaram segundo eram “movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1:21). O termo grego que Pedro emprega é pheromenoi, de phero: “carregar uma carga, mover”. Lucas empregou a expressão duas vezes 11 ao descrever a ação de um vento tempestuoso ao “levar” umaembarcação à vela na qual ele e Paulo estavam viajando. A implicação é clara: Os profetas eram “movidos pela iniciativa Divina e levados pelo irresistível poder do Espírito Santo pelos caminhos que Ele escolhia e para propósitos que Ele designava”. 12

2. Revelação. Consideraríamos ainda a revelação bíblica, especial, como sendo o conteúdo da mensagem comunicada por Deus ao Seu profeta no processo de inspiração. Os adventistas consideram este conteúdo – a mensagem profética – como infalível (inerrante), fidedigno (todo-suficiente, confiável), e autoritativo (tendo autoridade sobre o cristão).

Este conceito é predito em três conclusões: (a) o homem é incapaz, através de seus próprios recursos ou por sua própria observação, de apreender certos tipos de informação; (b) Deus Se compraz em falar; e (c) este ato ocorre e se desenrola dentro da história humana. 13

Deus Se revelou, de maneira limitada, na natureza, que nos dá vislumbres de Seu poder, Sua sabedoria, e Sua glória. Mas a natureza é incapaz de revelar claramente a pessoa de Deus, Sua santidade, Seu amor redentor, e Seus propósitos eternos para a humanidade. Desta forma, a revelação sobrenatural transcende a revelação “natural” de Deus na natureza, e consiste principalmente em Deus manifestar Sua pessoa e Sua vontade através de comunicação direta com a humanidade. 14

Deus fala! No Antigo Testamento Jeremias fala por todos os profetas quando testifica que “o Senhor … tocou-me na boca, e me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras” (cap. 1:19). No Novo Testamento Paulo nos assegura que o Espírito Santo “afirma expressamente” (I Tim. 4:1). Paulo continua, em outra parte, assegurando-nos que Deus revela Seus mistérios para os profetas por revelação, que é uma obra progressiva; 15 Paulo contrasta o conhecimento natural com a informação que é revelada pelo Espírito Santo. Este conhecimento não pode ser obtido de nenhum outro modo e de nenhuma outra fonte. 16

3. Iluminação. Uma vez que a resposta implícita na pergunta retórica de Paulo: “São todos profetas?” 17 é negativa, sobra uma tarefa adicional do Espírito Santo, para que aqueles que não possuem o dom profético possam compreender a vontade de Deus para eles. A iluminação pode ser definida como a obra do mesmo Espírito Santo que indicou a mensagem de Deus ao profeta, pela qual Ele agora capacita o ouvinte ou leitor das palavras do profeta a compreender as verdades espirituais e a discernir a mensagem de Deus para ele próprio.

Este trabalho do Espírito Santo é compreendido nas palavras de Jesus para os Seus discípulos a respeito da volta do Consolador: Ele lhes ensinará todas as coisas, 18 Ele os fará lembrar das palavras de Jesus (a única fonte atual da qual procedem os escritos dos profetas!), 19 e ao fazer esta obra Ele os guiará a toda a verdade que a mente humana é capaz de compreender. 20

A respeito do trabalho desta iluminação, Ellen White falou uma vez dos três maneiras pelas quais “o Senhor revela Sua vontade para nós, para nos guiar, e nos preparar para guiar outros”: (a) através de uma compreensão do que os escritores inspirados escreveram através dos séculos para nossa admoestação, (b) através de circunstâncias providenciais (sinais), e (c) através da impressão direta do Espírito Santo sobre a mente e o coração dos cristãos individuais. 21

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