O falso evangelho da prosperidade

O falso evangelho da prosperidade

“Alguns foram torturados, […] apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio da espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados […], errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da Terra” (Hebreus 11:35-38).

Milhões de pessoas foram seduzidas pela pregação de uma heresia recente conhecida como “teologia da prosperidade”. A convicção central do movimento da prosperidade é a ideia de que é plano de Deus que os cristãos, sempre e em cada caso, tenham saúde física, riqueza e sucesso material. Assim, o alvo da vida cristã seria atingir ilimitado bem-estar materialista. Vemos nisso uma radical mudança de ênfase: da providência centralizada em Deus, tradicionalmente afirmada pelo cristianismo, para a prosperidade centralizada no ser humano. A implicação é desastrosa para cristãos pobres e enfermos. Por falta de fé ou por não estarem utilizando as fórmulas corretas para “torcer” o braço de Deus, eles estariam fora do ideal divino.

Neste “evangelho”, Deus é reduzido a um tipo de “gênio da lâmpada” a serviço dos caprichos humanos. Ele e Seu Universo giram ao redor do conforto pessoal. Isso dá a esses pretensos cristãos a “liberdade” de se aproximarem dEle com a imposição de suas fantasias de sucesso e prosperidade, como se a realização materialista fosse a marca de verdadeira espiritualidade, e a solução final de todos os problemas do homem. Tudo o que se precisa é “balançar” o dedo atrevido na face de Deus e “reclamar” aquilo que foi “visualizado”, falar “palavras de fé” ou “dar testemunho positivo” para que automaticamente alcancem aquilo que supostamente foi prometido.

O neopaganismo da prosperidade, com base na ignorância da Palavra de Deus, não passa de uma teoria herética, uma versão piorada do hedonismo e materialismo do capitalismo ocidental. O texto de hoje falta de pessoas que não se ajustam às noções fantásticas da prosperidade aqui e agora. A vida delas, com enormes dificuldades, mas em submissão a Deus, envergonha o superficialismo da religiosidade de milhões em busca de “pão e circo”. Ser um discípulo de Cristo não significa que não temos dias ruins. Significa apenas que, em meio à perplexidades e aos desencantos, podemos olhar além e ver que Deus é bom. O que de fato nunca falha é Sua graça, mesmo em nossos vales de sombras e tribulações.

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Leandro Quadros
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