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O nome do Espírito Santo

A alegação de que o Espírito Santo “não tem nome” é totalmente infundada.

Para começar nosso estudo, precisamos entender o que é um “nome” na Bíblia. O dicionário Strong diz:

“Um nome é usado para tudo que o nome abrange, todos os pensamentos ou sentimentos do que é despertado na mente pelo mencionar, ouvir ou lembrar tal nome, pela posição, autoridade, interesses, satisfação, comando, excelência, ações, etc., de alguém”.

Portanto, nome e título são quase a mesma coisa, como veremos a seguir.

Precisamos lembrar que o nome está ligado ao caráter da pessoa. Por isso, em muitos casos na Bíblia ele foi mudado para expressar ocorrida no caráter e/ou status do indivíduo. Por exemplo: Simão passou a ser chamado de “Pedro” e Saulo, “Paulo”.

Na história de Jacó vemos elementos muito importantes sobre o significado mais abrangente de um “nome” na Bíblia: Jacó (“aquele que segura pelo calcanhar”) mudou para Israel, “homem que luta com Deus” ou “homem que vê Deus”.

E contra quem lutou Jacó? O Pai ou Jesus? O texto diz que ele lutou com um homem, mas que depois percebeu que era Deus(Gn 32:24-30). Veja o que diz o verso 30:

“E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: ‘tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva'”. Tire suas próprias conclusões…

Há também a historia de Josué e este “Homem” em Josué cap. 5.

Esses relatos nos levam a Êxodo 3, onde aparece pela primeira vez este “anjo”, “soldado”, “homem”.

Em Êxodo 3:2 diz “o Anjo do Senhor” (em hebraico “Mal’âk YHWH”), ou “mensageiro de Jeová”. Quem apareceu a Moisés, o Pai ou um anjo? E por que esse “anjo” depois se apresenta como Jeová?

Sabemos que o “Anjo de Jeová” no AT é o próprio Jesus, que também é chamado de “Arcanjo Miguel” (sem que isso afete Sua absoluta divindade – Cl 2:9). Farei um vídeo para explicar isto com mais detalhes.

Mas e o fogo presente na sarça ardente? Poderia ser o Espirito Santo? É possível, já que, depois, Ele apareceu como fogo que não queima, no pentecostes. Portanto, é possível (não estou dogmatizando) ver a Trindade – ou Jesus e o Espírito santo – dando a mensagem a Moisés.

Agora, como se chama o Pai, já que “pai” também não é um nome em si? Será Jeová? Vejamos o que a Bíblia diz no original. Ao lermos Êxodo 3:14 e 15 no hebraico, vemos que quando Moisés pergunta pelo nome do Ser com quem ele falava, Deus respondeu m: “Eu Sou quem Eu Sou@, ou @Hayah Asher Haya”h.

“Hayah” deriva do verbo “Ser”. Asher é “quem”. Perceba que depois de usar tal palavra, Moisés volta a usar o termo “Hayah” no fim do texto. Hayah NÃO É O NOME JEOVÁ no hebraico e é traduzido quase sempre por “Ego Eimi”, no grego, que significa “Eu Sou”. O tetragrama aparece no verso 15 quando o “Ser” diz que esse é o seu nome.

O tetragrama é majoritariamente traduzido por “kurios”, e algumas vezes por “theos” – Deus. Então, qual é o nome do Pai? “Eu sou” ou Jahveh?

Permanece a pergunta…

No NT podemos ver que Jesus usou tanto “Eu Sou” quanto “Senhor” como títulos. Também, o Espírito Santo é chamado de Senhor em 2 Cor 3:17, por exemplo.

Desse modo, não podemos dizer que o Pai tenha nome próprio, porque tanto “Senhor” quanto “Eu Sou” são usados pelas outras pessoas da divindade. Senhor no AT é YHWH e “Adonai”.

Isto demonstra também que o “Senhorio” não conota inferioridade, já que os 3 são “Senhores”. “Senhor” na Bíblia é um título de Autoridade (grego Kurios). Sempre que Cristo, por exemplo, é Senhor de alguma coisa, o título faz dEle a autoridade sobre aquilo que possui (Mc 2:27).

Vamos à outra questão: qual é o “nome” do Espírito Santo? Jesus chamou-O de “Consolador” (Jo 14:16, 15:26, 16:7) e “guia” (Jo 16:13); Paulo O chama de “intercessor” (Rm 8:26); Pedro diz ser Ele o “autor” (2Pe 1:21) das Escrituras.

João diz que é Ele quem nos convence do Pecado, o “convencedor” do ser humano (Jo 16:7-11).

Portanto, temos algumas evidências de como as pessoas da divindade ou Trindade estão tão juntas que geralmente são confundidas. Assista e compartilhe o vídeo onde falo do assunto:

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3 comments

  1. O nome de Deus é “Yehowah” ou “Yahweh”, como preferirem.

    O Salmos 83:18 é claro ao dizer que as pessoas tem que saber que “Jeová é o Altíssimo” e “que este é seu nome”. (Salmo 100:3)

    Como mostrado no artigo, em Êxodo 3:15 Deus responde com YHWH.

    Além disso, “Eu sou” não é o nome de Deus. A Septuaginta traduziu Êxodo 3:14 por: ἐγώ εἰμί ὁ ὤν (Ego Eimi Ho On). Em português essa expressão seria algo próximo de “Eu sou (ego eimi) aquele que é (Ho On)”.

    O texto todo de Êxodo 3:14, segundo a Septuaginta é assim:

    “E disse Deus a Moisés: Egō eimi ho ōn (Eu sou aquele que é). Assim dirás aos filhos de Israel: Ho ōn apestalken me pros hymas (Aquele que é me enviou a vós).”

    Então, meu caro leitor, seja sincero e responda: Deus disse para Moisés que ela era o “Eu Sou” (ego eimi) ou ele disse que ele era “Aquele que é” (Ho on)?

    Perceba que Deus responde: Ho ōn apestalken me pros hymas (Aquele que é me enviou a vós). Deus não diz “Eu sou o egō eimi”. Antes, Deus diz “Eu sou ho ōn”.

    No grego da Septuaginta está escrito egō eimi ho ōn (“Eu sou Aquele que é/o Ser”) e não egō eimi ho egō eimi (“Eu sou o que Sou”).

    Ou seja, o verso tem a expressão “Eu sou”, mas ela não identifica o nome de Deus. A expressão só é usada para Deus complementar dizendo que era HO ON (Aquele que é). Deus diz que é Ho on, não que ele é “Ego eimi”.

    CONCLUSÃO: A interpretação trinitária a respeito desses textos não segue as referências que o contexto imediato nos dá, muito menos segue a tradução correta dos textos dos idiomas originais. É sobre essa base frágil que se sustenta a maioria dos argumentos em favor da Trindade. O que acham disso?

  2. Apesar de muitos paralelos (pelo NT) poderem ser estabelecidos entres Espírito Santo e Deus, ou entre Jesus e Deus, não devemos perder de foco que tais paralelos somente estabelecem relação entre aqueles e Deus não pelo fato de aqueles serem comparados com Deus como sendo este último um Outro (Diferente deles), até porque não se compara seres ou coisas que não podem ser comparadas por serem de natureza diversa (exemplo: um ser humano e uma planta – não faria sentido compará-los para identificar diferenças que os particularizasse um do outro).

    Quando o AT trata de Deus e a Ele se refere como YHWH não promove qualquer reflexão acerca de como é esse Deus é em relação ao Espírito Santo, ou a Jesus (objetivamente, para o caso de Jesus, nem poderia). De modo que YHWH, para o AT, é Deus.

    Já para o Novo Testamento, quando Jesus trata a respeito desse Deus abordado no AT, o chama de “Pai”. Assim, a identificação objetiva do nome Yahweh com Deus, por causa de Jesus, acaba sendo àquele a quem chamamos de “Pai”.

    A conclusão imediata e apressada é de que Deus é uma pessoa a quem Jesus chama de Pai. Isso sugere compreender que Yahweh seria então, o nome do Pai, não do Espírito Santo ou do Logos.

    O problema é que o NT não trata Deus pelo nome de Yahweh. Portanto, esse nome não o distingue do Espírito Santo e do Logos nem o assemelha a qualquer desses. E quando o NT estabelece paralelo entre o Espírito e Deus, ou entre o Logos e Deus o faz pensando na divindade em si, sem porém, identificá-la com um nome em específico. Podendo assim, falar de Deus referindo-se ao Pai, sem se constranger ao atribuir ao Espírito Santo características próprias de Deus, ou ao Logos, porque nesses casos, ao se falar de Deus como ser pessoal não se quer exatamente aplicar ao termo um conceito, mas uma forma de simplificar a compreensão sobre Deus e que emerge da leitura do AT, sem entrar no mérito se Ele é unidade composta ou absoluta, pois essas ideias não interferem na imagem pessoal de Deus, como ser que pensa, age e se comunica.

    O caráter pessoal da Divindade, somente por força de expressão, deve ser comparado ao que a nossa realidade física permite pensar, porque quando dizemos que Deus é ser pessoal não queremos com isso sugerir que devemos pensá-lo como ser de características físicas próprias de um ser humano, e assim tentar justificar que Deus sendo ser pessoal não pode ser uma unidade composta porque o homem enquanto ser pessoal não é. Logicamente, Deus não é ser pessoal porque tem características e limitações físicas próprias do homem.

    Quanto ao uso do nome divino no AT, observo que até mesmo esse uso não é propriamente o nome de Deus, mas sim o que ele é para nós, podendo assumir os mais diversos complementos. Se observarmos contextualmente, não a primeira ocorrência do “Nome” num texto do AT, que no caso é Gn 2,4b, ou o registro de quem temporalmente teria feito sua primeira invocação (constante de Gn 4,26), mas a narrativa que indica sua revelação, é forçoso concluir que mesmo a forma “YHWH” é aceitação humana da RECUSA divina a nominar a si mesmo.

    Observemos: “Moisés replicou a Deus: ‘Quando eu me dirigir aos filhos de Israel, eu direi: ‘O Deus dos antepassados de vocês me enviou até vocês’; e se eles me perguntarem: ‘Qual é o nome dele?’ O que é que eu vou responder? Deus disse a Moisés: ‘Eu sou aquele que sou’ – Ex 3,13 – Edição Pastoral).

    É clarividente que a resposta divina é no sentido de RECUSA a satisfazer essa curiosidade humana, levantada por Moisés, quanto ao nome divino. Deus é simplesmente aquele que é, ou aquele que demonstra ser. Noutras palavras, se o nome de fato remete àquilo que o ser é em si, a melhor forma de saber quem de fato é Deus, nessa lógica bíblica, não é exatamente alcançada pelo nome, pois isso seria limitá-lo a algo que o defina.

    Se o real propósito fosse satisfazer a curiosidade humana, Deus mesmo ao se atribuir um nome, no mais profundo sentido, estaria definindo a si mesmo, isto é, “levando a fim” (do latim: “finis”) uma explicação sobre si, sugerindo ao homem que seria possível a esse definir Deus. Mas um nome consegue mesmo exprimir o que Deus é?).

    Coerentemente, partindo do pressuposto de que o homem não pode definir Deus, e que não há palavra que, para o homem o defina, a resposta divina em Ex 3,13 deixa em aberto a questão, sugerindo que o ser de Deus não pode ser definido, de modo que ele sempre será o que para o homem demonstrar ser, quando Ele a esse se revelar.

    Por isso, saber o nome de Deus, no contexto bíblico, é estar sensível à forma como ele se revela, não é exatamente a forma de denominá-lo, mas de exprimir a experiência que se teve ou se tem para com Ele (Daí a opção de Jesus o invocá-lo como “Pai”).

    Mas para os hebreus da Primeira Aliança, Deus se revelara como libertador com direito a estabelecer um pacto com aqueles a quem libertara. O ato libertador era, para eles, a prova que Ele mesmo deu a seu povo de que era Deus, associando um “nome” ao ato. O Deus com quem firmavam Aliança é aquele que é (Yahweh) o libertador da escravidão. Por isso, assim é dito: “Eu sou Iahweh teu Deus que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão” (Ex 20,2 – Nova Bíblia de Jerusalém)

    A sequência do texto (Ex 3,13-14) é dedicada a apresentar a forma como o homem a Deus mesmo se dirigirá: “Javé (Aquele que é), o Deus dos antepassados de vocês, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, Deus de Jacó, foi quem me enviou até vocês’ (Ex 3,14).

    Sobressalta a ideia de que o nome “Yahweh” é, na verdade, uma interpretação da expressão ’ehyer asher ’ehyer”. Assim, o “Aquele que é” (o homem referindo-se a Deus), construído na terceira pessoa, é relativo a uma declaração na primeira pessoa (“Eu Sou” – Deus falando de si mesmo). De modo que o “Eu Sou” acaba servindo como autoidentificação de Deus. E “Ele é”, por conseguinte, acaba sendo mero reconhecimento humano dessa autodeclaração, que em si permanece obscura.

    Ocorre que, na relação “homem com Deus”, Deus é aquele que é. Assim, nas Escrituras veterotestamentárias, Deus assumi essa consciência humana como forma de identificar a Divindade, identificando-se ao homem como “Aquele que é” (Yahweh), ou que demonstrará ser, porque é isso que Ele será para o homem. Deus é Yahweh para o homem, NÃO PARA SI MESMO. Pois “Yahweh” é uma forma de o homem se dirigir a Deus, mas emerge de outra forma de Deus mesmo se autoidentificar (sem dar a si mesmo um nome: “Eu sou aquele que sou”). Diante dessa recusa, o homem se rende: Deus é “Aquele que é”, reconhecendo que saber quem Ele é exige estar atento à forma como se revela: é um Deus de libertação, de amor, de justiça, de paz, etc.

    1. Gostei muito do seu comentário, Damião. Obrigado pelas grandes contribuições que tem dado ao meu blog!

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