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Os Adventistas do Sétimo Dia e o Movimento Ecumênico

Documento Oficial

A Comissão Executiva da Associação Geral jamais votou uma declaração oficial concernente à relação adventista do sétimo dia com o movimento ecumênico como tal. Foi escrito um livro lidando detalhadamente com o assunto (B. B. Beach, Ecumenism – Boon or Bane? [Review and Herald, 1974]) e vários artigos têm aparecido ao longo dos anos em publicações adventistas, inclusive na Adventist Review. Destarte, embora não haja exatamente uma posição oficial, há abundância de claras indicações concernentes ao ponto de vista adventista.

Geralmente, pode-se afirmar que embora a Igreja Adventista do Sétimo Dia não condene completamente o movimento ecumênico e sua principal manifestação organizacional, o Concílio Mundial de Igrejas, ela tem sido crítica de vários aspectos e atividades. Poucos negariam que o ecumenismo tem tido objetivos louváveis e algumas influências positivas. Seu grande objetivo é a unidade visível dos cristãos. Nenhum adventista pode se opor à unidade pela qual o próprio Cristo orou. O movimento ecumênico tem promovido mais amáveis relações entre as igrejas com mais diálogo e menos crítica e tem ajudado a remover preconceitos infundados.

O intermédio de suas várias organizações e atividades, o movimento ecumênico tem provido informação mais exata e atualizada sobre igrejas, tem falado a favor da liberdade religiosa e dos direitos humanos, tem combatido os males do racismo e chamado a atenção para as implicações sócio-econômicas do Evangelho. Em tudo isso as intenções têm sido boas e alguns dos frutos agradáveis. Contudo, no quadro total, as maldições tendem e exceder as bênçãos. Examinemos algumas destas.

Adventismo: Um Movimento Profético

A Igreja Adventista do Sétimo Dia aproximou-se do palco da História – assim creem firmemente os adventistas – em resposta ao chamado de Deus. Os adventistas creem, espera-se que seja sem orgulho ou arrogância, que o movimento do advento representa o instrumento divinamente designado para a proclamação organizada do “evangelho eterno”, a última mensagem de Deus, discernida do ponto de observação profético de Apocalipse 14 e 18. À luz focalizada de sua compreensão profética, a Igreja Adventista do Sétimo Dia vê-se a si mesma como o movimento “ecumênico” escatologicamente orientado de Apocalipse. Inicia com o “chamado” dos filhos de Deus dos corpos eclesiais “caídos” que progressivamente formarão oposição religiosa organizada contra os propósitos de Deus. Juntamente com a “saída” há um positivo “chamado” a uma unidade mundial – isto é movimento “ecumênico” caracterizado pela “fé de Jesus” e a guarda dos “mandamentos de Deus”(Apoc. 14:12). No Concílio Mundial de Igrejas a ênfase é primeiramente sobre “entrar” para uma comunhão de igrejas e então esperançosa e gradualmente “sair” da desunião corporativa. No movimento do advento a ênfase é primeiramente sobre “sair” da desunião e confusão babilônica e então imediatamente “entrar” para uma comunhão de unidade, verdade e amor dentro da família adventista que circunda o globo.

Para compreender a atitude adventista com respeito ao ecumenismo e outras importantes igrejas, é útil lembrarmo-nos de que o primitivo movimento adventista (caracterizados por mileritas) tinha aspectos ecumênicos: surgiu em muitas igrejas. Destarte, os adventistas vieram de muitas denominações. Contudo, as igrejas geralmente rejeitaram a mensagem do Advento. Os adventistas não foram excomungados esporadicamente. Às vezes, os adventistas levavam consigo parcelas de congregações. As relações tornaram-se amargas. Falsos boatos foram postos em circulação, alguns dos quais infelizmente persistem ainda hoje. Os pioneiros tinham opiniões firmes, e seus opositores não eram menos dogmáticos. Tendiam a olhar mais para o que os separava do que para o que os unia. Isto foi um desenvolvimento compreensível. Hoje, é claro, o clima entre as igrejas tende a ser mais conciliador e benigno.

Quais são alguns dos problemas que os adventistas têm com o ecumenismo? Antes de tentarmos dar uma resposta sumária a esta indagação, é preciso salientar que o movimento ecumênico não é monolítico em seu pensamento, e pode-se encontrar todas as espécies de opiniões em suas fileiras (o que em si mesmo, é claro, constitui um problema!). Tentaremos fazer referência ao que pode ser considerado um pensamento habitual importante dentro do Concílio Mundial de Igrejas, uma organização que atualmente representa mais de trezentas diferentes igrejas e denominações.

Compreensão Ecumênica de Unidade

O Novo Testamento apresenta uma qualificada unidade da Igreja em verdade, caracterizada por santidade, alegria, fidelidade e obediência (veja João 17:6, 13, 17, 19, 23, 26). Os “ecumentusiastas” (cunhando uma palavra) parecem ter por certo a eventual unidade orgânica e comunhão da grande maioria das igrejas. Enfatizam o “escândalo da divisão” como se este fosse realmente o pecado imperdoável. A apostasia e heresia são grandemente ignoradas. Contudo, o Novo Testamento mostra a ameaça da penetração anticristã dentro do “templo de Deus” (2 Tess. 2:3, 4). O quadro escatológico da Igreja de Deus antes da segunda vinda não é o de uma megaigreja reunindo toda a humanidade, mas o de um “remanescente” da cristandade, aqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus (veja Apoc. 12:17).

Há claramente um ponto no qual a heterodoxia e um estilo de vida não-cristão justificam a separação. O Concílio Mundial de Igrejas não enxerga este ponto. A separação e divisão a fim de proteger e preservar esta pureza e integridade da Igreja e sua mensagem são mais desejáveis do que a unidade em mundanismo e erro.

Ademais, os adventistas estão desconfortáveis com o fato de que os líderes do Concílio Mundial de Igrejas parecem dar pouca ênfase à santificação e reavivamento pessoais. Há indicações de que alguns podem ver tal ênfase como um antiquado resíduo pietista, não um ingrediente vital de uma vida cristã dinâmica. Preferem abafar a piedade pessoal em favor da moralidade social. Contudo, na compreensão adventista, a santidade de vida pessoal é tal como é feita a moralidade da sociedade (com desculpas a Shakespeare). Sem cristãos genuinamente convertidos, qualquer unidade organizacional formal é realmente de natureza plástica e de pouca relevância.

Compreensão Ecumênica de Crença

Em muitos círculos eclesiais, a tolerância ou liberalidade é vista como uma virtude ecumênica. O ideal ecumênico, sugere-se, não é dogmático em crença e é um tanto fluido em opiniões doutrinárias. Respeita grandemente as crenças dos outros, mas é menos do que rígido sobre sua própria crença. Parece humilde e não-dogmático acerca de crenças doutrinárias – exceto aquelas concernentes à unidade ecumênica. Tem um senso de conhecedor parcial. Mostrar arrogância religiosa doutrinária é, ecumenicamente falando, especialmente pecaminoso.

Tudo isto tem um lado louvável. Humildade e mansidão são virtudes cristãs. Deveras, Pedro nos aconselha a estarmos prontos para responder e dar a razão da nossa fé, mas isto deve ser feito com humildade, respeito e uma boa consciência (I Ped. 3:15, 16). Contudo, há nas fileiras ecumênicas um perigo quase embutido de amenidade e relativização de crença. Todo o conceito de heresia é questionado. Ultimamente, até mesmo dúvidas são suscitadas com respeito à ideia de “paganismo”.

Característica de alguns pressupostos ecumênicos é a ideia de que todas as formulações denominacionais de verdade são relativas e estão condicionadas ao tempo, e são portanto parciais e inadequadas. Alguns ecumenistas iriam ainda mais longe a ponto de defender a necessidade de síntese doutrinária, juntando várias crenças cristãs em uma espécie de abordagem de coquetel. Afirma-se-nos que todas as igrejas estão desequilibradas e que é a tarefa do ecumenismo restaurar o equilíbrio e a harmonia. Dentro da diversidade reconciliada do movimento ecumênico, presumivelmente todos, nas palavras de Frederico o Grande, “serão salvos à sua própria maneira”.

Os adventistas creem que, sem sólidas convicções, uma igreja tem pouco poder espiritual. Há o perigo de que as areias movediças ecumênicas de amenização doutrinária absorvam as igrejas em morte denominacional. É claro que é precisamente por isto que esperam os entusiastas ecumênicos. Contudo, os adventistas acham que se deve resistir vigorosamente a tais irresoluções doutrinárias, doutro modo o autodesarmamento espiritual será o resultado e uma era verdadeiramente pós-cristã viria sobre nós.

Compreensão Ecumênica das Escrituras

Os adventistas veem as Escrituras como a infalível revelação da vontade de Deus, o revelador autorizado da verdade doutrinária e o registro fidedigno dos poderosos atos de Deus na história da salvação (veja Crenças Fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia n.º 1: As Sagradas Escrituras). Os adventistas veem a Bíblia como uma unidade. Para muitos líderes do Concílio Mundial de Igrejas a Bíblia não é normativa e autorizada em si mesma. A ênfase é sobre diversidade bíblica, às vezes incluindo demitização dos Evangelhos. Para um grande número de ecumenistas, como é o caso para o cristianismo liberal em geral, a inspiração não está no texto bíblico, mas na experiência do leitor. A revelação proposicional está por fora, a experiência está por dentro.

A profecia apocalíptica é dada praticamente sem nenhuma função do tempo do fim. São feitas referências pró-forma à parusia, mas não têm nenhuma implicação de urgência e exerce pouco impacto mensurável sobre o conceito ecumênico de missão evangelística. Aqui existe o perigo de cegueira escatológica.

Os adventistas do sétimo dia veem o quadro bíblico de pecado e redenção dentro da estrutura do “grande conflito” entre o bem e o mal, entre Cristo e Satanás, entre a Palavra de Deus e as mentiras do impostor, entre o remanescente fiel e Babilônia, entre o “selo de Deus” e a “marca da besta”.

Os adventistas são, primeiramente, o povo da Palavra. Embora crendo na autoridade incondicional das Escrituras, os adventistas reconhecem que a Bíblia foi “escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de Deus. Esta é a da humanidade. Deus, como escritor,  não Se acha representado. …Os Escritores da Bíblia foram os instrumentos de Deus, não Sua pena”. (Mensagens Escolhidas, livro 1, p. 21). Muitos ecumenistas diriam que o texto bíblico não é a Palavra de Deus mas contém esta palavra à medida que os homens respondem e a aceitam. Contrastando, os adventistas diriam que as declarações dos escritores da Bíblia “são a Palavra de Deus” (ibid.). Deus não Se pôs à prova; nem a Sua Palavra, não obstante o cristianismo. É o homem em face da Bíblia quem está à prova.

Compreensão Ecumênica de Missão e Evangelismo

A compreensão tradicional de missão enfatiza o evangelismo, isto é, a proclamação verbal do Evangelho. A abordagem ecumênica vê a missão como envolvendo o estabelecimento do shalom, uma espécie de paz e harmonia social. Os adventistas têm problemas com qualquer tendência que menospreze a importância fundamental de anunciar as boas-novas de salvação da influência do pecado. De fato, a opinião tradicional de salvação, inclusive a adventista, tem sido sempre a de salvar o indivíduo do pecado e para a eternidade. O evangelismo ecumênico compreende a salvação como primariamente salvar a sociedade dos regimes opressores, das devastações da fome, da maldição do racismo e da exploração da injustiça.

A compreensão adventista de conversão significa para uma pessoa a experimentação de mudanças radicais através do renascimento espiritual. A ênfase da maioria nos círculos do Concílio Mundial de Igrejas parece ser sobre transformação – conversão – das estruturas injustas da sociedade.

Como vemos, na área de evangelismo e trabalho missionário estrangeiro, os frutos (ou talvez deveríamos dizer, a falta de frutos) do ecumenismo têm sido frequentemente (conforme o compreendemos – de Paulo a Billy Graham), menos evangelismo, menos crescimento e mais declínio no número de membros, o envio de menos missionários e a entrada de proporcionalmente menos apoio financeiro. Realmente, o esforço missionário se deslocou das principais igrejas “ecumênicas” para os evangélicos conservadores. É lamentável para o movimento missionário ver a perda de tão grande potencial evangelístico, principalmente num tempo de esforço islâmico cada vez mais ativo e militante e o despertamento de religiões nativas e orientais.

A recente e bem-sucedida campanha adventista do sétimo dia Mil Dias de Colheita foi o oposto da abordagem ecumênica da “missão conjunta” de pouca intensidade. A última pode parecer boa em um trabalho de pesquisa ecumênico, mas os resultados no ganho de almas não estão realmente ali. A paráfrase de um antigo ditado tem aqui alguma relevância: “A prova do pudim ecumênico está na comida evangelística.”

Compreensão Ecumênica de Responsabilidade Sócio-política

Reconhecidamente, todo o assunto da responsabilidade cristã social e política é complicado. O Concílio Mundial de Igrejas e outros concílios de igrejas (tais como o Concílio Nacional de Igrejas dos Estados Unidos) estão pesadamente envolvidos no que é visto costumeiramente como questões políticas. A Igreja Adventista do Sétimo Dia é muito mais circunspecta nesta área (em comparação com evangelismo, onde as posições são invertidas!).

Muito do pensamento ecumênico na área da responsabilidade política inclui ou envolve: (1) a secularização da salvação; (2) um ponto de vista pós-milenial defendendo o melhoramento político gradual e a melhoria social da humanidade e o estabelecimento por meio do esforço humano, como agentes divinos, do Reino de Deus na Terra; (3) adaptação do cristianismo ao mundo moderno; (4) fé utópica evolucionista em progresso; e (5) coletivismo socialista, favorecendo algumas formas de igualitarismo e o bem-estar dos cidadãos, mas não o materialismo comunista.

Presumivelmente, os ativistas ecumênicos consideram o adventismo uma visão apocalíptica utópica; isto é errado. Defrontando-se com os muitos problemas da sociedade, os adventistas não podem ser, e geralmente não são, apáticos ou indiferentes. Testemunho disto: amplas instituições de saúde, hospitais e clínicas, servindo milhões de pessoas por ano; um vasto sistema educacional que circunda o globo com quase cinco mil escolas; a Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência – um serviço da Igreja rapidamente se expandindo pelo mundo em áreas de necessidade crônica e aguda. Várias outras atividades assistenciais poderiam ser mencionadas.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia crê que é necessário distinguir entre atividade sócio- política de cristãos individuais como cidadãos e envolvimento em nível de igreja como uma corporação. É tarefa da Igreja lidar com princípios morais e apontar em uma direção bíblica, não defender diretrizes políticas. O Concílio Mundial de Igrejas às vezes tem se envolvido em atividades do poder político. Conquanto o adventismo semeie sementes que inevitavelmente influenciarão a sociedade e a política, não deseja ser enredado em controvérsias políticas. A Igreja do Senhor declarou: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36), e à semelhança de seu Senhor, a Igreja quer andar “fazendo o bem” (Atos 10:38). Ela não deseja dirigir o governo, quer direta, quer indiretamente.

Compreensão Ecumênica de Liberdade Religiosa

Nos primeiros anos do Concílio Mundial de Igrejas, iniciando com sua primeira assembléia em Amsterdã, em 1948, a liberdade religiosa foi colocada na agenda ecumênica. A liberdade religiosa foi vista como um pré-requisito vital para a unidade ecumênica. Em 1968 um secretariado de liberdade religiosa foi estabelecido na sede do Concílio Mundial de Igrejas. Todavia, em anos mais recentes, a postura de liberdade religiosa do Concílio Mundial de Igrejas tem sido um tanto ambígua. Em 1978 o secretariado foi encerrado, principalmente pelo que era visto como uma falta de fundos. Isto, é claro, por si mesmo fala no tocante à prioridade dada à liberdade religiosa no movimento ecumênico organizado.

Hoje a tendência ecumênica é ver a liberdade como simplesmente um dos direitos humanos em vez do direito fundamental que envolve todos os outros direitos humanos. Esta, é claro, é a abordagem usada pela mentalidade secular. Os secularistas ou humanistas se recusam a reconhecer a crença religiosa como algo à parte ou acima das outras atividades humanas. Há aqui

o perigo de que a liberdade religiosa perca seu caráter singular que faz dela a guardiã de todas as verdadeiras liberdades.

Não se deve esquecer que historicamente tem sido o equilíbrio de poder e o denominacionalismo o que tem neutralizado a intolerância religiosa e trabalhado em prol da liberdade religiosa. A unidade religiosa formal tem existido apenas pela força. Há portanto na sociedade uma tensão embutida entre unidade e liberdade religiosa. De fato, o quadro escatológico dos eventos finais é um quadro vivo dramático de perseguição religiosa, quando as possantes forças da Babilônia apocalíptica tentam comprimir a Igreja dos remanescentes em um molde de apostasia unificada.

Finalmente, a perspectiva de liberdade religiosa torna-se cada vez mais sombria quando se percebe que certos ativistas ecumênicos aceitam muito facilmente restrições à liberdade religiosa que afetam os crentes de uma diferente expressão religiosa e política, o que está manifestando o que se percebe ser uma postura social negativa. Ademais, alguns líderes ecumênicos estão muito dispostos, em situações revolucionárias, a ver a liberdade religiosa sofrendo interferência e sendo “temporariamente fechada”, a fim de promover a unidade, a construção do país e o “bem” da sociedade como um todo.

A Influência da Compreensão Profética

O que temos escrito até aqui realça algumas das reservas que os adventistas têm no que concerne ao envolvimento no movimento ecumênico organizado. A atitude geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia para com outras igrejas e o movimento ecumênico é decisivamente influenciada pelas considerações já citadas e determinada pela compreensão profética. Olhando para trás, os adventistas veem séculos de perseguição e manifestações anticristãs do poder papal. Veem discriminação e muita intolerância pelo Estado ou por igrejas estabelecidas. Olhando adiante, divisam o perigo do catolicismo e  protestantismo dando-se as mãos e exercendo poder religioso e político de uma maneira tirânica e potencialmente perseguidora. Vê a fiel igreja de Deus não como uma Igreja colossal, mas como um remanescente. Veem-se a si mesmos como o núcleo deste remanescente e não estando dispostos a se unir com a crescente apostasia cristã dos últimos dias.

Olhando para o presente, os adventistas divisam sua tarefa como a de pregar o Evangelho eterno a todos os homens, convidando para a adoração do Criador, obediente aderência à fé de Jesus e proclamando que é chegada a hora do juízo. Alguns aspectos desta mensagem não são populares. Como podem os adventistas ser mais bem-sucedidos no cumprimento da ordem profética? Nossa opinião é que a Igreja Adventista do Sétimo Dia pode realizar melhor a sua injunção divina conservando sua própria identidade, sua própria motivação, seu próprio senso de urgência, seus próprios métodos de trabalho.

Cooperação Ecumênica?

Deve os adventistas cooperar ecumenicamente? Os adventistas devem cooperar à medida que o Evangelho autêntico é proclamado e as gritantes necessidades humanas estão sendo satisfeitas. A Igreja Adventista do Sétimo Dia não quer nenhum envolvimento quanto a tornar-se membro do movimento e recusa quaisquer relações comprometedoras que tendam a enfraquecer o seu testemunho inconfundível. Contudo, os adventistas desejam ser “cooperadores conscienciosos”. O movimento ecumênico como uma agência de cooperação tem aspectos aceitáveis; como uma agência para a unidade orgânica das igrejas, é muito mais suspeito.

Relações com Outros Organismos Religiosos

Em 1926, muito antes de estar em voga o ecumenismo, a Comissão Executiva da Associação Geral adotou uma importante declaração que agora é uma parte do Plano de Ação da Associação Geral (O 75). Esta declaração tem significativas implicações ecumênicas. A declaração tinha em vista o campo missionário e as relações com outras “sociedades missionárias”. Contudo, a declaração foi agora ampliada a fim de lidar com outras “organizações religiosas” em geral. Ela afirma que os adventistas do sétimo dia “reconhecem todas as agências que exaltam a Cristo diante dos homens como uma parte do plano divino para a evangelização do mundo, e… têm em alta estima os homens e mulheres cristãos de outras comunhões que estão empenhados em ganhar almas para Cristo”. No trato da Igreja com outras igrejas, “a cortesia cristã, a amizade e a justiça devem prevalecer”. Algumas sugestões práticas são dadas a fim de evitar desavenças e ocasião para atrito. A declaração deixa claro, porém, que o “povo adventista do sétimo dia” recebeu a “responsabilidade” especial de enfatizar a segunda vinda como um evento que está “mesmo às portas”, preparando “o caminho do Senhor conforme revelado nas Sagradas Escrituras”. Portanto, esta “comissão” divina torna impossível que os adventistas restrinjam seu testemunho a “qualquer área limitada” e os impele a chamar a “atenção de todas as pessoas em toda parte” para o Evangelho.

Em 1980 a Associação Geral estabeleceu um Concílio sobre Relações Inter-Igrejas a fim de dar orientação geral e supervisão sobre as relações com outros organismos religiosos. Esse concílio tem, de vez em quando, autorizado conversações com outras organizações religiosas onde sentiu-se que isto deveria demonstrar-se proveitoso.

Os líderes adventistas devem ser conhecidos como construtores de pontes. Isto não é uma tarefa fácil. É muito mais simples explodir as pontes eclesiásticas e servir como “comandados cristãos” irresponsáveis. Disse Ellen White: “Muita sabedoria é necessária para atingir ministros e homens de influência.” (Evangelismo, p. 563). Os adventistas não foram chamados para viver em um gueto murado, conversando somente consigo mesmos, publicando principalmente para si mesmos, mostrando um espírito sectário de isolamento. É claro que é mais confortável e seguro viver em uma fortaleza adventista do sétimo dia, com todas as pontes giratórias da comunicação removidas. Nesse ambiente alguém se aventura de vez em quando a ir à vizinhança para uma rápida campanha evangelística, capturando tantos “prisioneiros” quanto possível, e então desaparecendo com eles de volta para a fortaleza. Ellen White não acreditava na mentalidade isolacionista: “Nossos ministros devem procurar se aproximar dos ministros de outras denominações. Orar por esses homens e com eles, por quem Cristo está intercedendo. Pesa sobre eles uma solene responsabilidade. Como mensageiros de Cristo devemos manifestar um profundo e sincero interesse nesses pastores do rebanho.”- Testimonies, vol. 6, p. 78.

Utilidade das Relações de Observador

A experiência tem ensinado que o melhor relacionamento com os vários concílios de igreja (nacional, regional, mundial) é a condição de observador-consultor. Isto ajuda a Igreja a manter-se informada e compreender as tendências e a marcha dos acontecimentos. Ajuda a conhecer os pensadores e líderes cristãos. Aos adventistas é provida a oportunidade de exercer uma presença e tornar conhecido o ponto de vista da Igreja. A condição de membro não é aconselhável. Aquelas organizações ecumênicas costumeiramente não são “neutras”. Com frequência têm objetivos e planos de ação muito específicos e desempenham papéis de defesa sócio-política. Haveria pouco proveito em ser um membro indiferente (na melhor das hipóteses) ou um membro pró-forma (como são muitas igrejas-membro) ou estar em frequente oposição (como inevitavelmente seria o caso).

Em níveis locais, lidando com problemas mais práticos e menos teológicos, alguém poderia imaginar algumas formas de adventistas do sétimo dia na condição de membro, porém com precaução. Estamos pensando em tais relações organizadas como associações ministeriais/fraternais, organizações da igreja local, grupos de estudo da Bíblia, grupos ou redes específicas para examinar as necessidades da comunidade e ajudar a resolver os problemas locais. Os adventistas não devem ser percebidos como simplesmente eximindo-se de qualquer responsabilidade cristã pela comunidade local.

Em anos recentes, líderes e teólogos adventistas têm tido oportunidades para diálogo com representantes de outras igrejas. Estas experiências têm sido benéficas. Tem sido engendrado o respeito mútuo. Estereótipos batidos e percepções doutrinárias inexatas e falsas têm sido removidos. Preconceitos têm sido incerimoniosamente sepultados. As ferramentas e compreensões teológicas têm sido afiadas. Novas dimensões têm sido reconhecidas e novas perspectivas de esforço missionário têm sido reveladas. Acima de tudo, porém, sua fé na mensagem do advento tem sido realçada. Não há nenhum motivo para que os adventistas tenham um complexo de inferioridade. É um maravilhoso privilégio ser um adventista do sétimo dia e saber que o fundamento teológico e organizacional da Igreja está firme e seguro.

Arautos do Verdadeiro Oikoumene

Os adventistas são arautos do único oikoumene verdadeiro e duradouro. Em Hebreus é feita referência ao “mundo (grego: oikoumene) futuro” (cap. 2:5) o vindouro reino universal de Deus. Em última análise, é este o “ecumenismo” pelo qual os adventistas estão trabalhando. Todos os outros movimentos ecumênicos são efêmeros. Entrementes, é um dever cristão “concentrar-se na consagração completa a Cristo” de coração. “E estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós; tendo uma boa consciência.” (I Ped. 3:15, 16).

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