FAQ - Dúvidas Frequentes

Pedro é a “pedra” em Mateus 16:18?

Uma análise de Mateus 16:18

Por Nelson Wasiuk, produtor e um dos apresentadores do programa En La Mira de La Verdad

Tradução: Mauricio Mancuzo, amigo e colaborador.

 

Introdução

Existem outros estudos sobre este assunto, bem mais detalhados. Aqui resumimos de forma prática as principais conclusões destes artigos, que podem ser encontrados nas referências ao final do texto, para um estudo mais aprofundado.

Contexto Bíblico

Nos versículos prévios a esta declaração, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Mas vós, (…) quem dizeis que eu sou?” (Mateus 16:15), ao que Pedro responde: “(…) Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.16). No verso seguinte, Jesus bendiz a Pedro por ter dito isso e, então, no versículo 18, temos esta declaração, que vamos analisar brevemente neste texto: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Contexto Literário

Pelo contexto gramatical, pode-se entender que o sujeito em questão é Cristo, já que Ele é o centro de Mateus 16:13-18. Este é o contexto literário imediato. No versículo 13, Jesus introduz a questão nevrálgica desta conversa com seus discípulos: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?”. Está totalmente claro que Jesus queria descobrir quem era Ele no conceito dos demais. No versículo 15 volta a enfatizar o centro do tema: “Mas vós, (…) quem dizeis que eu sou?”. Ali vem a declaração de Pedro que estamos estudando. No versículo 18, bem se poderia parafrasear as palavras de Cristo desta forma: “Disse certo, Pedro, porque assim como eu sou Cristo, tu és Pedro. E, sobre este Cristo (lembremos que o centro do tema é Cristo, e não Pedro), edificarei a minha igreja”. Mas para entendermos melhor a relação entre Cristo e a palavra usada Petra, devemos fazer uma análise mais profunda.

Gramática

Em Mateus 16:18, o autor deste livro utiliza duas palavras gregas distintas. Petros e Petra, respectivamente. Ambas as palavras são da mesma família, sendo a primeira, masculina e a segunda, feminina.

Antes de prosseguir, queremos dedicar um parágrafo para mostrar um método fácil para analisar algumas palavras bíblicas sem que seja necessário possuir um conhecimento profundo do grego e/ou do hebraico. Em 1890, John Strong e outras pessoas apresentaram a Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible, ou Concordância Exaustiva da Bíblia, comumente chamada Concordância Strong. Aqui se encontram todas as palavras importantes da Bíblia, codificadas em índices, para que possamos rastreá-las facilmente na Bíblia. Há dois códigos: um que começa com H, do hebraico e outro com G, do grego. Usamos esses códigos para entendermos melhor o uso das palavras no estudo.

A palavra Πέτρος (Petros) tem o código G4074. Esta palavra se repete 162 vezes, em 157 versículos. Todas essas vezes, como esperado, se referem ao apóstolo Pedro. A LXX (Septuaginta) traduz as palavras hebraicas “súr” e “kep” como Petros e Petra indistintamente, favorecendo a confusão a respeito desta palavra. Oscar Cullmann defende a hipótese de que Cefas, o nome dado a Pedro por Jesus, pode ser traduzido como Petros ou Petra, já que estas três se referem a rocha ou pedra. Tendo esta argumentação como base, algumas pessoas dizem que em Mat 16:18, Mateus usou Petros em lugar de Petra para manter a concordância de gênero entre o nome do apóstolo Pedro e um substantivo masculino, Petros. Um ponto interessante que está em João 1:42, Cefas é relacionada diretamente com Petros, e não Petra.

A palavra πέτρα (Petra, código G4073) se repete 16 vezes em 14 versículos e, desses versículos, 8 vezes se referem direta ou figurativamente a Cristo; nenhuma destas se refere a Pedro. Assim estão classificados estes versículos:

  • Mateus 7:24 e 25, Lucas 6:48: parábola da casa sobre a rocha, referindo-se à Rocha como sendo Cristo.

  • Mateus 16:18: versículo em estudo.

  • Mateus 27:51: quando Jesus morreu, o véu do templo se rasgou e se partiram algumas rochas.

  • Mateus 27:60, Mar 15:46: se referem à rocha usada como porta da tumba de Jesus.

  • Lucas 8:6 e 13: parábola do semeador, o terreno com pedras.

  • Romanos 9:33: refere-se a Jesus como “pedra de tropeço”

  • Apocalipse 6:15 e 16: na segunda vinda, os ímpios pedirão que as rochas caiam sobre eles.

δὲ πέτρα ἦν ὁ Χριστός (A Pedra Era Cristo)

Há dois textos que queremos dedicar um espaço a parte:

O primeiro é 1Pedro 2:7 e 8: “Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; e: pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

No versículo acima se usam duas palavras: petra e pedra (angular) = Lithos (λίθος). Por que menciono isso? Se Pedro tinha possuído um cargo de importância na Igreja Primitiva, poderia ter usado Petros em lugar de Lithos, ou mesmo Cefas. Porém, em lugar destas palavras, ele usou uma terceira, que mais adiante veremos que se aplica a Cristo.
             

O segundo texto é 1Cor 10:4: “e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo”

Neste versículo, o apóstolo Paulo não deixa nenhuma dúvida: δὲ (e) πέτρα (Petra) ἦν (era) ὁ Χριστός (Cristo). Uma indicação direta que os discípulos de Cristo o consideravam A Pedra (πέτρα).

Creio que, com essa breve análise, seja descartada a hipótese de que a palavra Petra possa ser aplicada a Pedro*. Mas vamos fazer uma análise histórica da posição que Pedro ocupava na Igreja Primitiva antes do ano 67 d.C., quando faleceu.

Posição de Pedro na Igreja Primitiva

Se Pedro tivesse sido eleito por Cristo como base ou pilar da Igreja Primitiva, deveria haver alguma evidência desta posição na Bíblia.

Vejamos o que alguns textos nos dizem sobre a posição ou cargo desempenhado por Pedro na Igreja Primitiva:

  • Atos 10:25 e 26: “Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem”. Aqui o texto é bastante claro sobre o conceito que Pedro tinha de si mesmo ao não aceitar adoração ou reverências.
  • 1Cor 3:22: “Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras, tudo é vosso”. Aqui se lhe menciona junto a Paulo e Apolo (um pregador poderoso de Corinto, Atos 18:24)
  • 1Cor 9:5: “E também o [direito](v.4) de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?”. Pedro era casado (Mateus 8:14-18; Marcos 1:29-34; Lucas 4:38-41). Portanto, não poderia ser um Papa.
  • Gálatas 2:9: “e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão”. Pedro não era a única coluna ou a base para a Igreja Primitiva. Esse cargo era compartilhado entre vários apóstolos.
  • Gálatas 2:14: “Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”. Paulo e Pedro costumavam ter diferenças quanto à doutrina e ao evangelismo da Igreja Primitiva. Pedro cria que o Evangelho era somente para os judeus. Deus teve que mostrar-lhe que não era assim, em uma visão relatada em Atos 10.
  • Atos 2:42: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”. A Igreja Primitiva perseverou na doutrina dos apóstolos, não somente de Pedro.
  • Efésios 2:20: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”. Cristo era a base, a pedra principal da Igreja Primitiva e a base da doutrina pregada. A doutrina era fundamentada nos apóstolos.

No primeiro concílio, Pedro não foi eleito para o principal cargo da Igreja. Outros apóstolos também tiveram participação importante no concílio mencionado em Atos 15 como, por exemplo, Tiago. Aqui podemos ver que a direção da Igreja Primitiva era compartilhada.

As “chaves dos céus” não foram dadas somente a Pedro (Mateus 16:19) senão também a todos os discípulos (Mateus 18:18).

Cristo como fundamento da Igreja

No Novo Testamento existem muitos textos que se referem a Cristo como uma pedra, como vimos anteriormente. Quero deter-me em 1Pedro 2:4-10. Pedro escreveu este livro em Roma, depois do ano 61 d.C., pouco antes de falecer. Portanto, naquela época já deveria existir uma posição predominante na Igreja Primitiva. Neste trecho, Pedro apresenta a Cristo como a pedra de edificação espiritual. A palavra grega mais usada aqui é Lithos (λίθος G3037), que é uma pedra grande, ou “pedra de moinho” (Lucas 17:2 e Mateus 27:60; 28:2). Também é usada Petra, referindo-se a Jesus.

Queremos destacar os versículos 1Pedro 2:4 e 5: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (ARA). Na teologia de Pedro, Jesus é a “pedra viva” sobre a qual somos edificados espiritualmente e eclesiasticamente. Assim como Paulo, Pedro tinha bem claro quem era πέτρα: Cristo.

Cremos que aqui há evidência bíblica suficiente sobre este tema. Não restam dúvidas sobre a posição de Pedro na Igreja Primitiva.

Entendemos que alguns amigos católicos podem se referir à Tradição e ao Didaquê (Doutrina dos doze apóstolos), para provar a posição de Pedro dentro da Igreja Primitiva, mas queremos destacar que estas obras carecem de veracidade autoral, e por isso não as consideramos neste estudo. A Bíblia é uma obra que, desde sua escrita até a eleição dos livros do Cânon Bíblico, foi guiada por Deus; portanto, ela é suficiente para entendermos a vontade de Deus e o que Ele espera de nós.

O Na Mira da Verdade é um programa que busca levar a Bíblia (e somente a Bíblia) a todas as pessoas. Cremos que as Escrituras são única fonte confiável e inspirada por Deus. E faz parte das 5 colunas da Verdade, que em outro artigo explicaremos em pormenores.

É nosso desejo que busque estudar a cada dia mais a Bíblia, porque certamente ela mudará a sua vida. Deus te abençoe!

Referências

– Colin Brown e Lothar Coenen (orgs.), Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2a ed. (São Paulo: Vida Nova, 2000).

– Gherard Pfandl (ed.), Interpretación de las Escrituras (Buenos Aires, Argentina: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2012), págs. 261-263.

– Norman Geisler e Thomas Howe, Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições da Bíblia. (São Paulo: Mundo Cristão, 1999), págs. 356-358.

– Jackson Paroschi Corrêa, “Pedro e a Pedra: Um Estudo Exegético de Mateus 16:18” (trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial à obtenção da graduação no Bacharelado em Teologia, Centro Universitário Adventista de São Paulo, dezembro de 2003).

– www.blueletterbible.org (Este site é uma ferramenta útil para o estudo das palavras bíblicas originais com o auxílio do Léxico de Strong).

* Leandro Quadros explica que, mesmo que o termo petra nesse contexto possa se referir a Pedro, segundo a interpretação católica, isso não indica que o apóstolo fosse a pedra fundamental da igreja. Ele comenta: “A interpretação protestante que predomina desde os tempos da Reforma no século XVI é a de que Jesus estaria usando um jogo de palavras para se referir a Si mesmo como o fundamento da igreja. Autores alegam que no diálogo com Pedro, Jesus fez uso de duas palavras gregas diferentes: petros, que significa “pedregulho”, em referência a Pedro; e petra, significando “rocha” em referência a Si. Segundo essa interpretação, Jesus estaria dizendo que sobre “esta pedra” (petra), ou seja, sobre Sua própria pessoa, fundaria a igreja cristã. Tal interpretação tem como base textos veterotestamentários que aplicam o termo “rocha” unicamente a Deus, não a seres humanos (Dt 32:15, 18; Sl 18:2), bem como em textos neotestamentários que apresentam a Cristo, o divino Messias, como sendo o fundamento da igreja (1Co 3:11; Rm 9:33; Ef 2:20, 21). Já os antigos pais da igreja, interpretaram o termo grego petra não como sendo uma referência a Jesus Cristo, mas sim à declaração de fé que Pedro fez. Com isso, Jesus estaria dizendo o seguinte: ‘Pedro, é com base em sua declaração de fé que fundarei minha igreja, de modo que todo aquele que me confessar, como você o fez, fará parte dela’.”

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6 comments

  1. Apesar de minha declarada orientação católica, devo concordar que, para o texto em questão, “a pedra” sobre a qual a Igreja seria edificada não é Pedro. Parece-me, porém, que atribui-la a Cristo, por processo de interpretação ao que segue a “concordância bíblica” (referir-se a outros textos onde Cristo é identificado como “pedra”) escapa à discussão de Mt 16,13-18, e transfere para outros textos algo que o próprio capítulo XVI do evangelho em discussão já esclarece, sem que seja necessária uma discussão apologética favorável ou contrária a Pedro como “pedra” da Igreja, ou mesmo o próprio Jesus, para que a questão seja resolvida sem ferir qualquer das confissões de fé cristã (e que seja fiel ao texto tomado como base para essa questão polêmica).

    Naquela perícope, a discussão gira em torno de uma questão: quem é Jesus? Pedro reage à provocação de Jesus, no seguinte dizer: “συ ει ο χριστος ο υιος του θεου…” (su ei hó Chrisros hó hyios Theou…): “tu és o Cristo, o filho do Deus…”– uma clara manifestação de que Jesus era o esperado Messias.

    Nesse contexto, Jesus responde algo do tipo: essa é uma revelação divina – e é sob esse fundamento que a Igreja será edificada (Mt 16,17-18) –, isto é, a fé de que Jesus é o Messias.

    Assim, a questão parece não girar em torno de Pedro (como pedra) nem mesmo em torno de Jesus (como pedra), mas sim da fé que Pedro manifesta (a de que Jesus é o Messias filho de Deus).

    Essa ideia é retomada em outros livros, a exemplo da carta à comunidade cristã de Roma. Nela, Paulo demonstra que a messianidade de Jesus é diferente da esperada, porque relaciona-se à sua ressurreição (sem a qual, vã seria nossa fé). Sobre Jesus, ele diz: “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, PELA RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS…” (Rm 1,4).

    Essa fé é a pedra na qual se fundamenta a comunidade cristã, porque ela emerge de um aparente fracasso de Cristo, que ao ser morto na cruz, parecia deitar por terra a certeza de que ele era o Messias esperado, pois não fazia parte da consciência popular que o Ungido sucumbira às forças estrangeiras, mas sim, que promoveria um levante contra os opressores do povo e elevaria Israel ao status de grande nação. O que explica a frustração dos discípulos ao terem de lidar com a notícia da morte de seu líder, bem expressa na conversa dos discípulos a caminho de Emaús: “E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram” (Lc 24,21). Algo muito próximo da recusa de Pedro em aceitar que, se Jesus era o Messias que ele mesmo acabara de confessar, caberia a ideia de que ele seria morto em Jerusalém, pois isso seria prova contrária à sua messianidade, no entender de Pedro, como fica claro na sequencia do texto: “Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém.. e ser morto… E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: …Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens (Mt 16,21-23).

    Assim, parece que a pedra em questão é a fé em que se fundamento o segmento a Jesus – a de que ele é o Messias filho de Deus – mesmo que para o povo daquele tempo, essa fé não combinasse com o caminho que Jesus demonstrou que iria trilhar. Aquele mesmo caminho que, de imediato causou frustração nos discípulos por acharem que se Jesus era mesmo o Messias esperado, sua morte seria inconcebível (Lc 24,21). Jesus demonstrou que não. E Paulo entendeu bem isso, conforme a confissão de fé que expressa em Rm 1,4.

    1. Olá Damião! Seu comentário e análise é excelente! Acredito que a confissão de Pedro e a pessoa de Cristo são dois lados da mesma moeda. Quando vemos a temática da pregação dos apóstolos era a pessoa de Cristo (1 Cor 2). E isso inclui a confissão de Pedro. Mas mesmo assim acredito que o tema da discussão de Jesus e os discípulos foi Ele mesmo, essa foi a pergunta. Vejo seu comentário como um aporte adicional e complementar. Mas podemos seguir estudando o assunto!
      Grande abraço!

      1. Olá, Sr. Nelson. Somente agora li seu comentário. Obrigado pela observação. O tema é interessante, e como eu disse, apesar de ser de confissão católica, procurei não me deixar influenciar pela tendência católica de associar a “pedra” a Pedro; embora, entenda que o jogo de palavras até poderia ser pensado. E isso tornaria mais possível para a declaração textual associá-la a Simão que a Jesus. Apesar disso, a não ser por preconcepções teológicas, é muito improvável que Jesus estivesse tentando esclarecer que era Ele e não Pedro a pedra.

        Observo que os não-católicos dogmatizaram a resposta, como se houvesse da parte de Jesus algum interesse apologético na questão. Algo difícil de concordar, porque o texto não discute quem é o fundamento da Igreja, mas QUAL o fundamento da comunidade que se forma em torno de Jesus.

        Se atribuir a declaração de Jesus a Pedro leva a um extremo não pretendido por Jesus, abdicar do texto de Mateus e buscar outra solução noutros textos, onde Jesus é apontado como pedra, a meu ver se deve a uma excessiva preocupação que somente aparece nos embates entre católicos e protestantes, mas não no colegiado apostólico. A bem da verdade, o texto de Mateus, a meu ver se explica por si mesmo. Jesus dialogava com seus seguidores acerca de quem ele era (para provocar neles a consciência de que estavam certos de que ele era o Messias mesmo ou não). A resposta de Pedro, no sentido de ser Jesus o Messias esperado é que provoca a reação positiva (ele foi feliz na colocação que fez). Assim, Jesus toma a resposta de Pedro exemplar e seu comentário acerca do fundamento da fé daqueles que o seguiriam: Ele de fato era o Cristo (e era sob esse fundamento que a Igreja seria edificada. Ou podemos pensar cristianismo se recusamos ser Jesus o Messias esperado?).

        Entendo que aquela passagem de Mt 16 é autoexplicativa (no contexto não se refere a Pedro, nem a Jesus, mas à fé que reuniria a comunidade crista como algo diferente do judaísmo, pois muitos judeus não estavam certos de que Jesus era o Messias (mas um profeta qualquer), Pedro foi mais além e declarou o que nenhumas das respostas trazidas indicava. Por isso é que Pedro foi chamado de “bem-aventurado).

  2. Essa interpretação é correta no contexto de Mateus 16:18, pois Jesus queria ouvir de seus discípulos o que pensavam acerca Dele. Quando Pedro declarou Ele ser o filho de Deus, Jesus mostrou-se satisfeito perante a afirmação de seu discipulo, pois viu que este demonstrou fé, então Cristo continuou dizendo: “Sobre essa pedra (a fé em mim) eu construirei a minha igreja.”

    Porém, essa pedra em questão não se limita somente à fé em Jesus Cristo. Há uma complexidade maior quando afirmamos que há uma pedra para a igreja de Deus, não somente a fé, mas muitos outros atributos e principios norteadores vindo da Pessoa de Jesus.

    Em 1 Pedro 2:4-10 o apostólo claramente afirma ser Cristo essa pedra (o fundamento). Essa declaração conduz a igreja não somente a ter fé em Jesus, mas também a seguir seus passos, assemelhando-se ao seu caráter e completando a obra a qual Ele iniciara, servindo Ele como molde. Jesus, portanto sempre foi a pedra, o fundamento, a base ou o cabeça da igreja. O próprio Jesus já havia ensinado isso em João 15:5 “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. Paulo entendeu bem esse conceito, por isso afirmou em 1 Coríntios 11:1 : “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”

    Imagina que se a igreja fosse movida somente pela fé de que Jesus é filho de Deus? Provavelmente, nós apenas nos preocupariamos em cuidar da nossa própria salvação, a igreja por Si só seria morta e baseada em liturgias. (Tiago 2:26) Os irmãos não sairiam às ruas para pregar, tampouco para ajudar o próximo em suas necessidades. Por isso Cristo é a pedra. Sua vida, Seu exemplo deve ser seguido por toda pessoa que o Ama e confia nele de todo seu coração.

    Abraços e que Deus lhe abençoe!

  3. Essa interpretação é correta no contexto de Mateus 16:18, pois Jesus queria ouvir de seus discípulos o que pensavam acerca Dele. Quando Pedro declarou Ele ser o filho de Deus, Jesus mostrou-se satisfeito perante a afirmação de seu discipulo, pois viu que este demonstrou fé, então Cristo continuou dizendo: “Sobre essa pedra (a fé em mim) eu construirei a minha igreja.”

    Porém, essa pedra em questão não se limita somente à fé em Jesus Cristo. Há uma complexidade maior quando afirmamos que há uma pedra para a igreja de Deus, não somente a fé, mas muitos outros atributos e principios norteadores vindo da Pessoa de Jesus.

    Em 1 Pedro 2:4-10 o apostólo claramente afirma ser Cristo essa pedra (o fundamento). Essa declaração conduz a igreja não somente a ter fé em Jesus, mas também a seguir seus passos, assemelhando-se ao seu caráter e completando a obra a qual Ele iniciara, servindo Ele como molde. Jesus, portanto sempre foi a pedra, o fundamento, a base ou o cabeça da igreja. O próprio Jesus já havia ensinado isso em João 15:5 “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. Paulo entendeu bem esse conceito, por isso afirmou em 1 Coríntios 11:1 : “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”

    Imagina se a igreja fosse movida somente pela fé de que Jesus é filho de Deus? Provavelmente, nós apenas nos preocupariamos em cuidar da nossa própria salvação, a igreja por Si só seria morta e baseada em liturgias. (Tiago 2:26) Os irmãos não sairiam às ruas para pregar, tampouco para ajudar o próximo em suas necessidades. Por isso Cristo é a pedra. Sua vida, Seu exemplo deve ser seguido por toda pessoa que o Ama e confia nele de todo seu coração.

    Abraços e que Deus lhe abençoe!

    1. Muito obrigado por seu excelente comentário, Arllen. Trouxe grande luz sobre o assunto.

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