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Pequenas Perguntas, Grandes Lições

perguntas

Por Azenilto G. Brito – Ministério Sola Scriptura

Site: http://www.c-224.com/id39.html

 

INTRODUÇÃO

Azenilto G. Britto é um grande estudioso da Bíblia e apologista cristão. Mais uma vez tenho o privilégio de compartilhar com você um dos artigos preciosos que ele elaborou sobre a validade da Lei de Deus.

Com argumentação bíblica e uma linha de raciocínio bastante lógica, esse material lhe ajudará a ter uma visão mais protestante do tema. Leia com o coração aberto e o Espírito lhe surpreenderá com a quantidade de luz que Ele fará brilhar sobre sua mente.

Que ao final da leitura você, caro leitor justificado unicamente pela fé em Cristo (Ef 2:8, 9), faça a oração do Salmo 119:18: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”.

PERGUNTAS APOLOGÉTICAS

Eis o meu mais novo questionário apologético. Como me criticavam por ter perguntas “longas” resolvi fazer perguntas curtinhas, de duas linhas somente. E até facilito as coisas dando as RESPOSTAS DEVIDAS. Mas se alguém não concorda com elas, pode oferece RESPOSTAS MELHORES que daremos  devida consideração às mesmas. Então, vamos lá:

1 – Por que o amor a Deus só pode ser expresso reduzindo-se de 4 para 3 preceitos do Decálogo, se o sábado é o que tem mais disso?

RESPOSTA: Nada justifica eliminar do 4º. mandamento  o seu caráter de amor para a era cristã, pois o sábado é o que mais expressões de amor apresenta—a) de Deus para com o homem concedendo-lhe esta benéfica provisão de descanso físico e mental, com vantagens tantas no campo social, familiar, eclesiástico e até ecológico; b) de Deus para com os animais de carga, pois no sábado “nem o teu boi, nem o teu jumento” deviam ser postos a trabalhar; c) amor do homem para com Deus, respeitando-O como Criador de todas as coisas ao dedicar-Lhe o “memorial da Criação”, que é o sábado–Êxo. 20:11; cf. Sal. 111:2-4; d) amor do homem para com o seu semelhante respeitando o seu direito do descanso físico, mental, e demais benefícios espirituais, sociais, familiares nesse dia (“nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva . .”).

2 – Se negam que o sábado é o preceito com mais expressões de amor no Decálogo, que outro se indicaria que o ultrapasse nisso?

RESPOSTA: Não creio que alguém seja capaz de apresentar qualquer outro preceito do Decálogo com mais expressões de amor a Deus em conexão até com amor ao próximo. Quem discordar que apresente fatos e dados nesse sentido.

3 – Não é dito que Adão guardava o sábado, mas como provar que NÃO, atuando ele no jardim 7 dias direto (Gên. 2:15) sem dedicar nenhum dia a Deus?

RESPOSTA: Os falaciosos argumentos do silêncio não servem de prova nem contraprova de coisa alguma.  Aquele primeiro  sábado foi “santificado”, ou seja, SEPARADO por Deus, então a lógica é de que Adão só teria benefícios em dedicar esse dia ao Senhor. A prova em contrário nunca foi apresentada, como a própria pergunta prevê.

4 – Como José no Egito sabia ser “grave pecado” ir para a cama com a mulher do patrão se não consta a lei “não adulterarás” na sua época (Gên. 39:9)?

RESPOSTA: Os falaciosos argumentos do silêncio não servem de prova nem contraprova de coisa alguma. Claramente a “lei moral” de Deus sempre existiu, como é confirmado até pelo autor e pastor assembleiano O. S. Boyer  (e não só por ele…) ao dizer: “Não se deve pensar que não existia nada destes [dez] mandamentos, antes de Moisés. Foram escritos nas mentes e nas consciências dos homens desde o princípio. Não há pecado que não é condenado por um dos Dez Mandamentos”. – “Pequena Enciclopédia Bíblica”, CPAD, verbete, ‘Dez Mandamentos’.

5 – Por que não poderiam Abraão, Isaque, Jacó cultuar imagens de Sto. Abel, Sto. Enoque e São Noé, já que não consta proibição disso ao tempo deles?

RESPOSTA: Os falaciosos argumentos do silêncio não servem de prova nem contraprova de coisa alguma. Claramente a “lei moral” de Deus sempre existiu, como é confirmado até pelo autor e pastor assembleiano O. S. Boyer  (e não só por ele…) ao dizer: “Não se deve pensar que não existia nada destes [dez] mandamentos, antes de Moisés. Foram escritos nas mentes e nas consciências dos homens desde o princípio. Não há pecado que não é condenado por um dos Dez Mandamentos”. – “Pequena Enciclopédia Bíblica”, CPAD, verbete, ‘Dez Mandamentos’.

6 – “Semana” tem que ver com sábado, e se não há sábado antes do Sinai, como Jacó fala de “semana” de sete períodos (Gên. 29:27)?

RESPOSTA: Dizem eruditos da própria grei evangélica:

“Como nos é apresentado nas Escrituras, o sábado não foi invenção de qualquer fundador religioso. De princípio não era parte de qualquer sistema religioso, mas uma instituição inteiramente independente. Muito definidamente é apresentado no Gênesis como exatamente a primeira instituição, inaugurada pelo próprio Criador. Era puramente religiosa, inteiramente moral, integralmente espiritual. Não continha cerimônias prescritas, nem significação sacramental. Não requeria qualquer sacerdote, nem liturgia. Era para o homem como criatura, mordomo e amigo de Deus.

“A semana, com o seu sábado, é um arranjo artificial. A razão para ele é achada somente nas Escrituras do Velho Testamento. Ali é sempre associado com a revelação da parte de Deus. . . .

“Ideias e práticas religiosas entre todos os povos, em variados graus, têm sido associadas com todas as divisões de tempo, que os homens adotaram. Mas em relação somente com a semana é a religião a explicação óbvia para sua origem, e a semana somente é uniformemente atribuída ao mandamento de Deus. A semana existe por causa do sábado. É histórica e cientificamente verdade que o sábado foi feito por Deus”. – W. O. Carver, “Sabbath Observance”, p. 41, produzido pela Junta da Escola Dominical da Convenção Batista do Sul.

Isso é também confirmado pela “Bíblia da Mulher”, da Sociedade Bíblica do Brasil, ao comentar sobre Êxo. 20:8-11: “Nenhuma conexão foi estabelecida entre o sábado israelita e observâncias em nenhuma outra cultura antiga. Este também não se deriva dos movimentos do sol, da lua, das estrelas ou de outras unidades de medida de tempo, refletindo, assim, o fato de o domínio do tempo e das atividades pertencerem ao Senhor” (Op. Cit., 2a. edição, pág. 134).

O marco da semana sempre foi o sábado para os filhos de Israel. E se Jacó em diálogo com Labão tratava da semana de sete anos, logicamente temos aí importante pista quanto à antiguidade do sábado.

7 – Ao Moisés falar de “sexto dia” seguido pelo santo sábado (Gên. 16:22, 23), isso não mostra que conheciam já a semana de 7 dias?

RESPOSTA: À luz de Gên. 29:27 isso se torna por demais evidente. Os que neguem isso é que têm de apresentar as provas que contrariem tal ideia.

8 – Êxo. 31:16, 17 trata do sábado para Israel, mas o vs. 17 refere-se é a criação do céu, da terra, etc., então, o céu a terra e tudo neles são só para Israel?

RESPOSTA:  Em Êxo. 20:11 temos o próprio Deus dando as razões por que o sábado deve ser o sétimo dia: “PORQUE em seis dias criou Deus os céus, a terra  . . . e no sétimo dia descansou. PORTANTO [ou PORISSO] abençoou Deus o dia do sábado e o santificou”.

Há um ‘PORQUE’ e um ‘POR ISSO’ para a SANTIFICAÇÃO [separação para uso dedicado à Divindade] do sétimo dia. O referencial é a CRIAÇÃO DO MUNDO que, logicamente, não se limita à nação de Israel.

9 – Se Jesus desqualificava o sábado ao dizer que os sacerdotes o violavam e ficavam sem culpa, como fica o que Ele disse em Mat. 5:19; 23:1-3?

RESPOSTA: Em Mat. 5:19 Cristo declara que quem desrespeitar o mínimo dentre os mandamentos e assim ensinar aos homens, seria considerado “o mínimo no reino dos céus” o que, à luz do vs. 20, significa não ter chance alguma de nele entrar. Em Mat. 23:1-3 Cristo profere o Seu último discurso público lembrando “à multidão” e a Seus discípulos [continuadores de Sua obra] que deviam respeitar TUDO da lei, como ensinada (mas não praticada) pelos seus líderes religiosos de Israel. Isso inescapavelmente inclui o sábado.

10 – Se hoje se pode violar o sábado, já que os sacerdotes o faziam, e sem culpa, por que era transgressão antes das palavras de Cristo em Mat. 12:5?

RESPOSTA: Os anti-sabatistas investem tanto nesta passagem, mas ignoram o fato de que há séculos os sacerdotes praticavam os ritos sagrados no Templo aos sábados, nem por isso o povo de Israel podia violá-lo. Tanto que em Jer. 17:21, 22 e 27 claramente a violação do sábado foi uma das causas de seu cativeiro. Ora, por que o exemplo dos sacerdotes, como lembrado por Cristo, não podia servir ao povo como escusa para violar o sábado, como os anti-sabatistas querem que seja um fato SÓ a partir de quando Cristo declarou o que está registrado em Mat. 12:5? Vemos aí a evidente incoerência de um sofisma claramente mal formulado.

11 – Jesus disse que o sábado foi feito por causa do homem (Mar. 2:27), mas isso foi para o bem ou para o mal do homem?

RESPOSTA: Está provado cientificamente que o sábado é necessário e benéfico para os seres humanos. Cientistas cronobiólogos comprovaram o chamado “ritmo do sétimo dia”, ou “circaseptano”, o regime ideal de seis dias de trabalho e um de descanso.

O pastor e médico evangélico, Michael Cesar, conta que Hitler, querendo levar vantagem em tudo, determinou que os operários das fábricas de armas e munições na preparação para a 2a. Guerra Mundial deviam trabalhar os 7 dias semanais direto, só parando à noite para descansar. Não funcionou. As pessoas ficavam esgotadas, nervosas, a produção caiu. Daí o Führer teve que retornar ao regime natural de 6 dias de trabalho e 1 de descanso.

Por isso batistas e presbiterianos também acentuam em seus respectivos documentos confessionais ser da LEI NATURAL que haja esse regime de seis dias de trabalho, e um de descanso.

12 – Admitindo-se ser o sábado para o bem do homem, por que Deus— que não discrimina pessoas—só beneficiou os judeus com tal regra?

RESPOSTA: Pois é,  “para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rom. 2:11). Então, se foi para o bem do homem, isso inclui TODOS OS HOMENS, desde a criação do mundo. Isso é o que ensina a “Bíblia de Estudo Pentecostal”:

“1) O principio de um dia sagrado de repouso, foi instituído antes da lei judaica. ‘E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou’ (Gn 2.3). Isto indica que o propósito divino é que um dia, em sete, fosse uma fonte de bênção para toda a humanidade, e não apenas para a nação judaica.

“2) O propósito espiritual de um dia de descanso, em sete, é benéfico ao cristão. . . .

“5) Jesus indica que o dia de descanso semanal foi dado por Deus para o bem-estar espiritual e físico do homem (Mc 2.27).–  “Bíblia de Estudo Pentecostal” (CPAD), comentário de Mat. 12:1 (rodapé)—págs. 1409, 1410.

13 – Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde há preceito claro, direto, no NT, para não se confeccionar imagens?

RESPOSTA: É uma falsa premissa a de que os mandamentos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois os filhos dos cristãos não precisariam respeitar os pais até Paulo “restaurar”  em Efé. 6:1-3 o preceito (da “lei abolida” na cruz) quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!

14 – Se o sábado não é repetido como preceito para a Igreja, onde consta regra clara, direta, para não se consultar os mortos no NT?

RESPOSTA: É uma falsa premissa a de que os mandamentos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois os filhos dos cristãos não precisariam respeitar os pais até Paulo “restaurar”  em Efé. 6:1-3 o preceito (da “lei abolida” na cruz) quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!

15 – Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde há preceito claro, direto, contra casamento entre irmão e irmã no NT?

RESPOSTA: É uma falsa premissa a de que os mandamentos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois os filhos dos cristãos não precisariam respeitar os pais até Paulo “restaurar”  em Efé. 6:1-3 o preceito (da “lei abolida” na cruz) quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!

16 – Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde consta preceito claro, direto, proibindo sexo com animais no NT?

RESPOSTA: É uma falsa premissa a de que os mandamentos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois os filhos dos cristãos não precisariam respeitar os pais até Paulo “restaurar”  em Efé. 6:1-3 o preceito (da “lei abolida” na cruz) quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!

17 – Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde há preceito claro, direto, contra falar o nome de Deus em todos os casos no NT?

RESPOSTA: É uma falsa premissa a de que os mandamentos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois os filhos dos cristãos não precisariam respeitar os pais até Paulo “restaurar”  em Efé. 6:1-3 o preceito (da “lei abolida” na cruz) quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!

18 – Quando Paulo diz que não fez nada contra a lei dos judeus (Atos 25:8), como poderia ser violador do sábado e dizer tal coisa?

RESPOSTA: Se ele fosse violador do sábado, sem dúvida os seus acusadores judeus levantariam isso de imediato contra ele. Contudo, Lucas, o único gentio que escreveu um evangelho e o Atos dos Apóstolos, dá testemunho de que quando Paulo e seus companheiros chegaram numa cidade onde não havia sinagoga, eles foram num sábado para junto a um rio para orar (Atos 16:13). Certamente eles oravam todos os dias, mas Lucas faz questão de ressaltar aquela especial ocasião de sábado durante sua viagem.

19 – Como a guarda do sábado seria diferente entre crentes judeus e gentios se não há mais judeu nem grego, escravo ou livre, macho ou fêmea no NT?

RESPOSTA: Há os que alegam que os cristãos de origem judaica realmente observavam o sábado, enquanto isso não era requerido dos gentios. Mas se a guarda do sábado é errada, e mera “sombra” de Cristo, seria errado para TODOS—crentes judeus e gentios. Paulo deixou muito claro que sob o evangelho não há mais judeu nem grego, servo nem livre, homem ou melhor pois todos são um em Cristo (Gál. 3:28).

20 – Onde em Col. 2:14-16 Paulo diz que não se deve mais guardar o sábado e sim o domingo, ou adotar-se o dianenhumismo?

RESPOSTA: O fato é que Paulo aí discute uma questão local (dos extremistas do “não toques, não proves, não manuseies”—Col. 2:21), e não está pretendendo estabelecer nenhuma regra universal. Ele nada diz sobre não mais se observar o sábado, adotar-se o domingo ou o dianenhumismo nesta passagem.

Obs.: Interessante que entre evangélicos dizia-se tradicionalmente que o domingo tomou o lugar do sábado desde a ressurreição de Cristo. É como consta das confissões de fé de presbiterianos, batistas e outros. Contudo, pesquisas posteriores mostraram o erro de tais conceitos, e o que se passou a dizer é que os crentes judeus realmente podiam guardar e guardavam o sábado, mas isso não caracterizava os crentes gentios.

Uma forma de contornar as claras evidências de que o domingo NÃO COMEÇOU NA PALESTINA no século I, e sim em ROMA, a partir de meados do séc. II. Mas há uma tremenda dificuldade nesse raciocínio criado ultimamente: se a guarda do sábado é um erro, mera “sombra” de Cristo, seria errado para TODOS—crentes judeus e gentios. Paulo deixou muito claro que sob o evangelho não há mais judeu nem grego, servo nem livre, homem ou mulher pois todos são um em Cristo (Gál. 3:28).

E agora, como ficamos?!

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