Qual é o significado do «lago de fogo» do Apocalipse?

Qual é o significado do «lago de fogo» do Apocalipse?

Essa é uma discussão importante, porque atinge diretamente os dois lados da moeda – tanto os imortalistas, que creem que o lago de fogo é o inferno, quanto os mortalistas, que tendem a pensar que se trata do geena (o lugar de castigo temporário até a aniquilação), quando na verdade nada mais representa senão a própria morte final (desculpa o spoiler). Eu não vou entrar aqui na discussão sobre a duração e natureza do inferno porque eu literalmente tenho um livro inteiro só sobre isso e abordar aqui tudo de novo iria desvirtuar a ênfase no lago de fogo em si. Mas um pouco de conhecimento teórico é necessário para que você não fique “boiando” ao ler este artigo, principalmente se for alguém que ainda não tem profundidade no tema.

Então vamos lá: em primeiro lugar, tanto imortalistas como mortalistas geralmente concordam que o “inferno”, em si, não está na Bíblia. A palavra “inferno” vem do latim infernus, mas a Bíblia foi escrita em hebraico e grego, não em latim. A confusão começou quando Jerônimo verteu “partes subterrâneas” por infernus em sua Vulgata Latina. Não que isso fosse um erro em latim, só que muitas das traduções posteriores preferiram transliterar o termo latino para o vernáculo, o que em português criou o nosso “inferno”. É um caso muito parecido com o “Lúcifer”, que também não existe nos originais, mas vem de uma tradução ao latim de um termo hebraico que não é nem nome próprio, mas que as Bíblias vernáculas mantiveram o termo latino em vez dos originais (leia mais sobre isso aqui). Em outras palavras: toda a confusão começa quando tradutores preguiçosos, em vez de traduzirem dos originais, pegam a Vulgata Latina e apenas a transliteram, ou seja, fazem “tradução de tradução”, ignorando completamente o hebraico e o grego (os idiomas em que a Bíblia foi escrita).

Mas isso não significa que algum conceito sobre aquilo que comumente se chama de “inferno” não seja bíblico. Se colocarmos de lado as “lendas infernais” dos demônios com rabos e tridentes torturando espíritos incorpóreos como em um parque de diversões e ficarmos apenas com o conceito básico de “lugar de castigo”, podemos dizer que um “inferno” existe. O próprio Jesus falou de um lugar com “choro e ranger de dentes” (Lc 13:28), onde os ímpios ficariam“até pagar o último centavo” (Mt 5:26). Ou seja, alguma coisa que podemos chamar de “inferno” (ainda que anacronicamente) existe; a discussão é sobre no que esse lugar consiste.

É aí que mortalistas e imortalistas divergem essencialmente: para nós, o “inferno” (entenda como “lugar de castigo”, não a imagem tradicional que se tem de inferno, repito) não é um lugar que esteja em operação agora, mas sim um lugar de castigo futuro, mais especificamente ao final do milênio (quando os ímpios voltarão à vida, na ressurreição). Ele é o geena que Jesus tanto mencionou – sempre citado como algo futuro, nunca no presente. Os imortalistas geralmente concordam que o geena é futuro, mas além do geena eles creem também em um “outro inferno”, que é aquilo que o Antigo Testamento chama de “Sheol” e o Novo de “Hades”. Ou seja, quando um ímpio morre sua alma ou espírito é lançada no Sheol/Hades e fica lá até a ressurreição, então na ressurreição ela sai dali e se religa ao corpo ressurreto para em seguida voltar a ser castigada em um outro inferno (geena), só que dessa vez para sempre.

Nós discordamos fortemente disso, não apenas porque é uma birutice sem pé nem cabeça que confronta qualquer mínimo senso de lógica ou bom senso, mas principalmente porque a Bíblia nunca retrata o Sheol/Hades como um lugar de sofrimento para espíritos sem corpo; pelo contrário, ela é unânime em descrevê-lo como a “sepultura comum” da humanidade, o resíduo de todos os cadáveres do mundo (sobre isso, é altamente recomendável a leitura deste artigo). A única exceção é a parábola do rico e Lázaro, que justamente por se tratar de uma parábola (alegoria) não deve ser tomada literalmente, mas como os imortalistas precisam deste texto por ser o único que supostamente defende o conceito pagão de Hades então não podem se desapegar dele (sobre a parábola, a propósito, eu já escrevi extensivamente aqui e também comentei neste vídeo).

Agora que você já conhece um pouco os dois conceitos, vamos entrar na discussão específica sobre o lago de fogo. Para os imortalistas, o lago de fogo é este “inferno final” onde os ímpios serão lançados de corpo e alma, ou seja, o geena. Muitos mortalistas pensam o mesmo, com a diferença de que no mortalismo o geena não é eterno, mas temporário. O problema com essas duas teses é que ambas literalizam algo que não tem a menor pretensão de ser literal. Qualquer leitor do Apocalipse consegue perceber que João lidava ali com alegorias e símbolos, o que torna temeroso e precipitado interpretar um texto isoladamente como literal, a não ser que o seu contexto assim exija.

É preciso ressaltar que texto nenhum da Bíblia menciona um lago de fogo, a não ser o Apocalipse. Sim, a Bíblia menciona algumas vezes o fogo quando fala do geena, mas não fala jamais sobre um “lago” de fogo e enxofre, tal como é descrito nas visões de João. Este nem seria o maior problema, porque algum intérprete poderia subtender que os textos que falam do geena como um local com fogo são uma alusão ao mesmo lago de fogo do Apocalipse, ainda que nenhum outro lugar da Bíblia mencione especificamente um lago. Mas aqui entra o problema mais grave: o próprio João explica do que se trata o lago de fogo, e sua explicação é totalmente destoante de um lago de fogo literal. Vejamos o que ele escreve:

“Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte” (Apocalipse 20:14)

Preste atenção ao que o texto diz. O texto não diz que o lago de fogo é um lago de fogo literal mesmo, e nem que representa algum tipo de inferno literal ou lugar de condenação, seja ele temporário ou eterno. O texto só diz uma coisa: que o lago de fogo É a segunda morte. Se o lago de fogo fosse um lago de fogo literal, é óbvio que João nem perderia tempo dizendo o que ele significa, pois seu significado já seria explícito e autoevidente no próprio uso do termo, ou seja, já estaria declarado em si mesmo. Ele só dá um significado para o que é o lago de fogo por uma razão muito simples: justamente porque ele não é um lago literal.

Os imortalistas, contudo, tem uma “explicação” excêntrica para essa passagem: essa “segunda morte” é o mesmo que “inferno”, então o que João estaria dizendo aí é que o lago de fogo é a segunda morte, que é o próprio lago de fogo! Eles realmente acham que João estava caindo em um ridículo raciocínio circular, onde uma coisa significa outra coisa, mas essa outra coisa significa exatamente o mesmo que a coisa anterior! É simplesmente surreal. Novamente: se o lago de fogo fosse um lago de fogo literal, João não teria dito nada além de que ele era um lago de fogo e pronto. Dar um significado que através de um malabarismo retorna ao mesmo conceito anterior é brincar com a inteligência dos leitores.

A consequência catastrófica da “interpretação” imortalista é que ela inverte representado e representação, ou seja, toma o símbolo como a realidade e a realidade como o símbolo. Você com certeza já deve ter ouvido por aí algum deles dizendo que “a segunda morte representa o inferno, uma morte espiritual” (isso se você mesmo não for um deles, é claro). Só que João não diz que a segunda morte “significa” alguma coisa. A segunda morte é o que é: segunda morte. O que tem um significado oculto por detrás não é a segunda morte, mas o lago de fogo, que é a segunda morte. Em termos simples: o lago de fogo é um símbolo, e a segunda morte é seu significado. Os imortalistas invertem todo o panorama aqui e o jogam de pernas pro ar, transformando a segunda morte em um símbolo, e fazendo do lago de fogo o seu significado. Isso é patético.

Para que você entenda melhor o que estou dizendo aqui, vamos comparar com a própria linguagem de João em outros textos do Apocalipse:

“Voltei-me para ver quem falava comigo. Voltando-me, vi sete candelabros de ouro e entre os candelabros alguém ‘semelhante a um filho de homem’, com uma veste que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito. Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, tão brancos quanto a neve, e seus olhos eram como chama de fogo. Seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente e sua voz como o som de muitas águas. Tinha em sua mão direita sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes. Sua face era como o sol quando brilha em todo o seu fulgor. Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: ‘Não tenha medo. Eu sou o primeiro e o último. Sou aquele que vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades. Escreva, pois, as coisas que você viu, tanto as presentes como as que estão por vir. Este é o mistério das sete estrelas que você viu em minha mão direita e dos sete candelabros: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas’” (Apocalipse 1:12-20)

Observe que primeiro o autor trabalha com a metáfora, falando sobre sete candelabros e sete estrelas, dentre outros símbolos. Mas no final ele explica o que são as sete estrelas e os sete candelabros, quando diz que as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas. Então nós temos aqui os símbolos – as estrelas e os candelabros – e os significados dos símbolos – os anjos e as igrejas. Agora imagine se algum “intérprete” da Bíblia dissesse que na verdade é o contrário, que os anjos é que representam estrelas, e que as igrejas é que significam candelabros. Como você reagiria a isso? Pois éexatamente o mesmo caso do lago de fogo, que João explica que significa a segunda morte.

Alegoria

Significado

“Vi sete candelabros de ouro” (1:12)

“Os sete candelabros são as sete igrejas” (1:20)

“Tinha em sua mão direita sete estrelas” (1:16)

“As sete estrelas são os anjos das sete igrejas” (1:20)

“A morte e o Hades foram lançados no lago de fogo” (20:14)

“O lago de fogo é a segunda morte” (20:14)

Ou seja, não há razão, causa, motivo ou circunstância para se interpretar a segunda morte como significando o lago de fogo, quando aqui o que ocorre é claramente o oposto. O que os imortalistas fazem com o texto é isso:

O que o texto diz

Como o imortalista o lê

“O lago de fogo é a segunda morte”

“A segunda morte é o lago de fogo”

É preciso destacar que no Apocalipse nem tudo é desvendado; na verdade, a maior parte João deixa apenas nas “entrelinhas”, sem dar o seu significado direto (ele dá pistas, mas não diz abertamente o que é). Mas há casos onde ele dá o significado das próprias simbologias que usa, como por exemplo nos casos acima do candelabro e das estrelas, ou quando diz que “a mulher que você viu é a grande cidade que reina sobre os reis da terra” (Ap 17:18), ou quando diz que“as águas que você viu, onde está sentada a prostituta, são povos, multidões, nações e línguas”(Ap 17:18). Ou seja, nem sempre o que João escreve em símbolos é apenas uma incógnita, muitas vezes ele mesmo dá os significados (significados esses que alguns incrivelmente conseguem distorcer e dar outros significados no lugar, ou insistir na própria alegoria em si).

Há muitas outras provas de que o lago de fogo não é um lago de fogo literal, são tantas que eu poderia quase escrever um livro inteiro só sobre isso. Mas para não cansar o leitor irei resumir algumas aqui, a começar pelo fato de que o lago de fogo é um lugar para onde coisas abstratas e/ou inanimadas são lançadas, como é por exemplo o caso da morte e do Hades:

“Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte”(Apocalipse 20:14)

Nos quadrinhos da Marvel a Morte é um personagem (a esposa do Thanos, para ser mais preciso), mas na vida real a morte é um acontecimento ou um estado, mas não uma coisa que possamos tocar ou que possa ser literalmente lançada em um lago de fogo literal. Se os imortalistas estão certos e de fato o lago de fogo é um lago literal, então a morte deveria ser tão física quanto o próprio lago de fogo, para ser lançada desse jeito em um lugar físico. Mas o pior é o que vem depois: que raios o Hades está fazendo ali?! Lembre-se: para os imortalistas, o Hades é o próprio inferno atual. Mas aqui o texto diz que o Hades é lançado no lago de fogo, o que nos remeteria a um bizarro cenário onde literalmente um inferno seria lançado para dentro de um outro inferno(!), o que é um estupro ao bom senso de qualquer ente racional.

Se por um lado a interpretação imortalista do texto é uma esquisitice sem nenhum sentido ou lógica, observe como tudo se encaixa perfeitamente quando entendemos que o lago de fogo é uma metáfora que significa a segunda morte. Por que “segunda” morte? Porque a primeira é a que passamos ao final da vida, mas esta é revertida na ressurreição, que nos recoloca no estado de vida (existência). Já a segunda é definitiva, pois não há ressurreição futura, é umamorte eterna, sem fim. Então, quando o texto diz que a morte e o Hades (sepultura universal) são lançados no “lago de fogo”, tudo o que ele está dizendo é que a morte será agora definitiva, final, irreversível, um caminho sem volta. Veja o quanto um significado simples como esse é deturpado quando se mete um “inferno” no meio por pura teimosia na insistência dessa crença tão teologicamente frágil.

E não é só isso: a besta também é lançada no lago de fogo, como diz Ap 19:20. O problema com isso é que a besta, diferente do que alguns leigos imaginam, não é um ser humano (e nem deve ser confundida com o anticristo, que é o homem que lidera o Império da besta, e não a besta em si), mas um sistema. Eu não vou entrar neste mérito aqui porque já tenho um longo artigo especificamente sobre isso, onde provo com muitas evidências bíblicas que a besta só pode ser o Império Romano restaurado (identificado como sendo a União Europeia quando totalmente unificada), como você pode ler aqui.

Sendo a besta um sistema e não uma pessoa, ela também não pode ser lançada em um lago de fogo literal para ser atormentada para sempre, novamente fazendo muito mais sentido entender o lago de fogo como uma metáfora para a morte final e definitiva (aqui representando a destruição total deste sistema maligno). Em todos esses textos, o que os une é que tudo o que cai no lago de fogo deixa de existir, porque o lago de fogo é a aniquilação completa, a cessação total e permanente da existência. [Abrindo um parêntesis aqui, é importante ressaltar que isso não significa que o geena (lugar de castigo temporário dos ímpios após a ressurreição, proporcional aos pecados de cada um) não seja real, mas sim que a figura do lago de fogo não diz respeito ao geena, e sim à aniquilação posterior]

Tá ok, você chegou até aqui cansado, exausto e querendo saber só de uma coisa: se isso tudo é verdade, por que João escreve isso aqui?

“O diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre” (Apocalipse 20:10)

O texto é claro: eles serão atormentados para todo o sempre, não durante algum tempo. E mesmo considerando o fato de que o aionios na Bíblia às vezes significa apenas um “tempo indeterminado” e não um necessariamente eterno, seria uma manobra bem sorrateira de nossa parte se colocássemos este sentido aqui, o que nos igualaria às interpretações imortalistas que são também puro malabarismo e forçação de barra para fazer com que um texto diga aquilo que eles querem que diga. Só nos resta uma conclusão: o texto aqui está falando de um tormento eterno mesmo.

“Você acabou de contradizer todo o seu texto”. Calma, que a gente ainda chega lá. O que as pessoas precisam entender é que há uma diferença entre a descrição das visões e o significadodas visões. João teve uma visão: ele viu o diabo, a besta e o falso profeta sendo lançados no lago de fogo e atormentados pelos séculos dos séculos, mas lembre-se que ele também viu dragão perseguindo mulher grávida no deserto (Ap 12:13), cavalos que soltam fogo e enxofre pela boca (Ap 9:17), gafanhotos com rosto humano (Ap 9:7-8), mulher que cria asas e voa (Ap 12:14), estrelas caindo do céu na terra (Ap 6:13), duas oliveiras e dois candelabros soltando fogo da boca (Ap 11:4-5), cavalos com cabeça de leão (Ap 9:17), Jesus no céu com sete chifres e sete olhos (Ap 5:6) e em forma de cordeiro ensanguentado (Ap 5:6); trovões (Ap 10:3), altares (Ap 16:17), peixes (Ap 5:13) e aves (Ap 19:17) que falam em linguagem humana, e mais inúmeras outras coisas que se fôssemos transformar em doutrina iríamos simplesmente multiplicar o número de ateus e de contradições bíblicas.

A besta e o falso profeta “atormentados para todo o sempre” entram nessa lista. Devemos lembrar que embora João escrevesse em termos simbólicos, ele levava essas simbologias até o fim. Por exemplo, no capítulo 10 é dito que o apóstolo engole um livrinho, e ao invés de parar a simbologia por aí ele continua, dizendo até qual o sabor que ele tem, embora seja bem óbvio que em sentido literal João nunca engoliu livro algum:

“Depois falou comigo mais uma vez a voz que eu tinha ouvido falar do céu: ‘Vá, pegue o livro aberto que está na mão do anjo que se encontra de pé sobre o mar e sobre a terra’. Assim me aproximei do anjo e lhe pedi que me desse o livrinho. Ele me disse: ‘Pegue-o e coma-o! Ele será amargo em seu estômago, mas em sua boca será doce como mel’. Peguei o livrinho da mão do anjo e o comi. Ele me pareceu doce como mel em minha boca; mas, ao comê-lo, senti que o meu estômago ficou amargo’” (Apocalipse 10:8-10)

Note que tudo aqui acontece em uma visão, não literalmente. João pega um livro aberto na mão de um anjo, o que faz parte da simbologia. Ele poderia terminar aí, mas prossegue, levando a simbologia até seus efeitos finais: ele pega o livro, come o livro e ainda sente o gosto do livro. Não apenas “havia” um livro, mas também os efeitos que esse livro causava, que eram os mesmos que causaria caso existisse em realidade (ou seja, caso não fosse uma visão simbólica e sim algo literal). Da mesma forma que o livrinho que João engoliu executou sua função dentro da própria simbologia, o “lago de fogo” (que é tão metafórico quanto o livro) também executa seu papel, que é causar sofrimento (novamente dentro da própria simbologia). Está aí a razão pela qual é dito que o tormento no lago é “para sempre”, porque o que ele está representando (i.e, a morte) é eterna.

Assim, usar Apocalipse 20:10 como a “prova” do tormento eterno dos pecadores impenitentes seria o mesmo que eu revelasse um sonho estranho que tive à noite cheio de significados maiores ocultos, e você ao invés de ir correr atrás dos significados desse sonho considerasse apenas o sonho em si, em detrimento de sua aplicação no mundo real. Claro que aqui estamos falando de visões e não de sonhos, mas em se tratando de visões e sonhos espirituais o procedimento é o mesmo, Deus sempre revela coisas importantes através de uma linguagem figurada e enigmática, que se tornaria absurda se interpretada literalmente, da mesma forma que os exemplos que citei há pouco dentro do próprio livro do Apocalipse.

Em síntese: João descrevia as coisas que Deus revelava a ele em visão, mas essas coisas não eram realidades literais, embora fossem levadas até as suas últimas consequências na alegoria. O lago de fogo, que na realidade significa a morte eterna (final e irreversível), dentro da visão é um lago literal que João via, cujo sofrimento que causava não tinha fim porque representava um efeito que era eterno. Na sua visão, João viu a Morte personificada sendo lançada em um verdadeiro lago de fogo, mas isso era o que ele via, e não o que aquilo representava. Da mesma forma, ele viu a besta e o falso profeta queimando pra sempre, mas isso era o que ele recebeu em visão, não o significado dessa visão. O significado vem depois, no verso 14, sobre o qual já discorremos amplamente aqui.

Se depois de tudo isso alguém ainda insistir em um simplismo amador e barato teimando que o lago de fogo é um lago literal e que a segunda morte é apenas uma “morte espiritual” que significa o mesmo que o próprio lago de fogo e que os ímpios vão literalmente queimar ali para sempre após já terem queimado em outro inferno antes, eu não terei mais o que fazer a não ser recomendar um tratamento sério (e não será com teologia), porque nem defensor do Lula é tão teimoso.

Por Cristo e por Seu Reino,

Lucas Banzoli (www.facebook.com/lucasbanzoli1)

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Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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