Quando “Eterno” não é “para sempre”

Quando “Eterno” não é “para sempre”

Introdução

A seguir, você terá uma série de comentários eruditos a respeito do uso do termo “castigo (ou fogo) eterno” nas Escrituras. Antes, gostaria de destacar que é importante entendermos que expressões e termos bíblicos, escritos em idiomas diferentes (grego, hebraico e aramaico), não devem ser entendidos à luz dos dicionários da língua portuguesa. Precisam ser estudados levando-se em conta o significado que têm nas respectivas línguas originais (neste caso, idiomas da Bíblia). Estudemos a palavra “eterno”

“As palavras que se traduzem por “eterno” e “todo o sempre” não significam necessariamente que nunca terão fim. No Novo Testamento, vêm do grego aion, ou do adjetivo aionios. É impossível forçar estes radicais gregos a significarem sempre um período que não tem fim. A palavra aionios, traduzida como “eterno”, “para sempre”, significa literalmente “perdurando por um século”.

Comentando o texto de Filemom 15, afirma o estudioso evangélico H. G. Moule:

“O adjetivo aionios tende a marcar a duração enquanto a natureza da matéria o permite. E no uso geral tem íntima relação com as coisas espirituais”. ‘Para sempre’ neste verso (Filemon 15) significa permanência de restauração tanto natural como espiritual. Ligado, porém, a Deus significa eterno, para sempre. Também ligado á “vida” que provém de Deus, significa uma vida de duração sem fim”.

“No grego, a duração de aionios deve sempre se determinar com relação à natureza da pessoa ou coisa a qual se aplica. Por exemplo, no caso de Tibério César, o adjetivo aionios descreve um período de 23 anos, desde sua ascensão ao trono até sua morte”.

“No Novo Testamento, a palavra aionios se emprega para descrever tanto o fim dos ímpios como o futuro dos justos. Seguindo o princípio já enunciado de que a duração de aionios deve determinar-se pela natureza da pessoa ou coisa a qual se aplica, se deduz que o galardão dos justos é uma vida sem fim, enquanto que a retribuição dos ímpios é morte que não tem fim (João 3: 16; Romanos 6: 23; etc.). Em João 3: 16 se estabelece o contraste entre a vida eterna e perecer. Em 2 Tessalonicenses 1:9 se diz que os ímpios sofrerão “pena de eterna perdição”. Esta frase não descreve um processo que seguirá para sempre senão um ato cujos resultados serão permanentes” .

Mais exemplos:

“O castigo pelo pecado é infligido por meio do fogo (Mateus 18: 8; 25: 41). Que esse fogo seja aionios, “eterno”, não significa que não terá fim. Isto fica claro ao considerar Judas 7. Evidentemente, o ‘fogo eterno’ que destruiu a Sodoma e Gomorra ardeu por um tempo e depois se apagou (tais cidades não estado queimando até hoje!). Em outras passagens Bíblicas, se faz referência ao “fogo que nunca se apagará” (Mateus 3: 12), o qual significa que não se extinguirá até que haja queimado os últimos vestígios do pecado e dos pecadores”.

A Bíblia diz que Sodoma e Gomorra estão postas como exemplo de “fogo eterno”. Quando analisamos 2 Pedro 2:6 percebemos que tais cidades más foram “reduzidas a cinzas”, o que significa que o tipo de castigo dos ímpios nos últimos dias será o mesmo de Sodoma e Gomorra: queimarão e serão reduzidos a cinzas.

Seminário: Inferno de fogo

Assim, o significado de aionios (e seus derivados) como uma existência infinita (no caso de referir-se a Deus e à Sua natureza, por exemplo) “não é derivada da expressão em si, mas da expressão com que está associada.”.

“51 vezes no Novo Testamento aionios se aplica à eterna alegria dos redimidos, o que, é claro, não possui limitação de tempo. Pelo menos 70 vezes na Bíblia, essa palavra qualifica objetos de uma natureza limitada e temporária; assim, indica apenas uma duração indeterminada. Quando lemos que Deus é “eterno”, isso é verdadeiramente eterno, como entendemos o termo. Quando lemos que as montanhas são “perpétuas”, significa que duram tanto quanto é possível durar uma montanha. A Bíblia, frequentemente, usa aion, aionios e seus derivados hebraicos (olam, em suas várias formas) para falar de coisas que findam. O aspergir do sangue na Páscoa era uma “ordem eterna”. (Êxodo 12:24), assim como o sacerdócio de Arão (Êxodo 29:9; 40:15; Levíticos 3:17), a herança de Calebe (Josué 14:9), o templo de Salomão (I Reis 8:12, 13); o tempo de vida de um escravo (Deuteronômio 15:17) e a lepra de Naamã (2 Reis 5:27). Essas coisas não duraram “para sempre” de acordo com nossa concepção da palavra. Elas duram além da visão daqueles que as ouviram pela primeira vez sendo chamadas “eternas”, e depois disso nenhum tempo limite foi estipulado. Aionios fala sobre o tempo ilimitado, dentro dos limites determinados para aquilo que modifica”.

Portanto, podemos concluir que a expressão “fogo eterno” na linguagem Bíblica não quer dizer um “período sem fim”. O fogo ou castigo será eterno nas consequências , nos resultados (a pessoa nunca mais será ressuscitada) e não na duração do castigo!

Seminário: Imortalidade da Alma

“O Castigo é eterno quanto foi a destruição de Sodoma, mas o ato de punir não continua, perpetuando assim o pecado e o sofrimento” .
Se o estado de punição continuasse para “todo o sempre” no sentido de eternidade, não poderiam estar na Bíblia passagens como a de Apocalipse 21:4 (e outras), que menciona que não mais haverá o pecado e o sofrimento, pois, se o “tormento” fosse “eterno”, os maus continuariam blasfemando contra Deus no “inferno” (blasfemar contra Deus é pecado) e sofreriam as dores do fogo para sempre (o sofrimento não teria um fim). Haveria uma grande incoerência nas Escrituras. Graças a Deus que não é assim!

Mesmo que alguns teólogos confundam a mente das pessoas, a Bíblia tem textos claríssimos de que aion pode se referir a um curto período de tempo. Como exemplo há o caso de Davi. A Bíblia afirma que ele seria rei de Israel eternamente (“para sempre”). E a mesma Escritura Sagrada diz que Davi morreu e que reinou sobre Israel 40 anos. (1 Reis 2:10 e 11; 1 Crônicas 29:27 e 28). Paulo também disse que Davi “adormeceu” (Atos 13:36). Perceba que o termo “eternamente” ou “para sempre” nesse verso simplesmente refere-se a um período de 40 anos, tempo em que Davi reinou.
Os comentaristas que creem no tormento eterno deveriam avaliar esses versos bíblicos que mostram a curta duração de tempo (em alguns casos) no significado de aion. Devemos usar toda a Escritura (Isaías 28:10) para chegarmos a uma conclusão correta sobre uma doutrina. Infelizmente, tal coisa não é feita por muitos irmãos. Mas, creio que Deus dará a eles toda a instrução para que não permaneçam no mesmo equívoco. Caberá a cada um aceitar.

A vida eterna dos justos não exige um sofrimento eterno para os ímpios, “assim como pastos verdes não exigem vacas verdes” (Pastor Mark Finley).

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Leandro Quadros
Leandro Quadros 485 posts

Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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1 Comentário

  1. Rosangela Pinharbel
    junho 27, 23:53 Resposta

    Excelente texto professor! A cada dia mais me alegro com o quanto Deus tem usado Seus servos para nos ajudarem na melhor compreensão da Palavra. O Espírito Santo tem lhe guiado e à nós tb. Glória à Deus por tão grandes bênçãos! Que vc continue firme nos passos de Cristo para honra e glória do nosso Deus!

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