A confiabilidade dos evangelhos e do Novo Testamento

A confiabilidade dos evangelhos e do Novo Testamento

Se não tivéssemos testemunhos extrabíblicos sobre a pessoa de Jesus, o Novo Testamento seria mais do que suficiente por causa de sua confiabilidade.

O Novo Testamento é uma coleção de 27 documentos diferentes escritos num período de 20 a 50 anos. E seguindo os critérios científicos, é a literatura antiga mais confiável que a humanidade possui. Explicarei o porquê.

A humanidade não mais possui os originais de nenhum documento antigo como o Novo Testamento, a Ilíada de Homero, os escritos de Platão, etc. Todavia, os críticos textuais conseguem reconstruir os originais ao compararem os manuscritos que sobreviveram.

Atente para esses dois aspectos: (1) Quanto maior o número de manuscritos e (2) menor o intervale de tempo entre a cópia e o original, mais preciso e fiel é o documento. Afinal, um número significativo de manuscritos permite aos especialistas realizarem mais comparações para ver se houve algum acréscimo ou variante textual.

Além disso, o espaço de tempo entre a cópia e o original também possibilita que a margem de erros nas cópias seja menor, pois as informações originais ainda estão “frescas” na mente das pessoas, de modo que se distorções fossem feitas, elas poderiam acusar isso.

Com esses critérios em mente, veja a seguir a confiabilidade do Novo Testamento quando comparado com outros documentos antigos1. Começaremos com o espaço de tempo (em anos) entre o original e as primeiras cópias e depois veremos o número de cópias.

Documentos Antigos

Espaço entre o original e a cópia

Novo Testamento

25 anos

Homero

500 anos

Demóstenes

1.400 anos

Heródoto

1.400 anos

Platão

1.200 anos

Tácito

1.000 anos

César

1.000 anos

Plínio

750 anos

Agora vejamos o número de cópias que cada um desses documentos antigos possui, e que ajuda a precisar o grau de confiabilidade de cada documento:

Documentos Antigos

Nº de Cópias

Novo Testamento

5.686

Homero

643

Demóstenes

200

Heródoto

8

Platão

7

Tácito

20

César

10

Plínio

7

A análise dos quadros comparativos nos revela muitas coisas interessantes, entre elas:

  1. O espaço de tempo entre o original e as primeiras cópias do NT foi de apenas 25 anos, enquanto o segundo menor espaço de tempo – que foi em relação aos escritos de Homero, foi de 500 anos.

  2. O número de cópias do NT é de 5.686, ou seja: há cerca de 5.700 documentos para os críticos textuais compararem e verem se “papel aceita tudo”. Por sua vez, o número de cópias dos escritos de Homero é de 643.

Conclusão lógica e inevitável: cientificamente, o Novo Testamento, pelo número de cópias que possui e pelo espaço de tempo entre o original e a cópia, é o documento antigo mais confiável que a humanidade possui. Como destacaram Geisler e Turek:

De fato, os documentos do NT possuem mais manuscritos, manuscritos mais antigos e manuscritos mais abundantemente apoiados o que as dez melhores peças da literatura clássica combinadas.2

Em algum momento você viu algum professor universitário questionar, por exemplo, a confiabilidade dos escritos de Platão, apesar de existirem apenas 7 cópias destes, com um intervalo de tempo de 1.200 anos entre o original e a cópia?

Então, porque questionar a precisão das informações transmitidas pelo Novo Testamento, que é o documento antigo mais confiável que existe? Por ignorância ou má fé.

Bruce Metzger, estudioso do NT e professor na Universidade de Princenton, estimou que o Mahabharata, do Hinduísmo, foi copiado com 90% de precisão, e que a Ilíada de Homero, com cerca de 95%. Por comparação, ele estimou que o NT foi copiado com 99,5% de precisão. O 0,5% em questão não afeta uma doutrina sequer da fé cristã.3

Pode ser que tenha surgido em sua mente a pergunta: “O NT é historicamente confiável?”. Com certeza o é, pelos critérios que os historiadores frequentemente usam para determinar se devemos ou não acreditar em determinado documento histórico.

No presente artigo não abordarei essa questão. Porém, se deseja se aprofundar nisso antes de eu escrever sobre o tema, recomendo que leia as páginas 236-256 da obra supracitada de Norman Geisler e Frank Turek.

Além disso, sugiro da mesma obra o capítulo 10, intitulado “Temos depoimentos de testemunhas oculares sobre Jesus?” (p. 257-281), e o capítulo 11, com o título “As dez principais razões pelas quais sabemos que os atores do Novo Testamento disseram a verdade” (p. 282-305).

Conclusão

Porque não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois fomos testemunhas oculares da sua majestade (2 Pedro 1:16).

Tenho razões mais do que suficientes (neste artigo apresentei somente algumas) para crer no apóstolo Pedro, que foi testemunha ocular dos eventos relacionados à pessoa de Jesus Cristo.

E você? Prefere crer em testemunhas oculares que deram a própria vida pelo que viram, ou dará crédito a quem não está familiarizado nem mesmo com os dados científicos de que há testemunhos extrabíblicos sobre Jesus, bem como um número significativo de manuscritos para comprovar a autenticidade do Novo Testamento?

Como destacou Barry Leventhal: “o pior surdo é aquele que não quer ouvir”. Se você não estiver disposto a crer ou ao menos questionar suas convicções, nem todos os argumentos do mundo irão lhe convencer. Porém, sua consciência sempre lhe dirá que deveria ter ido além, que você não foi honesto e corajoso o suficiente para encarar os fatos e passar a agir diferente com base neles. Deus, e um monte de evidências lhe aguardam.

Referêcnias:

1 Norman Geilser e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu (São Paulo: Vida, 2006), p. 231-232.

2 Geisler e Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu, p. 230.

3 Ibid., p. 235.

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Sobre o autor

Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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