Base teológica para o dízimo: o dízimo de Jacó

Base teológica para o dízimo: o dízimo de Jacó

Como um ato de adoração, devolver o dízimo renova nossa disposição constante de sujeitar nossa vida à Fonte de todas as bênçãos, reafirmando nossa entrega incondicional a Deus. Nesse sentido, o dízimo, é uma representação concreta do concerto.

Angel M. Rodriguez

O compromisso de Jacó com Deus

O Senhor apareceu a Jacó num sonho (Gênesis 28:10-22)4, revelando-Se como um Deus amoroso e disposto a abençoar, guiar e proteger o patriarca. Em resposta a essa revelação divina, Jacó fez um voto prometendo devolver o dízimo de tudo que Deus lhe desse.

Pouco antes de prometer dizimar, Jacó disse “então o Senhor será o meu Deus” (Gênesis 28:21). Durante o sonho, o Senhor prometeu dar a Jacó um número de coisas por seu amor gracioso. O Senhor se revelou como o Deus de Abraão e Isaque, mas o objetivo real era tornar-se também o Deus de Jacó.

A entrega da vida a Deus numa relação de amor antecede ao ato de dizimar, porque o dízimo está inseparavelmente ligado ao Senhor, pertence-lhe. O dízimo baseia-se no reconhecimento da providencial intervenção de Deus na vida de uma pessoa. Sem essa experiência prévia de entrega, dizimar perde seu propósito e se torna irrelevante se sem significado.

O cuidado de Deus por Jacó5

No sonho, Deus Se apresenta como alguém que vai prover as necessidades de Jacó. As promessas específicas revelaram de modo particular o que o Senhor estava disposto a dar ao patriarca. (…)

Descendentes

Veja Gênesis 28:14 – Jacó estava viajando só, mas isso mudaria no futuro. Seus descendentes, disse o Senhor: “serão como o pó da terra.” Através dele, as promessas feitas a Abraão se cumpririam. A implicação era que a procriação humana está nas mãos do Senhor, não sob o controle da lei de reprodução humana.

Proteção

Veja Gênesis 28:15 – A promessa de proteção indicava que Jacó vivia num ambiente hostil e que por si só não poderia preservar-se. Foi-lhe prometido o que necessitava: orientação divina. Isso dá ênfase aos limites do poder humano e à necessidade de contar com um poder sobre-humano. A preservação da vida, esta em última instância, nas mãos do Senhor.

Terras

Veja Gênesis 8:13 – As terras foram uma das dádivas mais importantes que o Senhor deu a Seu povo. Provia-lhes uma identidade e, em grande parte, uma fonte de riqueza e segurança financeira. Essa promessa implicava em que a terra pertencia ao Senhor, e não ao povo, e era Deus quem lhes providenciava segurança financeira.

Bens

Veja Gênesis 28:20 – Deus prometeu a Jacó que providenciaria pão e vestuário para ele. Isso trouxe paz de espírito ao viajante solitário.

Através dessa promessa, o Senhor revelou-Se a Jacó como Aquele que é o centro da segurança humana, a fonte suprema e única de bênçãos verdadeiras. Ele é possuidor de tudo e entrega a cada pessoa aquilo que ela necessita de acordo com Seu amorável desejo. Deus é o proprietário, mas Ele tem uma natural disposição de partilhar Seus bens com os outros. Note a ideia apresentada na maneira como as promessas são postas na frase: O Senhor sempre é o sujeito:

“Eu te darei a terra.”
“Eu sou contigo.”
“Eu cuidarei de ti.”
“Eu te trarei de volta a esta terra.”
“Eu não te abandonarei.”
“Eu farei o que prometi.”

Deus apresenta-se aqui como Aquele que tem o poder que Jacó necessitava para realizar-se, para tornar-se o que devia ser. Esse era o poder da presença amorosa de Deus em sua vida. Então Jacó disse: “…e de tudo quando me concederes, certamente eu te darei o dízimo” (Gênesis 28:22). Compreendeu que tudo o que obtivesse no futuro sempre seria uma dádiva de Deus. Nada teria que não lhe fosse dado pelo Senhor. Para ele, o dízimo seria uma expressão de gratidão, o reconhecimento de que nada tinha.

Jacó faz um voto6

Um voto era um ato muito solene, pelo que alguém se determinava a tomar a Deus a sério, confiando em Sua Palavra. Era uma maneira de expressar fé no Senhor. Em seu voto, Jacó não negociou com Deus ou tentou suborná-lo. “O Senhor já lhe havia prometido prosperidade, e este voto foi um derramar de um coração cheio de gratidão pela promessa da misericórdia e amor de Deus.” Através do voto, Jacó tomou posse das promessas de Deus. De fato, seu “voto condizia com as promessas.” Tudo o que o patriarca mencionara em seu voto – proteção divina, alimento e vestuário, retorno à sua terra em segurança – Deus lhe prometera. Estamos certos em concluir que, através do voto, Jacó estava levando Deus a sério e aceitando Suas generosas ofertas. O dízimo faz parte do voto, mas, se o dízimo pertence ao Senhor, então porque fazer um voto prometendo devolvê-lo a Ele? Diversas razões podem ser dadas:

• Ao fazer o voto, Jacó reconheceu que o dízimo era do Senhor. De outro modo, ele poderia ter sido tentado a simplesmente considerar o dízimo como parte de sua renda e devolvê-lo a Deus quando desejasse. Na realidade, esse voto era um testemunho de santidade do dízimo.

• Ao fazer o voto, Jacó expressou sua livre decisão de devolver o dízimo ao Senhor. Deus não o forçou a fazê-lo. Os votos na Bíblia são sempre atos voluntários baseados na ação do Espírito no coração do indivíduo. O voto de Jacó significava que ele havia escolhido voluntariamente devolver ao Senhor o que Lhe pertencia.

• Ao fazer o voto Jacó aceitou o desafio de Deus de confiar nEle ou prova-Lo (Malaquias 3:10). Deus fizera promessas a Jacó esperando que as aceitasse e nelas cresse. Isso requereu que Jacó entrasse numa relação de confiança com o Senhor.

Um voto é o mais solene ato pelo qual a pessoa expressa confiança no Senhor. É a fé atingindo a maturidade. No caso de Jacó, o dízimo era uma parte de sua entrega pela fé ao Senhor. Seu voto torna claro que as bênçãos de Deus precedem o dizimar e que, portanto, não é um meio de alcançar favor de Deus.

Jacó adorou7

O dízimo é mencionado nessa história num contexto de adoração. Jacó confrontou-se com a presença gloriosa de Deus e O adorou. Isso é o que a adoração é – uma resposta reverente à presença de Deus. O local em que ele teve o sonho tornou-se um lugar de adoração, a casa do Senhor. Dizimar é parte integrante do ato de adoração. A leitura dos versos 21 e 22 do capítulo 28 indica que o voto de Jacó inclui três componentes básicos:

• compromisso com o Senhor (“O Senhor será meu Deus.);
• adoração (o lugar se tornou um “centro de culto”);
• dizimar (de acordo com o que Deus lhe desse).

Dizimar só tem significado dentro desse cenário teológico. O elemento mais importante dessa história é o fato de que dizimar é precedido pela revelação de Deus como Pessoa solícita e amorosa, sempre disposta a abençoar e preservar a vida de Seu servo. Jacó descobriu que cada benção material e espiritual é encontrada no Senhor e que Ele tem uma disposição natural para abençoar abundantemente. (…)

Se existe um voto é porque a relação com o Senhor é formal e a entrega é permanente. Como um ato de adoração, devolver o dízimo renova nossa disposição constante de sujeitar nossa vida à Fonte de todas as bênçãos, reafirmando nossa entrega incondicional a Deus. Nesse sentido, o dízimo, é uma representação concreta do concerto.

 

Angel M. Rodriguez

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4 Angel M. Rodriguez, Teologia dos Dízimos e Ofertas, p.49.

5 Idem, p. 50.

6 Ibidem, p. 51-52.

7 Ibidem, p. 52-53.

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Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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1 Comentário

  1. A verdade sobre o dízimo é que Jacó teve 12 filhos e uma filha. Dos 12 filhos, José foi vendido pelos irmãos e mulher não contava como pessoa produtiva. Levi ficou encarregado de cuidar de religião e ensino e não tinha atividade comercial. Para resolver o problema cada irmão dava 10% dos rendimentos para que ele tivesse rendimento médio igual aos dos outros. Trazendo para a atualidade, um religioso que tenha em sua igreja 100 fiéis deveria receber um centésimo e não um dízimo dos rendimentos dos fiéis. Este é o raciocínio que os religiosos atuais não contam a seus fiéis para que ele continuem fiéis.

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