Pessoas comentaram no meu vídeo ao Pr. Sezar Cavalcante que, embora eu use um tom amigável, a Igreja Adventista, no fundo, considera todos os outros cristãos como “filhos de Babilônia”.
Alguns argumentaram honestamente: "Como posso chamar de irmão um adventista que, teoricamente, rotula minha igreja dessa forma, como babilônia?"
Hoje, eu quero esclarecer isso de uma vez por todas, com base em fontes históricas e oficiais. Eu trouxe alguns dados para que você entenda que o que pensamos está longe de ser o "exclusivismo" que muitos imaginam. Fique comigo, pois o que vou apresentar pode mudar sua visão sobre o assunto.
O conceito de Babilônia
Os adventistas consideram os demais cristãos de outras igrejas como “filhos de Babilônia”?
Em Apocalipse 17 “Babilônia” é um símbolo da rebelião contra Deus. Assim como outros reformadores protestantes, entendemos ser uma referência ao papado e ao catolicismo que, através dos séculos se embriagou “com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus” durante suas perseguições (Ap 17:6), e que deu de beber à humanidade “do vinho do furor de sua prostituição”, que simboliza suas falsas doutrinas, que afastam as pessoas de Cristo e do Seu único e suficiente sacrifício e sumo sacerdócio (cf. Hb 8:1-2; 9:11-15).
Como Apocalipse 17:5 dá a entender que Babilônia tem “filhas”, cremos que igrejas cristãs que apoiam certas doutrinas do papado (como a guarda do domingo e a imortalidade da alma) estão, de certo modo, sob a influência corruptora da igreja medieval. Isso fez com que muitos nos julgassem como “exclusivistas”, como se fôssemos os únicos salvos. Porém, você verá neste post que isso está longe de ser verdade.
O Posicionamento Oficial (Fontes Primárias)
Veja o que diz o livro Questões Sobre Doutrina, p. 168, importantíssima fonte primária da IASD:
“Admitimos plenamente o fato animador de que uma multidão de verdadeiros seguidores de Cristo está espalhada através de várias igrejas da cristandade, inclusive na comunidade católico-romana. A estes, Deus claramente reconhece como Seus. Tais pessoas não formam parte da Babilônia descrita no Apocalipse”.
Para ter certeza de que nossa doutrina sobre Babilônia não nos torna exclusivistas sectários, veja o que escreveu Ellen White, outra fonte primária adventista:
“Em que corporações religiosas se encontrará hoje a maior parte dos seguidores de Cristo? Sem dúvida, nas várias igrejas que professam a fé protestante” – O Grande Conflito, p. 383.
“Estamos em contato com muitos cristãos verdadeiros que não são de nossa fé, mas que vivem de acordo com a melhor luz que possuem. Esses gozam de maior favor de Deus do que os que têm mais luz, mas não progridem pela prática de obras correspondentes” – Conselhos Sobre Escolha Sabatina, p. 85.
“Deus tem pedras preciosas em todas as igrejas, e não devemos denunciar genericamente os que se dizem religiosos” – Eventos Finais, p. 122.
“O Senhor tem representantes em todas as igrejas…” – Ibid.
“Entre os católicos existem muitos que são cristãos zelosos, que vivem segundo a luz que lhes é proporcionada, e Deus atuará em favor deles” – Ibid.
Sendo assim, cremos que Deus possui muitos seguidores fervorosos, leais e sinceros em todas as comunidades cristãs. Isso quer dizer que mesmo os sistemas religiosos abraçando doutrinas papais, isso não significa que os sinceros filhos de Deus fazem parte de Babilônia, pois para isso a pessoa precisaria manifestar o caráter rebelde e corruptor de Babilônia – o que não é o caso de muitos cristãos verdadeiros!
A Base Histórica (Antecedentes)
Para você entender o que pensamos sobre o assunto, precisa considerar a base histórica para tal interpretação, que não se constitui uma novidade ou invenção adventista. Darei alguns exemplos dos muitos que se encontram no livro Questões Sobre Doutrina, págs. 168-170, que é a base desta minha resposta:
Século 12: os valdenses e albigenses aplicaram o termo simbólico “Babilônia” ao papado, ou à Igreja Católica Romana.
Reforma protestante: Lutero em 1520 e líderes protestantes posteriores ensinaram praticamente a mesma coisa. Após a Reforma, cerca de 30 preeminentes expositores mantiveram a mesma posição.
Isaac Backus (1767): escreveu: “Ela [a igreja de Roma] é a mãe das prostituições, e todas as igrejas que vão após quaisquer amantes e não após Cristo em busca de uma experiencia temporal são culpadas de prostituição”.
Christian Herald de Dublin (1830): dirigido pelo reitor anglicano Edward N. Hoare, declarou que as abominações de Babilônia papal, a mãe, “cobriam toda a cristandade”.
Samuel M. McCorkle e Isaac T. Hinton: declararam que o protestantismo fora embriagado com o vinho de Babilônia e sustentaram que a “igreja-mãe” tinha filhas protestantes.
Percebe? Historicamente, outras pessoas adotaram a interpretação sobre "babilônia e suas filhas", muito antes de existir a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

O Movimento do Segundo Advento (1830-1840)
Outra fase histórica importante foi durante o movimento do segundo advento na América. Entre as maiores corporações protestantes, houve crescente interdição contra aqueles que mantinham pontos de vista pré-milenistas e crescente oposição eclesiástica à ênfase sobre o segundo advento, proibindo a disseminação do adventismo.
Essa oposição promoveu a propagação do chamado para “sair” das igrejas que rejeitaram a mensagem do advento e que aderiram às corruptoras doutrinas de Babilônia. Foi assim que o “chamado” veio a ser proclamado nesse tempo. Não era uma condenação às pessoas piedosas nas várias igrejas protestantes, mas sim às atitudes e ações oficiais em rejeitar a verdade vital do segundo advento.
Conclusão: O Caráter acima da Placa
À luz do registro histórico de um milênio, nada há de novo ou estranho com a aplicação que os adventistas fazem de um termo (Babilônia) que fora usado constantemente por outras denominações.
Para ser um “filho” de Babilônia o individuo precisa se rebelar contra a verdade, o que não é o caso da grande maioria dos filhos de Deus que estão tanto no protestantismo quanto no catolicismo. Por isso, finalizo esse estudo dizendo a você que não importa a igreja a qual pertença: se você ama a Jesus Cristo e sinceramente vive de acordo com a luz que recebeu, você está salvo em Cristo.
A declaração oficial a seguir da IASD nos mostra que o que define se uma pessoa é filha de Babilônia é o seu caráter:
“O que é denominado Babilônia nas Escrituras, obviamente abrange aqueles que quebram o espírito e a essência do verdadeiro cristianismo e seguiram no caminho da apostasia” (Questões Sobre Doutrina, p. 168).
Ou seja: todo cristão sincero que aceitou a Jesus é filho do Altíssimo. Por sua vez, se uma pessoa é membro da IASD e não vive a luz que recebeu e se rebela, está sendo um filho de Babilônia, pois frequentar a igreja não lhe dá o direito de ser filho de Deus, se o seu caráter não refletir o fruto do Espírito de Gálatas 5:22-23.
Você pode discordar dessa interpretação, porém, não pode honestamente alegar que somos exclusivistas. Sempre que alguém lhe questionar sobre isso, compartilhe este post, para que a pessoa saiba o que realmente pensamos sobre o assunto.




