Como Começar a Estudar a Bíblia

Como Começar a Estudar a Bíblia

É muito importante você saber como iniciar o estudo pessoal da Bíblia, pois se errar no começo, errará durante o processo e nas conclusões que vier a extrair do texto. Simultaneamente, as conclusões às quais chegará afetarão totalmente sua compreensão da realidade e também sua saúde espiritual.

Definitivamente, as 7 dicas que apresentarei neste post serão úteis tanto para quem quer começar a estudar seriamente as Escrituras, quanto para quem já começou, mas ainda não está certo de que esteja seguindo pelo caminho certo.

#1 – Conheça a estrutura e história básica.

Estrutura básica

O título “Bíblia” foi provavelmente usado pela primeira vez, em relação à Palavra de Deus, por João Crisóstomo, reformador de Constantinopla (354-407 d.C.). Do grego Biblos, significa “Livros”. E é exatamente isso o que a Bíblia é: uma coleção de 66 livros, escritos por cerca de 40 autores com diferentes níveis culturais, intelectuais e sociais, num período de aproximadamente 1.500 anos.

De acordo com Lucas 24:44, a Bíblia de Jesus e dos apóstolos era divida em 3 seções principais:

“E disse-lhes: ‘Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’“.

Veja como é essa estrutura apresentada por Cristo no texto acima:

  1. Lei de Moisés – Os 5 primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
  2. Profetas – O restante do Antigo Testamento. Eram divididos em Profetas Maiores e Profetas Menores. Os Profetas Maiores vão de Isaías a Daniel, e são chamados assim porque seus escritos são mais longos. Por sua vez, os Profetas Menores são compostos de 12 livros mais curtos, que vão de Oseias a Malaquias.
  3. Salmos = Coletânea de orações e hinos hebraicos inspirados por Deus.

Antecipadamente informo que há subdivisões mais detalhadas nos livros de “Introdução Geral à Bíblia”, mas vou me ater a essa estrutura básica, que é suficiente para o presente estudo.

Desse modo, o AT soma 39 livros.

Em relação ao Novo Testamento, entre 65 e 67 d.C, muito antes de existir o Catolicismo e o Protestantismo, o apóstolo Pedro já reconhecia as cartas de Paulo como parte das “demais Escrituras”, ou seja, do Antigo Testamento:

“Tenham em mente que a paciência de nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado irmão Paulo lhes escreveu, com a sabedoria que Deus lhe deu. Ele escreve da mesma forma em todas as suas cartas, falando nelas destes assuntos. Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2Pe 3:15-16 – Grifos acrescidos).

Em relação ao NT que é composto por 27 “livros”, apresenta a seguinte estrutura básica:

  1. Os 4 Evangelhos = “Evangelho”, do grego, significa “boas notícias”. Por isso, os quatro evangelhos apresentam a boa notícia de que Jesus é o tão esperado Messias prometido pelos profetas antigos. Cada um dos quatro trata da vida, morte e ressurreição de Jesus. Temos o privilégio de termos quatro versões da vida de Jesus, que são complementares e não contraditórias, como alegam teólogos que não são ortodoxos em sua teologia.
  1. Um livro de história = O livro de “Atos dos Apóstolos”, que também poderia ser chamado de “Atos do Espírito Santo”, narra de forma empolgante a história de Jesus no ponto em que os evangelhos se encerram. Começa com a ascensão de Cristo ao céu, seguida pela vinda do “outro Consolador”, o Espírito Santo, que dá poder à igreja judaico-cristã para começar a espalhar o evangelho ao mundo então habitado por meio do “dom de línguas”, ou “dom de idiomas” (cf. At 2). O livro traz mais informações sobre o início do cristianismo primitivo, destacando o ministério dos apóstolos Paulo e Pedro.
  1. As cartas de Paulo = Vão de Romanos a Hebreus[1], totalizando 14. Nelas ele exalta a Jesus Cristo como Salvador e Senhor, dá diretrizes às igrejas para resolverem seus problemas de relacionamentos e doutrinários, e convida as pessoas a desenvolverem uma vida de santificação, enquanto aguardam a 2ª vinda de Cristo (cf. Hb 12:14).
  1. As cartas gerais = Essas cartas foram escritas por outros seguidores de Cristo (Tiago, 1ª e 2ª Pedro, 1ª, 2ª, e 3º João, e Judas), e chamam aos leitores para uma vida de fidelidade, disciplina, pureza e serviço pelos outros.
  1. Um livro profético = O último livro da Bíblia é o Apocalipse. Do grego apokálypsis, significa“revelação”, e é uma “Revelação de Jesus Cristo” (Ap 1:1) sobre os eventos finais da história humana. Trata do retorno glorioso de Cristo (Ap 1:7; 6:14-17; 22:15; 22:20) e do desfecho final do conflito cósmico entre Cristo e Satanás (Apocalipse 20:7-10).

Em suma:

  • O AT trata de eventos que ocorreram antes da 1ª vinda de Cristo.
  • Por sua vez, NT, escrito tendo como base o Antigo Testamento, trata dos eventos ocorridos a partir da 1ª vinda de Cristo.
  • Enquanto o AT prometia a vinda do Messias, o NT mostra que o Messias veio na pessoa de Jesus Cristo! (Compare Isaías 53 com Atos 8:30-35).
  • Portanto, o Novo Testamento é a sequência natural do Antigo Testamento, e um lança luz sobre o outro! Se quisermos entender a mensagem da Bíblia, não podemos estudar somente o AT ou o NT.


A história básica

A história básica, e que permeia todo o restante das Escrituras, é a história do conflito cósmico entre o bem e o mal, que surgiu no Céu (Ap 12:7-12) e se transferiu para a Terra (Gn 3), logo após a criação (Gn 1 e 2).

Faz parte dessa história básica: (1) os resultados desse conflito para o ser humano e a criação (especialmente a degeneração e a morte por causa do pecado – cf. Rm 3:1-10; 6:23), e (2) o plano de salvação elaborado por Deus para que o ser humano não permanecesse eternamente morto (Rm 5:12; 6:23). O plano de salvação impediu o prosseguimento do domínio de Satanás, que por causa da “autorização” de nossos primeiros pais, veio a se tornar o príncipe deste mundo (Jo 12:32).

Dessa forma, você precisa ler atentamente os 12 primeiros capítulos de Gênesis, pois neles você encontrará a estrutura da história do conflito entre o bem e o mal e do plano de salvação. Isso lhe ajudará seguir adiante em sua compreensão da Bíblia. Lendo e aceitando os 12 primeiros capítulos como literais, você conseguirá juntar as peças do quebra-cabeças, o que possibilitará ter uma visão abrangente do “quadro” bíblico. E isso de uma forma clara, lógica e coerente.

Do mesmo modo, tenha em mente que a mensagem central de toda a Bíblia é o plano de Deus em salvar o ser humano da morte eterna através do sacrifício substitutivo de Cristo. Tanto na história do Antigo Israel (AT) e no sistema de sacrifícios, quanto na história da igreja cristã primitiva (NT) e no ministério de Jesus, vemos um Deus que vai até o ser humano (ver Rm 5:7-8) lhe oferecendo amor, justificação, santificação e, por fim, a glorificação na 2ª vinda de Cristo (ver 1Co 15; 1Ts 4:13-18; Fp 3:20-21).

Tudo na Bíblia converge para a segunda vinda de Cristo e a erradicação definitiva do mal, de seu originador (Ap 20:10; Rm 16:20), e daqueles que não aceitarem o meio provido por Deus para salvá-los da morte eterna (Jo 3:16; 3:36).


[Antes de continuar, abrirei um parêntese: você ainda não se inscreveu no meu evento on-line ao vivo no Facebook? Será em 10/9/20, às 21h, e nele darei um aulão sobre “Como Estudar a Bíblia Sozinho”. Não perca a oportunidade de aprender um tema que é ensinado nas faculdades e cursos de pós graduação de Teologia].


#2 – Comece com um breve estudo exploratório.

Assim como na cozinha a pessoa que aprecia essa arte “arregaça as mangas” para começar a preparar o prato que gosta, agora você precisa arregaçar as mangas de sua mente e passar um tempo a sós com a Bíblia.

Disponibilizarei a você alguns exercícios para que comece sua fascinante viagem pelas páginas da Bíblia.[2]

  1. Leia os 12 primeiros capítulos do livro de Gênesis e tente ver em todo o enredo o conflito cósmico entre o bem e o mal, bem como – e especialmente – o plano de salvação. Uma dica: não passe por alto Gênesis 12:1-3!
  2. Vá ao índice de sua Bíblia e se familiarize mais com o livro que tem em mãos. Veja os nomes dos livros, a ordem que se seguem, e em que seções da Bíblia se encontram (AT ou NT?)
  3. Escolha um local tranquilo, que lhe dê prazer para orar e estudar a Palavra de Deus.
  4. Em sua Bíblia, leia as 5 passagens a seguir, que mostram quão importante é estudarmos a Bíblia para solidificarmos a nossa vida e a nossa fé, sob um bom fundamento. Isso servirá para lhe dar forças e motivação para não desistir dessa bênção.
  • Deuteronômio 6:1-9.
  • Provérbios 2:1-9.
  • Jeremias 4:22.
  • Mateus 7:24-27.
  • 2 Timóteo 2:15.

Agora crie uma lista que contenha as instruções de Deus apresentadas nas passagens acima. Escreva à mão com as mesmas palavras da Bíblia.

  1. Crie outra lista de orientações e mandamentos de Deus, dessa vez usando duas passagens adicionais:
    • Josué 1:7-9, em que Deus entrega a liderança de Israel a Josué, depois da morte de Moisés.
    • Esdras 7:10, em que Esdras, um escriba, sai da babilônia e volta para Jerusalém a fim de liderar o povo.

*** Agora, sugiro outra atividade: o que você pode aprender das Escrituras com base nessas duas passagens? Escreva com suas palavras.

  1. Há passagens na Bíblia que examinam eventos de tempos passados da história bíblica. Se você ler sobre esses eventos de maneira cuidadosa, começará a entender e a ter uma ideia da história geral da Bíblia. Por isso, a sugestão é que leia Atos 7:1-53, onde há o registro do sermão que Estêvão pregou aos seus compatriotas. Após isso, em uma ou duas frases, resuma o que Estêvão diz sobre cada um destes personagens bíblicos:
    • Abraão.
    • José.
    • Moisés.
    • Arão.
    • Josué.
    • Davi.
    • Salomão.
  1. E, por último, o aprendizado terá sido plenamente dominado quando puder explicar o que aprendeu a outra pessoa. Como última parte desse exercício, sugiro que converse com um membro da família, um amigo ou colega de trabalho que possa estar interessado em ouvir suas descobertas bíblicas. Escolha algumas seções da Bíblia que tenha lido, e leia-as para essa pessoa. Logo depois, explique rapidamente o que leu e, então, compartilhe seus insights, obtidos no seu estudo pessoal da Bíblia.

Reflita na frase a seguir: “A Bíblia não confia suas verdades a mentes preguiçosas” (Charles Swindoll). Constância e persistência no estudo da Palavra de Deus permitirão que você se banqueteie com Seus ensinos, se alimentando da refeição que nutrirá sua alma até Jesus voltar e lhe dar a vida eterna.

Swindoll também escreveu:

“Deus se fez conhecido mediante seu Livro, a Bíblia… Sem estudo, sem estabilidade. Não há atalho para a maturidade. Ela vem de maneira lenta, mas garantida, para aqueles que examinam as Escrituras.”[3]

Um dos resultados de se estudar a Bíblia será, como ensina Deuteronômio 6:1-9, desfrutar de uma vida longa. Além disso:

  • Seu amor por Deus será aumentado e aprofundado.
  • Sua mente será forçada e desafiada como nunca, o que lhe dará mais capacidade de compreender a realidade da vida e os seus conflitos internos. Sem contar que a leitura e estudo das Escrituras desenvolverá seu intelecto. Digo isso por experiência, pois antes de conhecer a Bíblia, até meus 17 anos eu lia praticamente notícias esportivas só do meu time (O Grêmio, é óbvio… rssrs), e não lia nem um gibi. Nas poucas vezes que li alguns Salmos, entendia quase nada. Portanto?

Foi a Bíblia que desenvolveu minha mente, e despertou em mim o gosto e o prazer pela leitura!

#3 – Tenha como alvo chegar ao sentido claro do texto.

Esse é o ingrediente mais importante da receita. Você lerá o texto com o objetivo de compreender o sentido original pretendido pelo autor inspirado. Deverá também procurar saber como os leitores originais entenderam o texto. Definitivamente não negligencie isso, pois será decisivo em sua compreensão do texto bíblico! Se esse alvo, as conclusões do seu estudo poderão ser um desastre.

Depois lhe darei algumas ferramentas para lhe auxiliarem nesse processo. Antes quero que fique bem claro na sua mente que o alvo da boa e correta interpretação é chegar ao sentido claro do texto pretendido por Deus, não buscar “ser original”.[4]

Estudar a Bíblia para “ser original”, com o objetivo de “descobrir” coisas que os outros “não descobriram”, é o alvo dos que querem se exibir, aparecer, ao invés de aprender, saciar a fome espiritual e buscar orientação para viver. Não caia nessa armadilha que prendeu a muitos com as correntes da arrogância.

#4 – Delimite o texto que irá estudar.

A divisão em capítulos e versículos se constitui em algo muito útil para encontrarmos os textos, porém, tais divisões podem nos trair quando vamos a elas buscando a delimitação do texto escolhido para estudo.

Há versos que deveriam fazer parte de um capítulo anterior e outros, de um posterior. Assim, a melhor forma de delimitar o texto é o que os teólogos conhecem como estabelecer a perícope.

Perícope é um bloco de texto com a mesma ideia ou tema. Você pode estar se perguntando: “Como a delimitação é feita?” Primeiro, perceba o tempo, o local e os personagens envolvidos no texto. Se houver uma mudança de tempo, lugar ou de personagens, isso indica que no texto a seguir começa uma nova perícope, um outro bloco de assunto, que requererá uma interpretação à parte.

Encontramos muitas perícopes nos evangelhos.

Veja um exemplo de um bloco de texto delimitado com uma estrutura menor.[5] Dependendo do contexto, a delimitação da perícope poderá ser bem maior.[6]

Lucas 15

  1. Introdução: Jesus numa casa em festa com os pecadores – 15:1.
  2. O murmúrio dos escribas e fariseus à porta – 15:2.
  3. Cena 1 – Parábola da ovelha perdida fora do aprisco – 15:3-7.
  4. Cena 2 – Parábola da moeda perdida dentro da casa – 15:8-10.
  5. Cena 3 – Parábola dos dois filhos perdidos (dentro e fora) – 15:11-21.
  6. Conclusão reflexiva: o pai em festa com o pecador – 15:22-24.
  7. O murmúrio do filho mais velho à porta – 15:25-32.

Percebeu? Essa perícope ou bloco de ideias vai de Lucas 15:1-32.

Feita a delimitação, procure ver o que a unidade de texto está dizendo:

  • Qual é a sua principal tese?
  • Se for uma unidade histórica, o que ela está contando?
  • As passagens anteriores afetam a compreensão do texto? Sem elas, que impressões errôneas poderíamos ter? Procure ver como essa passagem se relaciona com os capítulos que a antecedem, e com os que se seguem ao seu fechamento. Isso se chama análise do contexto imediato.

#5 – Aprenda diretamente no texto.

Primeiro você deve buscar a compreensão do texto diretamente na Bíblia, com a ajuda do Espírito Santo. Só depois você usará algum comentário bíblico para ver se seu estudo está seguindo pelo caminho certo, e se necessitará ou não de algum ajuste.

Para compreender o texto é necessário fazer as perguntas certas a ele. Veja algumas das mais importantes:

  1. Quem escreveu?
  2. Quando escreveu?
  3. Para quem escreveu?
  4. O que escreveu?
  5. Em que circunstância histórica ou cultural escreveu?
  6. Qual assunto ou problema estava sendo tratado?
  7. Como os leitores reagiram?
  8. Como tal assunto foi concluído ou solucionado?

Sendo um pouco enfático, para responder a essas perguntas fundamentais é preciso:

  • Enquanto ler, pensar exegeticamente, ou seja, ler buscando interpretar o texto, buscando nele as respostas às perguntas feitas acima.
  • Fazer anotações das respostas encontradas num caderno ou na própria Bíblia. (Não tenha medo de rabiscar, pois uma Bíblia “sem riscos” não é uma Bíblia realmente estudada).
  • Em seguida, utilizar um comentário bíblico para ver se você seguiu pela direção certa. Na maioria das vezes, o comentário fará ajustes ou mudanças em nosso percurso de estudo, e/ou em nossas conclusões.

Comentários de teólogos mais conservadores tendem a ser mais fiéis ao contexto bíblico. Recomendo esses para você. Por outro lado, comentários de teólogos liberais não tendem a usar o método correto de estudo da Bíblia (método histórico-gramatical), e acabam mais confundido que ajudando com o chamado “método histórico-crítico”. Como o próprio nome sugere, esse método busca mais criticar a Bíblia do que entendê-la como ela realmente se apresenta.[7]

Ferramentas Para o Estudo

Para um estudo proveitoso e fascinante da Bíblia, você precisa usar algumas ferramentas essenciais:

  1. Uma boa tradução. Tenha a Bíblia em mais de uma versão. Isso é muito útil para quem não sabe hebraico e grego.
  2. Um bom dicionário da Bíblia.
  3. Um bom Manual Bíblico (ou livro de Introdução Geral à Bíblia).
  4. Bons comentários.

Ler alguns livros sobre hermenêutica também é de muito valor. Quem assistir ao Aulão que darei no Facebook sobre “Interpretação Bíblica”, em 10/09, às 21h, terá dicas de excelentes livros sobre interpretação do texto. Inscreva-se se ainda não o fez! Ficarei honrado em ter a você como aluno e saber que pude contribuir para seu estudo mais profundo e satisfatório do texto sagrado.

Como prometi, agora indicarei algumas ferramentas para um estudo proveitoso das Escrituras. Porém, saiba que há muita coisa no mercado religioso. A princípio, quando eu indicar mais de um comentário bíblico, não fique preocupado(a) porque não estou dizendo que precisa ter todos eles. Um já será suficiente. Apenas estou abrindo um leque de opções para você. Posteriormente, quando quiser ter mais do que um comentário bíblico em sua prateleira, pode estar certo de que não irá se arrepender!

Algumas sugestões para você são:

  • Traduções bíblicas: Tradução Ecumênica da Bíblia, Nova Versão Transformadora, Nova Versão Internacional, King James Atualizada, Almeida Revista e Atualizada.
  • Dicionários bíblicos: Dicionário Bíblico Universal, publicado pela editora Vida; Dicionário Vine, publicado pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
  • Manual Bíblico: Manual Bíblico da Sociedade Bíblica do Brasil, 2ª ed. Revisada.
  • Comentários bíblicos: Série Cultura Bíblica (Vida Nova); O Antigo Testamento e O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo, de Russel Norman Champlin (editora Hagnos); Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, Série Logos (Editora Casa Publicadora Brasileira); Comentário Histórico-Cultural da Bíblia – Novo Testamento (Vida Nova); Comentário Bíblico de Wiersbe (Editora Geográfica); Comentário Bíblico NVI (Vida).

De antemão, uma observação importante: Bíblias de Estudo podem servir como comentários, mesmo que não detalhem como os comentários bíblicos propriamente ditos. Recomendo a Bíblia de Estudo de Genebra, a Bíblia de Estudo Plenitude, e Bíblia de Estudo Andrews. A Bíblia de Estudo NVT também é um material excelente.

#6 – Veja a Bíblia como alimento.

“Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos” (Jr 15:16).

“Jesus, porém, respondeu: ‘Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’” (Mt 4:4)

Em conclusão, se o profeta Jeremias, e principalmente Jesus Cristo compararam a Palavra de Deus a Bíblia, ao alimento, isso quer dizer você precisa ir ao texto bíblico com o propósito de alimentar-se espiritualmente e emocionalmente dele, para matar sua fome e sede espiritual.

Por outro lado, ir ao texto sagrado só por curiosidade, ou para estudá-lo apenas academicamente, (isso nunca deixará de ser importante!) trará pouco ou nenhum benefício para sua vida eterna.

#7 – Ore pedindo a direção do Espírito.

Sendo Ele o autor da Bíblia (2Pe 1:19-21), é obvio que a melhor forma de entender o texto e pedir orientação ao autor do texto. Em síntese, antes de ler o texto e estudá-lo, peça sabedoria ao Espírito e a direção dEle no processo de estudo. Isso fará a diferença.

Os textos a seguir mostram a importância do auxílio do Espírito Santo durante o estudo pessoal da Bíblia. Leia-os e decida não estudar as Escrituras sem convidá-Lo para ser seu Professor.

“Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (Jo 16:13).

“Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais. Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido…” (1Co 2:13-15).

“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tg 1:5).

“Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está no céu dará o Espírito Santo a quem o pedir!” (Lc 11:13).

Sem a Terceira Pessoa da Trindade, não há interpretação correta, muito menos uma aplicação saudável do texto à vida do estudante.

Como Finalizar Seu Estudo da Bíblia

O passo final do seu estudo bíblico deve ser a sistematização de suas conclusões, e a aplicação do texto à sua vida. Depois de estudar e compreender a ideia original do autor inspirado, e descobrir a teologia do texto, pergunte-se:

  • “O que esse texto ou ensinamento da Palavra de Deus está dizendo para mim hoje?”
  • “Está me apoiando, aconselhando, exortando, repreendendo, consolando”, ou “me orientando para seguir por algum caminho diferente?”
  • “O texto está me dizendo para tomar algum tipo de decisão necessária para minha felicidade e eternidade?”

Enfim, faça essas perguntas para si, reflita nelas primeiro e então depois, anote suas conclusões. Isso será muito enriquecedor em sua experiência com a Bíblia! Ore a Deus agradecendo por ter lhe conduzido no estudo, e peça-Lhe poder para praticar o conselho que Ele lhe deu em Sua Palavra.

Finalizo com alguns textos para sua reflexão (os grifos foram acrescidos):

Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera! Não é o caso dos ímpios! São como palha que o vento leva. Por isso os ímpios não resistirão no julgamento, nem os pecadores na comunidade dos justos. Pois o Senhor aprova o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios leva à destruição! (Sl 1:1-6).

Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos; se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto, se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido, então você entenderá o que é temer ao Senhor e achará o conhecimento de Deus (Pv 2:1-5).

Trará sempre essa cópia consigo e terá que lê-la todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o Senhor, o seu Deus, e a cumprir fielmente todas as palavras desta lei  e todos estes decretos (Dt 17:19)

Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo (At 17:11).

Que o divino Espírito lhe ensine tudo aquilo que for importante para sua vida presente e, especialmente, para sua salvação eterna através de Jesus Cristo!

REFERÊNCIAS

[1] Entre os eruditos não há uma certeza sobre a autoria de Hebreus. Há características literárias internas que apontam para Paulo, enquanto outras, aparentemente, não. O presente estudo parte do pressuposto de que o apóstolo Paulo é o autor, considerando, entre outras coisas, o nível de conhecimento bíblico necessário para escrever algo como Hebreus. Paulo parece ser o autor que mais preenche esse requisito.

[2] Charles Swindoll, Examinando as Escrituras: Redescubra o alimento que nutre a alma (São Paulo: Mundo Cristão, 2019), p. 29-30. Adaptado.

[3] Swindoll, Examinando as Escrituras, p. 24.

[4] Gordon D. Fee e Douglas Stuart, Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com auxílio da exegese e da hermenêutica, 2ª ed. (São Paulo: Vida Nova, 1997), p.14.

[5] Rodrigo Silva, A Bíblia de Álef a Ômega: Um guia para entender como a Bíblia chegou até nós (São Paulo: Ágape, 2020), p. 221.

[6] Por exemplo: há sermões preparados sobre o “Sermão do Monte” tendo como perícope Mateus 5, 6 e 7, onde termina o assunto. Ou seja: essa perícope maior envolveu 3 capítulos inteiros.

[7] Se quiser pesquisar mais sobre esse tipo de método, recomendo a leitura do Apêndice 2 da obra Entendes o que les? Um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica, de Gordon D. Fee e Douglas Stuart (São Paulo: Vida Nova, 1984). Intitulado “O Método Histórico-Crítico – Uma Avaliação” (p. 237-318), o apêndice escrito por Enio Ronald Mueller oferece uma análise abrangente, para que não sejamos tentados a usar o método histórico-crítico. Outra análise muito interessante é a de Raúl Kerbs, disponível em duas edições da revista teológica DavarLogos, da Faculdade de Teologia da Universidade Adventista Del Plata, na Argentina. O título do artigo, de duas partes, é: “El Método Histórico-Crítico en Teologia: En Busca de su Estructura Básica y de las Interpretaciones Filosóficas Subyacentes”, partes 1 e 2. Os artigos se encontram disponíveis na revista DavarLogos Volume 1, Número 2, 2002, p. 105-123; e também no Volume 2, Número 1, 2003, p. 1-27.

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Sobre o autor

Leandro Quadros
Leandro Quadros 755 posts

Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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4 Comentários

  1. Sandy
    setembro 16, 00:44 Resposta

    Maravilhoso, estou Mando tirar um tempo do dia para estudar a Bíblia segunda os seus conselhos professor Leandro

  2. Mirtis
    setembro 14, 21:02 Resposta

    Olá tudo bem, meu nome é Mirtis, sou de Natal RN, gostaria que o professor Leandro Quadros me indicasse um material bom sobre concordância bíblica, muito obrigada.

  3. Erick
    setembro 01, 15:09 Resposta

    pastor Jo 3:36 não existe deve ter errado no versiculo

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