Conhecendo a Palavra

Conhecendo a Palavra

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (II Timóteo 2:15).

Uma das razões para o êxito da teologia da prosperidade é o desconhecimento das Escrituras. Tanto pregadores quanto suas audiências ignoram os rudimentos da interpretação bíblica. Tais pregadores falam aquilo que as pessoas querem ouvir. A mensagem deles é atrativa para a cultura materialista: casa melhor, no lado certo da cidade; carro novo; negócios lucrativos; roupas de grife; férias exóticas. Basta ouvir os “testemunhos” para ficarmos alarmados. E tudo isso “canonizado” com o uso perverso de textos bíblicos forçados para se ajustar a uma pressuposição completamente estranha à Palavra de Deus. Cria-se assim o ambiente para que a ênfase pragmática e materialista da cultura acabe triunfando. Prova-se então a verdade de que, se a religião não nos transforma, nós a transformaremos para que ela se adapte às nossas opiniões e simpatias.

No texto de hoje, Paulo recomenda o uso apropriado da Palavra. O termo grego traduzido por “manejar” significa “cortar em linha reta”. Isso nos sugere responsabilidade no uso das Escrituras. O pecado mortal dos falsos mestres é o abuso da Palavra de Deus (2Co 2:17). Esse abuso é traduzido como “mercadejar” ou “adulterar”. Devemos lembrar, contudo, que o correto conhecimento do Palavra de Deus não se limita aos ministros. Se as audiências das “prosperidade” tivessem pelo menos uma perspectiva bíblica da vida, não seriam ludibriadas por mensagens tão espúrias.

Pode-se confiar no discurso dos pregoeiros da prosperidade? A mensagem deles não passa em um simples teste bíblico. Promete Deus saúde e cura em qualquer circunstância? Paulo não foi capaz de curar alguns de seus associados: Epafrodito (Fp 2:27), Timóteo (1Tm 5:23) e Trófimo (2Tm 4:20). Ele mesmo sofreu de uma enfermidade física (Gl 4:13-15). Três vezes orou por libertação, sem receber cura (2Co 12:8-10). Além disso, seria a pobreza sinal de maldição, como alegado pela heresia da prosperidade? Paulo declarou-se pobre, sem nada possuir (2Co 6:10). E Jesus, que não teve onde reclinar a cabeça (Mt 8:20)? Será que eles também não tinham fé? Como harmonizar a ambição da prosperidade com as advertências bíblicas quanto aos perigos da riqueza (Mt 5:24; Lc 12:33; Hb c13:5; Cl 3:5)?

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Leandro Quadros
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