Cravados na Cruz (Ef 2:14, 15 e Cl 2:14)

Cravados na Cruz (Ef 2:14, 15 e Cl 2:14)

Introdução

Existe uma discussão muito grande sobre o que Cristo “cravou na cruz” (Efésios 2:14,15). Muitas pessoas, incluindo adventistas, dizem que foi apenas a “Lei cerimonial”. Este conceito não está de todo errado, sendo que esse aspecto cerimonial da Lei terminou com sacrifício de Cristo. As cerimônias prefiguravam o plano de Salvação e a morte do Salvador substituto (compare Levítico 22:20 com João 1:20), de modo que após o encontro entre o símbolo (sacrifícios cerimoniais) e a realidade (o sacrifício de Cristo), toda pedagogia (sistema cerimonial) usada para ensinar sobre o plano de salvação, foi substituída por outro sistema pedagógico (vida e obra de Cristo).

Em contrapartida, muitos irmãos evangélicos dizem que o que foi cravado na cruz foram os 10 mandamentos. Porém, frequentemente temos abordado que os 10 mandamentos seguem vigentes. Todavia, como entender a palavra “ordenanças” em Efésios 2:15? Não estaria ela indicando que a Lei foi abolida por Jesus?

O contexto de Efésios 2:14, 15

A análise de todo capítulo revela que Cristo aboliu a inimizade entre judeus e gentios. Guardar os mandamentos não produz inimizade alguma; a verdade é que, desobedecer aos mandamentos é que produz inimizade, e isso se dá em dois aspectos:

  • Inimizade entre os seres humanos: se transgredimos os últimos seis mandamentos do Decálogo (veja Êxodo 20). Se roubarmos, adulterarmos, mentirmos, cobiçarmos, etc, certamente machucaremos e/ou feriremos outras pessoas.
  • Inimizade com Deus: se transgredimos aos quatro primeiros mandamentos do Decálogo, feriremos a Deus. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59:2).

Então, quais leis ou mandamentos causam inimizade em Efésios 2:14, 15?

Paulo tinha a missão de pregar aos gentios e, sendo que muitas leis judias causavam grande inimizade e discriminação contra eles (uma delas era a circuncisão), Paulo foi enfático contra a validade desta prática depois da morte de Cristo. Para ele, o que tem real valor é a circuncisão “do coração” (Romanos 2:28, 29. Ver também Jeremias 4:4). Em Romanos 2 ele deixa muito claro que, se alguém desobedece aos mandamentos, de nada vale a circuncisão feita na carne.

Essa e outras ordenanças, sem sentido para os gentios que já viviam numa época em que Cristo já tinha morrido na cruz, eram uma carga muito grande na hora de evangelizá-los. Tal sistema pedagógico antigo gerava mais confusão que bons recursos didáticos.

Por outro lado, os mesmos apóstolos, no início, se opunham a levar o evangelho aos gentios. Isso foi motivo de desavença entre Pedro e Paulo até que Deus, em uma visão dada a Pedro, o fez entender que todos são merecedores da Salvação (Atos 10, 11). Mais adiante, em Atos 15, discutindo sobre a circuncisão, o mesmo Pedro disse que esse conceito (salvação não somente para os judeus, sem a necessidade de se circuncidar para pertencer ao povo de Deus) era muito difícil de ser aplicado (leia também 1 Coríntios 7:19).

A circuncisão era a parte externa do pacto de Deus com Abraão: de que através de sua descendência viria o Messias (Gálatas 3). Entretanto, em nenhum momento esse pacto contemplou a vigência ou não dos 10 mandamentos, pois o aspecto moral da Lei não depende da existência ou não de seu aspecto cerimonial.

(Vídeo disponível 31/01 – 16h00)

O que foi cravado na cruz

Sabemos que nossos pecados nos separam de Deus (Isaías 59:2), e que o único salário que merecemos por eles é a morte eterna (Romanos 6:23; ver Ezequiel 18:4, 20). Devemos à Lei do Legislador Divino nossa própria vida. Foi esse débito, “escrito de dívida” mencionado em Colossenses 2:14, que Jesus cancelou na cruz. Seja em seu aspecto moral ou cerimonial, a Lei não pode mais nos condenar à morte eterna se Jesus for nosso substituto e advogado (João 3:36; 1 João 2:1,2). No calvário, Cristo pagou o “escrito de dívida” ou “nota promissória” porque jamais poderíamos pagar. A morte de Jesus em nosso lugar saldou essa dívida que tínhamos para com Deus e Sua santa Lei (João 3:16. Leia também 2 Coríntios 5:21, 1 Pedro 2:24 e Efésios 5:2) e agora podemos viver em paz através da fé em Cristo, nosso justificador (Romanos 5:1).

Sim, amigo: você e eu temos uma dívida muito grande. Paulo, em sua carta magistral aos Romanos, deixa isso bem claro nos capítulos 7 e 8: o pecado nos escraviza e nos leva à morte. Para exemplificar isso, Paulo usou a expressão “corpo de morte”, que para seus interlocutores possuía um significado latente: na época, uma forma de punição era amarrar um cadáver nas costas de um condenado, e este deveria carregá-lo até que a infecção do cadáver viesse a matá-lo. O pecado é nossa sentença de morte, lenta e dolorosa, e somente Cristo pode retirar este peso de nós (Romanos 8). Porém, a boa notícia é que, em 2 Coríntios 5:17, Paulo diz que ao aceitar a Cristo somos “novas criaturas. Desse modo, o “corpo morto pendurado” em nossas costas foi tirado de nós e carregado por Jesus!

As últimas palavras de Cristo na cruz são traduzidas em algumas versões da Bíblia como “está consumado”. A palavra grega é tetelestai (“está consumado”) também significa “está pago”. Logo, o que texto está ensinado é que Cristo saldou por completo nossa dívida na Cruz.

Portanto, o que Cristo saldou e aboliu na cruz foi a nossa dívida para com a Lei de Deus, não a Lei em si. Graças à morte substitutiva de Jesus, essa dívida foi cravada na cruz. Por seu sacrifício, Ele abriu a porta da salvação para todos os que quiserem (Apocalipse 22:17) entrar, sejam brancos, negros, homossexuais, heterossexuais, pobres e ricos (João 3:16).

Pela fé, vá até a cruz, olhe para Cristo (Hebreus 12:1, 2) e veja seus pecados cravados nela. Louve a Deus por Sua bondade e permita que o Espírito implante o caráter obediente de Jesus em você (Hebreus 8:10; Romanos 8:29).

Por Nelson Wasiuk
Tradução: Mauricio Mancuzo
Revisão: Leandro Quadros

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4 Comentários

  1. Fabricio Alencar
    setembro 20, 14:19 Resposta

    Muito bom sua análise pastor Leandro, Deus te abençoe, graças a Deus que a única coisa que foi cravada na cruz foi o meu escrito de dívida, ou seja, não devo mas nada sou muito grato por isso, Jesus me resgatou da sentença da morte eterna, Deus seja louvado por isso, gostei bastante da abordagem, muitos dizem por aí que a lei é que foi cravada na cruz mas na verdade foi o escrito de dívida é que foi cravado foi pago por Jesus, obrigado pelo esclarecimento.

    Deus te use sempre pastor Leandro Quadros..

  2. Samuel Martins
    novembro 16, 03:07 Resposta

    – O que aconteceu com o princípio em 7 dos descansos mensal e anual ? Biblicamente !!!

  3. Q Deus abençoe você e todos as equipes q fazem o programa na mira da verdade.!!!as: Inácio de Paracuru CE IASD

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