Criacionistas pela fé e razão – Criacionismo

Criacionistas pela fé e razão – Criacionismo

O estudo, a pesquisa e a difusão do criacionismo são cada vez mais necessários no mundo pós-moderno. Jovens cristãos têm enfrentado muitos desafios nas universidades porque, no ambiente acadêmico, impera a cosmovisão naturalista, que nega qualquer interferência sobrenatural no funcionamento do Universo. Assim, é imperativo que os estudantes que acreditam no relato bíblico das origens tenham condições de defender sua fé por meio de ferramentas científicas. O trabalho do doutor Marcos Natal de Souza Costa é ajudá-los nessa tarefa.

Natural de Goiânia, GO, o doutor Marcos Natal nasceu em um lar adventista. Em Belo Horizonte, cursou o bacharelado e mestrado em Geologia. Posteriormente, obteve seu doutorado em Geologia pela Universidade Estadual Paulista. No Centro Universitário Adventista de São Paulo, atuou como professor, diretor de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão e coordenador do Núcleo de Estudo das Origens (NEO). Em 2017, foi indicado para dirigir o Instituto de Pesquisa da Criação, na sede sul-americana da Igreja Adventista. Além disso, é presidente da Sociedade Criacionista Brasileira e membro do Comitê do Instituto de Pesquisa em Geociência da sede mundial dos adventistas do sétimo dia.

O que despertou no senhor o desejo de estudar Geologia?

Em Goiânia estudei música dos 6 aos 18 anos, mas sempre tive interesse pelas Ciências da Terra. Durante o ensino médio, comecei a me aprofundar na área da Geologia. As disciplinas do curso superior e os temas tratados me atraíram. Além disso, interessei-me pela profissão de geólogo.

Entretanto, o fator determinante para que eu optasse por essa carreira foi participar de um seminário criacionista na Igreja Adventista Central de Goiânia, promovido pela Sociedade Criacionista Brasileira (SCB). Os coordenadores foram o doutor Ruy Carlos de Camargo Vieira, fundador-presidente da SCB, e seu filho, Rui Correa Vieira.

O senhor tem sido ativo na defesa do criacionismo. Como começou essa jornada?

Dois momentos foram decisivos para meu envolvimento mais ativo com o criacionismo. Na primeira década dos anos 2000, fui convidado pela SCB para palestrar em uma série de seminários sobre “A Filosofia das Origens”. Até o momento, foram realizados 26 eventos em quase todo o Brasil e no exterior.

O segundo momento importante foi quando atuei como coordenador do Núcleo de Estudo das Origens (NEO) do Unasp, entre 2009 e 2017. Durante esse período, estive envolvido com cursos de capacitação de professores, na promoção de eventos e divulgação do criacionismo em escolas, universidades e igrejas.

Desde 2017, o senhor é o diretor do Instituto de Pesquisa da Criação, na sede sul-americana da Igreja Adventista. Qual é o propósito desse instituto? Quais são as principais atividades desenvolvidas por ele?

O Instituto de Pesquisa da Criação está vinculado ao Departamento de Educação da sede sul-americana da Igreja Adventista. Ele tem como objetivo o estudo, a pesquisa e a difusão da filosofia adventista a respeito das nossas origens. O órgão também está voltado para a formação de pesquisadores aptos a produzir trabalhos científicos relevantes que validem a explicação criacionista.

Até o momento, foram oferecidos dois programas de capacitação. O primeiro, em 2016, nas Ilhas Galápagos; e o segundo, no ano passado, em Juazeiro do Norte, no Ceará, um dos sítios de maior interesse da paleontologia.

Atualmente, o instituto está preparando um manual para a organização e o estabelecimento de centros criacionistas. Eles devem funcionar nas escolas e universidades adventistas da América do Sul. Um centro criacionista é um espaço dedicado ao estudo e à divulgação do criacionismo, servindo de apoio ao projeto de integração fé/ensino.

No ano passado foi reativado o centro criacionista da Universidade Adventista Del Plata, na Argentina. Este ano, um dos projetos é reestruturar o centro criacionista da Universidade Adventista do Chile e promover a pesquisa em seu campus.

Além disso, o órgão apoia os ministérios da Criança, do Adolescente e dos Desbravadores. Este ano, no campori sul-americano realizado em Barretos, montamos uma exposição com temas criacionistas no “Creation Place”, onde recebemos 611 clubes e mais de 16 mil desbravadores.

Quais são os principais desafios para os jovens cristãos na defesa do criacionismo no contexto acadêmico?

É notório o número de jovens adventistas que enfrentam grandes desafios quando ingressam na universidade. Na área das Ciências da Terra, o darwinismo é a base epistêmica principal para a compreensão da diversidade dos seres vivos, do registro fóssil e de sua paleoecologia e paleogeografia. No campo das Ciências Humanas, e mesmo da Saúde, os estudos da natureza do homem, da antropologia histórica, da sociologia, e até da psicologia social, não se completam sem referência ao darwinismo e ao materialismo histórico e dialético de base puramente marxista, uma vertente sociológica da teoria da evolução.

Assim, considerando a importância que as universidades dão aos resultados da investigação científica, é necessário incentivar a pesquisa qualificada e a formação de jovens talentos em áreas de interesse do criacionismo. É preciso formar uma nova geração que produza estudos que validem os modelos criacionistas e permitam uma crítica rigorosa da teoria da evolução.

Ainda há o que se conhecer sobre os eventos iniciais de nossa história, como os mecanismos envolvidos em um dilúvio global e catastrófico, as contradições do evolucionismo e a interpretação do registro fóssil em moldes criacionistas.

Como o senhor avalia a tentativa de alguns teólogos de harmonizar o relato bíblico com a teoria da evolução?

O evolucionismo teísta é uma corrente de pensamento filosófico-humanista que tem ganhado muitos adeptos no meio do cristianismo. Ele parte do pressuposto de que Deus é o Criador supremo da vida, mas que o processo utilizado por Ele para criar os seres vivos teria sido a evolução biológica. O evolucionismo teísta busca harmonizar a crença em um Deus Criador com os modelos evolutivos da ciência naturalista; no entanto, produz um imenso prejuízo para a mensagem bíblica da criação. O resultado é um efeito cascata que destrói todo o plano da salvação.

Assim, do ponto de vista do evolucionismo teísta não existiu o episódio da queda no Éden, a humanidade teria surgido como resultado da evolução e estaria naturalmente sujeita à degeneração, ao sofrimento e à morte. Se não houve queda, não há necessidade de um salvador. Afinal, salvar alguém de quê? Se não há salvador, não existe necessidade de redenção. Novamente, redimir alguém de quê? E não havendo redenção, nossa mais preciosa esperança, que é a breve vinda de Cristo, perde todo o sentido.

Portanto, temos que estar atentos a tudo aquilo que, da forma mais atrativa, nos desvia ou nos distancia da interpretação fiel da revelação bíblica com respeito às nossas origens.

Como apresentar a fé cristã e o criacionismo de forma inteligente a pessoas que acreditam no evolucionismo?

Há quatro aspectos que considero ser fundamentais para que todo criacionista testemunhe sua fé:

Convicção. É preciso expressar a certeza de que a Bíblia fornece o fundamento e as bases de pesquisa, interpretação e compreensão do mundo à nossa volta.

Conhecimento. Para se fazer uma defesa fundamentada do criacionismo, é imperativo que o cristão tenha conhecimento e domínio necessário do assunto. Além de conhecer com profundidade os pontos fortes do criacionismo, é essencial se inteirar, muito bem, dos fundamentos da argumentação evolucionista. Quem vai à guerra sem conhecer as armas do inimigo está fadado à derrota.

Respeito. O respeito ao próximo deve ser uma das qualidades distintivas do verdadeiro cristão criacionista, independentemente de quem seja seu interlocutor. O respeito aproxima as pessoas e abre as portas para o diálogo.

Humildade. Em se tratando de ciências empíricas, ninguém é dono da verdade absoluta. Afinal, não se pode reproduzir nem criação nem evolução em laboratório. Antes de tudo, vamos nos lembrar de que é mais importante ganhar pessoas do que argumentos.

(Entrevista publicada originalmente na edição de maio-junho de 2019 da revista Ministério)

FONTE

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Leandro Quadros
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1 Comentário

  1. Prezado Leandro,
    O mais terrível no eventual confronto de teses é como destruir as provas do darwinismo. Onde incinerar e pulverizar os ossos incrustados em rochas que estão lá em longuíssimo processo de milhões de anos, provados por análise do carbono nesses fósseis…
    Simplesmente, não podemos ir para uma guerra dessas.
    Melhor mesmo explicamos com base na realidade, inclusive a realidade dos “apenas” 6.000 ou pouco mais de história bíblica.
    E a resposta é mais simples do que nós, os crentes, imaginarmos.
    A solução é deixar bem claro às crianças e jovens cristãos de que nossa religião Cristã é puramente mística e misteriosa. Nossa religião é absolutamente baseada no plano sobrenatural e espiritual e o mistério envolvido nesse processo.
    Nossa fé não se baseia nesse nosso mundo palpável. Apesar de nossa vida terrena material, temos Deus como ponte com o nosso futuro que está em outro plano. Não há como querer confrontar a ciência e ser contra essa realidade material, terrena…Essa guerra, caso não tivemos o discernimento, é totalmente perdida e frustrante.

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