Games: O Que a Bíblia Ensina Sobre Eles?

Games: O Que a Bíblia Ensina Sobre Eles?

Games: diversão ou vício? Saúde ou doença?

Primeiramente, assim como acontece em relação a outros assuntos, a Bíblia não fala de videogames. Afinal, eles fazem parte de nossa época. Certamente, não dos tempos bíblicos.

Porém, como acontece acerca de outros temas, a Bíblia nos dá diretrizes e princípios. Por isso, os princípios nos auxiliam na descoberta sobre o que Deus pensa sobre os jogos de videogames.

Sendo assim, neste post disponibilizarei 3 textos bíblicos orientadores[1] para pais, filhos e professores. Além disso, compartilharei da experiência do educador Pierluigi Piazzi (Prof. Pier). Ele escreveu a obra Aprendendo Inteligência[2] . Ela nos dá boas e más notícias sobre os games.

Leia até o final. Ademais, sua saúde mental ou a de seu filho depende em parte do conhecimento que terá nas próximas linhas!

Games: Textos Orientadores

Texto Orientador #1

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas não devo me tornar escravo de nada.” (1Co 6:12)

Princípio Orientador: Não devemos viciar. Do mesmo modo, não podemos nos tornarmos escravos, até mesmo das coisas que são boas.

Texto Orientador #2

“Ajuda-nos a entender como a vida é breve, para que vivamos com sabedoria.” (Sl 90:12)

Princípio Orientador: Devemos aprender com Deus que nossa vida é passageira. Isso enquanto não estivermos na eternidade. Tendo essa consciência, viveremos com mais sabedoria. Além disso, administraremos melhor o tempo.

Texto Orientador #3

“Por fim, irmãos, quero lhes dizer só mais uma coisa. Concentrem-se em tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é correto, tudo que é puro, tudo que é amável e tudo que é admirável. Pensem no que é excelente e digno de louvor.” (Fp 4:8)

Princípio Orientador: Podemos fazer uso de games, filmes, músicas, jornais, revistas e livros. Todavia, precisam ter essas características: verdade, nobreza, pureza, amabilidade, excelência, e que nos possibilite honrar e louvar a Deus.

Benefícios dos Games

De acordo com o Prof. Pier, “existem alguns jogos que […] podem até estimular o desenvolvimento de algumas habilidades”.[3]

Para exemplificar, ele menciona um jogo em que o jogador é o “Teseu” da mitologia grega. Esse personagem percorre um labirinto, à procura do Minotauro.

Ao poder ver uma planta do labirinto sempre que quiser durante o game, a pessoa pode melhorar sua inteligência espacial.

Também há games educativos e os que trabalham o raciocínio lógico. Há também jogos religiosos. A saber, ambos possuem benefícios evidentes.

Malefícios dos Games

Em contrapartida, infelizmente os games não apresentam só benefícios.

Daí a importância de você conhecer bem os 3 textos bíblicos orientadores já citados. Dessa maneira, poderá fazer suas escolhas de modo inteligente e com sabedoria.

De acordo com Piazzi na obra supracitada, os jogos podem trazer os seguintes “efeitos colaterais”:

  1. Games Podem levar a acidentes automobilísticos

Segundo o autor, as muitas “chances” de poder ultrapassar um adversário numa corrida, e depois bater e capotar muitas vezes e mesmo assim sobreviver, não é benéfico. Em síntese, pode fazer com que uma pessoa menos madura (lógico que os mais maduros não têm esse risco) seja, diríamos, “formatada”.

Consequentemente, ela poderia pensar que com uma habilitação, na vida real ela pode continuar dirigindo em alta velocidade. Afinal, foi registrado em sua mente que as chances de escapar com vida são muito maiores.[4]

Seria como se ela pensasse em ter “chances adicionais” assim como no jogo. E que a morte não fosse algo que se avizinhasse tanto assim.

  1. Games Podem estimular e aumentar a agressividade nas escolas

Com efeito, se o jogo consistir “numa missão de combate com matanças desenfreadas”, na maioria das escolas isso aumentará a frequência de brigas entre alunos.  De forma assustadora.[5]

Agora, continue prestando atenção!

De conformidade com isso, John Naisbitt em seu livro High Tech. Hig Touch (Alta Tecnologia. Alto Toque), adverte:

“Nos Estados Unidos, as crianças estão sendo arrastadas para a guerra desde uma idade de cerca de sete anos. O Complexo Militar-Industrial, contra o qual o Presidente Eisenhower advertiu, está se tornando um Complexo Militar-Nintendo, com insidiosas consequências para as nossas crianças e para a nossa sociedade. As ações militares norte-americanas assemelham-se a jogos eletrônicos high tech enquanto, em nosso próprio solo, estamos testemunhando outra guerra: os soldados são as crianças, os campos de batalha são suas escolas e as batalhas assemelham-se aos mesmos violentos jogos eletrônicos que exercitam nossos militares e ‘entretêm’ nossas crianças”.[6]

Há muito mais que você precisa saber…

“Crianças pequenas jogam exatamente os mesmos jogos que os militares norte-americanos utilizam para treinar soldados. As crianças ‘brincam’ com maior frequência e neles despendem mais horas do que o pessoal militar, mas sem a bem-conhecida disciplina que acompanha o treinamento de um soldado […] O jogo está se tornando mais parecido com a guerra e a guerra está se tornando mais parecida com o jogo”[7]

Simultaneamente, os autores de High Tec High Touch apontaram a preocupação do general Schwarzkopf:

“Eu acho que é assustador. Fico muito apreensivo com essa dissociação da realidade num jogo Nintendo. Os garotos estão aí fora retalhando pessoas até a morte e explodindo pessoas”.[8]

Além disso, entre outras informações, eles concluem:

“Se a simulação por computador levou os militares norte-americanos a um novo nível de profissionalismo, como o mesmo treinamento afeta uma criança? A Sociedade Americana de Pediatria relata que cerca de 1.000 estudos confirmam uma correlação entre o comportamento agressivo em crianças e a violência na mídia. A grande maioria desses estudos conclui que há uma relação causa e efeito entre violência na mídia e violência na vida real”.[9]

Resumidamente, procure ler o capítulo intitulado “O Complexo Militar-Nintendo” (p. 85-134) da obra de Naisbitt. Sobretudo, ele e os demais autores advertem que simuladores e jogos usados para treinar e dessensibilizar soldados para a guerra, depois de um certo tempo, passam a ser vendidos às crianças.

Isso lhe diz algo? Não lhe assusta?

  1. Games podem contribuir para a má administração do tempo

O tempo é um dos dons que Deus nos deu para administrarmos com sabedoria (Sl 90:12). Assim, é Seu desejo que aproveitemos ao máximo a vida e as oportunidades que Ele nos dá ao longo da nossa existência.

Desse modo, além de pedir contas do que fizemos com nosso tempo (e com os dons espirituais e talentos, dinheiro, bens e corpo – ver 2Co 5:10), Deus desaprova o desperdício de tempo:

“Aprenda com a formiga, preguiçoso! Observe como ela age e seja sábio. Embora não tenha príncipe, nem autoridade, nem governante, ela trabalha duro durante todo o verão, juntando comida para o inverno. Mas você, preguiçoso, até quando dormirá? Quando sairá da cama? […] a pobreza o assaltará como um bandido; a escassez o atacará como um ladrão armado.”[10]

  1. Games podem causar fuga da realidade

De acordo com Piazzi,,ao jogar durante horas “a vítima sai gradativamente do mundo real, prendendo-se num mundo virtual com outras regras, outros valores e até outras leis físicas”. Enfim, para o autor:

“Essa perda da sensação da realidade vai transformando a vítima num ‘autista cibernético’, cada vez mais fechado num mundo interior”.[11]

Certamente não há como ter uma vida plena e bem vivida passando a maior parte do tempo num mundo virtual. Definitivamente precisamos aprender a ver a vida de forma diferente, encarando a realidade, seja ela qual for.

Em suma, precisamos encarar o mundo no qual vivemos “olhando firmemente para o autor e consumador da nossa fé, Jesus” (Hb 12:2). Afinal, é Nele que buscamos forças e sabedoria para resolvermos aquilo que nos aflige, e que nos deixa ansiosos por uma “fuga”.

Talvez se faça necessário um acompanhamento psicoterápico, pois, segundo Piazzi, a pessoa viciada em games “precisa da muleta mental do videogame”.[12]

Conclusão

Não há um porquê de proibir os filhos (e o marido – rsrs) de jogarem games que façam bem a eles.

Ao mesmo tempo, há muitos porquês para assessorar e orientar os filhos na escolha dos jogos. Ademais, há diversas razões para ensiná-los a administrarem o tempo deles em frente à tela.

Afinal, eles precisam entender que “há um momento certo para tudo, um tempo para cada atividade debaixo do céu.” (Ec 3:1). Definitivamente, há tempo para ler livros, praticar atividade física, conversar, brincar, divertir-se, estudar, etc. Ensiná-los a administrar o tempo será uma das maiores heranças que deixará para eles.

Seu lar tem sido um lugar de paz, para que seus filhos prefiram o mundo real de sua casa, ao invés do mundo virtual dos games? Pense seriamente nisso.

Em conclusão, finalizo com as palavras do apóstolo Pedro:

“Estejam atentos! Tomem cuidado com seu grande inimigo, o diabo, que anda como um leão rugindo à sua volta, à procura de alguém para devorar.” (1Pe 5:8)


👉 Conheça 5 sinais do vídeo em videogames Clicando ou Tocando Aqui.

👉 Leia também “O Cristão e o Videogame” clicando no título do artigo.


Referências e Notas

[1] A versão adotada foi a Nova Versão Transformadora (NVT – Editora Mundo Cristão). Os grifos foram acrescidos por mim. A NVT pode ser adquirida no site da editora Mundo Cristão. Clique ou toque em: https://bit.ly/3veH2Jz para conhecer diversos modelos dessa ótima tradução.

[2] Pierluigi Piazzi, Aprendendo Inteligência: Manual de Instruções do Cérebro para Estudantes em Geral (São Paulo: Aleph, 2014).

[3] Piazzi, Aprendendo Inteligência…, p. 83.

[4] Ibid., p. 85.

[5] Ibid.

[6] John Naisbitt, Nana Naisbitt e Douglas Philips, High Tech. High Touch: A Tecnologia e a Nossa Busca por Significado, 3ª ed. (São Paulo: Cultrix, 2006), p. 100. Grifos acrescidos.

[7] Naisbitt, Philips, High Tech. High Touch…, p. 100.

[8] Ibid., p. 100-101.

[9] Ibid.

[10] Provérbios 6:6-9, 11.

[11] Piazzi, Aprendendo Inteligência…, p. 86

[12] Ibid.

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Sobre o autor

Leandro Quadros
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YouTuber e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "En La Mira de La Verdad", na Rede Novo Tempo.

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2 Comentários

  1. Geílson
    junho 07, 11:13 Resposta

    Ótimo conteúdo, realmente muito profundo, eu jamais imaginei que esse assunto fosse tão complexo

  2. Francisco Silva
    maio 27, 00:48 Resposta

    Gostei muito do artigo, pastor Leandro, bem esclarecedor. Realmente, não há nenhum problema em jogar videogames, desde que a pessoa saiba escolher bons jogos e administrar o tempo gasto com eles

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