Jesus Não Corrigiu o Antigo Testamento

Jesus Não Corrigiu o Antigo Testamento

Eu, porém, vos digo…

Primeiramente, para você Jesus Cristo “corrigiu” ou “relativizou” o Antigo Testamento?

Antes de tudo, uma Página no Facebook totalmente descomprometida com a teologia bíblica, reformada, e inclusive com a teologia adventista do sétimo dia, afirmou que devemos interpretar o Antigo Testamento (AT) “com base na interpretação de Cristo”.

A princípio, parte da alegação está correta, como veremos no presente post. Por outro lado, a compreensão da referida Página quanto à maneira como Cristo interpretou o AT, se constitui numa heresia.

https://youtu.be/BFUKeEDdDLI

 

De acordo com a referida Página, ao usar a expressão “Eu, porém, vos digo” ao longo do Sermão do Monte (Mt 5-7), Cristo estaria indo contra o que o AT ensinava acerca da pena capital (e de outras doutrinas).

De antemão, diz o texto:

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra…” (Mt 5:38-39).

 

Portanto, estaria mesmo Jesus Cristo “corrigindo” as palavras inspiradas dadas a Moisés? Frequentemente no presente post você verá o absurdo dessa alegação, que faz parte da teologia antinomista (que nega a validade da nomos, ou seja, da “lei”, em grego).

Ao mesmo tempo, perceberá que tal “teologia” em hipótese alguma deveria fazer parte do arcabouço doutrinário de um cristão reformado e/ou adventista do sétimo dia.

Antecipadamente, peço que leia até o post final, com calma, para que não caia nessa armadilha hermenêutica.

Afinal, ela impedirá a muitos de conquistarem uma relação mais íntima com Deus através do estudo das Escrituras.

O princípio cristológico de interpretação

Em primeiro lugar, a relação entre Jesus e as Escrituras é muito íntima. Ao mesmo tempo, nessa intimidade com o texto o Senhor seguiu o princípio protestante sola scriptura (somente a Escritura). Acima de tudo, Jesus queria ensinar as pessoas a interpretarem a Bíblia com os critérios que ela mesma apresenta.

Desde já é importante destacar isso, pois a forma como alguns têm apresentado o princípio cristológico das Escrituras pode levar ao erro de criar um cânon dentro do cânon. Dado o exposto, isso significa criar uma lista do que é ou não é inspirado a partir do que já foi inspirado. Logo, “aquilo que não me agrada é para outra época e cultura”.

Por exemplo, o grande reformador Martinho Lutero (1438-1546) deu um enfoque tão grande ao evangelho (o que é correto), que acabou não defendendo a primazia das Escrituras em um modo estrito (como nós protestantes cremos que deve ser). Primordialmente ele defendia “a primazia do evangelho que dão testemunho as Escrituras e, portanto, a primazia das Escrituras como testemunho do evangelho”.[1]

Logo, para Lutero, é preciso entender as Escrituras em favor de Cristo, não contra Ele. De antemão, não há dúvidas de que o reformador está certo nesse aspecto, pois o Salvador disse sobre as Escrituras: “elas testificam de mim” (Jo 5:39).

Por outro lado, o problema é que a forma como ele abordou o assunto – ou seja, que se uma passagem parece estar em conflito com a interpretação cristocêntrica dele (de Lutero), a interpretação do Reformador acaba se convertendo em uma “crítica cristocêntrica das Escrituras”.[2] Simultaneamente, isso compromete o princípio sola scriptura, de que a Escritura é Sua própria fonte de exposição e interpretação.[3]

Frequentemente a “crítica cristocêntrica das Escrituras” pode levar a pessoa (como no caso da Página no Facebook que mencionei), a apoiar suas ideias particulares e tendenciosas. Afinal, Cristo é apresentado como sendo contra a própria Escritura.

Ao contrário dessa ideia, Ele usou a Bíblia para interpretar a si mesma, e conduzir as pessoas a Ele (Lc 24:27), sem alterar um acento sequer do Antigo Testamento (Mt 5:17-18):

“Então Jesus os conduziu por todos os escritos de Moisés e dos profetas (sem fazer qualquer alteração desses Escritos), explicando o que as Escrituras diziam a respeito dele” (Lc 24:27, NVT).

 

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5:17,18 – ARA).

 

Cristo: Exegeta ou Eisegeta?

Em suma, devemos ver a Cristo como um intérprete exegeta. Afinal, Ele extraía do texto aquilo que ele realmente ensinava. Em contrapartida, não devemos fazer como muitos desinformados, que apresentam a Cristo como um intérprete eisegeta, que extrai do texto aquilo que o mesmo não se propôs a ensinar.

Ao mesmo tempo, essa postura impõe ao texto ideias alheias a ele. Em outras palavras, essa é a atitude de muitos ignorantes ou de hereges. Decerto, não foi a postura do Senhor Jesus Cristo.

Sob o mesmo ponto de vista, Hans K. LaRondelle comentou:

“Se queremos compreender o Antigo Testamento, devemos compreendê-lo do ponto de vista de Deus. Portanto, nosso ponto de partida é a forma como Jesus explica o Antigo Testamento. A aplicação que Cristo fez das Escrituras de Israel é nosso modelo de interpretação bíblica”[4]

 

Em síntese, isso significa que Ele explicou e não reexplicou (duas coisas bem diferentes) o AT. Semelhantemente, Ele permitia que a Bíblia fosse sua própria intérprete (veja também Lucas 24:44).

Ou seja, o que Cristo fez (e veremos noutro tópico deste artigo) foi mostrar o correto significado das Escrituras como elas se apresentam, ao invés de “reinventar” e dar um novo sentido a elas.

Por fim, Cristo, o verdadeiro intérprete da Bíblia, permitiu que a própria Bíblia interpretasse a si mesma. Em suma, Ele apenas explicou melhor o que já estava revelado pela inspiração. Surpreendentemente, em Seus dias os judeus haviam perdido o real sentido de muitos textos bíblicos (especialmente em relação ao Messias que viria).

Jesus e a interpretação da Torah

Nesse sentido, em sua obra Nosso Criador Redentor: Introdução à Teologia Bíblica da Aliança[5], LaRondelle dá uma contribuição muito valiosa, para compreendermos como Jesus interpretou a Torah. Simultaneamente, com o auxílio de outros comentaristas protestantes, ele demonstra que Jesus tinha uma “lealdade plena e inabalável… para  com a Torah de Moisés”.[6]

Resumidamente, em sua argumentação LaRondelle explica que “Jesus não aboliu a Torah de Moisés, ao contrário, intensificou suas exigências. Assim também ele radicalizou cada mandamento de Deus e os interpretou à luz da intenção original de Deus” (p. 75).

Em seguida, o autor comenta que as palavras de Jesus em Mateus 22:36-40 são “citações de dois mandamentos mosaicos, um em Deuteronômio 6:5, outro em Levítico 19:18”, em que ambos estabelecem “a motivação do amor para o cumprimento da Torah“.

Segundo LaRondelle, Jesus “não estava apresentando uma novidade, mas citando prescrições da própria Torah“. Definitivamente, Cristo ensinou que “somente por meio do amor divino é que a lei e os profetas poderiam alcançar seu alvo supremo. Esta era a nova interpretação de Jesus a respeito da Torah“.[7]

Em conclusão, o  autor continua: “Desde o início, Jesus negou categoricamente a noção equivocada de que Ele havia vindo ‘para revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir’ (Mt 5:17)…Ele ainda acrescentou que a aprovação de Deus só viria sobre aqueles que, “sem alteração”, ensinassem e praticassem os mandamentos da Torah (Mt 5:19)”.[8]

Por fim, isso se verifica, por exemplo, no significado de um termo grego utilizado em Mateus 5:17, bem como no desenvolvimento do pensamento de Jesus ao longo da perícope (bloco de texto que trata da mesma ideia).

Então, vejamos isso nos próximos dois tópicos.

Termo grego em Mateus 5:17

Antes de mais nada, em Mateus 5:17 Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir“.

Em outras palavras, o termo “cumprir” no texto grego é o verbo plerosai , que possui mais de uma variante, entre elas pleroo. Segundo o Dicionário do Grego do Novo Testamento, de Carlo Rusconi, “cumprir” em Mateus 5:17 significa “encher”, “completar”. Outra variante do termo, pleroma, significa “plenitude”, “totalidade”.[9]

Similarmente, o Dicionário do Novo Testamento Grego de W. C. Taylor, define pleroo como “encho a ponto de transbordar, dou plenitude ou acabamento…”. Sob o mesmo ponto de vista, também define como “levar a revelação parcelada e parcial do Velho Testamento à sua finalidade, completar e aperfeiçoar seus ensinos como quem enche um copo que continha uma parte ou acaba uma edificação, removendo os andaimes e entregando-a em seu estado completo e final”.[10]

Desse modo, o que Jesus está dizendo em Mateus 5:17 é que, longe de revogar até mesmo um “til ou um i” (Mt 5:18) da Torah, Ele veio através de Seus ensinos “encher, completar”, “mostrar a plenitude e a totalidade” daquilo que os profetas revelaram, e que os líderes religiosos haviam perdido!

Por tudo isso, em hipótese alguma o termo grego para “cumprir” pode significar uma “modificação”. Simultaneamente, se torna absurda e sem nexo a afirmativa de que “devemos interpretar o AT com base em Cristo porque Ele mudou algumas leis”.

Desenvolvimento do Pensamento de Cristo

Por outro lado, alguns que se dizem “progressistas” (na verdade, “regressistas”), alegam que ao Jesus dizer “Eu, porém, vos digo”, em Mateus 5:38-39 (e ao longo de Mateus 5-7), isso indicaria que Ele de algum modo está “corrigindo” o Antigo Testamento.

Em contrapartida, à luz do termo grego plerosai em Mateus 5:17, vimos que isso é impossível. Além disso, tal argumento se torna ainda mais evidente quando avaliarmos o contexto da declaração. Enfim, vejamos:

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa” (Mateus 5:38-40).

 

Segundo o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, ao usar a expressão “Eu, porém, vos digo”, que ocorre 6 vezes no capítulo 5 de Mateus, Cristo não estava corrigindo a Lei de Moisés e os Profetas. Logo, ao dizer “Eu, porém, vos digo”:

“Cristo mostrou que Suas exigências iam muito além da mera forma da lei e que incluíam o espírito que daria vida e significado ao que, do contrário, seria apenas forma. Ele apresentou seis exemplos específicos para tornar clara a diferença entre atos externos e motivações que impulsionam esses atos. Esse contraste, que surge como um fio de ouro ao longo do Sermão do Monte, faz deste discurso a declaração suprema da filosofia de vida cristã, a maior exposição ética de todos os tempos. Cristo apontou quão longo é o alcance dos requerimentos da lei e enfatizou que de nada serve mera conformidade exterior com a lei”[11]

 

Logo, a lei do “olho por olho, dente por dente”, nem de perto foi abolida por Jesus. Em contrapartida, seu significado foi “completado”, “ampliado”, pois os judeus da época haviam perdido o sentido dessa lei que era civil. Nesse meio tempo, passaram a usá-la fora de lugar, transferindo-a para o âmbito pessoal.

Sob o mesmo ponto de vista, o referido comentário bíblico explica:

“Quando essa lei (olho por olho) foi instituída, marcou um grande avanço sobre o sistema de justiça comum da Antiguidade, sob o qual era prática geral retribuir danos ou se cobrar uma dívida com juros exorbitantes. A lei era um estatuto civil, e a punição devia ser dada com supervisão de um tribunal. Mas não se justifica a vingança pessoal.[12]

 

Dessa maneira, a leitura atenta revela exatamente isso: que tanto em relação à esta lei quanto às demais nos capítulos 5 a 7, Jesus ampliou o significado delas. Finalmente, ele mostrou que as leis iam muito além da mera observância externa.

Nesse ínterim, o Salvador mostrou que a lei, “olho por olho, dente por dente” continuava sendo válida, e que deveria ser exercida sob a supervisão do poder civil (veja o que o apóstolo Paulo ensina em Romanos 13:1-5). Por outro lado, tal lei jamais deveria ser usada como desculpa para a vingança pessoal (cf. Rm 12:19).

Às vezes tal explicação não é suficiente para alguns. Assim, para tornar o assunto mais claro, veja na tabela a seguir seis das leis do Antigo Testamento repetidas e “cumpridas” (ampliadas) por Cristo no Sermão do Monte. Simultaneamente, perceba se há a mínima possibilidade dEle ter corrigido Moisés.

Tabela Comparativa

LEI DO AT AMPLIADA POR CRISTO ONDE SE ENCONTRA TAL LEI NO AT

COMO JESUS AMPLIOU TAL LEI

1. Homicídio (Mt 5:21-26)

Êx 20:13; Dt 5:17

Primordialmente, raiva injusta e palavras destrutivas também “matam” ou ferem as emoções dos outros.

2. Cobiça (Mt 5:27-30)

Êx 20:14; Dt 5:18

Antes de tudo, a cobiça e o adultério começam na mente.

3. Divórcio (Mt 5:31-32)

Dt 24:1

Surpreendentemente, os fariseus interpretaram os ensinamentos de Moisés sobre divórcio (Dt 24:1) de forma a alegar que o homem poderia se separar de sua mulher “por qualquer motivo” (leia Mateus 19:3-10). Segundo a escola liberal de Hillel, sábio judeu, o homem poderia se divorciar até mesmo se a mulher deixasse queimar a comida! Com toda certeza, Jesus se opôs ao abuso deles, restringindo o divórcio apenas aos casos de imoralidade sexual.

4. Juramentos (Mt 5:33-36)

Lv 19:12; Dt 23:23

Nesse ínterim Cristo corrige a forma “malandra” de os judeus realizarem seus juramentos na época. Inegavelmente eles usavam “recursos” para ficarem “desobrigados” dos juramentos que não mais os interessavam.

5. Vingança (Mt 5:38-42)

Êx 21:24; Lv 24:20; Dt 19:21

A vingança pertence a Deus e às autoridades civis (Rm 13:1-5). Em outras palavras, não devemos “fazer justiça com as próprias mãos”.

6. Amor ao próximo (Mt 5:43-48)

Lv 19:18; Dt 23:7

Jesus ordena amar todas as pessoas, como já havia sido ensinado em Levítico 19:18. Pelo contrário, o “ódio aos inimigos” foi um acréscimo dos fariseus. De sorte que Jesus tirou tal “acréscimo” feito ao mandamento divino.

Simultaneamente, R. V. G. Tasker, é enfático em seu comentário:

“Nesta seção Jesus insiste que em seu ensino ele não está, de modo nenhum, contradizendo a lei mosaica, embora esteja em oposição ao tipo legalista de religião que os escribas haviam construído sobre ela. Frisa também que ele considera o Antigo Testamento como tendo validade permanente como Palavra de Deus, conforme se vê em seus candentes dizeres nos versos 17-19… Pode-se concluir, portanto, desta seção, que a lei moral do Antigo Testamento é reconhecida por Jesus como tendo autoridade divina, mas que como Messias ele se declarou autorizado a suplementar a lei, tirar conclusões e princípios nela latentes, bem como desautorizar as deduções falsas anteriormente extraídas dela…”[13] 

 

Do mesmo modo, o comentário elucidativo da Bíblia de Estudo Plenitude sobre Mateus 5:21-48, bem como a análise de Hans K. LaRondelle, respectivamente, não deixam margem para dúvidas:

“Jesus dá seis exemplos específicos de como seus ensinamentos cumprem (lembre-se do significado do termo pleroo, traduzido por “cumprir” em Mateus 5:17!) a Lei e os Profetas (v. 17). Em cada exemplo, ele contrasta distorções farisaicas da Lei com sua própria interpretação, demonstrando, dessa forma, a justiça maior (v. 20)”.[14]

 

“Essa seção coesa e coerente em que Jesus endossa a Torah (Mt 5:17-20) torna-se o fio condutor para a interpretação das seis declarações e Seus ensinamentos (v.v. 21-48). Apesar de serem chamados de ‘antíteses’, elas não representam contrastes com a Torah em si, mas com os ensinos e práticas farisaicas, como bem indica o verso 20. O ponto em questão é o confronto entre as interpretações de Jesus a respeito da Torah (“Eu, porém, vos digo”) e as tradições rabínicas da Lei de Moisés (“Ouvistes que foi dito”…). Donald A. Hagner esclarece a questão dos aparentes contrastes: ‘As correções que Jesus fez das interpretações equivocadas visam apresentar o verdadeiro significado da Torah, e não a sua abolição, como num primeiro momento possa parecer”.[15]

 

Assim, fica evidente que o Salvador não corrigiu Moisés, pois, além de ser inspirado, Moisés escreveu sobre Ele. De um modo igual, isso prova para quem quiser ver que Jesus e Moisés não se opõem um ao outro:

“Se cressem, de fato, em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Contudo, uma vez que não creem naquilo que ele escreveu, como crerão no que eu digo?” (Jo 5:46,47. Grifos acrescidos).

 

Definitivamente, não crer naquilo que Moisés escreveu equivale a não crer nas palavras de Jesus. Como resultado, isso trará consequências eternas.

Jesus e a infalibilidade do AT

Nesse sentido, em uma discussão com os judeus sobre Sua identidade como Messias-divino, Jesus citou o Salmo 82:6 e argumentou: “… e a Escritura não pode falhar” (Jo 10:35b). De antemão, lembre-se que a Bíblia de Cristo era o Antigo Testamento. Afinal, o Novo Testamento ainda não existia. Enfim, isso é importante para que siga a linha de pensamento.

Desse modo, se para Cristo o AT “não pode falhar”, a única conclusão lógica a qual podemos chegar é que os escritos do AT não podem ser reformulados ou receberem qualquer tipo de acréscimo (já vimos isso em Mateus 5:18).

De acordo com Provérbios 30:5-6, quem faz isso é visto por Deus como sendo um mentiroso (consciente ou inconscientemente):

“Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso” (Pv 30:5,6).

Conclusão

Segundo, Frank M. Hasel:

“Deus envia o Espírito Santo para guiar-nos à Palavra viva (Jesus Cristo) mediante a Palavra escrita (as Sagradas Escrituras)”.[16]

 

Logo, Cristo e as Escrituras se fundem, e qualquer dicotomia entre Jesus e o AT é uma heresia. Afinal, tal dicotomia compromete a compreensão do texto inspirado. Como resultado, desencaminha pessoas da salvação eterna.

Portanto, uma Página (Facebook) em que alguém esconde sua identidade, que se diz adventista do sétimo dia e defende uma interpretação do AT com raízes antinomistas, não merece credibilidade.

Acima de tudo, não deveria ser acessada por aqueles que estão comprometidos com a verdade e com as Escrituras (Jo 17:17).

Definitivamente, se a pessoa não conhece devidamente a literatura e a teologia da própria igreja; se tenta adaptar seu cristianismo à uma ideologia (marxista) com base ateística, precisa ter humildade para estudar mais. Em outras palavras, sua cosmovisão está distorcida.

Simultaneamente, se não houver “renovação mental” (cf. Rm 12:1-2), mais cedo ou mais tarde tal pessoa, e aqueles que a seguem, farão parte da profecia que prediz uma sacudidura na igreja. Por fim, a sacudidura afastará os falsos cristãos, a fim de que os sinceros ocupem o lugar deles na igreja.

Por último, cabe a você e a mim decidirmos unir em nosso coração Cristo e as Escrituras. De igual modo, precisamos decidir ser trigo ou joio.

Referências

[1] Stanley J. Grenz, Renewing the Center: Evangelical Theology in a Post Logical Era (Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 2000), p. 57-58.

[2] Paul Althaus, The Theology of  Martin Luther (Filadélfia: Fortress Press, 1966), p. 81.

[3] Frank M. Hasel, “Presuposiciones en la interpretación de las Sagradas Escrituras” em George W. Reid (org.), Entender Las Sagradas Escrituras, 1a ed. (Florida: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2010), p. 53.

[4] Hans K. LaRondelle, Las Profecías Del Fin (Florida: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2009), p. 14.

[5] ____, Nosso Criador Redentor: Introdução à Teologia Bíblica da Aliança (Engenheiro Coelho, SP: Terceira Margem do Rio; Unaspress, 2016) p. 75-79. Estudos em literatura bíblica, vol. 1.

[6] LaRondelle, Nosso Criador Redentor: Introdução à Teologia Bíblica da Aliança, p. 75.

[7] Ibid. Grifos acrescidos.

[8] Ibid.

[9] Carlo Rusconi, Dicionário do Grego do Novo Testamento, 3a ed. (São Paulo: Paulus, 2009), p. 378. Ver πληρόω (plēroō).

[10]  W. C. Taylor, Dicionário do Novo Testamento Grego, 6a ed. (Rio de Janeiro: Juerp, 1980), p. 177. Ver πληρόω (plēroō).

[11] Francis D. Nichol; Vanderlei Dorneles (editores), Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013), p. 346. Série Logos; v. 5.

[12] Nichol e Dorneles, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, p. 351. Grifos acrescidos.

[13] R. V. G. Tasker, Mateus: Introdução e Comentário (São Paulo: Vida Nova, 1980) p. 51 e 53.

[14] Jack W. Hayford (editor geral). Bíblia de Estudo Plenitude (Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017), p. 1028. Ver nota sobre Mateus 5:21-48.

[15] LaRondelle, Nosso Criador Redentor: Introdução à Teologia Bíblica da Aliança, p. 76. Grifos acrescidos.

[16] Hasel, “Presuposiciones en la interpretación de las Sagradas Escrituras”…, p. 54.

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Leandro Quadros
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1 Comentário

  1. Dyna
    abril 10, 08:42 Resposta

    Muito esclarecedor! Obrigada pelos texto riquíssimo. Louvado seja Deus pela sua vida, Leandro.

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