Quem tem o direito de interpretar a Bíblia para nós?

Quem tem o direito de interpretar a Bíblia para nós?

Esta pergunta tem sido respondida de diferentes maneiras na história do Cristianismo. A resposta mais comum argumenta que a interpretação da Bíblia é determinada pelos líderes religiosos da igreja, sob a influência de suas tradições religiosas. Contra esta posição os Reformadores identificaram corretamente o Espírito Santo como o único intérprete confiável das Escrituras. O papel particular do Espírito é definido por Sua conexão direta com Cristo.

Veja como a correta interpretação Bíblica leva as pessoas sinceras à verdade:

    1. Jesus e o Espírito como intérpretes da Bíblia:
      Jesus foi o verdadeiro intérprete das Escrituras. Ele não apenas forneceu uma interpretação confiável, mas também rejeitou interpretações humanas baseadas nas tradições Judaicas. Ele acusou os líderes Judeus de não conhecerem nem as Escrituras nem o poder de Deus (Mt 22:29). Ele tornou claro que somente através de Ele eles poderiam entender verdadeiramente as Escrituras (Jo 5:39). Os dois discípulos indo para Emaús encontraram em Cristo a verdadeira interpretação depois que Ele abriu para eles a Escritura, e “começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes (interpretou) o que constava a respeito dele em todas as Escrituras” (Lc 24:27, NVI).
      Pouco antes de ir para a cruz, Jesus prometeu enviar o Espírito para Seus discípulos (Jo 14:26; 16:13). O ministério de ensino do Espírito Santo é uma continuação do ministério de ensino de Jesus. Através de Ele ouvimos de novo a voz de nosso Senhor Jesus explicando a Bíblia para nós.
    2. Duas maneiras de ler as Escrituras:
      Uma maneira é orientada pelo espírito do mundo e a outra pelo Espírito de Deus. O espírito do mundo interpreta a mensagem bíblica através da “sabedoria humana” (1 Co 2:12, 13). Ela aplica o critério da sabedoria humana à mensagem divina e a define como “loucura,” levando os homens a concluírem que a Bíblia é igual a qualquer outro livro. Somente através do Espírito de Deus pode a mente ser iluminada, aclarada, e preparada para encontrar nas Escrituras a revelação da vontade de Deus (cf. Jo 1:9).
    3. Regras apropriadas de interpretação:
      Como o Espírito interpreta as Escrituras para nós? Primeira, a interpretação das Escrituras é uma experiência religiosa, não simplesmente uma intelectual. Quando confrontado com as Escrituras devemos estar dispostos a abandonar nossas ideias preconcebidas e a nos submeter à sua mensagem.
      Segunda, interpretar as Escrituras também é uma experiência intelectualmente enriquecedora. O Espírito não ignora nossa racionalidade. O Senhor espera que usemos nossa razão santificada para estudar a Bíblia. A sabedoria de Deus está baseada no temor do Senhor, sobre uma entrega completa a Ele como Salvador e Senhor. Esta sabedoria ouve as Escrituras e está disposta a segui-las aonde quer que ela nos leve em nossa pesquisa da verdade.
      Terceira, nesta pesquisa deveríamos usar um método apropriado de interpretação. É neste ponto que podemos ser tentados a usar a sabedoria humana, separada do Espírito, e chegar a interpretações que são incompatíveis com a natureza e propósito das Escrituras. Devemos permitir que o Espírito, através da meditação das Escrituras, identifique para nós os princípios de interpretação que devem ser usados na Bíblia. O Espírito, através das Escrituras, deveria julgar qualquer metodologia que tente descobrir o significado do texto. Nossa única segurança na interpretação da Escritura é encontrada no princípio de sola scriptura (a Bíblia somente), não misturada com teorias científicos ou sistemas filosóficos. Os Adventistas devem desenvolver uma maneira de interpretar a Bíblia baseada na Bíblia.

  1. O Espírito e a igreja:
    A interpretação da Bíblia também é uma experiência coletiva. O Espírito não ignora a comunidade de crentes que são servos fiéis das Escrituras. Um indivíduo que se considera a voz de Deus na formulação de doutrinas ou ensinos bíblicos, tentando impor à igreja seus próprios pontos de vista, representa um risco maior para a comunidade de crentes.
    Costumeiramente os resultados dessa pressão são divisões e rompimentos na igreja. O Espírito guia o corpo coletivo de Cristo a um entendimento melhor e correto das Escrituras (Jo 14:26; cf. At 15:28; Ef 3:17- 19). Isto requer uma boa vontade de nossa par te para procurar conselho e pôr de lado nossas opiniões pessoais sob o conselho apropriado da comunidade de crentes.

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Artigo: Uma Pergunta Sobre o Direito de Interpretação, de Ángel Manuel Rodríguez

10/06 Copyright © Biblical Research Institute General Conference of Seventh-day Adventists®

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Leandro Quadros
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