O cristão e as relações com as autoridades

O cristão e as relações com as autoridades

O apóstolo esboça com clareza a atitude que deveriam os crentes sustentar em relação às autoridades civis: “Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por Ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos; como livres e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei”. 1 Pedro 2:13-17. — Atos dos Apóstolos, 522.

Temos homens que são colocados sobre nós como governadores, e leis para nos regerem. Não fosse por essas leis, e as condições do mundo seriam piores do que são agora. Algumas dessas leis são boas, outras más. Estas têm aumentado, e seremos ainda levados a situações apertadas. Mas Deus susterá o Seu povo para ser firme e viver à altura dos princípios de Sua Palavra. […]

Vi que o nosso dever em cada caso é obedecer às leis de nossa pátria, a menos que se oponham às que Deus proferiu com voz audível do Monte Sinai, e depois, com o próprio dedo, gravou em pedra. “Porei as Minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e Eu lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo”. Hebreus 8:10. Quem tem a lei de Deus escrita no coração, obedecerá mais a Deus do que aos homens, e preferirá desobedecer a todos os homens a desviar-se um mínimo que seja dos mandamentos de Deus. O povo de Deus, ensinado pela inspiração da verdade, e guiado por uma consciência pura a viver segundo toda Palavra de Deus, terá a Sua lei, escrita no coração, como única autoridade que reconhece ou consente em obedecer. Supremas são a sabedoria e a autoridade da lei divina. — Testimonies for the Church 1:201, 361.

O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos — extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo, conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração. — O Desejado de Todas as Nações, 509.

Por mais de uma vez Cristo foi solicitado a decidir questões políticas e jurídicas; mas recusava-Se a interferir em assuntos temporais. […] Ele ocupava no mundo o lugar de Cabeça do grande reino espiritual para cujo estabelecimento aqui viera — o reino da justiça. Seus ensinos tornaram claros os princípios enobrecedores e santificadores que regem Seu reino. Mostrou que a justiça, misericórdia e amor são as forças dominantes no reino de Jeová. — Testimonies for the Church 9:218.

Os espias foram ter com Ele e, com aparente sinceridade, como desejando conhecer seu dever, disseram: “Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus. É-nos lícito dar tributo a César ou não?” Lucas 20:21, 22. […]

A resposta de Cristo não foi uma evasiva, mas uma réplica sincera. Segurando a moeda romana sobre que se achavam inscritos o nome e a imagem de César, declarou que, uma vez que estavam vivendo sob a proteção do poder romano, deviam prestar àquele poder o apoio que lhes exigia, enquanto isso não estivesse em oposição a um mais elevado dever. […] {CI 323.3}
Ao ouvirem os fariseus a resposta de Cristo, “maravilharam-se e, deixando-O, se retiraram”. Mateus 22:22. Ele lhes censurara a hipocrisia e presunção e, assim fazendo, expressara um grande princípio, princípio que define claramente os limites do dever do homem para com o governo civil, e seu dever para com Deus. — O Desejado de Todas as Nações, 601-603.

Prestar juramento — Vi que alguns dos filhos de Deus têm cometido um erro no que respeita a prestar juramento, e Satanás se tem aproveitado disto para os oprimir, e deles tirar o dinheiro de seu Senhor. Vi que as palavras de nosso Senhor: “de maneira nenhuma jureis”, não se referem ao juramento judicial. “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disto é de procedência maligna”. Mateus 5:34, 37. Isto se refere a conversações comuns. Alguns exageram em sua linguagem. Outros juram pela própria vida; outros, pela sua cabeça — tão certo como eles viverem; tão certo como terem cabeça. Uns tomam o Céu e a Terra como testemunhas de que tais coisas são assim. Outros ainda esperam que Deus lhes tire a existência se o que estão dizendo não é verdade. É contra esta espécie de juramento comum que Jesus adverte Seus discípulos. […]

Vi que o Senhor tem ainda que ver com as leis do país. Enquanto Jesus está no santuário, o refreador Espírito de Deus é sentido por governantes e pelo povo. Mas Satanás domina em grande parte a massa do mundo, e não fossem as leis do país, experimentaríamos muito sofrimento. Foi-me mostrado que, quando é realmente necessário, e eles são chamados a testemunharem de modo legal, não é violação da Palavra de Deus que Seus filhos tomem solenemente a Deus para testemunhar de que o que dizem é verdade, e coisa alguma senão a verdade. […]

Vi que, se existe na Terra alguém que possa coerentemente testemunhar sob juramento, esse é o cristão. Ele vive à luz do semblante de Deus. Ele se fortalece em Sua força. E quando questões de importância têm de ser resolvidas por lei, ninguém pode apelar para Deus com tanta justiça como o cristão. Ordenou-me o anjo que notasse que o próprio Deus jura por Si mesmo. Gênesis 22:16; Hebreus 6:13, 17. — Testimonies for the Church 1:201-203.

Questões políticas — Os que ensinam a Bíblia em nossas igrejas e escolas, não se acham na liberdade de se unir aos que manifestam seus preconceitos a favor ou contra homens e medidas políticos, pois assim fazendo, incitam o espírito dos outros, levando cada um a defender suas idéias favoritas. Existem, entre os que professam crer na verdade presente, alguns que serão assim incitados a exprimir seus sentimentos e suas preferências políticas, de maneira que se introduzirá na igreja a divisão.

O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloqüência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. […]

Os que são genuinamente cristãos são ramos da Videira verdadeira, e darão o mesmo fruto que ela. Agirão em harmonia, em comunhão cristã. Não usarão distintivos políticos, mas os de Cristo.

Que devemos então fazer? — Deixai os assuntos políticos em paz. […]

Há uma grande vinha a ser cultivada; mas, conquanto os cristãos tenham de trabalhar entre os incrédulos, não se devem parecer com os mundanos. Não devem gastar seu tempo a falar de política e agir em favor dela; pois assim fazendo, dão oportunidade ao inimigo de penetrar e causar desinteligências e discórdias. […]

Os filhos de Deus têm de se separar da política […] Não tomeis parte em lutas políticas. Separai-vos do mundo, refreai-vos quanto a introduzir na igreja ou escola idéias que hão de levar a contendas e perturbações. As dissensões são o veneno moral introduzido no organismo pelos seres humanos egoístas. — Obreiros Evangélicos, 391, 392, 395.

O perigo das declarações precipitadas — Ensinemos o povo a conformar-se em todas as coisas com as leis de seu Estado, quando assim podem fazer sem entrar em conflito com a lei de Deus. — Testimonies for the Church 9:238.

Alguns de nossos irmãos têm escrito e dito muitas coisas que são interpretadas como contrárias ao Governo e à lei. Está errado expor-nos dessa maneira a um mal-entendido geral. Não é procedimento sábio criticar continuamente os atos dos governantes. A nós não nos compete atacar indivíduos nem instituições. Devemos exercer grande cuidado para não sermos tomados por oponentes das autoridades civis. Certo é que a nossa luta é intensiva, mas as nossas armas devem ser as contidas num simples “Assim diz o Senhor”. Nossa ocupação consiste em preparar um povo para estar de pé no grande dia de Deus. Não devemos desviar-nos para procedimentos que provoquem polêmica, ou suscitem oposição nos que não são da nossa fé. […]

Tempo virá em que expressões descuidadas de caráter denunciante, displicentemente proferidas ou escritas pelos nossos irmãos, hão de ser usadas pelos nossos inimigos para nos condenarem. Não serão usadas simplesmente para condenar os que as proferiram, mas atribuídas a toda a comunidade adventista. Nossos acusadores dirão que em tal e tal dia um dos nossos homens responsáveis falou assim e assim contra a administração das leis desse governo. Muitos ficarão pasmos ao ver quantas coisas foram conservadas e lembradas, as quais servirão de prova para os argumentos dos nossos adversários. Muitos se surpreenderão de como foi atribuído às suas palavras um significado diferente do que era a sua intenção. Sejam nossos obreiros cuidadosos no falar, em todo tempo e sob quaisquer circunstâncias. Estejam todos precavidos para que, por meio de expressões imprudentes, não tragam sobre si um tempo de angústia antes da grande crise que provará os seres humanos. […]

Devemos estar lembrados de que o mundo nos julgará pelo que aparentamos ser. Que os que buscam representar a Cristo exerçam o cuidado de não exibir traços incoerentes de caráter. Antes de assumirmos um lugar definido na linha de frente, certifiquemo-nos de que o Espírito Santo nos tenha sido concedido lá dos altos Céus. Quando isso acontecer, pregaremos uma mensagem definida, que será, porém, de espécie muito menos condenatória do que a de alguns; e os que crerem terão muito mais interesse na salvação de nossos oponentes. Deixemos inteiramente com Deus o assunto de condenar as autoridades e governos. Com humildade e amor, defendamos, como sentinelas fiéis, os princípios da verdade tal como é em Jesus. — Testimonies for the Church 6:394, 395, 397.

Leis dominicais — Poderes religiosos, supostamente aliados ao Céu, e declarando ter as características de um cordeiro, por seus atos mostrarão que têm coração de dragão, e são instigados e dominados por Satanás. Está chegando o tempo de o povo de Deus sentir a mão da perseguição. por santificar o sétimo dia. Satanás motivou a mudança do sábado na esperança de concretizar seu propósito, a derrota dos planos de Deus. Ele procura tornar os mandamentos de Deus menos importantes no mundo do que as leis humanas. O homem do pecado, que cuidou em mudar os tempos e a lei, e já oprimiu o povo de Deus, fará com que sejam promulgadas leis que imponham a observância do primeiro dia da semana. Mas o povo de Deus deve ficar firme a favor dEle. E o Senhor operará em Seu favor, mostrando claramente ser Ele o Deus dos deuses. […]

A lei da observância do primeiro dia da semana é produto de um cristianismo apostatado. O domingo é filho do papado, entretanto exaltado pelo mundo cristão acima do sagrado dia de repouso de Deus. Em caso algum lhe deve o povo de Deus prestar homenagem. Mas desejo que compreendam que, se provocam oposição quando Deus deseja que a evitem, não estão cumprindo a Sua vontade. Desse modo despertam um preconceito tão implacável que será impossível proclamar a verdade. Não façamos, no domingo, demonstrações de desacato à lei. Se isso ocorrer num lugar, e formos humilhados, a mesma coisa poderá ocorrer noutro lugar. Podemos servir-nos do domingo para levar avante um trabalho que testifique de Cristo. Devemos fazer o melhor possível, trabalhando com toda a mansidão e humildade. — Testimonies for the Church 9:229, 230, 235.

Se dedicarmos o domingo à atividade missionária, o chicote será arrebatado das mãos dos fanáticos arbitrários, que se teriam deleitado em humilhar os adventistas do sétimo dia. Ao verem que nos domingos, nos empenhamos em visitar o povo e abrir perante eles as Escrituras, reconhecerão que lhes é inútil procurar impedir nossa obra fazendo leis dominicais. {CI 326.2}
O domingo pode ser empregado para desenvolver vários ramos de trabalho que muito farão em proveito do Senhor. Podem ser realizadas nesse dia reuniões ao ar livre ou em casas de família. Pode se fazer trabalho de casa em casa. Os que escrevem, podem consagrar esse dia para redigir seus artigos. Realizem-se cultos religiosos no domingo, sempre que possível. Tornem-se essas reuniões vivamente interessantes. Cantem-se verdadeiros hinos de reavivamento, e fale-se com firmeza e poder do amor de Cristo. Fale-se acerca da temperança e da religião genuína. Desse modo aprenderemos muito acerca de como trabalhar, e alcançaremos a muitos.

Dediquem os professores em nossas escolas o domingo a trabalhos missionários. Fui instruída de que seriam assim capazes de derrotar os propósitos do inimigo. Tomem os professores consigo os estudantes, para realizarem reuniões em favor dos que não conhecem a verdade. Desse modo realizarão muito mais do que conseguiriam de outra maneira. […]

Tem que ser dada ao povo a verdade, a verdade direta, positiva. Mas essa verdade deve ser apresentada no espírito de Cristo. Devemos ser como ovelhas no meio de lobos. Os que não querem, por amor de Cristo, observar as advertências por Ele dadas, e não querem exercer paciência nem domínio próprio, perderão preciosas oportunidades de trabalhar para o Mestre. O Senhor não deu ao Seu povo a obra de fazer críticas contra os que estão transgredindo Sua lei. Em caso nenhum devemos fazer ataques às outras igrejas. […]

Devemos fazer todo o possível para remover o preconceito existente no espírito de muitos contra nossa obra e contra o sábado. — Testimonies for the Church 9:232, 233, 236, 238.

Ellen G. White, Conselhos para a a Igreja, Capítulo 57.

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Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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