Humildade cristã não está com cristãos cabisbaixos

Humildade cristã não está com cristãos cabisbaixos

Humildade e alegria estão de mãos dadas com a santificação.

Para nossa desgraça, aprendemos um conceito de humildade cristã que nada contribui para nossa motivação em seguirmos a Cristo. Nem beneficia nossa saúde emocional!

É comum vermos irmãos cabisbaixos, sisudos e mal-humorados, como se isso fosse evidência de que vivem o real cristianismo.

Porém, à luz das Escrituras, isso NÃO É humildade cristã, muito menos evidência de santidade. Pelo contrário…

Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a humildade é fruto da santificação, e vem acompanhada pela alegria de viver por ter sido salvo por Deus e ser amado por Ele:

Não fiquem tristes, pois a alegria do Senhor é sua força (Ne 8:10).

Alegrem-se sempre no Senhor. Repito: alegrem-se! (Fp 4:4)

Estejam sempre alegres. Nunca deixem de orar. Sejam gratos em todas as circunstâncias, pois essa é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus (1Ts 5:16-18).

Santificação gera humildade cristã e alegria

Alegria cristã existe por causa da certeza de que o amor de Deus permitiu que fôssemos perdoados por nossos pecados, e porque Ele continua a nos amparar quando erramos.

Por estarmos convictos de que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1), nosso andar será ereto, nosso olhar confiante.

Problemas de baixa auto-estima podem nos afetar devido à falha de nossos pais em terem impresso em nós um bom autoconceito. Porém, a alegria por sermos filhos de Deus nos dará amparo para buscarmos auxílio psicoterapêutico, a fim de crescermos também no aspecto emocional.

Ou seja: a santificação bíblica gera em nós humildade cristã, ao invés de depreciação. Dá-nos um autoconceito melhor acerca de nós mesmos e nos motiva a buscarmos ajuda, se necessário for, para nos sentirmos melhor.

Afinal, como uma pessoa que vale o sangue da 2a Pessoa da Divindade pode se depreciar? Se “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16), como poderemos sequer imaginar que “não valemos nada” aos olhos do Criador?

Sinceramente, não gosto nenhum pouco de sermões que diminuem o valor do ser humano por este ser pecador.

À luz da cruz, mesmo que sejamos corrompidos pelo pecado a ponto de nossas justiças serem “como trapo da imundícia” (Is 64:6), temos valor aos olhos de Deus. Afinal, Ele deu Sua vida infinitamente preciosa para nos salvar da condenação eterna (Rm 5:7-8). Se não valêssemos alguma coisa, Cristo não teria encarnado e deixado a glória celestial para morrer em nosso lugar.

Falta de alegria pode indicar falta humildade

Em seu livro O Grande Conflito, p. 477, Ellen G. White afirmou que “a vida cristã deve ser de fé, vitória e alegria em Deus”.

Depois de mencionar textos bíblicos que falam da fé e da alegria cristã, ela conclui: “São esses os frutos da conversão e santificação bíblica” (p. 478). Resumindo: uma vida sem fé, de derrotas e tristezas constantes, é sinal de que falta a verdadeira conversão e santificação.

Não estou escrevendo a pessoas deprimidas, pois depressão nada tem a ver com falta de fé ou de conversão. Depressão é uma doença que não está relacionada à qualidade de fé de uma pessoa, mas a fatores psicológicos, neuroquímicos e de estilo de vida. Clique aqui e veja um vídeo onde desmistifico essa ideia absurda de que o cristão não pode ter depressão.

Outro vídeo muito útil foi intitulado Como Enfrentar a Depressão. Clique no título se quiser assisti-lo.

Sugiro que reavalie sua vida cristã. Descubra os gatilhos mentais que disparam suas emoções negativas e lide com eles. Verifique a rigidez de suas crenças a respeito de si mesmo, para que possa flexibilizá-las.

Seu autoconceito negativo, bem como uma compreensão distorcida da santificação e da humildade cristã, podem estar lhe adoecendo. Essas coisas impedem que aproveite o melhor que a fé cristã tem a lhe oferecer.

Enquanto não formos glorificados, não teremos nosso vazio interior plenamente preenchido. Até lá temos de lidar com ele. Todavia, antes de chegarmos à eternidade podemos cultivar o hábito de ser felizes, pois somos aconselhados a nos alegrarmos no Senhor (Fp 4:4).

A felicidade é um hábito. Portanto, cultive-a em Cristo.

Mude sua forma de ver o cristianismo se quiser ser feliz.

Finalizarei esse post deixando-lhe um parágrafo fantástico da obra O Grande Conflito, p. 477. Reavalie sua vida religiosa com o auxílio desse trecho. Leia e releia-o pelo menos duas vezes, para que tais verdades sejam impressas em sua mente:

Embora a vida do cristão deva ser caracterizada pela humildade, não deveria assinalar-se pela tristeza e depreciação de si mesmo. É privilégio de cada um viver de tal maneira que Deus o aprove e abençoe. Não é da vontade de nosso Pai celestial que sempre estejamos sob condenação e trevas. O andar cabisbaixo e com o coração cheio de preocupações não constitui prova de verdadeira humildade. Podemos ir a Jesus e ser purificados, permanecendo diante da lei sem opróbrio e remorsos: ‘Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito’ (Rm 8:1).

Jesus veio ao nosso mundo para que você tivesse vida “em abundância” (Jo 10:10).

Portanto, não se contente com migalhas de felicidade. Viva a plenitude da alegria cristã e contagie as pessoas ao seu redor com seu humor, sorriso, gentileza e pureza de caráter.

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Sobre o autor

Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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1 Comentário

  1. Parabéns pastor pela boa explicação, ela me faz lembrar das palavras do apostolo Paulo em Fil. 4:4, que posso parafrasear comentando que ele nunca se cansava de repetir que o gozo santo é um dos principais deveres e privilégios do cristão.
    Alegrai-vos sempre.
    O Senhor é sempre o mesmo (cf. com. Mal. 3: 6; Heb. 13: 8; Tia. 1: 17). O amor de Deus, sua consideração, seu poder, são os mesmos em tempos de aflição e em tempos de prosperidade. O poder de Cristo para proporcionar paz ao coração não depende de circunstâncias externas; de modo que o coração que se refugia nele pode regozijar-se continuamente.
    Melhor “outra vez direi”. O apóstolo repete sua exortação nos admoestando, aconselhando-nos a acautelar-nos todas as objeções quanto à impossibilidade de regozijar-se em meio de circunstâncias desfavoráveis.
    Concordo plenamente com o amado. Cristão vitorioso com Cristo e em Cristo, mesmo nas dificuldades, provações e aflições, não deve ficar cabisbaixo, afinal, Deus, seu Filho amado, está no controle.
    Parabéns pela bela explicação. Um abraço.

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