A palavra plural “vidas” reafirma a reencarnação?

A palavra plural “vidas” reafirma a reencarnação?

Um espírita argumentou que a palavra “vida” no hebraico é plural e, por isso, a doutrina da reencarnação seria bíblica. Isso é verdade? Há outros argumentos mencionados por ele e gostaria que me ajudasse…

Introdução

Severino Celestino da Silva tem argumentado fortemente a favor do espiritismo sem considerar a opinião bíblica sobre a natureza humana. A seguir mencionarei alguns dos argumentos dele com as devidas respostas bíblicas para tais afirmações.

Você verá que a doutrina da reencarnação não é bíblica e, portanto, originou-se na mente de outro autor – aquele chamado “príncipe das trevas”, em quem não há verdade (Jo 8:44).

Inicialmente recomendo que todo espírita leia o livro “Por Que Não Sou Mais Espírita”, de Maurício Braga (Casa Publicadora Brasileira – www.cpb.com.br). Esse advogado foi professor kardecista e seu contato com a Bíblia o fez rejeitar definitivamente o espiritismo.

O amigo espírita também poderá acessar no blog do programa (www.novotempo.com/namiradaverdade) a série de nove estudos que preparei sobre o assunto. Basta digitar no campo “Busca” a palavra “espiritismo”.

As variantes nas traduções bíblicas

Em um programa de TV Silva citou as diferentes traduções para o Salmo 19:8, por exemplo, para provar que as versões da Bíblia não são “confiáveis”. Ele desconsiderou que a variação de uma tradução para a outra não necessariamente contradiz a ideia central do texto e, que uma mesma palavra pode ter significados sinônimos.

Qualquer pessoa pode saber que os tradutores não traduzem a Bíblia para se contradizerem ou mostrarem quem é o melhor. As várias traduções da Bíblia existem para nos mostrar que a mesma ideia contida no texto pode ser apresentada de diferentes palavras e/ou formas de linguagem.

Foram tantas as aberrações sugeridas por Severino Silva que alguém pode pensar que todos erraram e que só ele e um professor ou outro de hebraico sabem da verdade sobre a correta tradução bíblica…

Ele disse que tem 22 Bíblias traduzidas para o português, mas, não parece que tenha dedicado tempo em estudá-las de forma coerente como Jesus, que ensinou em Lucas 24:27, 44 a doutrina da ressurreição e não a reencarnação. Afinal, ele ressuscitou e não “reencarnou”. E isso deveria nos dizer muito sobre no que realmente os judeus acreditavam!

As “contradições” que Silva encontrou nas traduções bíblicas são o resultado dos pressupostos espíritas dele e não da verdade dos fatos.

A natureza humana

Ao tratar do assunto “vida após a morte” ele esbarra num fato primordial: o de que o Hebreu via a natureza humana como sendo holística. Textos como Gênesis 2:7, Salmo 6:5, 13:3, 115:17 e 1 Tessalonicenses 5:23 nos mostram que na visão veterotestamentária (e neotestamentária, no caso da primeira carta a Timóteo) não há espaço para a “imortalidade da alma” fora do corpo.

Consequentemente, os Hebreus – em momento algum – escreveriam sobre a reencarnação, doutrina estranha à Bíblia e a toda base filosófica holística sobre a qual ela se encontra.

Os hebraístas têm consenso quanto a isso. Não é uma ideia minha.

Isso em si derruba toda a tese de Silva. Ainda mais se levarmos em conta que Elias “não precisou ser reencarnado” para atingir uma plenitude espiritual, pelo fato de ele ter ido vivo para o Céu (2Rs 2:1-18).

A Bíblia nega que Elias tenha “reencarnado em João Batista” e nos leva a questionarmos a veracidade do espiritismo no seguinte ponto: se a reencarnação existe, por que apenas Enoque (Gn 5:24) Moisés (Jd 1:9) e Elias (2Rs 2:1-18) teriam ido para o Céu (e chegado a um alto nível espiritual) sem terem reencarnado como “os demais” seres humanos?

Silva terá de responder a essa questão e provar que a mentalidade hebraica fazia separação entre a “alma” e o corpo, se quiser que o espiritismo seja verdadeiro (espero que ele não cite Gn 35:18 e 1Rs 17:21, 22, pois, a palavra “alma” empregada não significa o que ele quer ela signifique)

Ele também precisará provar que todos os textos contra o espiritismo foram mal traduzidos (como, por exemplo, Lv 19:31; Dt 18:10-14).

A palavra “vida” no hebraico

O argumento de que “vida” no hebraico pode ser traduzida por “vidas” não apóia a doutrina da reencarnação, pois, como vimos, a compreensão hebraica sobre a natureza humana (holismo) não se harmoniza com a doutrina espírita.

Sobre a pluralidade do termo “vida”, assim se expressou o erudito Stanley M. Horton:

“… Comentários mais antigos aceitam o plural hebraico, “fôlego de vidas”, e entendem que se refere à vida animal e intelectual, ou à física e espiritual. A Bíblia revela, de fato, que o espírito do próprio homem provém de Deus e voltará para Ele (Eclesiastes 12.7; Lucas 23.46; ver também João 19.30 onde Jesus entregou seu espírito). Outros trechos também enfatizam que Deus é a origem da vida e que o seu Espírito a produz (Jó 27.3;33.4). Se Ele a retirasse, toda a vida chegaria ao fim (Jó 34.14,15). Mesmo assim, possuir “fôlego de vida” é atribuída a todos quantos morreram no Dilúvio (Gênesis 6.17;7.22), bem como a todos os animais que entraram na arca (Gênesis 7.15). Sendo assim, uma atitude mais lógica reconhece que o plural hebraico não fala aqui de tipos diferentes de vida.

“No Hebraico, o plural é freqüentemente usado para representar plenitude, ou algo que flui. (Água sempre está no plural em Hebraico). É usado, também, para alguma coisa que revela muitos aspectos ou expressões. (As palavras face e céu também estão sempre no plural em Hebraico). A atenção em Gênesis 2.7, portanto, não recai no tipo de vida tanto quanto na origem da vida. O “fôlego de vida” pode simplesmente significar o fôlego ou Espírito de Deus que produz a vida, que dá ao homem seu “fôlego vital” ou sua “faculdade da vida”…” (“O que a Bíblia Diz Sobre o Espírito Santo”. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1993, p. 12. Grifos acrescentados.)

Além disso, Hebreus 9:27 prova definitivamente que “vidas” no hebraico não se refere a diferentes tipos de vida. O judeu que escreveu o texto também compreendia a natureza humana como sendo um todo inseparável (holística) e, por isso, escreveu:

“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”

O texto afirma que o ser humano morre apenas uma vez (há casos especiais como o de Apocalipse 1:7). Se morre “uma vez”, não pode vir a reencarnar e ter “vidas”.

Conclusão

Como cristãos preferimos aceitar a tradução de Isaías 8:19, 20 que nos mostra ser o espiritismo (veja: não o espírita) obra do engano:

“Quando disserem a vocês: “Procurem um médium ou alguém que consulte os espíritos e murmure encanta­mentos, pois todos recorrem a seus deuses e aos mortos em favor dos vivos”, respondam: “À lei e aos mandamentos!” Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Nova Versão Internacional).

Esse texto deixa clara a existência de uma tensão entre a Bíblia e o espiritismo. Sendo que duas coisas contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, a razão nos diz que devemos aceitar um (a Bíblia) e rejeitar o outro (o espiritismo).

Com isso finalizo tal exposição deixando a Silva a responsabilidade de “provar” que, filosoficamente, duas coisas opostas são verdadeiras.

[Postarei esta resposta no blog para que outros tenham acesso a ela. Obrigado por me escrever!]

Um abraço e conte comigo sempre,

Leandro Quadros.

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Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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