Cristo e o Arcanjo Miguel

Cristo e o Arcanjo Miguel

Acreditar que Jesus é “Miguel” não seria rebaixar Sua natureza divina à condição de um ser criado?

A resposta à essa pergunta depende da compreensão que temos da natureza do Senhor Jesus Cristo.

Se crermos corretamente que Ele é Deus eterno (Jo 1:1-3), Criador (Hb 1:1-3), incriado (Is 9:6; Ap 1:17) e autor da Vida (At 3:15), não haverá problema em chamá-Lo de “anjo” ou “Arcanjo”, pois tais títulos, em certos contextos, destacam apenas funções diferentes do Divino Cristo, sem que Sua Absoluta Divindade (ver Cl 2:9; 1Jo 5:12, 20) seja afetada.

“Anjo” significa “mensageiro” e, mesmo que na grande maioria das vezes o termo se refira a seres criados, a Bíblia também usa para se referir à função de Cristo de “mensageiro” da Divindade à humanidade. Portanto, quando aplicado a Jesus, como vemos em textos como Êxodo 3:2-14, Josué 5:13-15, Juízes 6:11-24, 13:1-25 (etc), “anjo” assume não mais que um detalhe funcional dEle, e não se refere em hipótese alguma à Sua natureza – que é divina.

Há um importante comentário de Ellen G. White a respeito da Divindade de Cristo com o qual todos os cristãos, que não possuem uma compreensão sectária a respeito do Salvador, concordam:

“Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada. ‘Quem tem o Filho tem a vida’ (1Jo 5:12). A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente. ‘Quem crê em Mim’, disse Jesus, ‘ainda que esteja morto viverá; e todo aquele vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto? (Jo 11:26)’” [i]

Assim como ocorre com a palavra “anjo”, se dá com o termo “Arcanjo”, que significa “anjo Chefe”. Pelo fato de Jesus ser, além de “mensageiro” da Divindade, o “Chefe” dos anjos, por ter sido o Criador deles (ver Cl 1:15-17), o termo “Arcanjo” faz referência à Sua posição como Comandante Divino das hostes angélicas. Ele deu essa função de liderança a outros anjos (ver Dn 10:13), porém, eles não partilham da natureza Divina de Cristo (ver Hb 1:8-14).

Caso a pessoa não creia na Divindade de Jesus, infelizmente ela acabará interpretando tais palavras (“anjo” e “arcanjo”) de maneira errada: ao invés de compreender tais expressões como tendo significado apenas funcional, quando usadas para Cristo, equivocadamente acabam relacionando-as com a natureza dEle. Um erro tremendo.

Alguns teólogos evangélicos não veem problema algum em Cristo ser identificado com o “Arcanjo Miguel”, desde que essa compreensão não seja a compreensão das Testemunhas de Jeová que, com sua crença Ariana, negam a divindade absoluta de Cristo.

Entre esses estudiosos evangélicos que adotam tal posição, destaco Matthew Henry, que em seu comentário publicado no Brasil pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), assim se expressou sobre Daniel 12:1 (confira no referido comentário o que o autor afirma sobre “Miguel” noutros textos bíblicos):

Jesus Cristo se mostrará como defensor e protetor da sua igreja; naquele tempo, quando a perseguição estiver no seu maior ardor, Miguel se levantará (v. 1). O anjo havia dito a Daniel como Miguel era um amigo firme da igreja (cap. 10:21). Desde o princípio ele demonstrou essa amizade no mundo superior. Os anjos sabiam disso. Mas agora Miguel se levantará em sua providência, e operará o livramento para os judeus, quando vir que o poder deles desapareceu (Dt 32:3, 6). Cristo é o grande príncipe, pois Ele é o príncipe dos reis da terra (Ap 1:5). E se ele se levantar por sua igreja, quem será contra ela? […]”.[ii]

Desse modo, se o intérprete entender que o “Arcanjo Miguel” é uma referência a Jesus quando Ele se manifesta em Sua função de Criador Chefe dos anjos no conflito cósmico – sem com isso negar a Absoluta Divindade do Salvador – não estará rebaixando a natureza do Messias.

Tal estudioso, por isso, não merece ser considerado um sectário.

REFERÊNCIAS

[i] Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014), p. 530.

[ii] Matthew Henry, Comentário Bíblico Antigo Testamento, vol. 4 – Isaías à Malaquias. Edição Completa (Rio de Janeiro: CPAD, 2012), p. 902.

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Leandro Quadros
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2 Comentários

  1. Maria da Paz
    março 29, 16:28 Resposta

    Eu Acredito sim, pois se Jesus se tornou homem, porque não se tornar um anjo tb. Acredito que quando Jesus lutou com Satanás, ali Ele era anjo tb para poder lutar de igual para igual e não ser acusado pelo diabo de que Ele Jesus estaria em vantagem. Assim como Jesus veio ao mundo se tornar homem para poder morrer por nossos pecados, tb se tornou um anjo muitas vezes…..

  2. Matias
    novembro 22, 00:09 Resposta

    Esse sofisma já foi mais que esclarecido no vejam só pelo pastor Elias Soares. Além de mostrar que Moisés não ressuscitou.

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