Em quem o cristão deve votar

Em quem o cristão deve votar

Introdução

Antes de apresentar esses conselhos de Ellen G. White para o cristão que deseja exercer seu direito de cidadão com sabedoria e prudência, destaco que a co-fundadora do adventismo, a Igreja Adventista do Sétimo Dia[1] e nem eu assumo qualquer partido político. (Leia mais aqui)

Desse modo, o fato de eu concordar com algumas ideias (não todas) de um deputado ou candidato, isso não significa que sou militante de seu partido ou promovedor de suas causas. Afinal, quantos leitores em algum momento não concordaram com a opinião de um comentarista bíblico que não pertence à sua denominação religiosa, e que apresenta outros conceitos com os quais discorda?

“A Igreja [adventista] encontra nos ensinos de Cristo e dos apóstolos base suficiente para evitar qualquer militância política institucional”[2] porque preferimos empunhar a bandeira de Cristo (Jo 18:36) e dedicar nosso tempo na pregação do evangelho para prepararmos as pessoas para a volta de Cristo (Mt 28.19-20; Ap 14.6-12).

Porém, não cremos que o cristão deva ser isento de sua responsabilidade social em votar e eleger governantes que melhor representem os princípios divinos, e que contribuam para aliviar o sofrimento do próximo. Mesmo sendo apolíticos, não vemos vantagem alguma em ser um alienado ou ignorante político.

Além disso, entendemos que essa é uma questão pessoal e que ninguém que assuma função eclesiástica deveria influenciar os membros na defesa de qualquer partido[3]. Desse modo, cremos que em questões políticas, o livre-arbítrio também deve ser respeitado.

Todavia, somos pessoas que cultuam a Deus racionalmente (Rm 12.1,2). Não é porque não assumimos um partido ou candidato que não iremos avaliar suas ideias, planos e propostas. Afinal, mesmo nossa Pátria sendo a celestial (Fp 3.20,21), vivemos ainda na pátria brasileira e Cristo nos convida para sermos o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt 5.13, 14), influenciando para o bem e levando o conhecimento de Deus a todos os eleitores (Mt 5.15, 16).

Isso é feito também quando escolhemos representantes que não atrapalhem a divulgação da mensagem de Jesus Cristo e de Suas verdades para esse tempo.

Sugestões de Ellen G. White quanto ao voto

Mesmo a Igreja Adventista do Sétimo dia (sabiamente) não se envolvendo com qualquer partido político, sua co-fundadora deu conselhos específicos para todos aqueles cristãos que desejam exercer seu direito de cidadania através do voto.

Desejo que esse post lhe instrua a votar devidamente[4] para que, enquanto estivermos nessa pátria corrupta, façamos nossa parte para aliviarmos de verdade o sofrimento do próximo através da escolha de líderes que estejam dispostos a nos ajudarem nesse propósito.

Como muito bem destacou Alberto R. Timm: “Os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dai devem reconhecer ser seu dever individual escolher conscientemente em quem votar. O princípio básico é sempre votar em candidatos cuja ideologia, crenças, estilo de vida e propostas políticas estejam mais próximos dos princípios adventistas”.[5]

Eis algumas das dicas de Ellen G. White:

  1. Vote em candidatos temperantes (moderados, controlados) e que não sejam contra nossa mensagem de saúde. Não eleja beberrões ou indivíduos que possam estimular o comércio de drogas de qualquer espécie: “Homens intemperantes não devem ser colocados em posições de confiança pelo voto do povo. Sua influência corrompe a outros, e acham-se envolvidas sérias responsabilidades”.[6]
  1. Vote em pessoas íntegras, que respeitem os direitos de propriedade, os direitos da vida (humana e animal) e que, obviamente, valorizem a religião, os princípios morais e a estrutura familiar: “Unicamente homens estritamente temperantes e íntegros devem ser admitidos em nossas assembleias legislativas e escolhidos para presidir nossas cortes de justiça. As propriedades, a reputação e a própria vida se acham inseguras quando deixadas ao juízo de homens intemperantes e imorais”.[7]
  1. Vote em candidatos que temam (respeitem) a Deus e estejam dispostos a receberem sabedoria dEle e de Sua Palavra para governarem: “Fossem os homens representativos observadores dos caminhos do Senhor, e indicariam aos homens uma norma elevada e santa. Os que ocupam posições de confiança seriam estritamente temperantes. Magistrados, senadores e juízes teriam clara compreensão, e seu discernimento seria são, isento de perversões. O temor do Senhor estaria sempre presente, e dependeriam de uma sabedoria superior à sua. O Mestre celestial os tornaria sábios no conselho, e fortes para agir firmemente em oposição a todo erro, e promover o direito, o justo e o verdadeiro. A Palavra de Deus seria seu guia, e afastariam toda opressão…”.[8]
  1. Vote em candidatos que respeitam a liberdade religiosa e que não promovam em hipótese alguma a união entre Igreja e Estado: “Não podemos trabalhar para agradar a homens que irão empregar sua influência para reprimir a liberdade religiosa, e pôr em execução medidas opressivas para levar ou compelir seus semelhantes a observar o domingo como sábado”.[9]

Creio que se seguirmos tais diretrizes, estaremos sendo responsáveis na escolha de nossos representantes e contribuindo para o avanço do evangelho – nossa verdadeira bandeira.

Concluo o presente post com as palavras finais de uma resposta dada na seção “Consultoria Doutrinária” da Revista Adventista de setembro de 2000 sobre o tema em discussão:

“O cristão viaja para a Pátria celestial, mas, enquanto estiver neste mundo, deve cumprir seus deveres na comunidade de que faz parte. Assim, o exercício da cidadania é parte da vida de todo cristão responsável. Pagar impostos, com honestidade, é um dos requisitos”.[10]

Notas e Referências

[1] A posição adventista a respeito de algumas questões políticas pode ser vista no livro Declarações da Igreja (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003).

[2] Alberto R. Timm, “Os adventistas e a política: conceitos básicos sobre a posição dos adventistas sobre política” Revista Adventista, maio de 2006, p. 13. Recomendo a leitura de todo artigo que vai da p. 12-15. Veja-se também a entrevista do Prof. Márcio Costa sobre a relação entre Igreja e Estado nos escritos de Ellen G. White e a responsabilidade civil dos adventistas na Revista Adventista de junho de 2010, p. 6-7.

[3] Veja-se, por exemplo, o capítulo “Nossa Atitude Quanto à Política” em Obreiros Evangélicos, p. 391-396, que trata do envolvimento de obreiros denominacionais em questões políticas.

[4] Poderá ler um documento bem detalhado sobre o envolvimento do cristão com a política em Arthur L. White, se “Adventistas do Sétimo Dia e Votação”. O mesmo se encontra disponível no seguinte link: http://centrowhite.org.br/wp-content/uploads/2013/01/ADVENTISTAS-DO-S%C3%89TIMO-DIA-E-VOTA%C3%87%C3%83O.pdf Acessado em 10/4/2017.

[5] Timm, “Os adventistas e a política: conceitos básicos sobre a posição dos adventistas sobre política”…, p. 14.

[6] Ellen G. White, Temperança, 3ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014), p. 47.

[7] Ibid.

[8] Ibid., p. 48.

[9] White, Fundamentos da Educação Cristã, 2ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013), p. 475. Se você quiser se informar sobre a profecia de Apocalipse 13 que prediz o ressurgimento da união entre a igreja e o estado pouco antes da volta de Jesus Cristo, recomendo a leitura das seguintes obras: O Grande Conflito, de Ellen G. White; Apocalipse 13: Leis dominicais, boicotes econômicos, decretos de morte, perseguição religiosa…Isso poderia realmente acontecer?, de Marvin Moore; O Último Império: a Nova Ordem Mundial e a Contrafação do Reino de Deus e Pelo Sangue do Cordeiro: a Vitória do Remanescente na Batalha Final, ambos de Vanderlei Dorneles. Todos esses livros podem ser adquiridos com a editora Casa Publicadora Brasileira pelo site www.cpb.com.br

[10] [Revista Adventista], “Consultoria Doutrinária”: Política. Revista Adventista, setembro de 2000, p. 11.

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Sobre o autor

Leandro Quadros
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Escritor e apresentador dos programas "Na Mira da Verdade" e "Lições da Bíblia"

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5 Comentários

  1. Janete Oliveira
    janeiro 16, 08:39 Resposta

    Excelente artigo professor Leandro, pena que ao final conclui que não existe candidato com tais características. Portanto fico tranquila em não votar em ninguém

  2. […] Você e eu como cristãos (ou não cristãos) podemos e devemos sonhar com um governo justo e honesto como esse descrito em 1 Macabeus 14. Precisamos contribuir para isso exercendo nosso direito de cidadania através do voto, considerando atentamente as dicas de Ellen G. White para a escolha de governantes. […]

  3. ROGERIO GOMES COSTA
    abril 10, 18:40 Resposta

    É um tema certamente espinhoso, no atual cenário brasileiro existe um patrulhamento ideológico fortíssimo…e líderes precisam realmente cuidar com opiniões, a menos que estejam dispostos a lidar com oposições nem sempre cordiais e honrosas! Um abrço e obrigado pelo artigo equilibrado.

    • Jefferson
      setembro 09, 23:50 Resposta

      Sobre a parte de falar que é apolitico, eu Refletindo acerca do conceito mencionado nasce um questionamento: é possível algum ser humano intitular-se “apolítico”? Creio eu que não. A política nasce da convivência, do diálogo com o próximo, da articulação entre indivíduos, e, enquanto tivermos um convívio em sociedade, seremos naturalmente um ser político. Como afirmação de tudo isso, cito o renomado filósofo Aristóteles, cujo pensamento remonta à sociedade grega e é utilizados até hoje, onde chamaria o indivíduo de zoo politikon, afirmando que o ”homem é um ser naturalmente político e relacional”.

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