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“Não matarás [o feto]” (Êx 20:13)

Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que se você um dia optou pelo aborto, porém, arrependeu-se e pediu perdão a Deus pelo seu pecado, Ele já lhe perdoou por meio dos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo (Sl 32:5; Rm 5:1; 1Jo 1:9).
Por isso, esse pequeno texto tem apenas o objetivo de levar-nos à reflexão sobre aquilo que a Bíblia ensina a respeito do aborto, a fim de nos posicionarmos contra a legalização desse tipo de homicídio mais que covarde (cf. Êx 20:13).
Vamos lá.
Certa vez, Ronald Regan, ex-presidente dos EUA, comentou: “todos que são a favor do aborto já nasceram”.
Não entrarei nos méritos de seu governo, mas, irei destacar sua frase simples, porém, profunda: quem defende o aborto não parou para pensar que ele teve o direito de nascer. Não parou para refletir que, se ele estivesse no útero de uma mãe que tivesse decidido aborta-lo, agonizaria como ser humano com o sofrimento causado pela indução ao aborto.
Faz parte do “cancerígeno” egoísmo humano querer para o outro o que não se deseja para si mesmo. Por isso, Jesus advertiu aos Seus seguidores que agissem de maneira bem diferente: “Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês; pois isso é o que querem dizer a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas” (Mt 7:12, Nova Tradução Na Linguagem de Hoje).

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Legalizar o aborto traria muito mais problemas do que soluções porque as pessoas irresponsáveis ser aproveitariam disso para se tornarem mais irresponsáveis ainda. Afinal, elas acham “mais fácil” tirar um feto depois de uma “gravidez indesejada” do que assumir a responsabilidade pelo filho (a) que fez. Infelizmente, na hora de “fazer”, quase ninguém pensa nas consequências.
Além disso, pessoas que optam pelo aborto desconsideram que um filho é uma “herança do Senhor” (Sl 127:3), que servirá de instrumento divino para desenvolver nelas a paciência e abrandar o sentimento egoísta. Quem é pai ou mãe sabe o quanto um filho melhora nosso caráter quando deixamos que isso aconteça. Quando temos um filho sabemos um pouquinho da profundidade do amor de Deus por cada pecador, de modo que O amamos ainda mais.
Tirar a vida de um ser indefeso contraria princípios bíblicos muito sérios:
1º: A vida é sagrada para Deus: “Se alguns homens estiverem brigando e ferirem uma mulher grávida, e por causa disso ela perder a criança, mas sem maior prejuízo para a sua saúde, aquele que a feriu será obrigado a pagar o que o marido dela exigir, de acordo com o que os juízes decidirem. Mas, se a mulher for ferida gravemente, o castigo será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, machucadura por machucadura.” (Êx 21:22-25)
2º: O Criador (e Juiz) não aprova que se mate o inocente: “ […] não matarás o inocente e o justo […]” (Êx 23:7).
3º: Jesus deseja que todas as criancinhas tenham a chance de ganharem a vida eterna: “Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino do Céu é das pessoas que são como estas crianças.” (Mt 19:14, Nova Tradução Na Linguagem de Hoje).
Também não devemos passar por alto que Deus (a) se relaciona com o feto (Jr 1:5; Sl 139:13-16) e que (b) os autores bíblicos não fazem diferença entre o embrião e uma criança recém-nascida. A mesma palavra grega para descrever o feto (brephos) em Lucas 1:41, é usada para se referir ao bebê (Jesus) em Lucas 2:16.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia e o aborto
Peço licença aos irmãos evangélicos, católicos, espíritas, muçulmanos, judeus, hinduístas (etc), para falar sobre o que a igreja que frequento pensa sobre o assunto.
Algo que admiro muito no adventismo é o equilíbrio de seus líderes em tratar questões morais e éticas tão profundas. Entre elas, está o aborto.
No livro Declarações da Igreja, das págs. 219 a 222, há um documento aprovado e votado pela Comissão Administrativa da Associação Geral em 12 de outubro de 1992 a respeito desse tema. Em um dos parágrafos lemos o seguinte:
“A igreja [adventista do sétimo dia] não deve servir como consciência para indivíduos; contudo, ela deve oferecer orientação moral. O aborto por motivo de controle natalício, escolha do sexo ou conveniência não é aprovado pela igreja. Contudo, as mulheres, às vezes, podem se deparar com circunstâncias excepcionais que apresentam graves dilemas morais ou médicos, como: ameaça significativa à vida da mulher gestante, sérios riscos à sua saúde, defeitos congênitos graves cuidadosamente diagnosticados no feto e gravidez resultante de estupro ou incesto. A decisão final quanto a interromper ou não a gravidez deve ser feita pela mulher grávida após o devido aconselhamento. Ela deve ser auxiliada em sua decisão por meio de informação precisa, princípios bíblicos e a orientação do Espírito Santo. Por outro lado, essa decisão é mais bem tomada dentro de um contexto saudável de relacionamento familiar”.1
Muita coisa pode ser dita sobre esse parágrafo, mas, gostaria de me ater a uma: no caso de estupro e incesto (entre outras circunstâncias), a “decisão é mais bem tomada dentro de um contexto saudável de relacionamento familiar”.
Isso nos leva a pensar se uma mulher estuprada ou uma menina engravidada pelo próprio pai “pode” trazer ao mundo uma criança que viva dentro de um “contexto saudável de relacionamento familiar”. Creio que não.
Infelizmente, em muitas circunstâncias da vida, temos de escolher “dos males o menor” por estarmos num mundo que respira o pecado. Particularmente (veja: essa não é a opinião oficial da Igreja Adventista) creio que as influências pré-natais negativas que um feto sofrerá por parte de uma mãe estuprada ou violentada pelo pai serão muito mais destrutivas à criança. Desse modo, será que compensa tal criança ter de receber todo esse sofrimento pré-natal, e conviver com toda essa carga hereditária?
Há mulheres que decidem ter a criança e dá-la para alguém que consiga amá-la sem as recordações horrendas de um estupro. Por isso, em minha pecadora opinião, nesse tipo de caso, só Deus e a mãe que confia nEle podem decidir (oficialmente, a igreja que frequento pensa o mesmo em relação a esse ponto, como se pode ler na pág. 220 da obra Declarações da Igreja).

Acho muito sábias e inspiradas as observações de Ellen G. White sobre o poder das influências pré-natais. Compartilho-as com você para lhe ajudar nessa reflexão (detalhe: ela não está tratando do aborto nesse contexto):
“Toda mulher prestes a tornar-se mãe, seja qual for o seu ambiente, deve animar constantemente uma disposição feliz, alegre, contente, sabendo que por todos os seus esforços postos nesta direção será ela recompensada dez vezes mais no caráter tanto físico como moral do seu rebento. E isto não é tudo. Ela pode, pelo hábito, acostumar-se a pensamentos animosos, e assim encorajar um feliz estado de espírito e lançar alegre reflexo de sua própria felicidade de espírito na família e nos que com ela se associam”.2
“Os pensamentos e sentimentos da mãe terão poderosa influência no legado que ela faz a seu filho. Se ela permite que os próprios pensamentos se demorem em seus sentimentos, se condescende com o egoísmo, se é irritadiça e exigente, a disposição de seu filho testificará desse fato. Assim, muitos receberam como patrimônio tendências quase invencíveis para o mal”.3
Finalizo aconselhando você a nunca defender a legalização do aborto, caso dê o mesmo valor à vida que Deus dá. Todavia, não sejamos juízes ao ponto de querermos opinar no lugar de uma mulher estuprada ou violada pelo próprio pai. Somente quem passa por uma situação dessas pode decidir (após aconselhamento bíblico e a orientação do Espírito Santo) se terá condições emocionais para transmitir boas influências pré-natais para uma criança que merece o melhor.
Também é importante aprendermos a conviver com as diferentes opiniões sobre o assunto. O mais importante é que todos os que somos contra o aborto (mesmo que não em todos os “detalhes”) lutamos pela mesma causa: salvar vidas.
Afinal, pouco adianta eu ser contra o aborto se por meio de minhas palavras e atitudes “mato” as pessoas emocionalmente (cf. Cl 4:6; Tt 2:7, 8) por elas não pensarem como eu. Não nos esqueçamos de que o povo de Deus não se caracteriza apenas pelas qualidades de Apocalipse 14:12, mas também pela nobre virtude de João 13:35: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
Um abraço!
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Notas:
1. Igreja Adventista do Sétimo Dia. Declarações da Igreja: aborto, assédio sexual, homossexualismo, clonagem, ecumenismo e outros temas atuais (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 220.
2. Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005), p. 131.
3. Ibidem, p. 132.

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