Ética Cristã

Pensando biblicamente a respeito da pena de morte

Quero expressar minha gratidão e contentamento pelo artigo intitulado “Não Matarás!”, do Pr. José Flores Júnior, publicado na Revista Adventista no mês de março de 2015[i]. O autor pensou biblicamente e não se deixou levar por argumentos humanistas nada convincentes. Como destaca Alan Pallister, professor de Ética Cristã: “Nossa conclusão sobre essa problemática, primeiro, não deve ser determinada por sentimentos humanitários – que podem ser evocados nos dois sentidos –, mas sim pelo ensino bíblico”[ii]. Já afirmei no programa “Na Mira da Verdade” que cada pessoa tem o direito de ser contra ou a favor da pena de morte. Porém, aqueles que são contra, precisam aceitar que não podem usar a Bíblia a favor deles. Negar que as Escrituras sancionam a pena capital, desde que seja aplicada pelo Estado (Rm 13:1-5. Leia também At 25:11) é, no mínimo, tratar o texto bíblico irresponsavelmente. José Flores Jr. foi muito feliz em sua abordagem, especialmente no uso que fez de Gênesis 9:6, que diz: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”. Esse texto nos mostra que execução de um criminoso hediondo é transcultural. Desde o início da história pós-dilúvio, quando só existia Noé, sua esposa, filhos e noras (uma só cultura), o Criador autorizou o ser humano tirar a vida de assassinos[iii].

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E qual é a base divina para a aplicação de tal pena por parte de autoridades constituídas? Um conceito de valorização da vida muito mais amplo que aquele apresentado por qualquer comissão de “direitos humanos” do mundo: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”. Deus autorizou o poder judicial (não a você e eu, amigo leitor! Veja Rm 12:17, 19) a tirar a vida do criminoso porque Ele supervaloriza a vida que foi tirada pelo bandido. Enquanto que defensores dos “direitos humanos”, que não pensam biblicamente, valorizam a vida do criminoso, a Bíblia valoriza mais a vida da vítima, pois ela também é à imagem e semelhança de Deus. A vida é tão sagrada os olhos do Legislador divino que Ele exige o fim da existência daquele que criminosamente tirou o direito de outra pessoa viver. Mesmo que a pena de morte e a prisão perpétua não sejam a solução para a criminalidade (solução somente na 2ª Vinda de Cristo – Ap 21:4; 22:15), como bem disse o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia a respeito de Gênesis 9:6, “Deus tomou o cuidado de erigir uma barreira contra a supremacia do mal e, assim, lançou o fundamento para um desenvolvimento civil ordenado da humanidade”.[iv]

AMOR E JUSTIÇA DEVEM ESTAR DE MÃOS DADAS

Em contrapartida, o bispo Hermes Carvalho Fernandes argumentou, entre outras coisas, o seguinte: “Eu só poderia ser a favor da pena de morte se não acreditasse no poder que o evangelho tem de transformar monstros em homens de bem”[v]. Entretanto, essa é uma compreensão parcial do evangelho, revelado tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento (cf. Jo 5:39, 40). Biblicamente, o perdão de Deus, Seu amor e justiça trabalham juntos (Sl 85:10). A disposição dEle em perdoar qualquer ser humano não elimina as consequências pelos próprios atos (Veja-se Ezequiel 18:4 e Gálatas 6:7). Como afirmou José Flores Júnior, “O fato de que Deus quer dar o perdão até a quem praticou um crime hediondo não elimina as consequências do crime”[vi]. Alan Pallister segue uma linha argumentativa parecida, que também contraria a opinião de Hermes C. Fernandes: Teologicamente, não é correto afirmar que, devido à morte de Jesus na cruz, todos os homens possuem de fato a salvação e serão libertos do inferno. Esse argumento cai no erro do universalismo. Jesus morreu por todos na cruz, mas alguns são condenados com justiça pelos seus pecados. Na dimensão temporal, uma pessoa por quem Jesus morreu ainda pode ser condenada à morte […] O fato de Jesus ter aberto o caminho da salvação, por meio de Sua morte expiatória na cruz, providencia um lugar seguro no céu para aqueles que creem nEle. Não remove qualquer penalidade que a sociedade humana se veja na obrigação de aplicar […][vii]. Além disso, o perdão que Jesus disponibiliza não é e não será aceito por muitas pessoas (Ap 20:8,9), que rebeldemente rejeitam aos apelos do Espírito para convencê-las “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8-10). Portanto, continuarão a matar, estuprar (inclusive criancinhas), sequestrar, etc, aumentando o número de vítimas inocentes e famílias desgraçadas. Pretendo demonstrar, noutra ocasião, tanto biblicamente quanto filosoficamente[viii], que a pena capital é tão necessária hoje quanto o foi nos tempos bíblicos, e que falhas humanas não excluem a necessidade de castigo, do mesmo modo que erros judiciários não excluem a necessidade de prisões. Enquanto isso, expresso minha gratidão a José Flores Júnior e à Revista Adventista por uma matéria tão importante, e que com certeza ajudará a muitos cristãos a pensarem mais biblicamente. Além disso, volto a recomendar (como o fiz num post anterior) que todo aquele que deseja entender o assunto biblicamente leia o excelente artigo intitulado “‘Não matarás: uma reflexão sobre os argumentos contra a pena de morte à luz do sexto mandamento”. Para lê-lo e/ou baixá-lo em seu computador, clique no arquivo a seguir:  Significado do mandamento Não Matarás e a Pena de Morte Escrito por José Flores Junior, foi publicado pela revista acadêmica Kerygma, do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) e constitui-se num material sério e, acima de tudo, bíblico. Refuta com propriedade os “argumentos” usados contra a pena capital e se constitui num auxílio extraordinário àqueles que desejam aprender o significado de direitos humanos à luz das Escrituras. Veja mais aqui:

REFERÊNCIAS

[i] José Flores Júnior, “Não Matarás! Os argumentos contra a pena de morte são Válidos?” Revista Adventista, março de 2015, p. 50. [ii] Alan Pallister, Ética Cristã Hoje: vivendo um cristianismo coerente em uma sociedade em mudança rápida (São Paulo: Shedd Publicações, 2005), p. 137. [iii] Não confundir pena de morte [como aplicação da justiça] com o homicídio, praticado friamente e proibido em Êxodo 20:13 e Deuteronômio 5:17. Veja-se também Êx 21:12-14, 16; Lv 20; Dt 21:22; Dt 24:7; Lv 20. [iv] Francis D. Nichol e Vanderlei Dorneles, (editores), Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 1 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011), p. 254. Série Logos. [v] Hermes C. Fernandes, “Pena de Morte: Como me posiciono apesar do que a Bíblia diz”. Disponível em: http://www.hermesfernandes.com/2013/07/pena-de-morte-como-me-posiciono-apesar.html Acessado em 13 de março de 2015. [vi] Júnior, “Não Matarás!”…, p. 50. [vii][vii] Pallister, Ética Cristã Hoje…, p.p. 139, 140. [viii] Em um post onde responde à pergunta “A Bíblia autoriza a pena de morte?”, brevemente refuto ao argumento de que não se deve instituir pena capital “porque poderiam morrer inocentes”. Para ler, clique aqui:

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26 comments

  1. Caro irmão Leandro, o Espírito Santo vai te mostrar que Deus jamais autorizou Estado algum a ceifar a vida humana, primeiro porque no tempo de Noé não havia Estado; além do mais, no tempo de Paulo era o Estado que cometia diversos abusos em nome de uma pretensa justiça puramente humana. Me mostre as passagens nas quais voce fundamenta seu ponto de vista e eu posso refutar cada uma delas por meio de uma análise do texto bíblico e do contexto.

    1. Caro Fábio: vou considerar brevemente duas coisas.

      1o: O Espírito Santo não irá me revelar algo contrário ao que Ele já revelou nas Escrituras.

      2o: Leia meu artigo com atenção, especialmente o artigo em PDF do Pr. José Flores Jr, pois em ambos estão os textos bíblicos.

      Fico no aguardo de sua refutação a tais textos já apresentados.

      Fique na paz.

    2. Não vai Fábio. Ele está convicto de que a verdade repousa nele (Leandro). Quando ele acha que qualquer argumentação contraria a dele é infundada e equivocada , ele diz, em outras palavras que não adianta argumentar. Só há uma explicação: O deus que ele conhece não é o mesmo que nós conhecemos. Nós conhecemos o Deus que diz: ” Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. 39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, …”….Lamentável. Essa percepção pessoal que ele tem de deus só depõe contra o evangelho.

      1. Eliana: antes de comentar com você e Fábio a respeito, você leu os artigos sobre a pena de morte, inclusive aquele material acadêmico de José Flores Júnior onde ele explica a questão do “olho por olho e dente por dente” dentro do contexto bíblico?

        Se não leu, precisa fazer isso para entrar preparada para uma discussão séria. Caso tenha lido, peça a Deus humildade para mudar seus conceitos totalmente influenciados por uma filosofia esquerdista que não quer compromisso com as Escrituras.

        Sou bíblico e, por isso, sempre serei à favor da pena de morte para crimes hediondos. Caso você um qualquer outra pessoa, inclusive teólogo, me provar que a Bíblia valoriza mais os criminosos que as vítimas (terão de me fornecer uma nova interpretação de Gênesis 9:6) mudarei de opinião. Do contrário, só o que posso fazer é lhe aconselhar a “pensar biblicamente” sobre o assunto.

        Graça e paz.

  2. Leandro ótimo texto, muito esclarecedor e bem equilibrado. No meu entendimento estou em pleno acordo contigo. Soube de um policial que queria fazer tudo corretcorretamente, mas após uma cena que viu ele e seus colegas de farda mataram os bandidos. Foi na casa de um advogado que os meliantes atuaram, roubando tudo o que puderam e detruindo o que não se podia levar. Estupraram as mulheres em frente às crianças e se não me falha a memória mataram o advogado e mais alguém. Tudo ali em frente aaos filhos. Revoltado ele saiu com sua equipee quando encontraram os criminosos não tiveram a mínima consideração, foram además de poiliciais, foram juízes e algozes. Creio uqe pela revolta que sentimos isto parece estar correto já que não existe pena de morte no Brasil, mas a questão é que segundo as leis civis vigentes, e mesmo a Bíblia, eles não podiam ter feito isto, certo?
    Bem, gostaria de tua opinião e além desta outra mais. Em aso de que o advogado pudesse defender sua família, e aconteceu algo semelhante no Paraná, o homem tomou a calibre 12 dos marginais e disparou ferindo mortalmente aoa bandidos. Creio que eram 4 e parece que matou a todos. Neste caso, paa defender minha vida e/ou da minha família ou de outra pessoa, que respaldo a Bíblia me dá? Antes dos direitos humanos invdirem as leis a lei nos brindava legitima defesa. Os juízes numa simples análise circunstancial viam vida pregressa, onde ocorreu e davam veredicto favorável ao cidadão. Mas hoje mesmo a polícia tem problemas se alvejar um contumaz marginal durante um tiroteio.
    Se podes responder seria muito bom. Muito obrigado.

    1. Estimado Alexandre: você entrou em questões muito importantes. Seríssimas! Vou ponderar com você à Luz da Bíblia para crescermos juntos nessa discussão saudável.

      Dá para escrever um novo artigo com o que você trouxe à tona. Vamos lá.

      1o: O primeiro caso terrível que citou demonstra claramente que pelo fato de o Brasil ser um país de impunidade e com punições desproporcionais ao crime , as pessoas acabam resolvendo as coisas da maneira errada, fazendo “justiça” com as próprias mãos. Se o crime hediondo fosse devidamente punido com a pena de morte segundo as Escrituras, por Autoridades Constituídas, muitos civis (até mesmo policiais) teriam mais motivação para esperar pela justiça.

      2o. A Bíblia só autoriza a pena de morte depois que a pessoa é devidamente julgada, com o depoimento de testemunhas (Êx 35:12, 30). Porém, nesse caso em particular, quando policiais testemunharam as mortes resultantes do estupro e tortura, apesar de não ser o ideal, Deus entende a dor e a revolta desses policiais. Eles estavam no exercício da profissão. São seres humanos que sentem a revolta e precisam ser compreendidos.

      3o. No exercício da profissão, segundo a Bíblia, em casos emergenciais, o Criador autoriza o policial a matar. Se a vida de uma pessoa íntegra está em jogo ou a do próprio policial, não vemos nada na Bíblia que condene tal ato. Em Lucas 3:14 João Batista (que não temia chamar o pecado pelo nome), ao aconselhar espiritualmente soldados romanos, ensinou-os a serem honestos na profissão e não cogitou sequer proibir eles de tirar a vida do criminoso em circunstâncias emergenciais. Se houvesse tal proibição da parte do Criador, com certeza teria sido mencionada pelo profeta.

      4o. Em relação ao segundo caso que citou, Deus protegia a pessoa que matasse acidentalmente ou em legítima defesa. Leia sobre as Cidades de Refúgio estabelecidas para esse propósito. Por exemplo, leia Êx 21:12-14; Nm 35:9-34.

      Pena que no Brasil os direitos humanos sejam para criminosos e não para as vítimas…

      Certo é que Deus perdoa a qualquer criminoso. Porém, não o livra das consequências de seu crime. A história do criminoso na cruz que recebeu o perdão de Jesus ilustra muito bem isso (ver Lc 23:42, 43).

      Grande abraço!

  3. Olá Leandro Quadros, queria muito fazer uma de minhas perguntas, sou fã de seu programa Na Mira Da Verdade com Tito Rocha. Minha pergunta é:Porque Jesus Cristo teve vários nomes(Emanuel,Messias e por fim Inri Cristo) ? Obrigado desde já.

    1. Estimado Guilherme: obrigado por sua pergunta.

      Na Bíblia Jesus possui vários “nomes” porque na mentalidade hebraica, o nome expressa qualidades de caráter do indivíduo. Portanto, é comum nas Escrituras as pessoas terem mais de um nome. No caso do nosso Salvador, ocorre o mesmo: com Ele apresenta não somente qualidades mas também funções diversas, Ele é apresentado com nomes distintos (e complementares) que destacam tais aspectos de Seu caráter e função na criação e no plano de Salvação.

      No caso de “Inri Cristo”, não é uma designação bíblica a Ele.

      Fique na paz!

  4. Ola Professor Leandro Quadros!
    Achei muito bacana esse post sobre pena de morte, mas tive algumas duvidas referente a alguns personagens bíblicos como Caim e Davi, ambos cometeram assassinatos, um matou o irmão e o outro tramou a morte de um homem inocente e ainda ficou com a esposa dele!Porque para ambos Deus não aplicou a pena de morte?Bom sabemos que foram punidos severamente mais não com a pena de morte!

    Desde já agradeço a atenção, sou um grande fã do seu trabalho!

    Deus o abençoe!!!

    1. Estimado Celso: realmente, há casos especiais em que Deus, em Sua Onisciência, decide não punir o pecador. No caso de Davi, ele merecia a morte, mas ele não era um criminoso em potencial. Errou, teve um arrependimento profundo e pagou um preço mais alto que a própria vida: a vida do filho que nasceria como fruto do adultério.

      Há uma razão interessante para Deus ter poupado Caim. Extrairei a explicação a seguir do artigo de José Flores Jr., que disponibilizei no meu post em formato PDF. A citação a seguir se encontra na p. 94:

      “Por que Deus proibiu a morte de Caim? Por que Jesus não permitiu a morte da mulher pega em flagrante adultério? Seria isto justificativa contra a pena de morte? No caso de Caim, Deus disse que o sangue de Abel clamava por justiça (Gn 4:10). Podemos notar que Caim esperava ser morto pelo crime que cometeu (v. 14). Notamos também que a pena de morte foi pronunciada contra os supostos assassinos de Caim (v. 15). A escritora Ellen G. White comenta a este respeito:

      “Poupando a vida do primeiro homicida, Deus apresentou diante de todo o Universo, uma lição que dizia respeito ao grande conflito. A história de Caim foi uma ilustração de como teria sido o resultado de permitir o pecador viver para sempre, para prosseguir em sua rebelião contra Deus. Quinze séculos depois de pronunciada a sentença sobre Caim, o universo testemunhou os frutos de sua influência e exemplo, no crime e corrupção que inundaram a terra (WHITE, 1995 p. 40).

      Veja a conclusão de José Flores Jr:

      “Logo, Deus não estava proibindo a pena de morte e sim mostrando ao mundo o que pode acontecer se um criminoso como Caim continuasse com vida”.

      Veja que as exceções para a não punição com a pena capital não se constituem na regra (Gn 9:6).

      Obrigado por suas considerações. Um abraço e que Deus o guarde!

      1. Obrigado pelo esclarecimento!!
        Tambem gostaria de lançar uma outra pergunta que não é exatamente sobre pena de morte mas sobre o que a bíblia nos ensina sobre porte de armas?Um cristão poderia andar armado para se proteger?
        Um grande abraço professor!!

  5. Bom dia, irmão Leandro Quadros

    Estou esperando as suas considerações sobre o material que postei.

    1. Caro Fábio: em breve farei minhas considerações. Obrigado por participar de nossa discussão. Um abraço e até logo.

      1. Querido irmão Leandro, devo supor que, como você não publicou uma resposta, as minhas considerações estão corretas, e, neste exato momento, você está convenciodo de que a pena de morte não pode ser um desejo no coração daqueles que são seguidores e discípulos de Cristo.

        O próprio Cristo disse: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

        Jesus considera que o homicídio começa no coração (mente) e qualquer que, sem motivo, se enraivecer contra um irmão, será réu de juízo.

        E mais uma vez Jesus disse: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

        Jesus considera que o simples ato de desejar no seu coração (mente) ter a mulher do seu próximo para si é um ato de adultério.

        De acordo com Jesus o pecado começa no coração (mente), e por este motivo Ele disse: “Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem.
        Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem”.

        Se o teu coração é cheio do mal, a sua boca vai falar o mal, as suas mãos vão praticar o mal, e os teus pés vão caminhar os passos do mal, até o momento em que o seu mal atingirá o seu próximo.

        Do coração procedem os maus desígnios. Se o pecado começa no coração (mente), devemos cultivar pensamentos e sentimento bons e eliminar os de natureza diabólica.

        Para os que pensam o bem e nutrem um sentimento bom para com o seu próximo Jesus diz em Provérbios: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.

        Se alguém, à quem sempre fizemos o bem, fez o mal para nós, devemos seguir o conselho de Cristo: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?”.

        O maior de todos os mandamentos, e deste mandamento depende toda a Lei e os profetas, é: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração (mente)”.

        Da mente procedem as saídas da vida e da morte, mas não convém sque seja assim.

        Querido irmão Leandro, se o teu coração, em algum momento, desejar que o Estado Brasileiro institua a pena de morte no Brasil para os praticantes de crimes hediondos, por acaso, o teu coração (mente) estará em Deus?

        Você sabe que o Senhor odeia aquele que no seu coração deseja o mal contra o seu próximo: “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas. E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio diz o Senhor. Zacarias 8:16,17”.

        Jesus te ama Leandro e ama inclusive os maus, e você deve procurar abandonar qualquer debate que possa aniquilar a graça de Deus, porque depois da morte não existe salvação, é o fechamento da porta da graça.

        Deus quer que todos sejam salvos.

        Ao mau irmão na fé, Leandro Quadros.

        1. Prezado irmão Fábio: não publiquei sua resposta porque ainda estou na fase de conclusão de minha dissertação, de modo que atrasei em moderar os comentários. Com todo respeito que tenho pelo irmão, sua opinião sobre a pena de morte é totalmente infundada. O irmão precisa reler os artigos e tentar embasar seu comentário biblicamente. Além disso, a punição devida do criminoso em nada diminui o amor de Cristo por ele. Basta ver o episódio na cruz, onde Cristo perdoou o criminoso, mas não impediu que o mesmo pagasse pelo que fez.

          O irmão está bem intencionado, porém, seus conceitos de amor e justiça não são bíblicos.

          Fique na paz de Cristo.

          1. Porque razão Jesus impediria a execução da justiça humana? Isto não seria uma intervenção no livre-arbítrio que Deus deu aos homens? Além do mais Deus já disse que: “o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia”.
            Eu prefiro acreditar que nem o pior dos ladrões merece a pena de morte, porque está escrito: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”.
            Se eu, merecendo a morte, recebi a vida por meio de Jesus, também quero que todos os homens cheguem ao conhecimento da verdade e se arrependam e recebam a vida.

  6. Olá professor Leandro, graça e paz do Senhor, fiquei muito feliz pelo senhor ter respondido meu comentário. Sabe professor, eu gosto muito da lei, aprendo muito com cada preceitos da sagrada Torá, embora não consiga observar todos de forma adequada, busco apenas ser um crente melhor a cada dia e adorar a Deus da melhor forma, dentro da minha fé pentecostal; sou contra o antinomismo por parte de alguns de meus irmãos na fé evangélica, posso dizer que sou teonomista em certos aspectos, pois gostaria de viver em uma sociedade em que a Lei de Deus fosse o parâmetro de justiça e verdade, tanto nacional, como para a vida do crente, mas sinceramente, confesso que a questão da pena de morte, meche muito comigo, assim como a crença calvinistas que diz que Jesus não morreu por todos; mas admiro os irmãos reformados em outros aspectos, como por exemplo o teonomismo. Se pensarmos em condenação por crimes hediondos, tais como: homicídio, pedofilia, estupro, latrocínio e etc, a maioria dos cristãos (até os antinomistas) seriam a favor da pena capital, mas se pararmos pra pensar que a lei também ordena pena capital para homossexuais, adúlteros e etc, é difícil, mesmo que homossexualidade e adúlteros sejam pecados perante a lei divina, é difícil querer a morte deles, mesmo que a lei aprove. Já fui homossexual, e certo irmãos adventistas disse uma vez, que os gays deveriam morrer, aquilo me machucava muito, hoje sou liberto por Jesus. Um grande abraço e desculpa qualquer desabafo.

    1. Caro irmão Mateus: seu desabafo é de grande valor para mim e para os demais leitores. Parabéns por sua coragem, fé e amor por Jesus.

      Assim como o irmão, sou contra o antinomismo que considero diabólico (assim como a dupla predestinação). Porém, reconheço como o irmão que não sou apto para fazer a vontade de Deus sem que Ele me conduza (Rm 2:4; Rm 7). E mesmo assim, acabo vacilando e caindo por me afastar dEle. Nossa natureza é corrupta demais (Jr 17:9), porém, graças a Deus por não sermos como os antinomistas que, ao invés de reconhecerem que o problema está em nós, colocam a culpa na Lei, que é “santa, justa e boa” (Rm 7:12). O dia que eles diferenciarem isso, a graça terá muito mais significado para eles.

      A questão da pena de morte para adúlteros e homossexuais tem aspectos curiosos. Deus exercia tal pena para casos de pessoas pegas em flagrante e que estivessem pecando atrevidamente contra ele – veja como exemplo o apanhar lenha no sábado de forma atrevida, como vemos em Números 15:30-36. Outro exemplo de pena de morte é para aquele que amaldiçoava os pais (ver Êx 21:17).

      Isso significa que Deus não executaria a pena capital sobre um homossexual que estivesse lutando para vencer suas tendências – e nem sobre um adúltero que tivesse pecado e, ao mesmo tempo, se arrependido e lutado para vencer o vício.

      As nações pagãs praticavam todo tipo de depravação sexual. Era para evitar que o povo caísse no mesmo erro (vindo até a praticar pedofilia) que Ele deu a pena capital também para esses casos de pecado atrevido.

      Já a punição para crimes hediondos, dada originalmente em Gênesis 9:6 (veja: a homossexualidade não foi tratada na ocasião), existiu nos tempos bíblicos para refrear o mal. Dar ao criminoso em potencial a certeza de que se ele matasse, morreria. Era a forma de Deus mostrar o valor que Ele dá à vida da vítima – ao contrário dos direitos humanos que dá valor à vida do criminoso…

      Espero ter contribuído para sua reflexão. Se um dia se sentir à vontade para dar seu testemunho da vitória contra a homossexualidade (total ou parcial, não importa), saiba que será uma honra para mim entrevistá-lo, preservando seu anonimato.

      Um abraço caro irmão e que Deus o abençoe e guarde.

  7. E o que dizer dos mártires que a igreja católica causou

    1. Pedro: algumas coisas para considerarmos:

      1. Os erros do catolicismo não devem ofuscar o padrão bíblico de justiça.
      2. A Bíblia não autoriza a IGREJA a matar, mas apenas o ESTADO.
      3. Deus não aprova a união entre Igreja e Estado por causa desse uso abusivo do poder.

      Grato por seu comentário.

  8. Realmente quem discorda do Leandro Quadro, discorda de Deus, do apostolo Paulo porque tem visão esquerdista não bíblica!

  9. Boa noite querido Leandro Quadros!

    Li seu post sobre a pena de morte e fiquei um pouco abismado pelo seu comentario, pelo fato de você ser adventista eu achei que você iria defender a criminalidade com o amor de Deus. Também sou adventista, se formos pensar no ponto de vista bíblico realmente voce tem a razão. Nós colhemos pelos frutos que plantamos, a vida de um criminoso não pode valer mais do que a vida de um inocente nem mesmo um inocente tem mais privilégio de receber o perdão de Deus do que um criminoso. Como você mesmo disse! Não é porque Jesus perduou o bandido na cruz que todo mundo vai para o céu, o perdão existe mas as consequências também. As pessoas têm mania de culpar Deus por tanta desgraça mas não sabem que o verdadeiro culpado de tudo isso somos nós seres humanos por que somos nós que fizemos as nossas próprias escolhas, por mais que Deus saiba que uma possa ir para o mau caminho ele mesmo nos deu o livre arbítrio. Somos responsáveis pelas nossas escolhas. Não tenho o direito de tirar a vida de ninguém é também ninguém tem o direito de tirar a minha, se a humanidade vivesse comforme a biblia realmente seríamos mais felizes, Deus não ensina a violência, pelo contrário, ele ensina que dependente da nossa atitude nós mesmos seremos responsáveis por ela. O homem criou leis diferentes e chegamos na decadência da vida humana onde a o mal tem mais privilégio do que o bem, Deus não ensina a matar e nem punir, Deus mostra as consequências das nossas atitudes e escolhas. Grande abraço e penso na mesma forma que vc.

    1. Hã! A não ser que os assassinos sejam os próprios agentes do estado não é?

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